terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Os Ídolos e as Joias

“Porque todos os deuses dos povos são ídolos; mas o Senhor fez os céus”
Salmo 96:5

Se a suméria queria ter uma religião, precisava de um mito de origem. Deixando de lado a fé monoteísta de Noé, seus descendentes passaram a divinizar as forças da natureza usadas pelo Criador para criar o universo.
O céu; sabiam eles, era onde estava o Criador de Adão e do mundo, do qual Noé falou aos seus antepassados, sobre um Deus além do tempo e da criação. Mas em sua busca por visualizar o divino, o próprio céu foi personificado e divinizado, deixando de ser morada divina para ser o próprio deus. Eles o chamaram de Anu ou An e logicamente se eles tinham esposa, imaginaram que o deus céu deveria ter como esposa a mãe de todos eles, ou seja, a terra que por tradição Adâmica, sabia-se que o primeiro homem havia sido feito do barro.
Filhos de An(céu) e Ki(terra) começaram a surgir como deuses, espíritos e demônios. Entre os sumérios, perdeu-se o conceito de anjo que os patriarcas tinham a respeito dos mensageiros de Deus e estes foram identificados como deuses. Teriam estes anjos caídos, aparecido aos homens primitivos como espíritos ou seres divinos pedindo adoração? Note que muitos de seus deuses tinham asas, tal como os anjos descritos na Bíblia.
Eles ainda tinham um problema. Como apresentar os deuses ao povo? Como o sacerdote poderia justificar o templo como a morada dos deuses e com isto pedir o seu sustento?
Se o barro podia dar forma às coisas e o próprio homem vinha dele, por que não através da cerâmica e da escultura, visualizar os deuses? Assim nasceu os ídolos, o que pareceu bom para o povo, pois agora podiam tocar no deus e até leva-lo para sua casa. Uma maneira mais simples e misteriosa era representa-los por símbolos que aos poucos receberam conceitos místicos. Aquilo que era transcendente e distante, agora era próximo e por que não tão próximo que não pudesse ser carregada no corpo, levando o deus protetor a toda parte e garantindo proteção permanente?
Em resposta, surgem os amuletos sempre relacionados às joias, tendo poderes místicos em determinados metais e pedras que atraiam as forças sobrenaturais! Pense em por que o ouro é caro? Por que é raro? E por que alguém precisa procura-lo? Arte seria futilizada na moda para ressaltar as pessoas umas das outras, nobres de comuns, ricos de pobres, poderosos de fracos. Unida à idolatria, a moda faria uma parceria que jamais abandonaria a história da vaidade humana.
O valor de uma pessoa estava no que usava, então, se isto a deixasse com ar de poder, talvez ela fosse admirada como os deuses! Divindades femininas como Inana são sempre retratadas repletas de joias e ornamentos para apresenta-la de forma sensual e com ar de poder! No mito desta deusa, ela visita o mundo inferior e tem que se desfazer destas joias. Joias eram símbolo de status e distinção. Os artesãos da Mesopotâmia eram grandes ourives. Em Ur, a indumentária feminina era especialmente valorizada por braceletes, colares de pedras, brincos dourados e toucas com finos motivos florais.
Curiosamente na Bíblia os ídolos estavam associados às joias e toda vez que o povo de Deus foi chamado a um reavivamento, chamado a ser diferente do mundo e voltar à religião pura e original, abandonavam os ídolos e as joias.

Por Pr. Ericson Danese

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Suméria, berço das cidades, idolatria, sincretismo e ecumenismo

Por isso se chamou o seu nome Babel, porquanto ali confundiu o SENHOR a língua de toda a terra, e dali os espalhou o SENHOR sobre a face de toda a terra.”
Gn. 11:9

No início as primeiras cidades eram conjuntos de famílias e amigos mais achegados se reunindo por afinidades para sobreviverem juntos. Tão logo a população cresceu, a necessidade destacou as personalidades de liderança, gerando o protótipo dos líderes que se tornariam os reis e dos sacerdotes.
Naturalmente religioso, o homem presumia pelas forças da natureza a interferência do mundo espiritual em sua vida e deseja se comunicar com este mundo para sentir-se seguro. Todavia nem todo rei ou chefe tribal tinha vocação religiosa ou habilidade de fortalecer a fé de seus liderados, alguns chefes tribais poderiam ser tal como o Esaú bíblico que desperdiçou seu direito a primogenitura e liderança religiosa do clã. Neste caso, pode ser que uma esposa, mãe, irmão ou parente começou a auxiliar o rei, surgindo assim o clero e com o tempo suas especializações, tais como sacerdotes, curandeiros, adivinhos, exorcistas e outros.
Na Suméria que florescia pontilhando a região da Mesopotâmia com cidades-estados, havia necessidade de organizar os limites da cidade e das propriedades. A terra foi considerada propriedade do Criador, os deuses emprestavam a terra aos homens, em troca os homens mantinham sua adoração e todo o complexo do templo que era sua moradia.
Foi neste momento de organização que uma invenção fantástica revolucionou o mundo! A terra, as colheitas e as ofertas necessitavam de contagens e registros e assim deve ter surgido à escrita. Depois, a própria tradição religiosa e os rituais encontraram uma forma de representação através da arte e da escrita. Os sacerdotes sumérios registravam e arquivavam tudo nos templos e o rei, encarnava e mediava a vontade dos deuses.
Aqui vemos uma diferença marcante entre o paganismo e o monoteísmo Judaico Cristão. Na Bíblia, o patriarca era o sacerdote e depois a nação inteira deveria ser uma nação de sacerdotes. É a constante ameaça de idolatria que forçaram o surgimento dos Levitas como sacerdotes especializados em tempo integral. Porém, a partir do Novo Testamento com o advento da igreja, o sacerdócio de todos os crentes é regatado por Jesus e seus apóstolos.
O mesmo se deu com a figura do rei, o povo de Israel não vê em Moisés ou Josué a figura de um rei, nem mesmo há sucessão hereditária, pois Deus é o rei de seu povo! Quando Israel se estabelece na terra, Deus lhes apresenta o conceito de líderes locais num sistema de governo que eles chamam de ‘Juízes’. Somente depois que o povo insiste em ser igual a outras nações, Deus estabelece a monarquia, onde Ele escolhe seu representante, faz aliança com ele e com sua família e o remove quando quer. O rei de Israel não é o soberano, mas digamos um ‘protetor do trono’ para o Rei que virá!
Na suméria pagã e nas civilizações idolatras que a sucedeu pelo mundo todo, a religião é o elemento unificador, motivador, definidor de padrões morais e grande conforto a busca existencial. Quando os soberanos entenderam este poder, dominaram a religião para poder executar seus propósitos com apoio popular. A religião era mais eficiente do que o exército, pois garantia a cooperação.
Mais e se alguém questionasse a religião? Então o exército agia! Mas e se a própria religião questionasse os governantes e o exército? Então, mudavam a religião, os sacerdotes, a teologia e até os deuses! Assim as religiões e deuses foram se diversificando nos primórdios de nossa civilização. Ideias diferentes, mais deuses. Novos propósitos, novos deuses!
Por isso a suméria antiga é conhecida como inventora das cidades, mas junto vieram as muitas religiões. Prova disso é o deus padroeiro de cada cidade sumeriana. Com os séculos, os casamentos, as guerras e o comércio entre estas cidades misturaram as religiões e intercambiaram as concepções locais de deuses. Assim surgiu a idolatria e as muitas religiões!

