quarta-feira, 30 de maio de 2007

Real ou Surreal?

Você já se sentiu cansado do tipo de vida que leva? Sentiu você alguma vez a vontade de ser alguém diferente, tipo fugindo de sua realidade? Ou você gostaria de ter uma vida mais concreta, mais previsível e deixar de ser assaltados pelas surpresas e imprevistos? E na sua fé, já se frustrou com a realidade e sonhou ser mais consagrado ou fervoroso? A vida de dois de meus pintores preferidos ilustra como o real e o surreal afetam nossa mente e nossa própria caminhada espiritual.

Seu rosto gordinho é bem fácil de se encontrar entre o acervo de suas pinturas, Rembrandt; o maior pintor do século XVII é um holandês profundamente religioso da Igreja Reformada! Não que fosse egocêntrico, mas seus vários auto-retratos e as inúmeras vezes que ele se retrata entre os personagens de suas obras, proporcionam um tipo de diário visual de sua jornada espiritual.
Rembrandt teve uma ascensão profissional descomunal, tornando-se o retratista e pintor mais famoso da Holanda de seu tempo, enriqueceu ao ponto de tornar-se colecionador de obras de artistas como Rafael e Michelangelo. Casado e feliz morava tranqüilo num rico bairro de judeus de Amsterdã, onde teve quatro filhos. Mas depois de toda sua fé e prosperidade, Rembrandt como Jó, sofreu um revés em sua vida. Os filhos morreram, a esposa morreu, seus quadros tornaram-se menos valorizados, seu trabalho menos procurado e devido sua pouca habilidade administrativa, caiu em pobreza! Teve amores frustrados após a morte de sua esposa e finalmente faleceu sozinho e doente, um triste fim para um homem bom e uma mente artística genial.
Apaixonado por pintar temas bíblicos, este holandês protestante deixou inúmeras obras que demonstram sua fé. Assim como sua pintura é tomada de um realismo, sua fé é uma experiência bem real, não ideal, nem ausente de pecado, é sofrida, como a vida de todo cristão que tem vitórias e fracassos. Rambrandt sempre está por lá, no jogo de luz e sombra das cenas do calvário ele é um rosto que você não sabe direito como definir. Está condenando Jesus ou sofrendo ao contemplá-lo? Você pode ver todos os quadros religiosos de Rembrandt e sempre se fará duas perguntas: Onde ele está e onde eu estou neste quadro?
Quando Rembrandt pintou o retorno do filho pródigo, retratou o filho voltando maltrapilho como um tipo de cadáver ressurreto, o pai como um homem distinto o abraça sem preconceito ou rancor enquanto é observado pelo filho mais velho, indiferente a condição do irmão e cheio de dúvidas quanto a justiça do pai. Não é assim a realidade de nossas vidas? Hora nos sentimos como o filho pródigo um dissoluto arrependido, hora como filho mais velho e sua incompreensão da graça do pai, outra hora somos o próprio pai em busca de alguém que perdemos. Rembrandt dedicou o fim de sua vida para pintar o amor de Deus em episódios do Novo Testamento, dele aprendi que a vida espiritual tem momentos de triunfo mas também momentos de tropeços que dependem da graça de Deus. Nossa identidade dentro das pinturas muda conforme trilhamos nossas decisões.

Ele gostava de parecer maluco, e quem pode saber se realmente não era? Fato é que Salvador Dali, um espanhol irreverente, filho de um pai dominador e uma mãe católica de linha liberal, foi uma dessas personalidades que nunca serão entendidas completamente a não ser pelo seu trabalho. Salvador Dali ganhou fama e dinheiro, mas depois da morte de sua amada esposa definhou na depressão devido a solidão e doença, morrendo em 1989.
Dali era o maior expoente do Surrealismo e se a única coisa que você lembra ao ouvir ‘surreal’ é de bombom, você está muito por fora! Surrealismo era um estilo de arte que digamos; mostrava o que aconteceria se os sonhos e subconsciente se tornassem quadros. Os quadros de Dali tinham coisas do tipo relógios derretidos, pedaços do corpo humano reconstruídos, tigres pulando de dentro da boca de peixes e pessoas com o corpo em forma de gavetas. É claro, cada um tinha um significado! Por exemplo um quadro onde retrata o homem pós guerra tentando nascer do ovo que na verdade é o planeta Terra, representa toda a dor e esperança da reconstrução de um novo mundo após as guerras mundiais.
O contexto espiritual é constante em seus quadros, não vou julgar sua crença ou vida moral, mas percebo um homem de fé. Há dois quadros dele sobre a crucifixão, os dois tem a mesma característica: Um Cristo suspenso, mas sem os pregos! Perguntaram a Dali por que ele não pintou os pregos ao que respondeu: “...os pregos não o seguraram lá!”. O Cristo de Dali é Surreal, Ele está além de nossas expectativas, um tipo de Senhor Divino que está em pleno controle do que lhe acontece. Isto seria surreal, ou apenas o que não podemos ver ? O mundo surreal de Salvador Dali era na verdade seu único mundo, quando parou de pintá-lo devido a doença, definhou e morreu. O mundo real era pobre e triste demais para lhe dar alguma alegria, quando o perdeu, tornou-se depressivo e doente.
De Dali aprendi que a realidade não é um limite para Deus, pelo menos não aquilo que costumamos chamar de realidade, pois em um mundo secular como o nosso, temas como Novo Céu e Nova Terra, Volta de Jesus, Ressurreição dos mortos e a crença em um Deus que Criou tudo do nada sem processos evolutivos é algo que soa para alguns como ‘surreal’.

