segunda-feira, 29 de outubro de 2007

O Evangelho Made in América

Ao estudar a Bíblia com Mórmons, fui surpreendido certa vez por eles usarem a expressão de que mantinham equilibrados como autoridade, o livro de Mórmon em uma das mãos e a Bíblia na outra. O livro de Mórmon, a outra Bíblia da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias pode ser considerada como uma revelação moderna? Vejamos pelo menos três aspectos a seu respeito:
1. As origens dos escritos do livro de Mórmon;
Segundo Joseph Smith o livro de Mórmon é uma coletânea de escritos deixados por um profeta chamado Mórmon, contando a história de um povo descendente de semitas que foram para a América em duas migrações e desenvolveram uma civilização que além de visitada por Jesus Cristo, guerreou até a extinção. Esses escritos teriam sido apresentados a Joseph Smith, por um anjo chamado Moroni.
Floyd C. McElveen, em seu livro ‘A Ilusão Mórmon’ descreve como Joseph Smith disse ter traduzido o livro de Mórmon, “Segundo José Smith, o Urim e o Tumim era um tipo de óculos divino (duas pedras em arco de ouro) que Deus havia conservado por milhares de anos e colocado numa caixa com as placas de ouro para ajudá-lo a interpretar e traduzir a língua na qual o livro estava escrito. Esta língua era o egípcio reformado. Segundo Doutrina e Convênios, José Smith declarou que Deus lhe dera poder para traduzir os hieróglifos do egípcio reformado para o inglês e produzir o Livro de Mórmon.”.
O livro de Jerald and Sandra Tanner, Joseph Smith's 1826 Trial (Salt Lake City: Modern Microfilm Company, 1971), apresenta um registro judicial em que Joseph Smith foi julgado e condenado por ser ‘cristalomante’, ou seja, adivinhar a sorte por um tipo de pedra ou bola de cristal. No processo, Josiah Stowell se dizia enganado por Smith na procura de objetos e tesouros perdidos, no ano de 1826, seis anos depois de sua suposta primeira visão, e quatro anos antes de lançar o Livro de Mórmon e organizar a Igreja SUD. Isto quer dizer que, Smith tinha sérias e comprovadas tendências ao charlatanismo e ocultismo.
Dentre as testemunhas das placas de ouro, tudo é confuso, muitos deles deixaram a igreja SUD, alguns voltaram, outros tiveram revelações contrastantes após a morte de Smith, do grupo das ‘oito testemunhas’, as três que ficaram firmes eram parentes de Joseph Smith.
2. O livro de Mórmon e o texto Bíblico;
Historicamente os mórmones têm usado o argumento de que a Bíblia é a palavra de Deus na medida em que é bem traduzida, isto é, sugestivamente segundo eles, os textos que temos não são confiáveis. É realmente interessante, que Joseph Smith, o profeta Mórmon que teria traduzido textos de uma língua extinta, não fora capaz de fazer uma tradução mais fiel do texto Canônico. A Bíblia possui cerca de 5 mil manuscritos que apresentam admirável harmonia e correspondência entre si, a despeito de mínimos detalhes sem significado para o contexto teológico, a Bíblia apresenta plena fidelidade aos seus textos em língua original. Mesmo os maiores inimigos da Bíblia não se dedicam a atacar o processo de tradução do texto.
Entretanto é notável que estudiosos constataram que Joseph Smith utilizou a Bíblia King James, para copiar várias partes para o Livro de Mórmon. Especialistas identificaram expressões inglesas traduzidas que não estão no original, mas que foram usadas na época da confecção da King James para dar sentido ao texto original na língua inglesa. Como Smith nega ter usado a Bíblia e alega ter traduzido das placas de ouro de Moroni, tais expressões simplesmente não podiam estar ali.
Segundo Floyd C. McElveen, em seu livro ‘A Ilusão Mórmon’, trechos inteiros foram copiados e misturados ao enredo do livro de Mórmon, como Isaías 53:2, 3, 4 com Mosíah 14:2, 3, 5. Uma vez que Joseph Smith reivindicou um processo de inspiração quase que mecânica para confeccionar o livro de Mórmon que teria sido traduzido de tábuas de ouro do anjo, como explicar a pobre gramática do livro? E as inúmeras mudanças contadas entre as edições modernas e a de 1830?
3. A historicidade do livro de Mórmon;
O livro de Mórmon narra à estória de um suposto povo que migrou após a Torre de Babel (Jereditas), e uma família que foi para as Américas posteriormente, no tempo da destruição de Jerusalém, dividindo-se em Nefitas e Lamanitas, os últimos que não aceitaram Jesus que visitou as Américas após sua ressurreição, teriam eliminado os Nefitas e dado origem aos índios americanos.
Alguns problemas:
Esses povos são mencionados como "quase tão numeroso como as areias do mar" (Mórmon 1:7), construindo cidades e civilizações inteiras. No entanto, não há nenhum achado arqueológico, nenhum indício, nenhuma ruína, nada, absolutamente nada! Enquanto povos até mais simples e até selvagens deixaram vários indícios de sua civilização, os povos do livro de Mórmon são completamente invisíveis a arqueologia. Por outro lado, de forma completamente diferente, os povos mencionados pela Bíblia são amplamente conhecidos no registro arqueológico do oriente médio, embora a região tenha sofrido inúmeras guerras através dos séculos.
Como as línguas desses povos desapareceram? Não há nenhuma raiz comum da língua dos nativos americanos e dos supostos Nefitas e outros do livro de Mórmons, que teriam usado línguas como Egípcio Reformado e Hebraico. Como Judeus deixariam desaparecer sua língua? Se não o fizeram com tantos cativeiros e diásporas, por que o fariam isolados na América?
Enquanto o livro de Mórmon descreve animais domesticados na América entre os povos ali descritos, a arqueologia e a história demonstram que estes só chegaram com os Europeus, séculos depois das datas e eventos supostamente narrados.
Os estudos de genética demonstram que os índios americanos nada têm há ver com judeus, sendo originários dos povos asiáticos mongóis que migraram pelo estreito de Bering no norte do continente.
Enquanto os personagens e a cultura das histórias do livro de Mórmon são aparentemente descritos vivendo na ‘Idade do Ferro’, pois o manejo, confecção de ferramentas e armas metálicas é descrito, os nativos Americanos viviam no fim da chamada ‘Idade da Pedra Polida’. Em outras palavras é como se os seus pais andassem de carro e você na sua geração andasse de carroça.
Com base em todos estes fatos, respeitando a boa fé de milhões de Mórmons sinceros, devo discordar que o Livro de Mórmon seja uma Revelação moderna, sendo obviamente uma ficção produto da mente e cultura de um Americano Místico do século XIX. Por fim, podemos dizer que a Bíblia e o livro de Mórmon são completamente diferentes, 2 Pe 1:16Porque não vos fizemos saber a virtude e a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo, seguindo fábulas artificialmente compostas; mas nós mesmos vimos a sua majestade”.