por Pr. Ericson Danese
Bibliografia, ibid postagem anterior.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Os Sumérios e os descendentes de Noé

Ora, em toda a terra havia apenas uma linguagem e uma só maneira de falar. Sucedeu que partindo eles do Oriente, deram com uma planície na terra de Sinar; e habitaram ali. E disseram uns aos outros: Vinde, façamos tijolos e queimemo-los bem. Os tijolos serviram-lhes de pedra, e o betume, de argamassa”.
Gn. 11:1-2

Provavelmente, alguns anos após o Dilúvio o clima começou esfriar e ressecar. Talvez o frio das glaciações tenha empurrado os descendentes de Noé aos vales em busca de calor e fertilidade do solo da Suméria, a terra de Sinar. A cordilheira do Ararat fica próxima aos montes Zagros e do planalto Iraniano, a tradição Babilônica do dilúvio diz que os sobreviventes desceram nos montes Zagros, o que pode concordar com a Bíblia dizer que o povo saiu de oriente para encontrar o vale do Tigre e Eufrates. Historicamente, a origem do povo Sumério é um mistério, mas a teoria mais aceita é que eles migraram do planalto do Irã, ou do norte da Suméria e talvez das montanhas ao oriente, o que aproxima os bíblicos descendentes de Noé com os povos Sumérios.
Por sua linguagem diferente eles são apresentados como invasores que se mesclaram aos povos daquela região, onde já habitavam povos semitas. No entanto eles são a evidencia de Camitas vivendo entre os Semitas. São povos de cultura idêntica, vivendo ao mesmo tempo no mesmo lugar mas com língua distinta.
O arqueólogo Dr. Rodrigo Silva relata sobre um tablete Sumeriano com a correspondência entre dois reis no qual um relata ao outro de que houve uma era de ouro na Mesopotâmia, onde havia harmonia nos idiomas da Suméria e todo o povo adorava em uníssono a Enlil em uma só língua.[1]
Há ainda outras curiosas semelhanças entre os descendentes de Noé e os Sumérios. É nos dito que após o dilúvio, ocorre a embriaguez de Noé com vinho, sendo que entre os sumérios o vinho já era conhecido e atribui-se a eles a invenção da cerveja. Zigurantes (pirâmides escalonadas) dos Sumérios eram feitas de tijolos cozidos, com betume por argamassa, pois a região era pobre em pedras, exatamente como descreve a Bíblia em (Gn. 11:3).
A Bíblia apresenta os descendentes de Noé como uma inteligente civilização capaz de empreender obras complexas como a Arca de Noé, a Torre de Babel e cidades logo após o Dilúvio. A Suméria histórica surge de forma abrupta com cidades, ciência, astronomia, matemática avançada usando o sistema baseado nos números 6 e 10 usando relógios e calendários com 60 segundos, 60 minutos e 12 horas. Eles são os inventores da escrita (cuneiformes), da roda, da roda de oleiro, astronomia, agricultura e pecuária. Tantos avanços poderiam surgir abruptamente em conjunto fruto de povos emergentes da idade da pedra?
A Bíblia diz que antes do dilúvio havia criação de animais (Gn. 4:2), em especial ovelhas e sabemos que na Arca de Noé havia rebanhos de ‘animais limpos’ gado, ovinos e caprinos para consumo humano após a catástrofe. Mais uma vez os Sumérios se encaixam na descrição de povos pós diluvianos pois a eles é atribuída a domesticação de ovelhas, gado e a criação em grande escala destes animais! Além disso, usavam o boi para o trabalho, o jumento para carga de carroças e a lã para suas roupas.
A Bíblia diz que Noé era agricultor (Gn.9:20) e os Sumérios, seus descendentes, estão entre os pais da agricultura desenvolvendo sementes de trigo, cevada, grão de bico, verduras e legumes diversos. Além de sistema de calendário de colheitas usavam irrigação artificial, diques e aparelhos de debulha rudimentares.
Até mesmo nos pequenos barcos que percorriam o Eufrates encontramos um detalhe comum com um ‘velho e grande barco Bíblico’. Entre os modelos Sumérios havia um tipo de barco calafetado com betume.
Se nossa história começou no vale do Tigre e do Eufrates, que dizer dos artefatos da idade da pedra no mundo inteiro?
Imagine que você e sua família, com poucos recursos devem deixar sua cidade e colonizar uma terra selvagem e completamente nova. Certamente vocês voltarão à idade da pedra! Onde não há fábricas, comércio e civilização a sociedade voltará a ser de caçadores e coletores fabricando ferramentas rudimentares.
Em muitos lugares, os grupos dispersos tendo conhecimentos e recursos diferentes alcançaram níveis culturais diferentes. Muitos nômades, caçadores e coletores nunca desenvolveram uma civilização. Ainda hoje, contemplamos diferentes níveis tecnológicos em plena era da internet. Assim como há pessoas em vídeo conferencia nos arranha céus de Nova Iorque, ou na moderna Tóquio, há índios no interior da Amazônia que nunca viram um carro ou um homem branco e vivem na idade da pedra.
Algo similar ocorreu com os povos que iam migrando após o episódio da Torre de Babel! Alguns tinham a roda, a matemática e a escrita, enquanto outros eram apenas caçadores e coletores, tendo muitas vezes ocupado cavernas para abrigar-se das intempéries. Alguns tinham a técnica aprimorada da cerâmica, enquanto outros tinham uma vaga ideia e foram forçados a produzir uma versão rudimentar desta arte. Enquanto alguns já fundiam ligas metálicas, outros não sabiam como fazer e tudo o que conseguiram era lascar pedras.
O surgimento abrupto de tão complexa civilização testemunha que os Sumérios são herdeiros de uma antiga e perdida civilização que possuía grandes avanços antes do dilúvio descrito na Bíblia, mas teve que recomeçar do marco zero com recursos limitados. Não foram milhares de anos progressivos de um passado bestial e ignorante que nos legou a civilização! Há uma lacuna intransponível entre este mundo da idade da pedra e a luxuosa Suméria, a terra dos descendentes de Noé e pais da humanidade! 