Rembrandt e Salvador Dali, um Holandês o outro Espanhol, bem diferentes como pessoa, como estilo artístico e religioso, histórias diferentes, um olhava para o real; o outro para o surreal. Mas será que na dimensão espiritual existe diferença entre real ou surreal? Existe um mundo físico e o outro metafísico? Existe um mundo natural e outro espiritual? No fundo talvez; seja apenas a mesma coisa pintada por visões diferentes. Como posso viver no mundo dos prédios, roupas, contas para pagar e vagas de estacionamento sem lembrar que existe bem ao lado e invisível aos meus olhos um mundo de conflitos entre anjos bons e maus, poderes espirituais e atuação sábia da Providência? Se vivo apenas como um fanático espiritualista sem me preocupar com o mundo real e físico, serei negligente com meus semelhantes, por outro lado, se vivo apenas para o mundo e reino do agora, esquecendo do Reino Invisível de Deus; então, o sonho dos dois mundos se encontrando torna-se vazio da minha presença. Acabo como um objeto na história sem esperança e identidade existencial. Jesus disse: “Tenho-vos dito isto, para que em mim tenhais paz; no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo.” S. Jo.16:33, afinal, em um mundo de realidades tristes, Cristo é simplesmente surreal!

Por Pr. Ericson Danese

segunda-feira, 28 de maio de 2007

Não gostam de nada que você faz? Então viva como um cubista ou daltônico espiritual!