sábado, 27 de outubro de 2007

Joseph Smith e os profetas Mórmons testados pela Bíblia

Eles têm lindas igrejas e templos, missionários dedicados que andam dois a dois vestidos de camisa branca e calça preta, valorizam a família, são muito educados e simpáticos. A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, mais popularmente conhecidos como Mórmons é hoje um dos movimentos religiosos que mais crescem no mundo. Motivados pelos escritos de Joseph Smith seu fundador e profeta, os Mórmons avançam pelo mundo propagando o Livro de Mórmon, os escritos de Smith que para eles, é uma nova Bíblia.
Mas se os profetas e a história Mórmon fossem submetidos ao crisol das Escrituras? Vejamos como Joseph Smith se sai no teste Bíblico:
Em 1805 Vermonth, EUA, nasceu Joseph Smith Jr., em sua juventude na região da Nova Inglaterra, Smith mostrou-se descontente com as igrejas protestantes daqueles dias. Segundo Smith, ele teria sido chamado para ser um profeta moderno constituindo uma igreja que restauraria a verdade.
Em 1823 Smith, teria sido incumbido de traduzir supostas placas metálicas contendo a história de povos Semitas entre 600 a.C e 400 d.C., que teriam vivido na América pré-colombiana e deixando seu relato em placas de ouro enterradas em Palmyra, NY, o que daria origem ao livro de Mórmon. O primeiro teste para ver se Joseph Smith foi um profeta verdadeiro é o de (Deuteronômio 18:20-22), "Porém o profeta que presumir de falar alguma palavra em meu nome, que eu não mandei falar, ou o que falar em nome de outros deuses, esse profeta será morto. Se disseres no teu coração: Como conhecerei a palavra que o Senhor não falou? Sabe que quando esse profeta falar, em nome do Senhor, e a palavra dele se não cumprir nem suceder, como profetizou, esta é palavra que o Senhor não disse; com soberba a falou o tal profeta: não tenhas temor dele". Smith predisse o futuro?
1. Concernente à Nova Jerusalém e seu templo (Apocalipse 21:22). Segundo esta profecia em Doutrina e Convênios 84:1-5, dada em setembro de 1832, a cidade e o templo devem ser erigidos no estado de Missouri nesta (atual) geração.
2. Sião, no Estado de Missouri, "não poderá cair, nem ser removida de seu lugar", Doutrina e Convênios, seção 97:19. José Smith estava na cidade de Kirtland, Estado de Ohio quando fez esta predição e não tinha consciência de que Sião fora removida duas semanas antes da assim chamada revelação.
3. A casa Nauvoo deve pertencer à família Smith para sempre, Doutrina e Convênios 124:56-60. José Smith foi morto em 1844. Os mórmons foram levados de Nauvoo e a casa já não pertence à família Smith. Esta profecia era falsa. José Smith era um falso profeta.
4. Os inimigos de José Smith serão confundidos ao procurar destruí-lo, 2 Nefi 3:14, O Livro de Mórmon. Smith foi morto, a bala, na prisão de Carthage, em Illinois, no dia 27 de junho de 1844.
5. Jesus Cristo devia nascer em "Jerusalém, que é a terra de nossos antepassados", Alma 7:10, O Livro de Mórmon. A Palavra de Deus diz que Jesus nasceria em Belém (Miquéias 5:2), e essa profecia foi cumprida (Mateus 2:1).
6. A vinda do Senhor, History of the Church (História da Igreja), volume 2, página 182. Em 1835 José Smith, profeta e presidente predisse "a vinda do Senhor, que estava próxima...até mesmo cinqüenta e seis anos deviam terminar a cena". (2)
7. Referente aos "habitantes da lua", Journal of Oliver B. Huntington, volume 2, página 166. Esse devoto e dedicado companheiro mórmon de José Smith citou-o descrevendo sua revelação a respeito da lua e seus habitantes: "Os habitantes da lua têm tamanho mais uniforme que os habitantes da Terra, têm cerca de 1,83m de altura. Vestem-se muito à moda dos quacres, e seu estilo é muito geral, com quase um tipo só de moda. Têm vida longa; chegando geralmente a quase mil anos." (3)
8. Uma profecia bastante reveladora é relatada por David Whitmer, uma das Três Testemunhas do Livro de Mórmon. Em seu livro, An Address to All Believers in Christ (Uma Proclamação a todos os crentes em Cristo)--(Richmond, Missouri, 1887), Whitmer disse que José Smith recebeu uma revelação de que os irmãos deviam ir a Toronto, no Canadá, e que venderiam ali os direitos autoraris do Livro de Mórmon. Foram mas não puderam vender o livro, e pediram explicações a José Smith. Smith, sempre esperto, disse-lhes: "Algumas revelações são de Deus; algumas são dos homens, e outras são do diabo.”
Em 1827, Smith teria recebido as supostas placas de ouro de um anjo chamado Moroni o qual seria um filho morto e transformado em anjo do pretenso profeta do Moroni. Smith disse ainda ter tido visões de personagens bíblicos que estão mortos, como Pedro e João. O segundo teste para o profeta é: Quando vos disserem: Consultai os necromantes e os adivinhos, que chilreiam e murmuram, acaso, não consultará o povo ao seu Deus? A favor dos vivos se consultarão os mortos? À lei e ao testemunho! Se eles não falarem desta maneira, jamais verão a alva. Isa.8:19-20
Então, se sabemos que Pedro e João estão mortos e que as pessoas quando morrem nem se transformam em anjos, nem sabem coisa algum e nem podem voltar a interferir no que acontece debaixo do sol, ou seja, nesta Terra, (ver Ecles.9:4-9) e que eles aguardam como que dormindo a volta de Jesus para ressurreição (I Tes. 4:13-18), podemos concluir que seria impossível Joseph Smith ter visto quem ele alega ter visto, então se não mentiu, o máximo que viu foi Satanás transfigurado em anjo de luz, 2 Cor.11:14.
O livro de Mórmon foi publicado por Smith em 1930 e então a igreja foi organizada e logo começou a crescer, com a idéia de que ele seria um complemento ao conjunto de livros Bíblicos. O terceiro critério profético é que todo profeta deve estar em harmonia com os profetas anteriores e de que não devemos ter outro evangelho ou outro testemunho que vá além do anterior, Gálatas 1:8 “Mas, ainda que nós ou mesmo um anjo vindo do céu vos pregue evangelho que vá além do que vos temos pregado, seja anátema”. Curiosamente o Livro de Mórmon traz o título de “O outro testemunhou” ou “O outro Evangelho de Jesus”, o qual os Mórmons pretendem adicionar ao cânon Bíblico.
Os Santos dos Últimos Dias (Mórmons), cresceram rapidamente em número, mas enfrentaram oposição do povo protestante em geral devido a três pontos básicos; 1) Smith apontava sua igreja como a única verdadeira e as demais como sendo apostasia, 2) Os Mórmons tinham conceitos muito diferentes da Divindade, embora não admitindo, mas beirando o politeísmo e 3) Os primeiros Mórmons praticaram a poligamia (um homem casado com duas ou mais esposas), acredita-se que Smith tenha tido cerca de 27 esposas (outros falam de muito mais). Este último fato em especial era uma aberração em uma sociedade puritana como a América do século XIX.
A rejeição social levou os Mórmons a migrarem cada vez mais ao oeste, de Nova York para Ohio, depois para o Missouri e finalmente para Nauvoo, Illinois. Em Nauvoo os mórmons cresceram e Joseph Smith chegou a tornar-se prefeito. No entanto, opositores do Mormonismo começaram a alertar o povo sobre as práticas Mórmon através de um jornal, que foi fechado e destruído por Joseph Smith. Smith acabou preso como em muitas outras ocasiões. Presos em Illinóis, em 1844, Joseph e seu irmão Hyrum foram linchados pela população que invadiu a cadeia.
Depois disso o grupo religioso dividiu-se no que hoje forma o menor grupo, conhecidos por A Igreja Reorganizada dos Santos dos Últimos Dias fundada pelo filho de Smith, e a o maior grupo conhecido como Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias liderada inicialmente por Brigham Young apoiador e amigo de Smith que rumou para a região do moderno estado de Utah, onde junto com seus adeptos e suas 25 esposas fundaram a cidade de Salt Lake Sit, ele chegou a dizer que negar a poligamia seria negar a fí (Estrela Milenária, v.27, pg.675). Os profetas e apóstolos Mórmons aboliram a poligamia praticada por seus iniciadores, no ano de 1890, para conseguir aprovação de Utah como estado Americano.
O quarto critério para avaliar um profeta; tem a ver com o testemunho e os resultados de vida alcançados pelo profeta, ver Mt.7:17-23. A história de Joseph Smith, e seus primeiros apoiadores como Brigham Young parece não estar consoante com este critério. Suas transgressões de diversos mandamentos de Deus, poligamia, péssimo testemunho público, as diversas vezes que foi preso e antipatia da sociedade (que por certo não tinha o direito de matá-lo), mostram que seus frutos não eram bons. Tanto que não ouve consenso após sua morte entre seus seguidores, que fundaram movimentos diferentes acusando-se mutuamente e, ambos pretendendo a sucessão profética e da liderança de Smith. Embora os Mórmons apontem Smith como um mártir, não é esse bem o caso, pois os mártires morriam por defender a verdade que denunciava seus opressores e Smith morreu por causas que nada tinham a ver com a devesa da verdade Bíblica.
Ainda resta uma última mancha no passado dos profetas Mórmons, que apenas recentemente sofreu alguma mudança, que se refere ao Racismo. Nos escritos de Joseph Smith, o livro de Mórmon em II Néfi 5:21, transparece claramente o conceito de Smith de que a pele negra seria uma maldição de Deus. O sucessor de Smith, Brigham Young disse, “A marca de Caim é um nariz chato e a pele preta” (Diário de Discursos, v.7, pg.291). É um fato óbvio de se notar na história Mórmon, sua relutância em ordenar sacerdotes negros, sendo que apenas em 1978, o presidente Mórmon Spencer Kimball disse ter tido uma nova revelação aceitando os negros, que ainda persistem como uma minoria na liderança. Nem precisamos dizer que a Bíblia e Cristo não fazem acepção de pessoas, At.10:34. O quinto e último critério que vamos usar, é o de harmonia entre profetas e entre a própria Bíblia, 1 Cor. 14:32 “Os espíritos dos profetas estão sujeitos aos próprios profetas”. No entanto, os profetas Mórmons estão em constantes ‘ditos e desditos’ entre si, e com a própria Bíblia, não há unidade, se o autor fosse o Espírito Santo não haveria tanta contradição ou mudanças de revelação. O espaço não nos permite avaliar todas as doutrinas Mórmons a luz da Bíblia, mas as contradições são óbvias.
Já conheci alguns Mórmons e como eu disse lá no início, são pessoas agradáveis e respeitosas. Atualmente, exceto algumas ramificações fundamentalistas nos EUA, eles não praticam a poligamia e tem famílias bem estruturadas que dão grande valor ao casamento. Creio na sinceridade da fé deles e admiro seu zelo missionário, mas no que concerne a suas crenças e profetas, devemos lembrar de 1 João 4:1 “Amados, não deis crédito a qualquer espírito; antes, provai os espíritos se procedem de Deus, porque muitos falsos profetas têm saído pelo mundo fora”. E ainda, Mt.7:15, 24:11 e 14. Interessante! Pois a idéia de que existem falsos profetas, já demonstra que existem verdadeiros profetas modernos. Certamente o Dom de profecia é um dos dons do Espírito Santo, mas Joseph Smith e os profetas Mórmons até a atualidade foram certamente reprovados no teste Bíblico.
Referencias:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Mormon
http://www.irr.org
http://pt.mormonwiki.com/O_Anjo_Moroni

quinta-feira, 27 de setembro de 2007

Um Tesouro Escondido


Em muitos lugares a igreja enfrenta a crise da falta de participação dos membros, faltam líderes, muitos assistem e poucos fazem. É o famoso princípio 80-20, ou seja, 80% só assistem aquilo que os outros 20% realizam. Isto é bem diferente do tipo de comunidade que Jesus sonhou para Igreja.
O que está acontecendo de errado? Por que tantas pessoas se vêem ignoradas na igreja? Por que tantos têm medo ou vergonha de participar de um ministério da igreja? Por que há escassez de líderes comprometidos? Por que homens e mulheres modernos enterram seus talentos como na parábola de S.Mt.25:14-30?
Tentaremos enumerar algumas razões de porque isso acontece:
1. Medo – Muitas pessoas assim como o servo negligente, Mt.25:25, simplesmente tem medo. Medo de errar e passar vergonha, errar e serem repreendidas ou corrigidas, medo de decepcionar, medo de serem criticadas e desta forma acabar humilhadas publicamente. A cobrança excessiva e o hábito de comparar uns com outros, traz a igreja o espírito competitivo, o qual é o grande responsável pelo medo e baixo estima de muitos. Em I Cor.12:26, aprendemos que a humilhação de um, é a humilhação de todos. A glória de um, é na verdade a glória de Cristo e a glória de Cristo é finalmente a nossa glória.
2. Mágoas e Discórdias – As vezes temos uma pessoa de grande talento, mas lá no grupo há terceiros com os quais ela nutre divergências e rancores. Pressuposta incompatibilidade são as desculpas usadas por quem não quer colaborar com a obra por divergir dos obreiros. Esta atitude injusta com a Obra de Deus, egoísta com a comunidade local e orgulhosa consigo mesmo tem aleijado centenas de líderes e obreiros promissores. Paulo em I Cor. 12:21 deixa claro que um membro não pode dispensar o outro ou dispensar-se do corpo, se assim o faz, é porque de fato não pertence ao Corpo de Cristo ou não está ligado a Videira.
3. Perda de Identidade Profética – O secularismo tem proporcionado a muitos a perda da identidade profética, ou seja, já não conhecem mais a história, propósito e destino profético da IASD. A igreja tornou-se um tipo de comunidade social, com várias funções menos a pregação do evangelho a todo custo. Pedro enfatizou que deveríamos esperar e apressar a Vinda de Jesus, II Pe.3:12
4. Pecado – Provavelmente o fator mais poderoso em anular a eficácia dos dons espirituais e a atuação da igreja por ministérios seja o pecado. Vidas em pecado, perdem o poder de Deus e contaminam a igreja, amarrando seu desenvolvimento. I Cor. 5:6-9 demonstram que o pecado tem um efeito fragilizador na moral e no poder da igreja.
5. Preconceito – Algumas igrejas, especialmente as antigas, nutrem grandes tradições, grupos de líderes ou figuras ilustres que sempre fizeram deste ou daquele jeito. Tudo o que é novo, tudo o que traz idéias diferentes, é assustador e ameaçador. De forma que idéias pré-concebidas asseguram-se de exterminar e isolar tudo o que for considerado perigoso. Graças a isso, muitos nunca terão oportunidade de ter seus dons espirituais desenvolvidos.
A igreja moderna necessita se organizar independente de gostos ou caprichos, assim como a igreja apostólica. A igreja moderna necessita dar lugar ao novo converso, correr alguns riscos, apostar no potencial das pessoas e ensinar os crentes a descobrir dons e talentos.
Como é possível descobrir dons e talentos?
Primeiramente devemos identificar os dons espirituais, I Cor.12:31.
· Dons Naturais: São talentos naturais convertidos em dons espirituais, como artes, letras, ciências e outras habilidades que em algum momento podem servir a Igreja;
· Dons de Ajuda: Misericórdia, exortação, dadivosidade e hospitalidade;
· Dons de Ensino: Mestres, Professores e Pastores
· Dons de Liderança: Líder, apostolado, administração e fé;
· Dons de Misericórdia: Evangelismo, discernimento, missionário, línguas e interpretação;
· Dons de Sinais: Profecia, milagres, cura, martírio, pobreza voluntária e celibato.
De todos estes, como descobrir qual é o meu?
Aí vão alguns passos que podem ajudar:
1. Ore a Deus pedindo orientação e entenda que todo dom é para benefício da igreja e pregação do evangelho;
2. Informe-se sobre cada dom, estude todos os textos bíblicos a respeito, textos do Espírito de Profecia, pergunte sobre o assunto a pessoas que já trabalham na área.
3. Experimente na prática alguns dons e ministérios e veja o que você gosta e no que você obtém sucesso;
4. Procure o conselho de líderes mais experientes;
5. Lembre-se que você pode ter mais de um dom e poderá com o tempo descobrir ou receber novos dons, conforme a necessidade;
O maior problema para não ter dons espirituais é não procurar o maior de todos os dons;
“Ainda que eu fale as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver amor, serei como o bronze que soa, ou como o címbalo que retine. Ainda que tenha o dom de profetizar e conheça todos os mistérios e toda a ciência, ainda que tenha tamanha fé ao ponto de transportar montes, se não tiver amor nada serei. E ainda que eu distribua todos os meus bens aos pobres, ainda que eu entregue meu corpo para ser queimado, se não tiver amor, nada disso me aproveitará” I Cor. 131-3
Quando teremos amor? Quando nossa igreja vai manifestar amor?
· Quando deixarmos de competir pela glória pessoal - Romanos 12:10 Amai-vos cordialmente uns aos outros com amor fraternal, preferindo-vos em honra uns aos outros.
· Quando cumprirmos adequadamente os mandamentos - Romanos 13:10 O amor não pratica o mal contra o próximo; de sorte que o cumprimento da lei é o amor.
· Quando entendermos que o amor não está em nós, mas é um dom recebido de Deus - 1 Coríntios 13:13 Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três; porém o maior destes é o amor.
Certa vez um grupo de meninos brincando numa praia pouco freqüentada, ao cavarem a areia para construir seus castelos, acharam um velho baú. Empolgados com a idéia de um tesouro, logo abriram o baú, mas o que seguiu-se foi a decepção, pois tudo o que havia dentro eram bolotas de barro arredondadas. Depois de algum tempo os meninos acharam uma utilidade para as bolotas, do alto de uma pedra iniciaram um campeonato para ver quem tinha mais força e quem atirava as bolotas mais longe, mar a dentro. Assim fizeram com todas elas e foram para casa.
Alguns dias depois os meninos voltaram a brincar naquela praia, mas naquele dia notaram um grupo de homens escavando a areia em vários lugares. Ao perguntarem aos homens o que estavam fazendo, um destes respondeu: “Somos arqueólogos e procuramos um tesouro que piratas esconderam aqui a mais de 200 anos, para ocultar os diamantes e jóias, os piratas costumavam envolve-las em bolotas de barro”.
O que pensamos sobre as pessoas de nossa igreja? Como as vemos? Nós as desperdiçamos?
As pessoas têm dons que são verdadeiros tesouros escondidos!