Por Pr. Ericson Danese


Pesquise Mais em:
·         Bill Cooper, Depois do Dilúvio, Sociedade Criacionista Brasileira.
·         Ellen G. White, Patriarcas e Profetas, Casa Publicadora Brasileira.
·         Ellen G. White, História da Redenção, Casa Publicaora Brasileira.
·         Gleason L. Archer, Jr. Merece confiança o Antigo Testamento?. Vida Nova
·         Philip Wilkinson, Mitos e Lendas Origens e Significados, WMF Martinsfontes, São Paulo, 2010.
·         Rodrigo Silva, Escavando a Verdade. Casa Publicadora Brasileira
·         R. N. Champlin, Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia. Hagnos
·         Rubens Aguilar, 'Arqueologia' em notas de sala de aula de Ericson Danese
·         Samuel J. Schulz. A história de Israel. Vida Nova
·         Serie Logos, Comentário Bíblico Adventista do Sétimo Dia Vol. 1 (Gn.-Dt), Casa Publicadora Brasileira, 2012.




[1] Rodrigo Silva, 74.

domingo, 29 de janeiro de 2012

Quem se importa com os Acadianos?

“Disse-lhe mais: Eu sou o Senhor, que te tirei de Ur dos caldeus, para te dar esta terra em herança.”
Gn. 15:7

A Bíblia apenas menciona em Gn. 10:10 o nome da cidade a qual acreditamos que eles tiveram origem. Acade (sig. Fortaleza), fundada ou dominada por Ninrod, chamada também de Agade, que denominou o império Acadiano, conhecido como primeiro império do mundo, estendendo-se do Golfo Pérsico a costa da Palestina. Na verdade, a maior parte do que sabemos sobre eles vem de estatuetas e inscrições cuneiformes da época do primeiro império Babilônio. Essas cópias feitas por escribas Babilônios apresentam tabletes de reis Acadianos que viveram séculos antes.
Os motivos das inscrições eram muitos, mas foram os Acadianos os primeiros a usar as stelas e murais de vitória para propaganda política, influenciando o povo e contando os fatos como lhes convinha.
Em muitas destas inscrições o rei era apresentado como o escolhido dos deuses, eleito para ser o soberano, para defender os marcos de suas cidades e promover os altares dos deuses, do qual ele era o mediador entre eles e os homens. As terras eram consideradas dos deuses e se pagavam contribuições aos sacerdotes pelo uso delas. Estar no controle da fé era um bom negócio e os soberanos acadianos não abriam mão disso.
O rei é apresentando como vitorioso esmagando os inimigos dos deuses, a estela de Naran Sin o apresenta como um vitorioso que pisa e transpassa seus inimigos e usa uma coroa com cornos, símbolo visto em muitos deuses sumérios e acadianos.
O exército Acadiano era mais versátil que o exército sumério convencional. Os acadianos distribuíam sua tropa com armas inovadoras, mais leves e letais como lanças e machados, no entanto seriam os arqueiros que fariam a diferença ofensiva na recém inventada ‘artilharia’. A motivação do soldado era ganhar um pedaço das terras conquistadas.
Quando dominavam uma cidade, os Acadianos infiltravam um regente local filiado ao soberano e dominavam a religião, absorvendo e respeitando tanto quanto possível os mitos locais. Pouco se vê a diferença entre a religião acadiana e os sumérios. Você pode se perguntar ‘quem se importa com os Acadianos?’, mas os Acadianos não só inventaram o império, mas inventaram a união de estado e religião! Assunto muito relevante ainda hoje!
Seu império foi fundado pelo famoso Sargão de Agade(Acade), cuja auto biografia cuneiforme lhe dá origens que lembram Moisés e os heróis clássicos. Sua trajetória lembra muito a história de Ninrod. Sendo ele posterior ao período de Babel, já que o Acadiano era uma língua diferente do Sumério, é provável que Sargão tenha sido um líder semita que reuniu exércitos e inspirado pelas histórias de Ninrod dominou as outras cidades.
Um bom exemplo de sua habilidade em formar um estado religioso é sua filha Enheduana a famosa princesa sacerdotisa de Ur dos Caldeus, autora de 42 hinos à deusa Inana. Os Acadianos chegaram ao seu apogeu com o neto de Sargão, Naran Sin e depois disto decaíram com as invasões dos Gutias que abriram espaço para o renascimento sumério liderado pela cidade de Ur.
Os acadianos se desfizeram rapidamente, mas sua influencia na maneira de governar estado e religião permaneceu entre os sumérios, não é a toa que neste ambiente totalitário de paganismo, onde as terras eram dos deuses (ídolos) e as cidades eram dedicadas aos templos pagãos, o Deus vivo tenha achado melhor tirar Abraão de certa cidade adoradora da Lua, chamada Ur dos Caldeus!

por Pr. Ericson Danese

Fontes:
Ver sequência de postagens.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