Como você tem reagido ao ser criticado? Refiro-me a todo tipo de crítica, mesmo aquela preconceituosa e malvada. Você é capaz de suportar e até aproveitar a crítica, ou ela destrói com seus projetos e criatividade? Eu lembro da primeira vez que pedi para alguém criticar um de meus quadros, confesso que fiquei com tanta vergonha do que uma profissional diria da pintura de um garoto, naquela época com 17 anos, que pedi para minha irmã levar o quadro. Evidentemente o quadro foi criticado, e depois disso o abandonei de minhas preferências, mas a mesma pessoa me encaminhou as aulas onde realmente aprendi as noções básicas da pintura.
Na pintura o que define a genialidade, não tem nada há ver com a habilidade do pintor de reproduzir uma imagem em detalhes fotográficos e realistas. Pelo contrário, o que realmente importa é a criatividade, a capacidade de surpreender e transmitir uma idéia com expressão e emoção através dos traços e cores. Cada pintura genial, é simplesmente única, pelo mais que um copista tente nunca haverá outra igual. São estas características que tornam uma pintura tão valiosa!
Valores exorbitantes como uma tela de Picasso que pode chegar a 55 milhões de dólares ou os inacreditáveis 82,5 milhões de dólares atingidos em um leilão em 1990 por um quadro de Van Gogh. Alguém sem os conceitos artísticos que mencionei no primeiro parágrafo poderia olhar para uma tela dessas sem conhecer e dizer que foi feita por uma criança da 2ª ou 3ª série e desprezar rapidamente. Duvido que a maioria das pessoas escolheria pinturas como essas para por na parede de suas casas. No tempo de Van Gogh ou de Picasso, as coisas não eram muito diferentes, na verdade ambos receberam rejeição a sua técnica e estilo, eles são exemplos de como atitudes diferentes em frente à crítica mudam a nossa qualidade de vida.
Pablo Picasso, espanhol filho de um desconhecido professor de desenho, foi o grande expoente de um estilo de pintura chamado “cubismo” que consistia em avaliar as formas geométricas e reconstruir as imagens e figuras. Picasso foi polêmico por toda sua vida, dono de um temperamento difícil de se conviver e um infiel cônjuge, ele viveu sua carreira desafiando a cultura e gosto da época, mas conseguiu com muita impetuosidade o que poucos pintores conseguiram em vida: Fama e riquezas!
Pablo soube conviver com a crítica como poucos. Viveu em uma Europa mergulhada em guerras onde sempre se manteve neutro, quando acusado de covarde, simplesmente dizia-se um ‘pacifista’. Quando os Nazistas vasculharam seu ateliê e encontraram o famoso painel pintado em protesto ao bombardeio alemão a cidade de Guernica, os soldados perguntaram: “Você fez isso?” referindo-se ao desespero e tragédia retratados, ao que Picasso respondeu: “Não, foi vocês que fizeram!”.
Pablo tinha língua afiada e os conservadores odiavam seus quadros, ele costumava dizer: "Quando eu tinha 15 anos sabia desenhar como Rafael, mas precisei uma vida inteira para aprender a desenhar como as crianças" e ele realmente amava as crianças.
Sua auto estima tornou-se memorável como seus trabalhos, numa história famosa de um cliente que não gostau muito do retrato de sua esposa, este reclama que a pintura não se parecia muito, ao que Picasso pergunta como ela deveria parecer e o cliente mostra-lhe uma foto preto e branca meio amassada da carteira. Picasso olha atentamente a foto e diz cheio de ironia: “Hum... Ela é bem pequenininha e bastante desbotada, não acha ?"
Suas frases famosas encontram um lugar na história ao lado de sua arte, Picasso um vitorioso sobre a pobreza dizia; "Há pessoas que transformam o sol numa simples mancha amarela, mas há aquelas que fazem de uma simples mancha amarela o próprio sol." Contrariando as espectativas de seus contemporâneos e ganhando dinheiro com um estilo de pintura tão criticado ele dizia; "Um pintor é um homem que pinta o que vende. Um artista, por sua vez, é um homem que vende o que pinta." Pablo era orgulhoso? Os gênios não podem ser acusados de orgulho, eles o merecem! Pablo Picasso apenas era consciente do talento que tinha, dizia ele sobre sí mesmo; "Minha mãe me dizia: "Se queres ser um soldado, serás general. Se queres ser um monge, acabarás sendo Papa." Então eu quis ser um pintor e agora sou Picasso."