quarta-feira, 5 de setembro de 2007

Vestuário e Aparência Pessoal

“usamos o que adoramos e adoramos o que usamos”

Lamentavelmente este é um assunto que tem sido deixado de lado nos círculos cristãos, cada vez mais perdemos nossos diferenciais de distinção como povo de Deus. Precisamos parar para refletir em algumas perguntas e em suas respostas a luz da Bíblia.

1. Como é descrita a condição da vestimenta da igreja de Laodicéia? (Ap.3:18) Esta simbologia aponta para que tipo caráter e atitudes desta igreja? Você acha que o modo de vestir pode literalmente apontar o grau de espiritualidade de uma igreja?

Leia os textos, II Re.9:30, Ez. 23:42-44, Jr.4:30 e responda:
2. A origem da maquiagem é pagã ou do povo de Deus? Para que ela era usada pelas mulheres? Que tipo de mulheres usavam maquiagem?
3. Qual é o objetivo da maquiagem atual? Tente estabelecer a diferença entre vulgar e bonito;
4. Quais são os limites da maquiagem para uma mulher cristã?
5. Veja os textos, Jz 8:11 e 8:24, Isa 3:16-26, eles nos mostram que a origem das jóias está ligada aos talismãs das divindades pagãs. É correto que cristãos adventistas usem algo que deriva do paganismo?
6. As jóias estão associadas na Bíblia a idolatria, veja Gn.35:1-4, você acredita que mesmo bijuterias baratas podem estar relacionadas a idolatria? Por quê?
7. As jóias podem levar ao pecado da vaidade, veja o cap.3 de Isaías, o que Deus faria com aquelas mulheres?
8. Veja os textos, Ex.33:1-6 e 34:4, Deus está pedindo que seus filhos removam as jóias e enfeites elaborados para encontrar-se com Ele, você concorda que pessoas que pretendem encontrar-se com Jesus quando Ele voltar usem jóias?
9. Quais são os princípios que a bíblia dá em I Tim.2:9-10 sobre como vestir-se e arrumar-se? A maneira de vestir pode preservar a intimidade do casamento?
10. Como o sábio compara a mulher que mostra suas intimidades? Pr.11:22
11. Leia Dt.22:5. Deus aprova a moda unisex? Homem pode vestir-se como mulher, ou mulher vestir-se como homem? Como a roupa moderna diferencia o homem e a mulher? O que é roupa de mulher e o que é roupa de homem?

Que até o nosso vestir e nossa aparência glorifique a Deus!

domingo, 19 de agosto de 2007

Santuário, um tema que não pode ser deixado de lado!


Você entende a doutrina do Santuário? Sabe o que é juízo investigativo? Sabe por que lhe falta fé durante as provações?
O assunto do santuário e do juízo investigativo deve ser claramente compreendido pelo povo de Deus. ... De outra forma, ser-lhes-á impossível exercerem a fé que é essencial neste tempo, ou ocupar a posição que Deus lhes deseja confiar. Cada indivíduo tem uma alma a salvar ou a perder. Cada qual tem um caso pendente no tribunal de Deus. Cada um há de defrontar face a face o grande Juiz. Quão importante é, pois, que todos contemplem muitas vezes a cena solene em que o juízo se assentará e os livros se abrirão, e em que juntamente com Daniel, cada pessoa deve estar na sua sorte, no fim dos dias! O Grande Conflito, págs. 488 e 489.

Por que a doutrina do Santuário é importante para IASD?
O assunto do santuário foi a chave que desvendou o mistério do desapontamento de 1844. Revelou um conjunto completo de verdades, ligadas harmoniosamente entre si e mostrando que a mão de Deus dirigira o grande movimento do advento e apontara novos deveres ao trazer a lume a posição e obra de Seu povo. O Grande Conflito, pág. 423.

Quando nossas crenças forem atacadas pelo inimigo, o que devemos fazer?
Como povo, devemos ser estudantes diligentes da profecia; não devemos sossegar sem que entendamos claramente o assunto do santuário, apresentado nas visões de Daniel e de João. Este assunto verte muita luz sobre nossa atitude e nossa obra atual, e dá-nos prova irrefutável de que Deus nos dirigiu em nossa experiência passada. ... Os grandes marcos pelos quais passamos são inamovíveis. Conquanto os exércitos do inferno intentem derrubá-los de seu fundamento, e exultar ao pensamento de que tiveram êxito, não atingirão o seu objetivo. Estes pilares da verdade permanecem tão firmes quanto os montes eternos, impassíveis ante todos os esforços combinados dos homens e de Satanás e seu exército. ... Deve o povo de Deus ter agora os olhos fixos no santuário celestial, onde se está processando a ministração final de nosso grande Sumo Sacerdote na obra do juízo - e onde está intercedendo por Seu povo. Review and Herald, 27 de novembro de 1883.

O que deve um adorador fazer, que somente pode compreender mediante o Santuário?
Enquanto Cristo está purificando o santuário, devem os adoradores na Terra examinar cuidadosamente a própria vida, e comparar o caráter com a norma da justiça. EGW, Review and Herald, 8 de abril de 1890.

Qual será uma das estratégias de Satanás para afastar as pessoas da igreja?
Futuramente surgirão enganos de toda espécie, e carecemos de terreno sólido para nossos pés. ... O inimigo introduzirá doutrinas falsas, tais como a de que não existe um santuário. Este é um dos pontos em que alguns se apartarão da fé. Onde acharemos segurança, senão nas verdades que o Senhor tem estado a dar-nos nos últimos cinqüenta anos? EGW, Review and Herald, 25 de maio de 1905.