As cidades de Ninrod

O princípio do seu reino foi Babel, Ereque, Acade e Calné
Gn. 10:10

Conforme os arqueólogos, os primeiros registros religiosos da Mesopotâmia são do culto a An (Anu o céu). Com o passar dos séculos mais de cinco mil deuses chegaram a ser adorados, demonstrando que as origens humanas migraram do monoteísmo ao politeísmo. Nestas cidades primordiais, uma divindade local era considerada patrona e protetora. Seu ídolo era vestido e alimentando pelos sacerdotes.
Alguns desses ídolos eram interpretações do Criador, outros eram representações de ancestrais. Muitas dessas cidades podem ter recebido nomes em referencia a eles, como a cidade de Kish, que talvez homenageie o bisneto de Noé e pai de Ninrod (Gn. 10:8).
Outras aludiam a cidades dos tempos anteriores ao dilúvio. Eridú na lista dos reis sumérios é a primeira das cidades, onde reinou Adapa, filho humano do deus Enki. Alguns apontam que Eridu seria uma referencia a ‘Éden’, ou a cidade ‘Enoque’ de Gn. 4:17, construída por Cain.
Cada vez que uma cidade dominava a outra, aspectos religiosos locais eram intercambiados aumentando a pluralidade dos deuses. As batalhas surgiram, Lagash envolveu-se numa guerra com uma cidade vizinha pelo controle da água, coisa comum naqueles tempos, (Gn. 26:20-21). Em Lagash o patrono era Nim Girsu um deus da fertilidade e das cheias, mas mais tarde os Babilônios o caracterizaram como Ninurta, um deus guerreiro. Outras cidades desenvolveram suas divindades patronas a partir de ciclos astrológicos que auxiliavam no controle da agricultura local tal como Larsa que adorava Utu o Sol e Ur que adorava o deus Lua.
Cada cidade era administrada por um soberano civil e religioso chamado Patesi, ele era o construtor, juiz, administrador e principal representante dos deuses. Normalmente sacerdotes e a realeza estavam envolvidos por laços familiares. Tendo cidades próximas umas das outras, necessidade de liderança unificada, insegurança e laços religiosos comuns, faltava apenas surgir a personalidade popular de um líder capaz de unificar um grande reino!
Foi assim que surgiu Ninrod, um caçador popular, famoso por suas aventuras e com muito talento de liderança. Ele deve ter percebido que a religião era um elemento controlador da população. Conhecendo as cidades daquela época, acharemos a pista desta personalidade:
Babel (Babilônia) no hebraico significa ‘porta de Deus’, a tradição Babilônica diz que foi fundada pelo deus Marduque e foi destruída pelos Acadianos para construir uma nova capital. Certamente o mito de Marduque, celebrado pelos babilônios posteriores aos sumérios é uma versão divinizada da própria história de Ninrod. Seus sucessores precisaram conservar o poder após a queda de Ninrod e devem ter idealizado a história, dando sua própria versão para transformar o fracasso do império de Ninrod em drama religioso que motivava através da fé religiosa.
Ereque (Uruk) era a segunda cidade de Ninrode na margem esquerda do Eufrates, onde foram encontrados dois zigurates. Ereque ou Uruk era a cidade natal do mítico Gilgamesh, certamente um mito inspirado no Ninrod. Suas esculturas o mostram como um valente caçador assim como Ninrod. Seu mito diz que ele se torna o melhor amigo de um selvagem chamado Enkidu e com ajuda dele abatem feras míticas, sendo uma delas uma espécie de leão que guarda a floresta dos cedros e a outra, um touro enviado dos céus.
Acade se tornou Agade, onde surgiu o império Acadiano e Calné é uma cidade ainda não bem identificada, cuja alguns a relacionam com a famosa  Nippur, sig. ‘lugar de passagem’, segundo a mitologia seria este o lugar de residência do deus Enlil quando este foi expulso do jardim da morada dos deuses, tornando esta cidade o maior centro de sua adoração.
Sendo ele Camita, talvez tenha tido uma esposa Semita, na verdade não sabemos, mas parece ter sido muito influente entre os proto assírios e acadianos. Seu reino cresceu e ele tomou conta do sul da Assíria, naquela época as primeiras tribos Assírias habitavam Assur, fundada com o nome de seu ancestral, enquanto Ninrode, identificado com Nino o fundador de Níneve, iniciou cidades como Reobote-Ir, Calá que atualmente é chamada de Ninrude e Resén.
Não é difícil compreender que um personagem real está por trás de todos estes mitos. Talvez Ninrode tenha sido um patesi, um rei guerreiro e caçador que em sua ambição entendeu que a religião e a força ofereciam poder. Ninrode significa ‘rebelde’ e talvez seja apenas o apelido deste homem que construiu a primeira ditadura da história promovendo um governo paralelo aos princípios de Deus.
por Pr. Ericson Danese

*Para fontes ver a postagem anterior.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

As técnicas de Ninrod para manipular as pessoas

Abençoou Deus a Noé e a seus filhos, e disse-lhes: Frutificai e multiplicai-vos, e enchei a terra.”

Gn. 9:1

A vida após o dilúvio não foi nada fácil! Imagine como seria começar tudo de novo? Não há casas, cidades ou tecnologia, exceto as ferramentas trazidas na Arca de Noé, no restante, haviam voltado à idade da pedra. Animais selvagens perigosos, plantio com estações do ano desconhecidas. Pense em como conviver entre oito pessoas num mundo em que a fome, a doença e o clima são uma ameaça constante?
Conforme a população cresceu, as novas gerações foram influenciadas por seus pais. Ouviam as histórias de uma terra idílica anterior ao dilúvio, mas o novo mundo estava cheio de penhascos, pântanos, desertos em formação e geleiras. Como reagiram as adversidades? Todos eles mantiveram plena confiança em Deus? O filho de Noé chamado Cam (Cão) parece não que não aceitou muito bem as mudanças. Era rebelde, desgostoso e irreverente passando estas características a sua posteridade.
Muitos deles viram Deus como injusto. Havia apenas dois caminhos, o 1º era rebelar-se e negar Deus, o 2º redefinir Deus conforme seus próprios gostos. Ninrode, o construtor de Babel (Gn. 10:8-10) sem dúvida pertencia a um grupo de homens que desejavam o poder a qualquer custo. Talvez o próprio Ninrode seja a mente por trás de boa parte da mitologia suméria que em certos aspectos é uma transformação da história bíblica em descontentamento e rebeldia. Veja como a escritora Ellen G. White descreve o comportamento dos adeptos de Ninrod:

Os edificadores de Babel tinham alimentado o espírito de murmuração contra Deus. Em vez de se lembrarem com gratidão de Sua misericórdia para com Adão, e de Seu gracioso concerto com Noé, queixaram-se de Sua severidade ao expulsar do Éden o primeiro par, e destruir o mundo por um dilúvio. Entretanto enquanto murmuravam contra Deus, como sendo arbitrário e severo, estavam a aceitar o governo do mais cruel dos tiranos. ... Os homens de Babel tinham-se decidido a estabelecer um governo que fosse independente de Deus. Alguns houve entre eles, entretanto, que temiam ao Senhor, mas tinham sido enganados pelas pretensões dos ímpios, e arrastados aos seus desígnios.[1]
Vejamos como a arqueologia confirma esta ideia através da mitologia suméria e como Ninrod pode ter manipulado as pessoas usando seu descontentamento:

Ø  Severidade com Adão e Eva

Um selo cilíndrico achado na cidade sumeriana de Lagash apresenta um casal (seria o rei Gudea ou Adão e Eva?) conduzidos ao trono deus Anu ou Enki. O rio da vida sai do trono da divindade e o casal está em posição de clemencia, súplica de penitência, atrás deles vem uma serpente quadrúpede alada (dragão), mas o deus que lhes serve de intercessor é o próprio dragão, sob forma humana (repare as serpentes sobre os ombros de quem leva o casal pela mão). Este ser é Ningishzida, guardião do trono e da árvore do conhecimento, ou a própria serpente do Éden.
Em outras palavras, esta mitologia conserva a história de Gênesis, mas inverte os valores e o caráter dos personagens. Satanás é a serpente dragão, mas em lugar de tentador e inimigo do homem, ele apresentado como um ser divino que fornece o conhecimento negado por um Deus que em sua tirania nega a água da vida eterna para o casal humano. Nesta perversão, Deus é mau e Satanás é o intercessor que tenta aliviar o sofrimento humano!