Aprendi muito com os quadros de Picasso, já encontrei cristãos que o criticam dizendo que qualquer um faria igual, mas eu que pratico pintura, sei que não é bem assim! Com o tempo aprendi que talvez Deus veja nosso mundo como Picasso o via, um tipo de ótica perturbada pela reconstrução que o pecado nos levou, um tipo de ‘cubismo espiritual’ e nós vemos nosso mundo da mesma maneira que os Nazistas viam a pintura de Picasso, não gostamos da desordem, da feiura de nosso planeta e perguntamos a Deus, ‘Sofrimento! Desarmonia! Injustiça! O Senhor permite, o Senhor é quem fez isso?’ e Deus nos responde: “Não, vocês é quem fizeram!”.
Vincet Van Gogh, um holandes ruivo e melancólico, filho de um pastor reformista, deixaria sua marca na história sem nunca perceber sua importancia para arte. Van Gogh foi constante depressivo, frustrou-se em tudo o que o seu mundo lhe cobrou, nunca constituiu família, nunca se manteve financeiramente sendo sustentado pelo irmão Theo, não perdurou com suas amizades e sucumbiu a doença mental. Seus quadros carregados de tinta e tons de amarelos foram totalmente rejeitados no seu tempo, sendo que vendeu um único quadro por 400 francos.
Suas pinturas tem traços fortes e caracterizam a emoção da pintura expressionista da qual tornou-se postumamente gênio. Nas paisagens ele mostrava a obra de um Criador cheio de movimento e vida, gostava de pintar ao ar livre, sentir o vento e a luz. Sendo um pária social, quase incapaz de se relacionar por muito tempo com alguém, Van Gogh tinha na pintura seu remédio, mas ela demonstrava toda sua tristeza pelo sentimento de rejeição que lhe era hostilizado. Por fim depois da briga e partida de seu amigo pintor Gauguin, Van Gogh teve crises nervosas que culminaram na loucura de cortar a própria orelha, sendo posteriormente internado!
O período de internação foi pacificador a seu espírito perturbado, quando saiu foi morar perto de seu amado irmão Theo, sendo tratado pelo famoso Dr. Gachet, mas inexplicavelmente, depois de semanas de pintura entre os trigais da região, Van Gogh entregou-se a depressão e deu um tiro no peito, vindo a falecer dois dias depois. Disse em seu leito ao irmão que o manteve a vida toda: “ha... se tão somente eu pudesse te devolver um pouco do dinheiro que você gastou com minhas tintas e telas ... a tristeza durará para sempre!”.
As pinturas de Vincet me fascinam, a emoção está em cada pincelada, posso ver Deus que luta com um homem que quer ver a beleza e a cor em um mundo feio, aliás Vincet era daltônico, talvez, para amar este mundo como Deus ama, tenhamos que ser um pouco ‘daltônico espiritualmente’ pois ver demais nos desanima, ver as coisas nas cores corretas pode nos desistimular. Quando vemos o carater das pessoas, nos decepcionamos, pois esperavamos outra coisa. Somente um daltônico espiritual consegue enxergar esperança em pecadores que lutam contra a mensagem que os poderia salvar! Veja os olhos de Van Gogh, nos auto-retratos que ele pintou e você estará vendo o sofrimento puro de um homem. O desespero de Vincet e seu fracasso foram deixar de olhar o mundo por seus quadros, ele passou a ver a si e aos outros da forma como realmente somos, sem fé e esperança! Este foi seu maior erro, olhar o mundo da tétrica perspectiva humana, a depressão e o suícidio foram a consequência. Curiosamente, pouco tempo depois de sua morte descobriram seus quadros que hoje são os mais valiosos do mundo. Se ele tivesse tido um ano a mais de paciência e fé em seu trabalho, sua história teria sido tão diferente!
Dois genios, dois pintores, dois artistas, mas tão diferentes quanto a reação a crítica de seu trabalho! Como reagimos a crítica de nosso trabalho? Esses pintores, nos ensinam como trabalhar e sermos autenticos em mundo cada vez menos criativo e me fazem lembrar da seguinte promessa: “Sede fortes e corajosos, não temais, nem vos atemorizeis diante deles, porque o Senhor, vosso Deus, é quem vai convosco; não vos deixará, nem vos desamparará” Dt. 31:6
Por Pr. Ericson Danese