segunda-feira, 16 de julho de 2007

Relaxe no Divã e Divague

Fui num psicanalista por acaso, eu era universitário e estava colportando (vendendo livros), ele me atendeu muito bem, observei que o ambiente era meticulosamente decorado, sofá gostoso de sentar, boa música instrumental de fundo, plantas, iluminação penumbra, tudo fazia com que o ambiente se tornasse amigável. O psicólogo ficou lá me olhando e me ouvindo falar sobre os livros sem ter qualquer reação, ele não interagia, só me ouvia (tenho que admitir que eles sabem ouvir!) eu pensava comigo “que tipo de solução para vida uma pessoa encontra aqui dentro?”.
Hoje, sou Pastor, frequentemente sou interpelado por pessoas que buscam minha ajuda no sentido emocional, o que em minha opinião facilmente é confundido com o real objetivo de meu trabalho que é espiritual e não psicológico. De qualquer forma a igreja instintivamente busca na figura do líder espiritual uma solução para seus problemas, raramente me procuram para tirar dúvidas teológicas, dificilmente me pedem conselhos para vida espiritual, mas na maioria das vezes as questões sempre são problemas emocionais ou de relacionamento. Muitos atualmente estão buscando na psicologia a solução de seus problemas existenciais, mas devemos ser inteligentes e cautelosos, pois a psicologia é uma ciência preciosa e delicada. A maioria simplesmente escolhe o psicólogo por indicação de alguém, não se certifica das pressuposições deste e nem da linha que segue. Ter um terapeuta virou moda, é ‘chique’ é ‘coisa de nível’, mas como você escolhe um e por que escolhe?
Sigmund Freud (1856-1939) foi um médico judeu-austríaco neurologista que fundou a vertente psicológica conhecida como psicanálise. Fugindo do Nazismo e lutando com as dificuldades financeiras, Freud foi para Inglaterra onde estudou medicina a luz do Darwinismo, no inicio de sua carreira interessou-se por histeria, na França tratando seus pacientes com várias técnicas, como uso de cocaína (que matou um amigo por overdose numa dessas tentativas), massagens e hipnose.
Depois da morte de seu pai em 1886; Freud dedicou-se a analisar seus próprios sonhos o que resultou no seu famoso livro ‘A interpretação dos sonhos’, onde sua conclusão foi que seus próprios problemas advinham de uma atração por sua mãe e uma hostilidade a seu pai, o que ele denominou de ‘complexo de Édipo’ e se tornaria a base de sua teoria. Graças a seus conceitos evolucionistas, ele acreditava que o homem nasce com uma grande variedade de fontes de prazer que ao trocar a libido pelo objeto do prazer desenvolve o ser humano, em sua opinião a etapa oral, anal, fálica até chegar ao desejo pelo progenitor de sexo oposto. Para ele a repressão dos desejos trazia os traumas posteriores e a religião era o meio de controlar o povo através dos tabus culturais, sendo que a maior privação imposta era a expressão sexual livre.
Na opinião de Freud que pegava o barco do ateísmo vindo de Marx, Nietzsche e outros, a religião evoluiu do animismo (personificação e espiritualização de forças da natureza) para o monoteísmo (crença judaico-cristã), a religião foi criada pelo homem para negociar com a natureza e compensar o sofrimento da civilização.
Sem Deus e sem religião o grande psicólogo tinha que explicar a culpa, então apelou mais uma vez para ‘o complexo de Édipo’e a teoria da Evolução. A culpa é provinda da visão de Deus como Pai, uma vez que os filhos têm que suceder os pais no processo evolutivo, ao sentir remorso eles divinizam os próprios pais depois de superá-los. No entanto ele não explica de onde vem o remorso!
Freud desenvolveu sua técnica de psicanálise para lidar com as emoções reprimidas utilizando-se da técnica da Transferência, onde o paciente transfere para o psicólogo seus sentimentos em relação a seus problemas estimulado a recriar um quadro em que recria seus conflitos passados para então resolve-los. Levando ao extremo espiritualista, alguns a partir disto chegaram a regressão de vidas passadas, sempre por hipnose. Freud acreditava que os sonhos guardavam informações dos desejos ocultos que deviam ser liberados dos tabus que os reprimiam para o perfeito amadurecimento do ser humano. Freud um fumante inveterado, morreu de câncer no maxilar depois de 33 cirurgias, segundo alguns supõe depois de não agüentar mais a dor pediu ao médico uma dose excessiva de morfina para acabar com seu sofrimento.
Confesso que tenho que concordar com uns poucos aspectos das teorias de Freud quanto ao funcionamento da mente, mas temo que algumas de suas mais aclamadas idéias sejam uma das maiores armadilhas para mente humana.
1. Suas idéias têm como base o ateísmo evolucionista e um verdadeiro ódio contra a religião. A cura está em si mesmo! Muitas pessoas vão há um psicanalista e relaxam no divã, falam, falam e falam, finalmente quando a consulta termina o doutor diz: “a solução está dentro de você”, então eles pagam (e não pouco) e vão embora. A auto cura e auto é em minha opinião, discorde você se quiser, um fracasso total, simplesmente não existe! Se existisse ninguém precisaria ir a psicanalistas, nem mesmo Freud que se auto analisou e nunca se curou.
2. A transferência é só um subterfúgio para não ter que reconhecer a culpa pessoal, não ter que perdoar! Não passa de encenação em que o coitado do paciente é levado a enganar a si mesmo e ainda é convencido a acreditar nisso.
3. A religião ou a Bíblia não reprime a sexualidade, ela a educa! Deus não é contra o prazer e nem contra o sexo, Ele é contra a perversão que é a destruição por meio do prazer.
4. Culpa é mais do que emoção ou pensamento. Culpa é algo rela e espiritual. Deve ser tratado no âmbito espiritual, o único que está habilitado a lidar com a culpa é quem pode lidar com o perdão, a saber Jesus Cristo.
5. Se o homem criou Deus para nos livrar da ameaça da natureza, por que criou algo mais ameaçador que a Natureza? Negar Deus é a melhor maneira de tentar não se sentir culpado, isso funciona por um tempo, mas na prática nunca elevou ninguém a um novo ‘grau de evolução mental’.
6. Hipnose, regressão e outras do gênero são armadilhas satânicas; “A teoria de uma mente reger outra, teve origem em Satanás, a fim de se introduzir como o obreiro principal, para pôr a filosofia humana onde se devia encontrar a divina. De todos os erros que estão encontrando aceitação entre cristãos professos, não há engano mais perigoso, nenhum mais de molde a separar infalivelmente o homem de Deus, do que esse. Por inocente que pareça, ao ser exercido sobre os pacientes, tende para sua destruição, e não para seu restabelecimento. Abre uma porta através da qual Satanás entrará para tomar posse, tanto da mente que se entrega ao domínio de outra, como do que a domina.” Ellen G. White. A Ciência do Bom Viver, pág. 243.
7. Muita gente está buscando psicólogos por motivos errados (eles são necessários na sociedade assim como médicos, dentistas e outros), mas alguns simplesmente os procuram tentando substituir um amigo que não têm, um cônjuge que não é confiável ou um Deus que não têm intimidade. Uma senhora me disse certa vez que ia ao psicólogo por que ele a ouvia e ela podia confiar nele e mais nenhum motivo. Consultórios lotados é a maior prova da crise de solidão moderna.
De modo algum pense que sou contra a psicologia, pelo contrário, creio que “Os verdadeiros princípios de psicologia encontram-se nas Escrituras Sagradas” Ellen White, Manuscrito 121, 1902. Mas quando procurar-mos ajuda lembremos do seguinte; “Por milhares de anos Satanás tem estado fazendo experiências sobre as propriedades da mente humana, e tem aprendido a conhecê-la bem. Mediante sua obra sutil nestes últimos dias, está ligando a mente humana com a sua própria, imbuindo-a de seus próprios pensamentos; e ele está fazendo esta obra de maneira tão enganadora, que os que lhe aceitam a direção não sabem que estão sendo conduzidos por ele segundo lhe apraz. O grande enganador espera confundir a mente de homens e mulheres de tal maneira que nenhuma outra voz senão a sua seja ouvida.” EGW, ME.2, v.2, 353
"Tende cuidado para que ninguém vos faça presa sua, por meio de filosofias e vãs sutilezas, segundo a tradição dos homens, segundo os rudimentos do mundo e não segundo Cristo." Col. 2:8.

Por Pr. Ericson Danese

domingo, 8 de julho de 2007

Namoro a distância

Não sei se você já namorou a distância? Quando eu namorei a distância (mais de 1000km), ainda não tínhamos acesso muito fácil à internet e dependíamos das cartas, demoravam uma semana para chegar ao destino, depois mais uma semana para saber a resposta. Nas cartas o namoro é complicado, você não entra em questões polemicas do namoro pois o espaço é limitado e o risco de ser mal interpretado é muito grande. Normalmente as cartas de namorados contêm uns 80% de elogios e boas novidades, o problema é o que fazer com a dúvida? Uma carta pode chegar em um bom momento ou em um mau momento psicológico, muitas vezes pode vir com assuntos diferentes do que você esperava, em síntese uma carta pode ser decepcionante ou até obscura! Na verdade, alguns namorados chegam a desconfiar que seu par os esqueceu, não o ama mais ou está apenas o iludindo. O namorado(a) chega a um ponto que deve optar pela dúvida ou pela fé!
E assim é com Deus, Ele foi e prometeu que nos ama e irá voltar, todos os dias os homens abrem Suas cartas registradas na Bíblia sagrada tentando obter respostas que nem sempre são o que esperavam ouvir. Todos têm que optar entre a fé ou a dúvida, alguns chegam a negá-lo e decidem desistir. Para alguns, a melhor estratégia de como superar a dor da distancia é estranhamente negar que exista alguém de quem sente falta, usando isso como anestesia geral numa pequena ferida local e perdem completamente o raciocínio lógico! Conheça um exemplo:
O pai do existencialismo ateu foi um alemão nascido em 1844, criado pela mãe, pela irmã e pelas duas tias solteironas uma vez que seu pai morreu quando ainda Nietzsche ainda era um menino, alguns deduzem que sofreu abuso quando criança. Ele era a própria figura quase profética do que se tornaria a Alemanha do inicio do próximo século e das duas grandes guerras, descontentamento e ambição.
Nietzsche influenciado por outros filósofos ateus era um pessimista (Niilista) nato, acreditava que a sociedade de seus dias estava decadente e julgava que a culpa era da tradição judaico-cristã. Para ele, a religião cristã enfraquecia o espírito humano através de sua ideologia de mansidão e submissão a uma divindade, ele argumentava que a compaixão retirava o que havia de melhor no ser humano, a ousadia e coragem.
Para ele, o homem devia livrar-se da idéia de Deus, aliás dizia ele de forma sarcástica “Deus morreu”, pois a seu ver não havia necessidade de Deus, alegorizando sua teoria ele dizia “Deus morreu de pena”, ele propôs neste alegorismo que havia muitos deuses no inicio, então o Deus cristão Jeová exigiu ser o único e os outros morreram de rir de Jeová, mas agora o homem não precisava mais nem deste último. Em sua tese doutoral ele usa desta mesma linha de pensamento para explicar a condição do comportamento e desejos humanos, apelando para a figura de duas divindades gregas, Apolo (representado o ideal, o belo e o correto) e Dionízio (representado o caos, o irreverente e sensual), para ele todo homem tinha que manter o equilíbrio sem negar nenhum dos dois. Isto é estranho? Bem, para um homem ateu e evolucionista que não via qualquer propósito na vida, na existência, nada é estranho.
Para o ateu Nietzsche, virtudes como as de Gálatas 5, paciência, bondade, humildade e coisas do gênero são apenas uma maneira dos fracos aliviarem seu sofrimento diante da sua falta de confiança. O ideal de Nietzsche é um chamado ‘super-homem’, que são pessoas comuns que ousam serem seus próprios juizes, sobrepuja e domina as demais e criam sua própria moralidade, como César, Alexandre e Napoleão. Segundo seu pensamento, o que move o homem é a vontade de poder, ou seja a vontade de sobrepujar, fazer com que sua vida seja lembrada e é neste ponto que o Cristianismo é culpado por roubar esta natureza básica.
As idéias de Nietzsche foram tremendamente influentes, décadas mais tarde um grande admirador seu chamado Adolf Hitler distribuía livros seus aos seus principais homens. O Nazismo demonstrou o que existencialismo ateu de Nietzsche poderia fazer ao mundo de forma prática!
Homens como Nietzsche fazem-me lembrar cartas de namorados, um namorado frustrado, alguém que se decepcionou com um velho amor e agora se determinou a odiar este antigo amor, só para dar a impressão que não ama mais. Há uma carta de Deus para Nietzsche, ateus, zombadores e todos nós crentes no Sl.14; “DISSE o néscio no seu coração: Não há Deus. Têm-se corrompido, fazem-se abomináveis em suas obras, não há ninguém que faça o bem. O SENHOR olhou desde os céus para os filhos dos homens, para ver se havia algum que tivesse entendimento e buscasse a Deus. Desviaram-se todos e juntamente se fizeram imundos: não há quem faça o bem, não há sequer um. Não terão conhecimento os que praticam a iniqüidade, os quais comem o meu povo, como se comessem pão, e não invocam ao SENHOR? Ali se acharam em grande pavor, porque Deus está na geração dos justos. Vós envergonhais o conselho dos pobres, porquanto o SENHOR é o seu refúgio. Oh, se de Sião tivera já vindo a redenção de Israel! Quando o SENHOR fizer voltar os cativos do seu povo, se regozijará Jacó e se alegrará Israel.”
Curiosamente aos 34 anos Nietzsche ficou muito doente, viajou pela Europa a procura da cura, tinha um tipo de infecção no cérebro que o levou a ser internado num sanatório para loucos, onde sua irmã cobrava um ingresso para visitantes poderem ver seu irmão famoso agora demente. Nietzsche passou seus últimos dias ali, apresentando-se como Jesus Cristo e assinando como ‘O Crucificado’! Morreu aos 55 anos, mas conta-se que sua famosa frase ‘Deus está morto. Ass. Nietzsche’ foi pichada no metrô de Nova York, abaixo alguém escreveu; ‘Nietzsche está morto. Ass: Deus’.
Quanto ao meu namoro a distância? Casei com ela alguns anos depois e hoje somos muito felizes!
Por Pr. Ericson Danese

quinta-feira, 28 de junho de 2007

Resquícios do Criador nas Obras das Criaturas

A seguir você encontrará cinco reflexões que fiz da harmonização de minha experiência espiritual com meu próprio gosto pela arte. Apenas tentei tomar lições espirituais de artistas e suas obras, não os considero como um modelo nem muito menos suas obras como um tipo de Revelação. Mas particularmente creio que a arte ao longo dos séculos sempre demonstrou a própria visão religiosa e teológica das pessoas, os artistas muitas vezes não deram bom exemplo moral ou religioso, mas suas histórias são muito similares as nossas e o produto de seu trabalho é em verdade uma expressão ou uma releitura da mente humana e como ela entende o mundo ao seu redor. Convido você a ver como vejo a manifestação artistica humana e entender como cada um se comporta com a dádiva que Deus nos deu para melhor louvá-lo.