Ø  Expulsão do Éden

Os deuses estão revoltados com muitos trabalhos então Ea(Enki) resolve criar o ser humano para ser escravo dos deuses e do barro faz Adapa. Enki lhe dá sabedoria mas não dá vida eterna, então Anu (deus dos céus) resolver ‘tentar’ Adapa para lhe dar a vida eterna.
No ‘Mito de Adapa’, Adapa(Adão) é o sacerdote de Eridu (Éden?) cultuando o deus Ea(Enki). Certo dia enquanto pescava o vento sul provoca o naufrágio de seu barco e irritado Adapa corta as ‘asas’ do vento. O deus Anu (divindade dos céus) manda chamar Adapa, mas Ea o seu protetor lhe adverte a não experimentar qualquer coisa que Anu lhe der para comer. Mais tarde descobre que foi privado da comida que lhe daria vida eterna.
Noutro mito correlacionado, os ‘deuses vivem no jardim de Dilmun’ onde não há morte ou dor. Neste lugar, Enki come sete frutos que o envenenam, mas ele é curado pela ‘senhora da costela’. Neste mesmo jardim, outra versão diz que o deus Enlil se apaixona por uma deusa, mas ao estupra-la é banido para a ‘terra do não retorno’.
Os pontos comuns destas lendas com a história Bíblica são claros, porém a versão suméria é tão misturada e os papéis tão invertidos que só é possível se revoltar se o Criador fosse assim como descrito por estas superstições.

Ø  Perversão ao destruir o mundo com Dilúvio

No épico de Atrahasis, o deus Enlil não pode dormir por causa do barulho dos homens, então decide inundar o mundo, mas antes que ele envie o dilúvio o deus Ea(Enki) avisa Atrahasis que entra numa arca com animais e pessoas. Após o dilúvio Atrahasis oferece sacrifícios aos deuses e estes descem como ‘moscas’ sentindo o cheiro da carne assada, para alimentar-se do sacrifício. Nesta versão do dilúvio, Deus é mostrado como um impaciente soberano que por motivo fútil, ‘sono’, resolve destruir todos os que incomodaram.
O historiador judeu Flávio Josefo, do 1º século d.C. diz que tradição informa que Ninrod se rebelou contra Deus acusando seu governo de tirania e prometeu vingar os seus antepassados que haviam perecido no dilúvio. Revestindo o caráter de Deus com a identidade do diabo, por certo ele conseguiu apoio de pessoas que se sentiram escravizadas e estavam prontas a trocar o governo sábio e justo de Deus através de suas leis pelo maior dos tiranos.

Pesquise Mais em:
Bill Cooper, Depois do Dilúvio, Sociedade Criacionista Brasileira.
Ellen G. White, Patriarcas e Profetas, Casa Publicadora Brasileira.
Ellen G. White, História da Redenção, Casa Publicaora Brasileira.
Gleason L. Archer, Jr. Merece confiança o Antigo Testamento?. Vida Nova
Philip Wilkinson, Mitos e Lendas Origens e Significados, WMF Martinsfontes, São Paulo, 2010.
Rodrigo Silva, Escavando a Verdade. Casa Publicadora Brasileira
R. N. Champlin, Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia. Hagnos
Rubens Aguilar, 'Arqueologia' em notas de sala de aula de Ericson Danese
Samuel J. Schulz. A história de Israel. Vida Nova
Serie Logos, Comentário Bíblico Adventista do Sétimo Dia Vol. 1 (Gn.-Dt), Casa Publicadora Brasileira, 2012.


[1] Ellen G. White, Patriarcas e Profetas, 123.

domingo, 8 de janeiro de 2012

Ninrod, o falso Cristo dos dias de Babel

Então o Senhor Deus disse à serpente: Porquanto fizeste isso, maldita serás tu dentre todos os animais domésticos, e dentre todos os animais do campo; sobre o teu ventre andarás, e pó comerás todos os dias da tua vida. Porei inimizade entre ti e a mulher, e entre a tua descendência e a sua descendência; esta te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar.”
Gn. 3:15-16

Esta é a profecia mais antiga do mundo, ela prediz a luta entre Satanás e a descendência dos filhos de Adão e Eva. Anuncia que um dia, o Filho de Deus nasceria como messias e acabaria com o poder de Satanás (simbolicamente, pisaria na cabeça da serpente). Esta profecia deve ter sido passada de forma oral, geração após geração, eles acreditavam que o messias nasceria em seus dias, vemos isso pelos nomes de seus filhos que são nomes messiânicos como Cain, ‘adquirido de Deus’ ou Noé ‘nos dará consolação’.
Em todas as culturas da antiguidade, vemos mitos de um deus ou filho dos deuses que combate um mostro, um dragão ou uma serpente que representa as forças do mal. Exemplos assim são a batalha de Marduk contra Tiamat, Baal contra Yan, Krishina contra o demônio serpente, Thor contra a serpente marinha do caos, Hércules contra a hidra, Perseu contra cetus e Osíris contra Apeb. Sendo comuns, pressupomos que estas mitologias tenham tido uma origem comum, sofrendo distorções posteriores.
É possível que Ninrod, o construtor da Torre de Babel (Gn. 10-11) tenha se aproveitado justamente desta profecia apresentando-se como um messias, um libertador! Veja que sua alcunha diz ‘como Ninrod poderoso caçador diante do Senhor’, ou seja, podemos conjecturar que ele estabeleceu uma nova teologia onde ele era o centro da religião! Sendo ele semidivino ou o ‘messias’, podia ser o sumo sacerdote, o rei e o ditador!
Outro fato interessante é o termo ‘caçador’, que pode ter relação com o mítico Gilgamesh que venceu monstros e feras selvagens e tem sido relacionado como um mito inspirado em Ninrod. Os antigos gregos chamavam a constelação de Órion de caçador que perseguia um touro pelos céus e tendo ao pé em forma de serpente, Eridanus o rio. Para muitos povos da Mesopotâmia, a constelação de Órion era Gilgamesh e a mesma constelação era em diferentes culturas, deuses que enfrentavam demônios em forma de dragão/touro e serpentes como Osíris, Marduck, Ninurta e outros. Isso nos leva a concluir que também as constelações tenham uma origem comum.
Estudiosos apontam que a tradição judaica fala que os patriarcas anteriores ao dilúvio inventaram a astronomia. Talvez, observando e imaginando desenhos nas estrelas eles inventaram um meio de contar suas histórias e transmiti-las a outras gerações através das constelações. Era um método melhor do que a escrita, pois sempre estaria lá!

Adão, Sete e Enoque ... São os inventores deste conhecimento especializado em estrelas e suas ordens e, para que sua visão não fosse perdida seus descendentes fizeram dois pilares de pedra e de tijolos” Flávio Josefo, Antiguidades, II, 3.