sexta-feira, 25 de maio de 2007

Um tipo de religião com a qual não posso competir!


Vi adeptos de determinada religião outro dia, estavam em seu culto que havia sido filmado pela televisão. Um tipo de seita que tem atraído milhares, na verdade bilhões no mundo todo, uma religião com características ecumênicas e linha muito liberal, moças podem ir vestidas como quiserem ao templo, os rapazes costumam ir bem caracterizados, mas jamais iriam de terno. Os cultos costumam ser lotados e a música é animada, o povo canta em coro. Mais de 20 pessoas cuidam da liturgia que costuma passar de 90 minutos.
Tenho visto este fenômeno em todos os lugares, RS, SC, SP, por todo Brasil e pelos poucos países vizinhos por onde já andei. Através do jornal descobri que eles estão em todo mundo e ganham cada vez mais adeptos, aqui no Brasil suas reuniões podem ser todo dia, mas normalmente acontecem quartas e domingos. Admito, já fui um adepto desta seita em algum momento de minha vida, mas hoje eles não me enganam mais... Qual o deus que adoram? Um falso deus, como no VT da Bíblia havia o falso deus chamado Baal, agora um falso deus chamado “Bool” é adorado.
Antes que você se dê por conta que estou falando do futebol, vou me explicar para que você não fique decepcionado comigo: Não tenho nada contra o esporte em si, pelo contrário, quem me dera eu tivesse tamanha disposição de correr 90 minutos! Acho incrível os lances, os dribles e a habilidade dos jogadores! O que me incomoda são os times! De alguma forma peguei uma aversão aos campeonatos e aos clubes, penso que eles iludem o povo! “Pão e Circo ao povo” diziam os imperadores, mas no Brasil moderno basta o circo e o povo não precisa de comida, trabalho, estudo, saúde ou saneamento. A mídia e a cultura popular fazem um torcedor pobre pagar cerca 30 ou 80 reais para ver um jogo, mas ele nunca gastaria este dinheiro para comprar um livro! Percebe o que quero dizer? Não temos problema com o futebol, mas com a cultura da burrice!
Isso sempre acontece quando algo supérfluo toma o lugar do sagrado. O Brasil está intoxicado da idolatria aos times e seus jogadores que mudam de time tão rápido quanto os dólares os motivem. Tudo ali acontece pelo dinheiro, por que então alguém se dá ao trabalho de gastar tanto tempo, dinheiro e devoção? Grêmio, Internacional ou Corinthians colocarão comida na mesa de alguém?
O pior é que o excesso e má compreensão deixam as pessoas fanáticas. Não poucas vezes presenciei brigas entre torcedores e ultimamente, não raro, vemos mortos entre torcedores dos estágios. Por quê? Porque toda vez que o corruptível toma o lugar da religião ao Deus verdadeiro, é isso que acontece!
Quem é este cidadão brasileiro tão sofrido e pouco reconhecido que é iludido por aplausos que nunca serão seus e títulos que nunca lhe darão emprego?
Vive tu, cidadão brasileiro, tão humilhado que tua única esperança de triunfo é um time que conquistará uma taça a qual realmente nunca serás tua?
Há muito tempo abandonei os times, decepcionado com a idolatria disfarçada (aliás, nada mais cafona do que uma foto de time pendurada na sala, pior que isso, só enfeite de geladeira, hahaha...), decepcionado com as falcatruas e os rios de dinheiro inutilizados na mão de poucos. Decidi assim! Boicotei os times, percebi que tinha chegado ao cúmulo quando finalmente abandonei a Seleção Brasileira em plena Copa do Mundo! E já faz tempo, nem foi neste último mundial! Sou louco? Não, apenas perdeu a graça para mim! Talvez algum time ou seleção ainda me conquiste, mas será breve, pois sei que os times de futebol são tão ilusórios que quando a final chegar, os passes dos craques já estarão todos vendidos, algumas vezes aos seus adversários.
Existe também, em minha opinião, um “ocultismo” por trás dos clubes, veja o caso do Grêmio e do Internacional! Enquanto um é chamado de ‘imortal’ em seu hino (imortal é só Jesus, o Deus Todo Poderoso, o que passar disso é blasfêmia, ver I Tim.6:16), o outro leva como símbolo o Saci, que no folclore Brasileiro é um tipo de espírito medonho, também chamado de ‘capetinha’! Imagine? Blasfemar ou carregar uma caricatura do diabo como símbolo? Definitivamente não posso me devotar a este tipo de coisa!
A Bíblia nos avisou Ex 20:3; “Não terás outros deuses diante de mim”, isso vale para tudo, para o futebol, para a TV, para a música, para a sexualidade, para a comida e todos mais. O que acontece conosco, por que gostamos tanto de pão e circo? Como religioso, já aprendi que “pão e circo” são um tipo de religião com a qual não posso competir em igualdade!
por Pr. Ericson Danese

quinta-feira, 24 de maio de 2007

Por que gostamos de Super-Heróis?