O Dom Trágico num mundo Abstrato

Você já se sentiu frustrado por não saber seu dom espiritual ou não saber como usá-lo? Já se frustrou por falta de oportunidades na vida? Já esteve descontente com sua família ou igreja? Desconsiderando a diferença entre dom espiritual e talento natural e considerando que ambos vem de Deus, vamos conhecer juntos o que chamarei de “Dom Trágico” na vida de gênios da arte e compreender como seus talentos lhes deram oportunidades, mas também desafios .
Ele foi um dos músicos mais notáveis de todos os tempos, Ludwig Van Beethoven, compositor alemão de música clássica deixou um legado artístico inestimável. Tinha sete irmãos sendo que destes, cinco morreram na infância, seu pai um músico alcoólatra batia no jovem Ludwig para que estudasse piano, mas surpreendentemente em lugar de desenvolver uma aversão pela arte já aos 11 anos destacava-se dos demais compondo suas primeiras músicas. Anos mais tarde, o famoso Mozart vendo uma apresentação do rapaz diria; “não o percam de vista, um dia há de dar o que falar”.
Entretanto, lamentavelmente um pesadelo vivo teve inicio na vida do grande músico por idos de 1724, quando tinha apenas 24 anos, iniciaram-se os primeiros indícios da surdez. Ele nunca ficou totalmente surdo, mas aos 46 anos não podia acompanhar e ouvir sua música e ouvia mínimos sons. Beethoven lutou desesperadoramente, foi a médicos, fez tratamentos diversos e até tentou usar amplificadores em forma de corneta. Mas tudo foi em vão, chegando a pensar no suicídio por volta de 1802 quando afligido também pela varíola que marcou seu rosto com uma cicatriz, escreveu seu testamento.
Felizmente ele não desistiu, continuou compondo, obras abstratas que ele só ouvia em sua imaginação, músicas incríveis como sua 9º sinfonia, talvez uma das mais famosas músicas de todos os tempos, curiosamente escrita por um surdo.
Em um dos episódios mais emocionantes de sua vida, ele viu seu amigo Unlauf reger sua 9º sinfonia, já que não ouvia nada permaneceu de cabeça baixa lendo a partitura, absolutamente distraído enquanto lia e imaginava o que a platéia ouvia, no final da música devido sua surdez, não percebeu que era ovacionado com inflamada salva de palmas até que seu amigo Unlauf o cutucou e Beethoven vendo a platéia emocionada curvou-se retribuindo a homenagem. Daquele dia até sua morte ainda compôs mais 44 músicas!
O abstrato esteve presente na vida de Beethoven em pelo menos seus dez últimos anos, o abstrato está em toda parte, lembro quando vi um quadro de Kandiski o pintor russo do abstracionismo pela primeira vez, era pintura abstrata não como as tentativas ridículas de chamar a atenção com coisas do tipo; deixar um gato com patas sujas pisar numa tela, jogar um balde de tinta num painel ou qualquer ignorância do gênero. Abstratos como os desenhos e músicas do Criador, abstratos como os desenhos e formas incríveis da asa de uma borboleta, como o abstrato das listras de uma zebra, como o abstrato da beleza da íris de um olho humano ou abstrato como a sinfonia dos pássaros ou o zunido do vento a soprar entre as folhas das árvores de um bosque.
O que podemos aprender da 9ª sinfonia de Beethoven, de um quadro de Kandisky ou das formas e cores curiosas que se formam aleatoriamente nas nuvens do céu? O que aprender do abstrato e dos dons e talentos que recebemos?
1º . O Abstrato não é desordem ou incompreensão: Ele é apenas uma expressão da realidade a ser descoberta, a própria vida se mostra confusa a muitas pessoas, mas com o olhar certo elas começam a ver sentido onde não existia, isso é um tipo de fé. Pense no problema existencial que afeta e faz tantas pessoas perderem seu tempo tentando definir o sentido de suas vidas, elas normalmente fazem uma grande busca para no fim terminarem normalmente em conclusões simples e previsíveis, em outras palavras elas partem do abstrato e depois de muito tempo voltam ao mesmo lugar de onde saíram, mas agora vendo sentido no que antes não entendiam. Um exemplo: O filho pródigo desgostoso com um tipo de vida que não lhe trazia felicidade na casa do Pai, sai e quando volta vê sentido na felicidade que ele rejeitava anteriormente. Quando o Filho Pródigo interpretou a felicidade que ele não entendia como tristeza, foi isto que ele conseguiu sentindo-se descontente num local de felicidade e mais tarde feliz num local de tristeza, ele não entendia os dons que tinha e julgava a casa do Pai como um local incompreensível do seu ponto de vista.
2º . O ser humano sofre a síndrome do “Dom Trágico”: Recebemos dons e talentos que curiosamente parecem se virar contra nós, um Beethovem que não ouve as próprias músicas, um Portinari que morre envenenado com o chumbo das tintas que usava para pintar, um Aleijadinho que perde suas mãos que fazem das esculturas o seu desabafo! A síndrome do Dom Trágico leva homens e mulheres lamentarem por não terem tido uma chance, milhares de artistas, cientistas e gênios que nunca foram descobertos porque estavam no lugar errado na hora errada e foram perdidos no abstrato de suas histórias. Ter um dom e não poder usar é como ter um carro e não ter habilitação para poder dirigir. No ‘Dom Trágico’, Deus dá o dom e a vida cruel neste mundo de pecado traz a espera para os que têm fé, traz ódio para os que têm o dom do amor. Mas em verdade, os Dons Espirituais vencem as tragédias e produzem gente que não vive de auto-superação ou de auto-ajuda, produz gente que vive de fé e do poder do Espírito.
3º . É sempre bom ter alguns dons mas não ter outros, o Espírito é muito sábio em distribuir Seus dons, I Cor.12:11, talvez você almejasse outras posições ou outras tarefas e habilidades para sua vida, mas lembre comigo de Beethoven, com o dom da música mas impossibilitado de ouvir os aplausos. Às vezes é melhor não poder ouvir tantos aplausos, muito orgulho próprio inútil pode ser evitado desta forma! Todos os talentos e dons sem amor, são inúteis! Mas qualquer dom sem a humildade perde o objetivo da edificação do corpo de Cristo e descarrilha do caminho do serviço.
“Portanto, procurai com zelo os melhores dons, e eu vos mostrarei um caminho ainda mais excelente” I Cor.12:31

Por Pr. Ericson Danese

segunda-feira, 18 de junho de 2007

Depressão ou Superação. A diferença que faz a posição da cabeça!



Outro dia percebi que as obras de dois grandes escultores mostram exatamente como a depressão emocional se apodera de alguns e como alguns se libertam dela, mesmo em meio as situações mais desvantajosas. Vamos conhecer dois gênios das artes plásticas e suas obras;
Auguste Rodin, escultor francês que nasceu em 1840 foi o pioneiro nas esculturas de fragmentos isolados do corpo, como suas obras “A mão de Deus”, onde a mão de Deus é representada como a mão de um escultor, “Homem que Caminha” e “Torso”. Suas obras mais famosas são aquelas que as figuras e formas parecem tentar desgrudar-se do material esculpido, as mais conhecidas são “O Beijo” e “O Pensador”.
Na verdade, “O Pensador” talvez seja uma das esculturas mais famosas do mundo, provavelmente a maioria das pessoas nem saibam quem é Rodin mas já viram o “O Pensador” ou uma de suas muitas réplicas. Todos ficam intrigados sobre qual seria a natureza de sua profunda meditação! Para saber qual é o misterioso pensamento representado na obra, temos que conhecer a história desta obra.
Rodin o esculpiu inicialmente com o título de “O Poeta”; para ser uma de várias peças da entrada do museu de Paris representando o poema “A Divina Comédia” de Dante o famoso autor medieval que retratou o pensamento de seus dias sobre o inferno. “O Poeta ou O Pensador” seria o próprio Dante em frente ao portal do inferno ponderando sobre seu poema! O Pensador, literalmente parece estar lutando com um imenso drama interior! O que passaria em sua mente? Sente-se condenado pelo juízo de Deus? Está inquieto quanto ao seu futuro e sua salvação? Tem dúvidas sobre o que encontrará depois do juízo? Teme a conseqüência de algum de seus atos? Tenta procurar alguma saída ou alternativa?
Parece que Rodin realmente esculpiu o pensador observando o drama de muitos seres humanos, talvez, seja por esta razão que tantos se identificam com O Pensador, pois ele não se parece com um filósofo ou mero teórico, é simplesmente alguém que tenta desesperadoramente resolver seu problema! Mas seu maior problema é que ele está sozinho, inutilmente se esforça para resolver algo que não está ao seu alcance. De Rodin e suas impressionantes esculturas e seu intrigante “Pensador”, aprendi que a ciência, a psicologia, a arte, a filosofia e todos os campos do saber, contribuíram em muito para o desenvolvimento do ser humano, mas não podem remover a preocupação do semblante do “Pensador”. Se tão somente a estátua tivesse vida e pudesse mover sua cabeça para cima, seu nome mudaria de “O Pensador” para “O Contemplador ou O Adorador” e seu semblante seria outro!
Antonio Franscisco Lisboa (1730-1814) mais conhecido por seu apelido “Aleijadinho” foi o maior escultor brasileiro. Este mulato filho de um Português com uma escrava Africana, sofreu a vida toda a rejeição da sociedade pela cor da sua pele e pela doença que lhe deu seu apelido. Entretanto, a vida toda se dedicou a arte sacra, como escultor ou como arquiteto.
Fato é que com 40 anos uma praga terrível o acometeu deteriorando progressivamente seus membros, ninguém sabe se era lepra, sífilis ou reumatismo deformativo. Seja o que for, levou seus pés e dedos de suas mãos. Mas isso não foi o suficiente para detê-lo, seu escravo amarrava o cinzel e o martelo ao toco de suas mãos e ao polegar que sobrara e o Mestre Aleijadinho esculpia incansavelmente.
De suas inúmeras obras (confesso que o estilo barroco e esculturas de santos em madeira não me atraem muito), gosto e destaco “Os Profetas”, esculpidos em pedra sabão em Congonhas MG. Acho interessante o fato de que todos são muito parecidos uns com os outros, todos tem um tipo de semelhança com o Cristo que costumamos visualizar nas obras de Aleijadinho, estão numa subida e alguns até apontam para cima, comparo isso a semelhança da mensagem dos profetas, sempre um tipo de “olhe para cima”! Olhe para cima Deus está falando com você! Olhe para cima, Deus tem um plano! Olhe para cima, o Messias vem vindo! Olhe para cima, Jesus está voltando!
Fico comparando as lições espirituais que aprendo de obras tão diferentes em estilo e propósito como as de Rodin e Aleijadinho. No “Pensador” de Rodin, você tem um Europeu vivendo na prosperidade e saúde e retratando toda a angústia e inquietude que sua sociedade vive ao continuar olhando para baixo e olhando para dentro de si mesma; por outro lado, nos “12 Profetas” do mestre Aleijadinho você vê o retrato sofrido do trabalho de um homem que tenta ser curvado pela doença e a rejeição, mas não desiste de louvar o Sacro e olhar para o alto.
Em nossa vida podemos ter muitas dúvidas quanto à fé ou ao desconhecido, podemos ter lutas interiores sem uma aparente solução, podemos viver a rejeição por nossa condição social, cor da pele ou credo. Talvez tenhamos perdido a família, o trabalho ou a saúde, mas precisamos parar de olhar para baixo como “O Pensador”, parar de olhar para si mesmo e começarmos a olhar para cima, continuar a lutar, trabalhar e desafiar tudo que nos impeça de erguer a cabeça!