Por certo a astronomia foi vital para a agricultura e talvez os primeiros agricultores Adamicos e pós diluvianos a tenham desenvolvido com esta finalidade. O controle das estações do ano se tornou tão importante que facilmente os idolatras começaram a considerar os corpos astronômicos como seres divinos. Mas e se além da agricultura, uma profecia estivesse contada nos céus? Não seria ainda mais fácil transformar a astronomia em idolatria?
Note o quanto a constelação de Órion se parece com Gn. 3:15. Há um guerreiro lutando e ao seu pé uma forma igual à serpente, a constelação que chamamos de Eridanus. Certamente os nomes e até alguns significados mudaram com o passar dos séculos, mas sua origem misteriosa abre a possibilidade de que as constelações fossem a história anterior ao dilúvio contada nas estrelas.
Seria possível que Ninrod tenha se identificado com Órion e dito ser ele, o caçador e messias que estava chegando para combater o demônio e livrar seu povo?
Historicamente os sumerianos são os pais da astronomia e astrologia, para eles Órion era em algumas versões, Anu o pastor divino, em outras era Ninurta um deus guerreiro que combatia um demônio chamado Anzu, ou a serpente dragão Azag.
A maioria dos megalitos e pirâmides das diferentes culturas do mundo ancestral tem relação com cálculos astronômicos. Percebendo esta complexidade em fins da chamada ‘idade da pedra’, não é difícil perceber que todas descendem da mesma origem comum, dos zigurates da Mesopotâmia antiga onde no topo destas pirâmides escalonadas os astros eram cuidadosamente observados nos tempos posteriores ao dilúvio.
É possível que monumentos como Stonehenge na Inglaterra, as pirâmides Maias e Astecas, observatórios na Índia e China ancestral e os grandes monumentos do Egito sejam uma herança da ciência envolvida na Torre de Babel, possivelmente o primeiro grande centro de adoração astral da humanidade após o dilúvio. Estas obras são tão inexplicáveis através da história convencional que os céticos, no desespero de negar a conexão com a história Bíblica têm dito que estas obras incríveis não podem ter sido feitas pelo homem pré histórico e são obra de alienígenas que visitaram a Terra no passado. A que ponto chegamos para tentar negar a Bíblia?
Em Babel, o conhecimento ancestral sobre astronomia foi pervertido através do paganismo em astrologia. Embora este seja um assunto delicado, que requer mais estudos e evidências arqueológicas, percebemos muitas evidências. Os antigos acreditavam que no topo de suas pirâmides, os sacerdotes conectavam o Céu e a Terra. Vemos isto no zigurate de Ur onde se cultuava o deus Lua ou nas pirâmides de Gisé, alinhadas a constelações, em especial Órion! No templo da deusa vaca Athor em Dendera no Egito há um relevo contendo as constelações do zodíaco, entre outras, Órion visto como o Deus Osíris a combater um touro alado e tendo uma serpente a seus pés. Mesmo o zodíaco, é mais antigo que os próprios Egípcios e amplamente conhecidos na antiga Mesopotâmia.
Entre os sumérios a figura taurina é comum e será encontrada no Egito, Grécia, ilhas do Mediterrâneo, Europa, Ásia e por todo Oriente Médio. É difícil saber, mas observando tantos mitos e interpretações das constelações, levando em conta a origem Adâmica das constelações, talvez representem a figura do próprio Satanás sendo combatido e expulso dos Céus pelo Messias.
O touro, a vaca ou o bezerro chegou a ser adorada como símbolo de fertilidade, força e vida. Por certo nenhum animal provia tantos recursos aos antigos, mas os touros selvagens eram um símbolo de violência e poder! Caçadores de búfalos selvagens eram heróis corajosos, como Ninrod o foi. No céu estelar, o Órion está sempre em combate à constelação de touro.
Transformadas em mito, estes personagens foram levados ao mundo todo após a dispersão de Babel. Naqueles tempos nômades, enfrentando longos invernos alguns ser refugiaram em cavernas enquanto seguiam as migrações de grandes mamíferos em busca de comida e novas terras. Em Lauscaux na França as pinturas de bisontes, feitas pelos habitantes das cavernas reproduzem as marcas das plêiades, estrelas da constelação de touro. Nas culturas mais antigas da Anatólia, o neolítico emerge com o culto a divindades ao touro e isto será visto na civilização Minóica, nativos Norte Americanos, África, Ásia e qualquer lugar onde o homem criou ou caçou bovinos.
O legado de Ninrod não foi um grande império e sim, uma farsa religiosa que ficou impregnada nas culturas do mundo inteiro e que mesmo hoje, em dias de telescópios espaciais e da moderna ciência continua fazendo milhares de adeptos nas colunas de jornais sobre videntes, esoterismo e horóscopos. A Bíblia adverte que nos últimos dias apareceriam falsos Cristos(Messias e Salvadores), fazendo sinais e enganando a muitos. Tomemos cuidado com aqueles que usam da fé para manipular e chegar aos seus objetivos.  Cuidado com os que transformam fé em superstição. A única segurança está em examinar as Escrituras e conheça-las tão bem a ponto de quando lermos ou ouvirmos, sabermos exatamente a diferença entre o falso e o verdadeiro.

Por Ericson Danese

terça-feira, 15 de novembro de 2011

As sequelas do Êxodo

O Senhor é a minha força, e o meu cântico; ele se tem tornado a minha salvação; é ele o meu Deus, portanto o louvarei; é o Deus de meu pai, por isso o exaltarei. O Senhor é homem de guerra; Jeová é o seu nome. Lançou no mar os carros de Faraó e o seu exército; os seus escolhidos capitães foram submersos no Mar Vermelho.” Êxodo 15:2-4

Por aquele tempo, Amenófis II o filho de Tutmés III era o faraó. Conhecido como esportista e caçador, Amenófis II foi exímio condutor de carruagens e arqueiro. Levou fama de cruel por sacrificar inimigos ao deus Amon. Seu reino registrou várias revoltas, em especial na região Sírio Palestina das quais ele se ufana ter subjugado. Lembramos a você leitor, que nem sempre um mural Egípcio que gloria um faraó pode ser levada 100% a sério!

As ‘glórias de faraó’ faziam parte da propaganda política dos governantes daquele tempo, eles não eram os únicos a fazer isso nem foram os últimos. Faraós, Júlio César e Hitler, todos aprenderam contar vantagens para ganhar popularidade! Veja o caso do faraó Mernepta que em sua famosa stela alega ter aniquilado a ‘semente’ ou descendência de Israel, quando na verdade o reino de Israel floresceu exatamente depois disto!