A mídia está vivendo uma nova onda de super-heróis como não via há muito tempo! As duas grandes empresas que controlam os direitos autorais dos personagens vivem uma corrida de produções que aproveitam a facilidade dos efeitos especiais de computador, para tornar os poderes e cenários dos quadrinhos em realidade nas telonas. A Marvel Comics estourou as bilheterias com a trilogia Homem-Aranha, acompanhada por filmes de outros de seus personagens como Justiceiro, Demolidor, Elektra, Blade, os X-Man e Hulk. Já se prepara o filme do Homem de Ferro e o lançamento do 2º filme do Quarteto Fantástico promete muita bilheteria. Os milhões em bilheteria atraíram a concorrente DC Comics, que já reciclou novas edições de seus melhores personagens, Superman e Batman, já com séries de filmes milionárias em andamento. Mas na verdade, quem são eles e por que gostamos deles?
Superman: Conhece alguém que veio de outro lugar do universo e foi adotado bebê por uma família deste planeta, nunca mente e tem super-poderes? Que vem de uma família chamada “El” que curiosamente em Hebraico é uma das formas da palavra “Deus”? Jesus ou Superman? Tanto faz, desde que a Divindade seja diminuída e humanizada! Curiosamente em seu último filme “Superman Returns” o herói tem conversas com seu pai já falecido onde o pai diz para o filho: “Eu enviei você para eles, você o meu único filho”. Em outro trecho do filme o herói está flutuando acima do planeta, ouvindo a voz de pranto de milhões de pessoas ao mesmo tempo, como um tipo de deus ouvindo orações de pranto de seus súditos. Para completar o filme, temos que referir que Superman é estocado no lado por um tipo de punhal de Kriptonita feito por Lex Luthor, sendo dado como morto e depois ressuscitando. Lembrou-te alguém? Rm.1:23 menciona sobre homens que se tem por sábios e mudam a glória de Deus incorruptível em semelhança de homens corruptíveis.
Batman: Ele não tem super-poderes, é um homem comum vestido com roupa de morcego e com o cinto cheio de geringonças que se tornam letais nas mãos dele. Batman é um garoto transtornado na infância pela morte dos pais, que depois de adulto se torna um tipo de “justiceiro”. A mensagem de Batman é: Use uma máscara e faça justiça pelas suas próprias mãos! O temperamento do herói é conhecido por bater sem dó em seus adversários e algumas vezes usar até tortura para obter informações. O mundo ama o Batman, porque o personagem faz com que o lado vingativo, violento de cada um tenha uma aparência de heroísmo. Batman curiosamente é chamado também de “Cavaleiro das Trevas”!
Desenho Liga da Justiça: O novo desenho que reúne os heróis da DC Comics (Superman, Batman, Mulher-Maravilha e outros) apresenta seus personagens e histórias com temas como romance entre os personagens, sedução, reencarnação, magia, evolucionismo e outros. Os heróis às vezes trocam de lado e até lutam entre si!
Homem Aranha: Os adolescente identificaram-se rapidamente com Petter Parker, pois agora tinham um herói estudante universitário, cheio de problemas financeiros e com um eterno drama romântico com sua Mary Jane. Homem Aranha é cômico e trágico, garantia de sucesso! Mas como ele consegue enfrentar seus inimigos? De onde vem seu “dom” ou “poder”? De Deus? Não.......!!!!!!! De uma aranha radioativa.
X-Mens: Há tantos detalhes subliminares por traz destes personagens que não teríamos espaço aqui para descrevê-los, a trama toda é construída no pressuposto de um novo salto evulucionário na humanidade, chamado de gene X o qual dota os portadores de poderes e mutações. Observe que há algumas semelhanças com o quadro profético que esperamos para os últimos dias antes da volta de Jesus: Dr. Xavier e Magneto que no passado eram amigos e agora lutam entre si, tentam recrutar o maior número possível de integrantes para suas forças, sendo que a batalha caminha para confronto último e grandioso, no qual o governo também emite leis e manda prender os mutantes.
O vilão Magneto, não é totalmente vilão, as vezes até junta suas forças com os mutantes do bem. Muitos dos mutantes realizam fenômenos de telecinésia e telepatia que na verdade sabemos são poderes tipicamente falsificados por demônios em manifestações espiritas. O mais famoso herói deles, Wolverine, é um tipo que se sente à vontade em quebrar tudo, bater muito e falar pouco, em seu imenso exemplo de heroísmo é um grande adepto de charutos. X-Man trabalha a aceitação das minorias, aludindo a conflitos raciais e homossexualismo.
A última cartada cinematográfica da Marvel Comics é o lançamento do pouco conhecido “Motoqueiro Fantasma”. Ma por que um herói pouco conhecido e não um de grande fama como Thor ou Capitão América? Por que no momento a moda é o “Anti-Herói”, ou seja, aquele que não era para ser, mas é um tipo de herói sobre certo ponto de vista! Motoqueiro Fantasma é a história de um homem que vende a alma ao diabo por amor a uma mulher e vive como um justiceiro em sua moto com rodas chamejantes para digamos, lutar pelo bem.
Temos que olhar os heróis de diversas formas, pois há muito por trás deles e dos milhões que eles movimentam em revistas, filmes, desenhos e todo tipo de marketing desde tênis infantil até brinquedos.
1. Dinheiro: Hoje não importa o que é moralmente correto, importa o que atrai atenção e vende audiência. Blade (herói vampiro), Wolverine, Justiceiro e outros são exemplos disso.
2. Fama: Eles se tornam ícones e ídolos de gerações. O triste e trágico fim do antigo ator de Superman, que ficou tetraplégico e morreu há poucos anos nos dá uma idéia do quanto é enganoso visualizá-los como super-poderosos.
3. Ideologia: Eles preparam a mente das crianças e adultos para aceitar temas do interesse da mídia secular como espiritismo, sexualidade libertina e violência.

Mas não podemos terminar sem responder: Afinal, por que gostamos tanto de super-heróis? A resposta é muito simples: Eles fazem o que não podemos ou não conseguimos fazer, então nos identificamos e nos projetamos neles!
Será que esquecemos o que Jesus disse, esquecemos que também temos super-poderes? “...em verdade vos digo, se tiveres fé como um grão de mostarda, direis a este monte: Passa daqui para acolá – e há de passar; e nada vos será impossível”. Mt.17:20.
Por Pr. Ericson Danese

domingo, 13 de maio de 2007

Em que confiar? Bíblia ou Arqueologia?