Por Pr. Ericson Danese

quinta-feira, 7 de junho de 2007

"Nudez constragedora"

Curioso, como pessoas tão talentosas às vezes são completamente incapazes de trabalhar em equipe. É impressionante que quando a história reúne um time de gênios, eles devoram-se em ciúmes e rivalidades. Um caso desses aconteceu durante o período que marcou a história mundial o qual chamamos de Renascimento, quando a Europa reunia os melhores pintores, arquitetos e escultores!
Em 1475 na Itália nascia Miguel Ângelo Buonarroti, seu pai arrancava o mármore do solo e ele dava vida ao mármore. Num misto de colérico e melancólico, Michelangelo tornou-se um grande escultor, ele costumava dizer que as esculturas já estavam lá e que ele apenas tirava o restolho da rocha. Davi, Moisés, Pietá, seria difícil dizer qual escultura exibe melhor o ideal da época, a perfeição! No entanto o maior escultor da história vivia uma relação tumultuosa com seus colegas e patrões.
Em 1504 Michelangelo com 29 anos foi a Florença atendendo ao pedido da pintura de um mural, mas para sua surpresa encontrou no mesmo trabalho e local o famoso Leonardo da Vinci com 51 anos, e o que poderia ter sido a maior obra artística em equipe, tornou-se o palco de uma batalha de orgulhos feridos.
Leonardo, filho bastardo de um nobre com uma camponesa era homem genial, cientista, artista e filósofo. Tornou-se um grande inventor e estudioso, no campo artístico desenvolveu a técnica de sombra e luz e fez pinturas enigmáticas como “Monaliza” e “A última Ceia”, entretanto era um grande procrastinador, ou seja, geralmente não terminava seu trabalho. Festeiro e sociável Leonardo foi interpelado por moradores de Florença pedindo que lhes explicasse um trecho do ‘Inferno’, famosa obra do poeta Dante. Ao ver Michelangelo se aproximar e sabendo que este era admirador de Dante, disse tentando buscar a simpatia do escultor; “Michelangelo vai explicar para vocês”, mas Michelangelo pensou que era um deboche de Leonardo e reagiu ofendendo Leonardo quanto a um famoso trabalho de escultura, inacabado por Da Vinci, “Explique-se você que fez um cavalo de bronze que nunca terminou”. Leonardo ofendido e humilhado publicamente; voltou para casa com uma crise de baixo-estima e escreveu “... alguma vez eu fiz alguma coisa?”. Nenhum dos dois terminou o trabalho em Florença e nunca mais tiveram qualquer relacionamento, salvo encontros de olhares a distância.
A fase principal da obra de Michelangelo se dá na cidade de Roma, onde ele vive uma relação intrigante de respeito e insolência com o Papa Julio II. É uma época de transformações no mundo, Maria a Católica impõe terror na Inglaterra, os reis da Espanha e de Portugal dividem a América do Sul sob a tutela do Papa e no norte da Europa a Reforma começa a germinar. Enquanto isso em Roma, o militar e astuto negociante Papa Júlio II decora o Vaticano com seu time ‘super-artistas’ e lança a pedra fundamental da Basílica de São Pedro. O mundo está mudando, mas os pintores e escultores italianos estão preocupados em competir pelo título de ‘o melhor de Roma’ e descobrir qual deles alcançou a perfeição!
Júlio II chamou Michelangelo para pintar uns “anjinhos” no teto da capela cistina, isso para um escultor que nem se dizia pintor foi como pedir ao projetista da Ferrari para construir um carrinho de supermercado. Michelangelo sem escolha apresentou um projeto que lhe custaria quatro anos de trabalho e muita briga com o Papa. O Papa Júlio II nesta época, como que para provocar Michelangelo e forçá-lo terminar o trabalho; contrata Rafael Sanzio para pintar aposentos papais conhecidos como Stanza della Segnatura em 1508. Rafael que era amável e submisso, era um jovem que tinha presenciado o combate artístico entre Michelangelo e Leonardo em Florença quatro anos antes, no entanto seu estilo lembrava mais o de Leonardo o que causava um misto de cólera e ciúme em Michelangelo que ali perto pintava a Cistina. Rafael retratou na Stanza pinturas que retravam “A Disputa” um encontro da Trindade, Maria, João Batista, João o Evangelista, Pedro, Moisés, Abraão, Davi e outros representando a religião. Do outro lado da sala, o monte Parnazo está inundado de poetas como Dante e Apolo e donzelas que cantam com frivolidade e pouca religiosidade e no outro canto da sala está à obra prima de Rafael, “A escola de Atenas” reunindo sábios e filósofos de várias épocas, tendo ao centro Sócrates e Platão, apontando para o real e o mundo das idéias.
Tudo isso; em outras palavras é um retrato de Júlio II (que como Papa teve três filhos e não deixava beijar seus pés devido a deformações causadas por doenças venéreas) e o Papado que em sua pompa e doutrina manifestava a fé unida ao luxo da arte secular e do conhecimento pagão. Enquanto isso, Michelangelo fazia no teto da Capela Cistina um verdadeiro protesto teológico.
Ao retratar Deus ele o faz representando um homem poderoso, mas marcado pelas rugas do saber, sério, mas com olhar amoroso, decidido e aplicado em sua tarefa de criar. Com um golpe e ele separa luz e trevas, o sol é apenas uma bola que ele rola com a ponta do dedo e o braço estendido cria um homem belo e puro, cheio de vigor e esperança que nasce sob a curvatura do planeta que o acolhe. O teto da Cistina mostra a esperança no coração atribulado de Michelangelo que vive sob a opressão dos Papas e as críticas dos colegas, o teto da Cistina contraria tudo que Michelangelo sente!
Mas o mundo ao redor de Michelangelo, Rafael e Leonardo mudava, Julio II morreu e deu lugar a um burguês da família Médice chamado Leão X que através de indulgências, financiou a construção da Basílica de São Pedro a qual Michelangelo desenhou a cúpula. A exploração foi o estopim para Reforma de Lutero que incendiou Zuiglio, Calvino e outros que embora desconhecidos e vivendo em países diferentes se uniram para banir os engodos Papais da mente e religião do povo.
Quando o Papa Paulo III o comissionou para voltar a Cistina e pintar a janela do altar, ele trabalhou de 1534-41 no ‘O Julgamento Final’, obra que retrata os ímpios caindo no inferno com criaturas demoníacas com caras engraçadas e corpos assustadores que os agarram. No ‘andar’ seguinte, subindo estão os salvos contemplando um Cristo estende sua mão para punir e julgar! Como será que ele se sentia ao pintar isso? O quanto sua pintura estava diferente de quando pintou o teto! Havia passado uma vida de solidão e questionamentos, já não tinha amigos e apenas o admiravam como artista, mas quem estava ao lado do homem?!
Nas pinturas da Capela Cistina, o homem está nu na criação e finalmente no juízo final estão novamente nus, uma nudez constragedora! O pecado roubou a inocência e ninguém pode cobri-la, quem não quis a justiça de Cristo, ( na pintura ) tem que O contemplar mesmo estando indigno diante dEle! Fiquei imaginando como seria, se na volta de Jesus estivéssemos todos pelados, olhando para Jesus, sem poder nos esconder dEle ou uns dos outros. Engraçado ou trágico? Vergonhoso ou assustador? Cada um responde por si!
Num trocadilho da história, um bispo implicou com a obra e a nudez dos personagens, depois de reclamar ao Papa, foi insolentemente pintado por Michelangelo com orelhas de burro entre os perdidos. Exigiu que o Pontífice obrigasse Michelangelo a desfazer a pintura ao que o Papa respondeu “uma vez no inferno, nem o Papa pode tirá-lo de lá”. A pressão foi tanta que o Papa mandou um pintor amigo de Michelangelo cobrir os nus com uns paninhos, o coitado do pintor foi esquecido e só é lembrado como ‘pintor de paninhos’. Também é assim na vida espiritual, quem tenta cobrir o pecado com paninhos das próprias obras acaba por passar vergonha!
Há três coisas que impedem a equipe mais talentosa de trabalhar unida:
Inveja manifesta no medo de ser superado pelo colega;
Perfeccionismo unido a intolerância;
Orgulho espelhado na desconfiança ao próximo;
Enquanto Michelangelo e seus colegas Leonardo, Rafael e outros apenas marcavam as paredes de Roma com suas obras e continuavam nus diante de Deus, com vidas egoístas, ciumentas e mesquinhas; atrás dos títulos e reconhecimento de Reis e Papas, longe dali, Lutero e os outros não marcavam, mas transformavam a história unindo-se apesar das diferenças para levar o mundo a conhecer a justiça de Cristo, não por pinturas que almejavam a perfeição no conceito humano, mas pela Palavra que tem a mensagem na perfeição de Deus. A palavra e a necessidade de proclamá-la os uniram!

Por Pr. Ericson Danese

quarta-feira, 30 de maio de 2007

Real ou Surreal?

Você já se sentiu cansado do tipo de vida que leva? Sentiu você alguma vez a vontade de ser alguém diferente, tipo fugindo de sua realidade? Ou você gostaria de ter uma vida mais concreta, mais previsível e deixar de ser assaltados pelas surpresas e imprevistos? E na sua fé, já se frustrou com a realidade e sonhou ser mais consagrado ou fervoroso? A vida de dois de meus pintores preferidos ilustra como o real e o surreal afetam nossa mente e nossa própria caminhada espiritual.

Seu rosto gordinho é bem fácil de se encontrar entre o acervo de suas pinturas, Rembrandt; o maior pintor do século XVII é um holandês profundamente religioso da Igreja Reformada! Não que fosse egocêntrico, mas seus vários auto-retratos e as inúmeras vezes que ele se retrata entre os personagens de suas obras, proporcionam um tipo de diário visual de sua jornada espiritual.
Rembrandt teve uma ascensão profissional descomunal, tornando-se o retratista e pintor mais famoso da Holanda de seu tempo, enriqueceu ao ponto de tornar-se colecionador de obras de artistas como Rafael e Michelangelo. Casado e feliz morava tranqüilo num rico bairro de judeus de Amsterdã, onde teve quatro filhos. Mas depois de toda sua fé e prosperidade, Rembrandt como Jó, sofreu um revés em sua vida. Os filhos morreram, a esposa morreu, seus quadros tornaram-se menos valorizados, seu trabalho menos procurado e devido sua pouca habilidade administrativa, caiu em pobreza! Teve amores frustrados após a morte de sua esposa e finalmente faleceu sozinho e doente, um triste fim para um homem bom e uma mente artística genial.
Apaixonado por pintar temas bíblicos, este holandês protestante deixou inúmeras obras que demonstram sua fé. Assim como sua pintura é tomada de um realismo, sua fé é uma experiência bem real, não ideal, nem ausente de pecado, é sofrida, como a vida de todo cristão que tem vitórias e fracassos. Rambrandt sempre está por lá, no jogo de luz e sombra das cenas do calvário ele é um rosto que você não sabe direito como definir. Está condenando Jesus ou sofrendo ao contemplá-lo? Você pode ver todos os quadros religiosos de Rembrandt e sempre se fará duas perguntas: Onde ele está e onde eu estou neste quadro?
Quando Rembrandt pintou o retorno do filho pródigo, retratou o filho voltando maltrapilho como um tipo de cadáver ressurreto, o pai como um homem distinto o abraça sem preconceito ou rancor enquanto é observado pelo filho mais velho, indiferente a condição do irmão e cheio de dúvidas quanto a justiça do pai. Não é assim a realidade de nossas vidas? Hora nos sentimos como o filho pródigo um dissoluto arrependido, hora como filho mais velho e sua incompreensão da graça do pai, outra hora somos o próprio pai em busca de alguém que perdemos. Rembrandt dedicou o fim de sua vida para pintar o amor de Deus em episódios do Novo Testamento, dele aprendi que a vida espiritual tem momentos de triunfo mas também momentos de tropeços que dependem da graça de Deus. Nossa identidade dentro das pinturas muda conforme trilhamos nossas decisões.