Muitas campanhas militares do Egito simplesmente ignoraram Israel que por pelo menos quarenta anos foi um povo nômade que vagou pelo Sinai e levou anos para se estabelecer em Canaã. Mesmo as famosas campanhas de Ramsés II em suas batalhas contra os Hititas podem ter sido um evento sem nenhuma relação com o povo Israelita, as tropas teriam passando pela região costeira onde os Israelitas sempre tiveram pouca expressão. Tome como exemplo as batalhas entre o Egito e Babilônia na qual Josias o rei de Judá se meteu sem necessidade. O faraó Neco manda o recado de que o problema não é com Israel, apesar de o exército Egípcio atravessar seu território.

É com Amenófis II que Moisés vai travar a batalha mediada por dez pragas que finalmente culminam com a morte do primogênito de faraó. A história confirma que seu sucessor, Tutmés IV não era o primogênito, pelo contrário, os dois mais velhos haviam morrido antes de Amenófis II. Fato que corrobora ainda mais a história relatada em Êxodo na qual o primogênito de faraó é vítima da décima praga. Quando Tutmés IV assumiu o trono o reino estava abalado, boa parte dos exércitos pode ter sucumbido na travessia do Mar Vermelho perseguindo os Israelitas. A religião Egípcia e o culto a Amon estavam profundamente abalados. Além disso, as pragas arrasaram a economia do Egito. Dada estas adversidades os Egípcios precisavam reconstruir e levantar a moral de seu povo.
O papiro de Ipwer, exposto do museu da Universidade de Leiden, Holanda, registra o desespero Egípcio diante das pragas e da partida dos Israelitas:

Os estrangeiros vieram para o Egito ... têm crescido e estão por toda parte, em todos os lugares, eles se tornaram gente ... o Nilo se tornou em sangue ... e as plantações estão em chamas ... a casa real perdeu todos os seus escravos ... a os mortos estão em sendo sepultados pelo rio ... os pobres estão morrendo inesperadamente ... o ouro está no pescoço dos escravos ... o povo do oásis está indo embora e levando as provisões para o seu festival religioso

Tutmés IV nascido em Mênfis tentou reconstruir o clima de derrota deixado por seu pai. As atividades da nação foram muito mais internas e especialmente as campanhas na Palestina foram abandonadas. Tutmés IV ao contrário de seu pai ganhou a fama de pacifista, talvez porque simplesmente não fosse um bom momento financeiro e político para fazer guerra.

Uma marca clara do efeito humilhante das pragas sobre a mitologia Egípcia de Amon é o declínio do culto Tebano e a valorização de Heliópolis e do culto solar, surgindo o culto de Rá sob a forma de Aton o disco solar. Os antigos deuses estavam tão desacreditados que se os faraós quisessem manter sua autoridade impedindo que o povo se convertesse ao Deus hebreu, precisavam de uma nova mitologia.

Foi assim que Tutmés IV e seus sacerdotes elaboraram um mito onde o faraó ao dormir perto da esfinge recebe um pedido dela para que Tutmés IV remova a areia que a enterra. Com isto a esfinge lhe concederia o trono! O auge deste descontentamento pode ter sido a época das cartas de Tell El Amarna, quando seu neto Akhenaton governava o Egito e obriga o culto de Aton o disco solar destituindo o sacerdócio de Amon e tornando-se ele, o faraó, profeta e sacerdote de uma religião que era um rascunho muito mal feito de monoteísmo.

De fato, Akhenaton nunca invalidou os outros deuses, mas supervalorizou Aton. Não seria este culto uma imitação do Deus hebreu, tentando satisfazer o povo frustrado com deuses que não os protegeram? Em Amarna chegavam correspondências dos reis de Canaã vassalos do Egito pedindo socorro, pois os ‘hapiris’ estavam invadindo e tomando as cidades.

Todas as minhas cidades que o rei tem posto em minhas mãos, foram para as mãos dos Habiri” De Zinrida, rei de Sidom para o Faraó.

Os hapiris não seriam os hebreus? Josué estava em ação conquistando a terra de Canaã e o Egito parece não ter feito caso destes pedidos de socorro! Por quê? Estariam os netos dos que sofreram as pragas com receio de se meter com um poder que os venceu no passado? Por que o grande Egito iria temer nômades do deserto?

O Egito só voltaria ter glória na época de Ramsés II que ocupado demais com os Hititas passou ao lado dos territórios de Israel. Mesmo o bem sucedido Ramsés II que corresponde ao período bíblico dos Juízes, menciona que os hapiris viviam em Canaã nos mesmos territórios em que sabemos que os hebreus ou Israelitas viviam. As próximas dinastias do Egito, depois de Akhenaton retomaram ao culto de Amon, Osíris e outros velhos deuses. Mas o domínio dos faraós foi definhando até que Babilônios, Persas e Gregos aniquilaram sucessivamente o antigo reino.

O último faraó do Egito seria Cleópatra, uma mulher descendente de gregos que promoveu o culto de Ísis e foi vencida pelos Romanos. Do antigo Egito, só as pirâmides e hieróglifos durariam para contar a história da civilização que Deus enriqueceu para sustentar seu povo por 400 anos, mas que se julgou com poder o bastante para enfrentar o Criador de todos os homens e escravizar seus filhos.

por Pr. Ericson Danese

Fontes:

Gleason L. Archer, Jr. Merece confiança o Antigo Testamento?. Vida Nova

Rodrigo Silva, Escavando a Verdade. Casa Publicadora Brasileira

R. N. Champlin, Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia. Hagnos

Rubens Aguilar, 'Arqueologia' em notas de sala de aula de Ericson Danese

Samuel J. Schulz. A história de Israel. Vida Nova

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Deus X Faraó - A luta entre religião e superstição

E eu passarei pela terra do Egito esta noite, e ferirei todo o primogênito na terra do Egito, desde os homens até aos animais; e em todos os deuses do Egito farei juízos. Eu sou o SENHOR. Êxodo 12:12
Depois de 400 anos sem literatura ou cultura, trabalhando como escravos, os Israelitas precisavam de grandes sinais para fazer distinção entre o falso e o verdadeiro. Por outro lado, era a oportunidade de conversão do Egito e nada menos do que poder os convenceria que seus deuses eram uma farsa e o Deus invisível dos escravos era seu verdadeiro Criador. O Senhor Deus dá a Moisés poderes para executar sinais na presença de Faraó. Em seu primeiro encontro, ele e Arão solicitam gentilmente a permissão de ir ao deserto oferecer sacrifícios. Faraó além de recusar liberar o povo, Faraó aumenta os serviços dos escravos e manda chicotear seus líderes.