Quando estudava arqueologia na faculdade de Teologia, deparei-me com um grande dilema! Ao estudar as cronologias das dinastias egípcias, notei que chegavam há 3 mil anos a.C., sendo um problema para o texto Bíblico pois este admite a história com cerca de mais ou menos 6 mil anos, portanto, os Egípcios existiriam antes do Dilúvio (datado por volta de 2 mil a.C.) o que não seria possível. Como conciliar estas diferenças?
Quando questionei sobre isso durante a aula, minha pergunta trouxe algum desconforto a todos os alunos, ávidos para comprovar a Bíblia através da arqueologia. Lembro-me até hoje da resposta de nosso professor; “...a Bíblia é soberana a todas as revelações históricas, e ela só pode ser compreendida pela fé!”. Sua resposta surpreendeu-me exatamente porque foi o contrário do que eu esperava! Na minha infantilidade intelectual eu esperava que ele me provasse cientificamente e arqueologicamente que as cronologias Bíblicas são verdadeiras ou que se encaixam na nossa leitura da história secular. No entanto, em sua magna sabedoria e simplicidade característica, o mestre me fez ver que a Palavra do Senhor não precisa de ajuda para ser comprovada. Na verdade, muitas vezes as pessoas se convencem daquilo que querem ser convencidas e sendo que os vencedores e os donos da imprensa sempre são os que contam a história, ficando com a pressuposta versão verdadeira.
Vou dar um exemplo de como isso ocorre;
Peguemos um pouco da história moderna na ótica dos EUA. Os Americanos são especialistas em autopromoção e em contar a história do jeito deles, aliás, tanto contam do jeito deles, que o resto do mundo acredita, veja o caso da invenção do avião! Quem é o inventor? Santos Dumond, você diria! Correto! Mas, em outros lugares do mundo e principalmente na América, ninguém sabe quem foi Santos Dumond, pois para eles os inventores do avião foram os Americaníssimos irmãos Write. Outro exemplo: Pergunte a um Inglês e a um Argentino, ‘a quem pertencem as ilhas Malvinas?’. Os Ingleses nem a chamam Malvinas, para eles são as Falklands.
Assim é a historia e seus historiadores, o poder e o dinheiro influenciam os registros! Estes interesses frequentemente mudam a história, ou contam histórias que nunca aconteceram. Quando criança, aprendi que o Brasil foi descoberto por Cabral, que segundo minha professora (influenciada pela política da época) haviam achado o Brasil por acidente depois que uma tempestade que os desviou da rota das índias. Porém no 2º Grau, agora com uma nova professora e uma nova política, aprendemos que tudo não tinha passado de uma ‘negociata’ entre Portugal e Espanha e que no fundo, todos sabiam onde ficava o Brasil. (p.s. ainda quero perguntar a um Português como eles contam essa história).
Ninguém quer ser filho ou descendente de gente comum, de pobres, de plebeus ou de quem cometeu erros terríveis, no passado muitos chegavam a falsificar linhagens e genealogias pois ninguém queria vir de uma família de perdedores, todos queriam e querem ter um passado de glórias para ter direito ao poder!
Civilizações antigas como o Egito viviam de controlar a massa popular através da fé religiosa, para isso, era necessário impor temor e respeito ao povo de forma que não questionassem o Faraó os Sacerdotes. Nos diversos impérios ao longo da história a fórmula era sempre a mesma, a multidão do popular vivia conformada com sua designação de servos contanto que tivessem pão e circo, e do outro lado, a minoria sacerdotal e imperial vivia no luxo controlando a superstição religiosa e manipulando a opinião pública pela glória da aparência do poder.
Para que isso desse certo, a história tinha que ser contada de forma promocional, veja o caso de Roma e Cartago; a inveja e o ódio mortal entre essas duas cidades fizeram com que Roma destruísse totalmente a civilização Cartaginense, depois Roma repovoou o local e reescreveu a história deles. Hoje, descobertas revelam uma história bem diferente do que os registros Romanos relataram.