Ele gostava de parecer maluco, e quem pode saber se realmente não era? Fato é que Salvador Dali, um espanhol irreverente, filho de um pai dominador e uma mãe católica de linha liberal, foi uma dessas personalidades que nunca serão entendidas completamente a não ser pelo seu trabalho. Salvador Dali ganhou fama e dinheiro, mas depois da morte de sua amada esposa definhou na depressão devido a solidão e doença, morrendo em 1989.
Dali era o maior expoente do Surrealismo e se a única coisa que você lembra ao ouvir ‘surreal’ é de bombom, você está muito por fora! Surrealismo era um estilo de arte que digamos; mostrava o que aconteceria se os sonhos e subconsciente se tornassem quadros. Os quadros de Dali tinham coisas do tipo relógios derretidos, pedaços do corpo humano reconstruídos, tigres pulando de dentro da boca de peixes e pessoas com o corpo em forma de gavetas. É claro, cada um tinha um significado! Por exemplo um quadro onde retrata o homem pós guerra tentando nascer do ovo que na verdade é o planeta Terra, representa toda a dor e esperança da reconstrução de um novo mundo após as guerras mundiais.
O contexto espiritual é constante em seus quadros, não vou julgar sua crença ou vida moral, mas percebo um homem de fé. Há dois quadros dele sobre a crucifixão, os dois tem a mesma característica: Um Cristo suspenso, mas sem os pregos! Perguntaram a Dali por que ele não pintou os pregos ao que respondeu: “...os pregos não o seguraram lá!”. O Cristo de Dali é Surreal, Ele está além de nossas expectativas, um tipo de Senhor Divino que está em pleno controle do que lhe acontece. Isto seria surreal, ou apenas o que não podemos ver ? O mundo surreal de Salvador Dali era na verdade seu único mundo, quando parou de pintá-lo devido a doença, definhou e morreu. O mundo real era pobre e triste demais para lhe dar alguma alegria, quando o perdeu, tornou-se depressivo e doente.
De Dali aprendi que a realidade não é um limite para Deus, pelo menos não aquilo que costumamos chamar de realidade, pois em um mundo secular como o nosso, temas como Novo Céu e Nova Terra, Volta de Jesus, Ressurreição dos mortos e a crença em um Deus que Criou tudo do nada sem processos evolutivos é algo que soa para alguns como ‘surreal’.

Rembrandt e Salvador Dali, um Holandês o outro Espanhol, bem diferentes como pessoa, como estilo artístico e religioso, histórias diferentes, um olhava para o real; o outro para o surreal. Mas será que na dimensão espiritual existe diferença entre real ou surreal? Existe um mundo físico e o outro metafísico? Existe um mundo natural e outro espiritual? No fundo talvez; seja apenas a mesma coisa pintada por visões diferentes. Como posso viver no mundo dos prédios, roupas, contas para pagar e vagas de estacionamento sem lembrar que existe bem ao lado e invisível aos meus olhos um mundo de conflitos entre anjos bons e maus, poderes espirituais e atuação sábia da Providência? Se vivo apenas como um fanático espiritualista sem me preocupar com o mundo real e físico, serei negligente com meus semelhantes, por outro lado, se vivo apenas para o mundo e reino do agora, esquecendo do Reino Invisível de Deus; então, o sonho dos dois mundos se encontrando torna-se vazio da minha presença. Acabo como um objeto na história sem esperança e identidade existencial. Jesus disse: “Tenho-vos dito isto, para que em mim tenhais paz; no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo.” S. Jo.16:33, afinal, em um mundo de realidades tristes, Cristo é simplesmente surreal!

Por Pr. Ericson Danese

segunda-feira, 28 de maio de 2007

Não gostam de nada que você faz? Então viva como um cubista ou daltônico espiritual!

Como você tem reagido ao ser criticado? Refiro-me a todo tipo de crítica, mesmo aquela preconceituosa e malvada. Você é capaz de suportar e até aproveitar a crítica, ou ela destrói com seus projetos e criatividade? Eu lembro da primeira vez que pedi para alguém criticar um de meus quadros, confesso que fiquei com tanta vergonha do que uma profissional diria da pintura de um garoto, naquela época com 17 anos, que pedi para minha irmã levar o quadro. Evidentemente o quadro foi criticado, e depois disso o abandonei de minhas preferências, mas a mesma pessoa me encaminhou as aulas onde realmente aprendi as noções básicas da pintura.
Na pintura o que define a genialidade, não tem nada há ver com a habilidade do pintor de reproduzir uma imagem em detalhes fotográficos e realistas. Pelo contrário, o que realmente importa é a criatividade, a capacidade de surpreender e transmitir uma idéia com expressão e emoção através dos traços e cores. Cada pintura genial, é simplesmente única, pelo mais que um copista tente nunca haverá outra igual. São estas características que tornam uma pintura tão valiosa!
Valores exorbitantes como uma tela de Picasso que pode chegar a 55 milhões de dólares ou os inacreditáveis 82,5 milhões de dólares atingidos em um leilão em 1990 por um quadro de Van Gogh. Alguém sem os conceitos artísticos que mencionei no primeiro parágrafo poderia olhar para uma tela dessas sem conhecer e dizer que foi feita por uma criança da 2ª ou 3ª série e desprezar rapidamente. Duvido que a maioria das pessoas escolheria pinturas como essas para por na parede de suas casas. No tempo de Van Gogh ou de Picasso, as coisas não eram muito diferentes, na verdade ambos receberam rejeição a sua técnica e estilo, eles são exemplos de como atitudes diferentes em frente à crítica mudam a nossa qualidade de vida.
Pablo Picasso, espanhol filho de um desconhecido professor de desenho, foi o grande expoente de um estilo de pintura chamado “cubismo” que consistia em avaliar as formas geométricas e reconstruir as imagens e figuras. Picasso foi polêmico por toda sua vida, dono de um temperamento difícil de se conviver e um infiel cônjuge, ele viveu sua carreira desafiando a cultura e gosto da época, mas conseguiu com muita impetuosidade o que poucos pintores conseguiram em vida: Fama e riquezas!
Pablo soube conviver com a crítica como poucos. Viveu em uma Europa mergulhada em guerras onde sempre se manteve neutro, quando acusado de covarde, simplesmente dizia-se um ‘pacifista’. Quando os Nazistas vasculharam seu ateliê e encontraram o famoso painel pintado em protesto ao bombardeio alemão a cidade de Guernica, os soldados perguntaram: “Você fez isso?” referindo-se ao desespero e tragédia retratados, ao que Picasso respondeu: “Não, foi vocês que fizeram!”.
Pablo tinha língua afiada e os conservadores odiavam seus quadros, ele costumava dizer: "Quando eu tinha 15 anos sabia desenhar como Rafael, mas precisei uma vida inteira para aprender a desenhar como as crianças" e ele realmente amava as crianças.
Sua auto estima tornou-se memorável como seus trabalhos, numa história famosa de um cliente que não gostau muito do retrato de sua esposa, este reclama que a pintura não se parecia muito, ao que Picasso pergunta como ela deveria parecer e o cliente mostra-lhe uma foto preto e branca meio amassada da carteira. Picasso olha atentamente a foto e diz cheio de ironia: “Hum... Ela é bem pequenininha e bastante desbotada, não acha ?"
Suas frases famosas encontram um lugar na história ao lado de sua arte, Picasso um vitorioso sobre a pobreza dizia; "Há pessoas que transformam o sol numa simples mancha amarela, mas há aquelas que fazem de uma simples mancha amarela o próprio sol." Contrariando as espectativas de seus contemporâneos e ganhando dinheiro com um estilo de pintura tão criticado ele dizia; "Um pintor é um homem que pinta o que vende. Um artista, por sua vez, é um homem que vende o que pinta." Pablo era orgulhoso? Os gênios não podem ser acusados de orgulho, eles o merecem! Pablo Picasso apenas era consciente do talento que tinha, dizia ele sobre sí mesmo; "Minha mãe me dizia: "Se queres ser um soldado, serás general. Se queres ser um monge, acabarás sendo Papa." Então eu quis ser um pintor e agora sou Picasso."
Aprendi muito com os quadros de Picasso, já encontrei cristãos que o criticam dizendo que qualquer um faria igual, mas eu que pratico pintura, sei que não é bem assim! Com o tempo aprendi que talvez Deus veja nosso mundo como Picasso o via, um tipo de ótica perturbada pela reconstrução que o pecado nos levou, um tipo de ‘cubismo espiritual’ e nós vemos nosso mundo da mesma maneira que os Nazistas viam a pintura de Picasso, não gostamos da desordem, da feiura de nosso planeta e perguntamos a Deus, ‘Sofrimento! Desarmonia! Injustiça! O Senhor permite, o Senhor é quem fez isso?’ e Deus nos responde: “Não, vocês é quem fizeram!”.
Vincet Van Gogh, um holandes ruivo e melancólico, filho de um pastor reformista, deixaria sua marca na história sem nunca perceber sua importancia para arte. Van Gogh foi constante depressivo, frustrou-se em tudo o que o seu mundo lhe cobrou, nunca constituiu família, nunca se manteve financeiramente sendo sustentado pelo irmão Theo, não perdurou com suas amizades e sucumbiu a doença mental. Seus quadros carregados de tinta e tons de amarelos foram totalmente rejeitados no seu tempo, sendo que vendeu um único quadro por 400 francos.
Suas pinturas tem traços fortes e caracterizam a emoção da pintura expressionista da qual tornou-se postumamente gênio. Nas paisagens ele mostrava a obra de um Criador cheio de movimento e vida, gostava de pintar ao ar livre, sentir o vento e a luz. Sendo um pária social, quase incapaz de se relacionar por muito tempo com alguém, Van Gogh tinha na pintura seu remédio, mas ela demonstrava toda sua tristeza pelo sentimento de rejeição que lhe era hostilizado. Por fim depois da briga e partida de seu amigo pintor Gauguin, Van Gogh teve crises nervosas que culminaram na loucura de cortar a própria orelha, sendo posteriormente internado!
O período de internação foi pacificador a seu espírito perturbado, quando saiu foi morar perto de seu amado irmão Theo, sendo tratado pelo famoso Dr. Gachet, mas inexplicavelmente, depois de semanas de pintura entre os trigais da região, Van Gogh entregou-se a depressão e deu um tiro no peito, vindo a falecer dois dias depois. Disse em seu leito ao irmão que o manteve a vida toda: “ha... se tão somente eu pudesse te devolver um pouco do dinheiro que você gastou com minhas tintas e telas ... a tristeza durará para sempre!”.
As pinturas de Vincet me fascinam, a emoção está em cada pincelada, posso ver Deus que luta com um homem que quer ver a beleza e a cor em um mundo feio, aliás Vincet era daltônico, talvez, para amar este mundo como Deus ama, tenhamos que ser um pouco ‘daltônico espiritualmente’ pois ver demais nos desanima, ver as coisas nas cores corretas pode nos desistimular. Quando vemos o carater das pessoas, nos decepcionamos, pois esperavamos outra coisa. Somente um daltônico espiritual consegue enxergar esperança em pecadores que lutam contra a mensagem que os poderia salvar! Veja os olhos de Van Gogh, nos auto-retratos que ele pintou e você estará vendo o sofrimento puro de um homem. O desespero de Vincet e seu fracasso foram deixar de olhar o mundo por seus quadros, ele passou a ver a si e aos outros da forma como realmente somos, sem fé e esperança! Este foi seu maior erro, olhar o mundo da tétrica perspectiva humana, a depressão e o suícidio foram a consequência. Curiosamente, pouco tempo depois de sua morte descobriram seus quadros que hoje são os mais valiosos do mundo. Se ele tivesse tido um ano a mais de paciência e fé em seu trabalho, sua história teria sido tão diferente!
Dois genios, dois pintores, dois artistas, mas tão diferentes quanto a reação a crítica de seu trabalho! Como reagimos a crítica de nosso trabalho? Esses pintores, nos ensinam como trabalhar e sermos autenticos em mundo cada vez menos criativo e me fazem lembrar da seguinte promessa: “Sede fortes e corajosos, não temais, nem vos atemorizeis diante deles, porque o Senhor, vosso Deus, é quem vai convosco; não vos deixará, nem vos desamparará” Dt. 31:6
Por Pr. Ericson Danese

sexta-feira, 25 de maio de 2007

Um tipo de religião com a qual não posso competir!