Em seu segundo encontro, Moisés faz um sinal, os Egípcios consideravam que a serpente representada na coroa dos Faraós era a naja Ureus, uma divindade protetora enviada pelo deus Rá. Quando o cajado se transforma em serpente, os magos de Faraó por meio de ilusionismo fazem o mesmo, no entanto a serpente de Moisés e Arão devora as serpentes dos magos. A ideia é óbvia, ‘se os deuses enviaram um protetor ao Faraó, o protetor é inútil para o que há de vir’!
1ª Praga, o Nilo se converte em sangue: O rio era adorado sob a forma do deus Hapi, um homem azulado com ramos de plantas aquáticas. O Nilo em sangue era como se o próprio Hapi fosse ferido e com isto, a sede, a morte e o nojo se espalharam no Egito. Os magos imitam o milagre, os servos de Faraó cavam poços para conseguir água e Faraó não dá importância aos Hebreus.

2ª Praga, rãs invadem o Egito e deixam seus cadáveres: A deusa rã Heqet da fertilidade e esposa do deus criador Khnum foi envergonhada. Sendo uma deusa dos partos e que auxiliava o Faraó na ressurreição do rito de Osíris ela se mostrou inútil para evitar a morte de milhares de rãs que poluíram o Egito. Desta vez, os magos também imitaram Moisés, no entanto Faraó pediu que Moisés removesse as rãs já que seus magos foram incapazes de reverter o processo.

3ª Praga, o pó do Egito se torna em piolhos que atacam o gado e os homens: Geb a divindade da terra, não pode impedir que o Deus hebreu nesta praga. Os magos não foram capazes de acompanhar este feito porque o ilusionismo não podia forjar a vida a partir de matéria inanimada. Percebendo isto, Faraó reconhece que a praga é o ‘dedo de Deus’ mas ainda não se humilha.

4ª Praga, enxames de moscas: As moscas enxameiam o Egito, mas não perturbam a terra de Gósen fazendo distinção entre o povo de Deus e os Egípcios, então Faraó ordena que eles sacrifiquem, mas dentro do próprio Egito. Moisés se recusa e pede que ele deixe o povo ir ou pragas piores virão.

5ª Praga, peste mata os rebanhos egípcios: Boi Mnévis e Hathor, importantes divindades simbolizadas pelo gado não são capazes de impedir a mortandade dos rebanhos. A devoção dos Egípcios a vários tipos de animais é bem conhecida, sendo que em muitos casos alguns destes animais eram mumificados e sepultados honrosamente, pois eram reconhecidos como encarnação do deus. Esta praga é marcada pela obstinação de Faraó em resistir à ordem de Deus. Certamente Faraó era influenciado pela casta sacerdotal que dependia do trabalho escravo para construir seus templos. Por outro lado, libertar os escravos a pedido de um Deus hebreu era reconhecer a inutilidade dos deuses egípcios e com isto admitir que os sacerdotes e o próprio Faraó considerado Sumo Sacerdote eram desnecessários. Ninguém queria perder o emprego!

6ª Praga, cinzas ao vento tornam-se úlceras nos homens e animais: Os Egípcios eram orgulhosos de sua ciência e em especial a medicina era tida como a mais avançada da época, seus médicos e magos faziam até mesmo pequenas cirurgias. Papiros antigos mostram que a medicina estava associada ao curandeirismo com rituais que negociavam com os demônios causadores de doenças. No pensamento egípcio, um mago poderoso poderia garantir até que o juízo depois da morte fosse alterado, encantando os deuses do tribunal e mudando a decisão deles. Ísis, a rainha dos deuses e uma das divindades mais populares era a deusa da magia. Esta praga aflige em especial os sacerdotes!

7ª Praga, fogo e saraiva do céu mata rebanhos e servos nos campos: Shu e Nut as divindades celestiais são impotentes diante de Jeová. Deus manda avisar Faraó que ainda o mantém vivo para que ele conheça o poder de Deus, ou seja, Deus está lhe dando oportunidades de se arrepender e aceitar a verdade. No fim da praga Faraó reconhece ser ele e os Egípcios pecadores, no entanto apesar de prometer, mais uma vez muda de ideia e não deixa o povo ir.

8ª Praga, gafanhotos devoram as plantações do Egito: A base de sua economia está aniquilada. Desta vez, aconselhado por seus servos Faraó cogita deixar o povo ir, mas apenas os homens. Deus está conduzindo os fatos para que o próprio Faraó não queira mais os Israelitas no Egito.

9ª Praga, trevas por três dias: Rá, Hórus ou Aton, sob qualquer forma o deus Sol foi completamente obscurecido por três dias. Nada podia ser mais assustador aos Egípcios, pois o Sol era a divindade principal associado ao deus Amon, como Amon Rá. Os Egípcios acreditavam que a cada noite Rá enfrentava a morte para renascer no outro dia, mas agora o Sol que eles consideravam o criador havia sumido sob o comando do Deus hebreu. Desta vez Faraó propõe que o povo vá, mas fiquem os rebanhos para garantir que voltarão, entretanto Moisés não apenas exige que o rebanho vá com o povo, mas que Faraó forneça os animais para o sacrifício. Sentindo-se insultado, Faraó perde a paciência e expulsa Moisés do palácio.

10ª Praga, morte dos primogênitos: O Faraó do Êxodo parece ter sido Amenofis II, também chamado de Amen Hotep II, nome que faz referencia ao deus Amon. Este deus Tebano era considerado o pai dos Faraós, os egípcios acreditavam que ele mesmo incorporava nos soberanos e tinha relações com a rainha gerando seus descendentes. A última humilhação dos deuses do Egito é a tomada dos primogênitos, se os Egípcios mataram os bebês hebreus 80 anos antes, se aprisionaram e escravizaram os primogênitos de Israel o Deus hebreu privaria o Egito de seus próprios primogênitos.
O juízo cai também sobre Faraó que considera seu filho um deus, assim como ele mesmo. O sucessor do trono Egípcio sucumbe ante o anjo destruidor, nem Amon, nem Ureus ou qualquer divindade pode protegê-lo. Naquela noite, Egípcios ou Israelitas sucumbiram por não passarem o sangue do cordeiro
nas ombreiras da porta de suas casas. Todos, Israelitas ou Egípcios que não confiaram na promessa e não entraram em aliança com Deus não puderam alcançar a vida por suas próprias obras. Não morreram porque Deus é cruel e quis matar os primogênitos. Morreram porque escolheram escravizar o povo santo de Deus em obediência a falsos deuses desmascarados nas nove pragas anteriores. Morreram porque o juízo os visitou e eles haviam recusado o símbolo de Cristo, o cordeiro que intercederia por eles e lhes salvaria a vida no juízo final.
O estudo das dez pragas no antigo Egito é uma séria advertência a todos os que vivem nos momentos proféticos finais do livro de Apocalipse que menciona sete pragas antes da volta de Jesus. Pragas que libertam seu povo, oprimidos pelos que servem a Besta e o Falso Profeta. O braço poderoso de Deus é longânime, mas liberta seu povo com poder e grandes livramentos!

por Pr. Ericson Danese