Vi adeptos de determinada religião outro dia, estavam em seu culto que havia sido filmado pela televisão. Um tipo de seita que tem atraído milhares, na verdade bilhões no mundo todo, uma religião com características ecumênicas e linha muito liberal, moças podem ir vestidas como quiserem ao templo, os rapazes costumam ir bem caracterizados, mas jamais iriam de terno. Os cultos costumam ser lotados e a música é animada, o povo canta em coro. Mais de 20 pessoas cuidam da liturgia que costuma passar de 90 minutos.
Tenho visto este fenômeno em todos os lugares, RS, SC, SP, por todo Brasil e pelos poucos países vizinhos por onde já andei. Através do jornal descobri que eles estão em todo mundo e ganham cada vez mais adeptos, aqui no Brasil suas reuniões podem ser todo dia, mas normalmente acontecem quartas e domingos. Admito, já fui um adepto desta seita em algum momento de minha vida, mas hoje eles não me enganam mais... Qual o deus que adoram? Um falso deus, como no VT da Bíblia havia o falso deus chamado Baal, agora um falso deus chamado “Bool” é adorado.
Antes que você se dê por conta que estou falando do futebol, vou me explicar para que você não fique decepcionado comigo: Não tenho nada contra o esporte em si, pelo contrário, quem me dera eu tivesse tamanha disposição de correr 90 minutos! Acho incrível os lances, os dribles e a habilidade dos jogadores! O que me incomoda são os times! De alguma forma peguei uma aversão aos campeonatos e aos clubes, penso que eles iludem o povo! “Pão e Circo ao povo” diziam os imperadores, mas no Brasil moderno basta o circo e o povo não precisa de comida, trabalho, estudo, saúde ou saneamento. A mídia e a cultura popular fazem um torcedor pobre pagar cerca 30 ou 80 reais para ver um jogo, mas ele nunca gastaria este dinheiro para comprar um livro! Percebe o que quero dizer? Não temos problema com o futebol, mas com a cultura da burrice!
Isso sempre acontece quando algo supérfluo toma o lugar do sagrado. O Brasil está intoxicado da idolatria aos times e seus jogadores que mudam de time tão rápido quanto os dólares os motivem. Tudo ali acontece pelo dinheiro, por que então alguém se dá ao trabalho de gastar tanto tempo, dinheiro e devoção? Grêmio, Internacional ou Corinthians colocarão comida na mesa de alguém?
O pior é que o excesso e má compreensão deixam as pessoas fanáticas. Não poucas vezes presenciei brigas entre torcedores e ultimamente, não raro, vemos mortos entre torcedores dos estágios. Por quê? Porque toda vez que o corruptível toma o lugar da religião ao Deus verdadeiro, é isso que acontece!
Quem é este cidadão brasileiro tão sofrido e pouco reconhecido que é iludido por aplausos que nunca serão seus e títulos que nunca lhe darão emprego?
Vive tu, cidadão brasileiro, tão humilhado que tua única esperança de triunfo é um time que conquistará uma taça a qual realmente nunca serás tua?
Há muito tempo abandonei os times, decepcionado com a idolatria disfarçada (aliás, nada mais cafona do que uma foto de time pendurada na sala, pior que isso, só enfeite de geladeira, hahaha...), decepcionado com as falcatruas e os rios de dinheiro inutilizados na mão de poucos. Decidi assim! Boicotei os times, percebi que tinha chegado ao cúmulo quando finalmente abandonei a Seleção Brasileira em plena Copa do Mundo! E já faz tempo, nem foi neste último mundial! Sou louco? Não, apenas perdeu a graça para mim! Talvez algum time ou seleção ainda me conquiste, mas será breve, pois sei que os times de futebol são tão ilusórios que quando a final chegar, os passes dos craques já estarão todos vendidos, algumas vezes aos seus adversários.
Existe também, em minha opinião, um “ocultismo” por trás dos clubes, veja o caso do Grêmio e do Internacional! Enquanto um é chamado de ‘imortal’ em seu hino (imortal é só Jesus, o Deus Todo Poderoso, o que passar disso é blasfêmia, ver I Tim.6:16), o outro leva como símbolo o Saci, que no folclore Brasileiro é um tipo de espírito medonho, também chamado de ‘capetinha’! Imagine? Blasfemar ou carregar uma caricatura do diabo como símbolo? Definitivamente não posso me devotar a este tipo de coisa!
A Bíblia nos avisou Ex 20:3; “Não terás outros deuses diante de mim”, isso vale para tudo, para o futebol, para a TV, para a música, para a sexualidade, para a comida e todos mais. O que acontece conosco, por que gostamos tanto de pão e circo? Como religioso, já aprendi que “pão e circo” são um tipo de religião com a qual não posso competir em igualdade!
por Pr. Ericson Danese

quinta-feira, 24 de maio de 2007

Por que gostamos de Super-Heróis?


A mídia está vivendo uma nova onda de super-heróis como não via há muito tempo! As duas grandes empresas que controlam os direitos autorais dos personagens vivem uma corrida de produções que aproveitam a facilidade dos efeitos especiais de computador, para tornar os poderes e cenários dos quadrinhos em realidade nas telonas. A Marvel Comics estourou as bilheterias com a trilogia Homem-Aranha, acompanhada por filmes de outros de seus personagens como Justiceiro, Demolidor, Elektra, Blade, os X-Man e Hulk. Já se prepara o filme do Homem de Ferro e o lançamento do 2º filme do Quarteto Fantástico promete muita bilheteria. Os milhões em bilheteria atraíram a concorrente DC Comics, que já reciclou novas edições de seus melhores personagens, Superman e Batman, já com séries de filmes milionárias em andamento. Mas na verdade, quem são eles e por que gostamos deles?
Superman: Conhece alguém que veio de outro lugar do universo e foi adotado bebê por uma família deste planeta, nunca mente e tem super-poderes? Que vem de uma família chamada “El” que curiosamente em Hebraico é uma das formas da palavra “Deus”? Jesus ou Superman? Tanto faz, desde que a Divindade seja diminuída e humanizada! Curiosamente em seu último filme “Superman Returns” o herói tem conversas com seu pai já falecido onde o pai diz para o filho: “Eu enviei você para eles, você o meu único filho”. Em outro trecho do filme o herói está flutuando acima do planeta, ouvindo a voz de pranto de milhões de pessoas ao mesmo tempo, como um tipo de deus ouvindo orações de pranto de seus súditos. Para completar o filme, temos que referir que Superman é estocado no lado por um tipo de punhal de Kriptonita feito por Lex Luthor, sendo dado como morto e depois ressuscitando. Lembrou-te alguém? Rm.1:23 menciona sobre homens que se tem por sábios e mudam a glória de Deus incorruptível em semelhança de homens corruptíveis.
Batman: Ele não tem super-poderes, é um homem comum vestido com roupa de morcego e com o cinto cheio de geringonças que se tornam letais nas mãos dele. Batman é um garoto transtornado na infância pela morte dos pais, que depois de adulto se torna um tipo de “justiceiro”. A mensagem de Batman é: Use uma máscara e faça justiça pelas suas próprias mãos! O temperamento do herói é conhecido por bater sem dó em seus adversários e algumas vezes usar até tortura para obter informações. O mundo ama o Batman, porque o personagem faz com que o lado vingativo, violento de cada um tenha uma aparência de heroísmo. Batman curiosamente é chamado também de “Cavaleiro das Trevas”!
Desenho Liga da Justiça: O novo desenho que reúne os heróis da DC Comics (Superman, Batman, Mulher-Maravilha e outros) apresenta seus personagens e histórias com temas como romance entre os personagens, sedução, reencarnação, magia, evolucionismo e outros. Os heróis às vezes trocam de lado e até lutam entre si!
Homem Aranha: Os adolescente identificaram-se rapidamente com Petter Parker, pois agora tinham um herói estudante universitário, cheio de problemas financeiros e com um eterno drama romântico com sua Mary Jane. Homem Aranha é cômico e trágico, garantia de sucesso! Mas como ele consegue enfrentar seus inimigos? De onde vem seu “dom” ou “poder”? De Deus? Não.......!!!!!!! De uma aranha radioativa.
X-Mens: Há tantos detalhes subliminares por traz destes personagens que não teríamos espaço aqui para descrevê-los, a trama toda é construída no pressuposto de um novo salto evulucionário na humanidade, chamado de gene X o qual dota os portadores de poderes e mutações. Observe que há algumas semelhanças com o quadro profético que esperamos para os últimos dias antes da volta de Jesus: Dr. Xavier e Magneto que no passado eram amigos e agora lutam entre si, tentam recrutar o maior número possível de integrantes para suas forças, sendo que a batalha caminha para confronto último e grandioso, no qual o governo também emite leis e manda prender os mutantes.
O vilão Magneto, não é totalmente vilão, as vezes até junta suas forças com os mutantes do bem. Muitos dos mutantes realizam fenômenos de telecinésia e telepatia que na verdade sabemos são poderes tipicamente falsificados por demônios em manifestações espiritas. O mais famoso herói deles, Wolverine, é um tipo que se sente à vontade em quebrar tudo, bater muito e falar pouco, em seu imenso exemplo de heroísmo é um grande adepto de charutos. X-Man trabalha a aceitação das minorias, aludindo a conflitos raciais e homossexualismo.
A última cartada cinematográfica da Marvel Comics é o lançamento do pouco conhecido “Motoqueiro Fantasma”. Ma por que um herói pouco conhecido e não um de grande fama como Thor ou Capitão América? Por que no momento a moda é o “Anti-Herói”, ou seja, aquele que não era para ser, mas é um tipo de herói sobre certo ponto de vista! Motoqueiro Fantasma é a história de um homem que vende a alma ao diabo por amor a uma mulher e vive como um justiceiro em sua moto com rodas chamejantes para digamos, lutar pelo bem.
Temos que olhar os heróis de diversas formas, pois há muito por trás deles e dos milhões que eles movimentam em revistas, filmes, desenhos e todo tipo de marketing desde tênis infantil até brinquedos.
1. Dinheiro: Hoje não importa o que é moralmente correto, importa o que atrai atenção e vende audiência. Blade (herói vampiro), Wolverine, Justiceiro e outros são exemplos disso.
2. Fama: Eles se tornam ícones e ídolos de gerações. O triste e trágico fim do antigo ator de Superman, que ficou tetraplégico e morreu há poucos anos nos dá uma idéia do quanto é enganoso visualizá-los como super-poderosos.
3. Ideologia: Eles preparam a mente das crianças e adultos para aceitar temas do interesse da mídia secular como espiritismo, sexualidade libertina e violência.

Mas não podemos terminar sem responder: Afinal, por que gostamos tanto de super-heróis? A resposta é muito simples: Eles fazem o que não podemos ou não conseguimos fazer, então nos identificamos e nos projetamos neles!
Será que esquecemos o que Jesus disse, esquecemos que também temos super-poderes? “...em verdade vos digo, se tiveres fé como um grão de mostarda, direis a este monte: Passa daqui para acolá – e há de passar; e nada vos será impossível”. Mt.17:20.
Por Pr. Ericson Danese