No Egito o costume era erguerem murais e colunas e estátuas contando as glórias e vitórias dos Faraós, a idolatria do governante era mantida mostrando ao povo que estavam seguros graças ao poder do exército comandado pelo rei. Duvido que um Faraó ou Sacerdote egípcio relatasse sobre Moisés e os Hebreus, ou mesmo sobre os milagres que Senhor Deus fez contra o Egito. Por que os sacerdotes que viviam da idolatria reconheceriam o poder do Deus hebreu e a inutilidade daquilo que ensinavam para o povo? Faraó e sua família dependiam da propaganda para manter o trono e a unidade do Estado.
Em 1896, o arqueólogo Flinders Petrie descobriu uma estela com uma inscrição do Faraó Merneptah (1224-1214 a.C. ou 1213-1203 a.C., segundo outra cronologia). A estela de Merneptah é importantíssima para a arqueologia Bíblica, pois é a primeira menção extra bíblica de ‘Israel’. Contando vantagens sobre sua campanha militar o Faraó diz: “Os príncipes estão prostrados dizendo: Paz. Entre os Nove Arcos nenhum levanta a cabeça. Tehenu [=Líbia] está devastado; o Hatti está em paz. Canaã está privada de toda a sua maldade; Ascalon está deportada; Gazer foi tomada; Yanoam está como se não existisse mais; Israel está aniquilado e não tem mais semente; O Haru [=Canaã] está em viuvez diante do Egito.” O sentido do texto parece indicar que “semente” refere-se que Israel ficou sem descendentes e totalmente aniquilado. Mas sabemos que isso não é verdade, pois daí para frente Israel volta a aparecer mais e mais nos achados arqueológicos e tornar-se um reino mais poderoso.
A estela de Merneptah mostra o quanto é perigoso ter confiança total nos achados arqueológicos quando estes contradizem a Bíblia. Você poderia argumentar: ‘Mas então que garantia teríamos para acreditar na Bíblia? Como posso ter certeza de que os escritores Bíblicos também não inventaram os seus relatos para autopromoção da sua cultura?’.
É muito simples! Na Bíblia não há autopromoção, leia o texto e você verá que a Bíblia não esconde as derrotas de Israel, em alguns lugares Israel é vitorioso, em outros Israel é vencido por seus adversários, são escravizados ou levados cativos. Frequentemente Israel é mostrado até mais fraco que seus adversários e mesmo seus heróis como Sansão, Davi, Salomão e outros não são semi-deuses, mas homens que cometem erros vergonhosos. As histórias bíblicas não relatam um ideal ou uma propaganda, mas o fato real independente de agradar ou não o povo e seus governantes. Notável é que muitas vezes, são os próprios sacerdotes e até profetas que tem sua vida de erros e acertos descrita! Na Bíblia a verdade doutrinária ensinada é independente do fato histórico.
Outra pergunta seria: ‘Será que os manuscritos Bíblicos não foram mudados? Será que os documentos históricos seculares não são mais confiáveis?
Os Manuscritos do Mar Morto nos mostram que o Velho Testamento de nossas Bíblias, permanece idêntico ao usado nos tempos de Jesus. Quanto ao Novo Testamento vamos raciocinar da seguinte maneira; existem fragmentos do ano 50 a 70 d.C., portanto o espaço de tempo entre o original e as primeiras cópias que temos é em torno de 25 anos, se o tempo entre cópia e original for comparado aos escritos de Homero(500 anos), Demóstenes e Heródoto (1400 anos), Platão (1200 anos), Tácito (1000 anos), César (1000 anos) e Plínio (750anos), fica óbvio que em termos de confiabilidade os registros do Novo Testamento são muito mais confiáveis historicamente do que qualquer uma destas outras fontes, que por sinal são muito bem aceitas no mundo acadêmico. Veja então, a questão sobre número de cópias; são 5686 para o NT, enquanto para escritos seculares são muito menores e portanto menos confiáveis, Demóstenes 200, Heródoto 8, Platão 7, Tácito 20, César 10 e Plínio 7. (ver Norman Geisler e Frank Turek, Não tenho fé suficiente para ser ateu, editora Vida)
Então por que os historiadores e acadêmicos não usam a Bíblia como referência histórica? Alguns dirão que é um livro religioso e portanto comprometido para o valor histórico. Porém, obras como a de Platão estão carregadas de filosofia e conteúdo religioso e por vezes até, supersticioso!
Por que então a Bíblia não é aceita como documento histórico? Preconceito seria minha resposta!
Quanto a mim, desde minha aula de Arqueologia tomei uma decisão: Investigo a história, analiso as descobertas arqueológicas, muitas vezes elas me ajudam a compreender o contexto histórico da Bíblia e das pessoas que viveram naquela época. Entretanto nunca procuro uma prova para me convencer que a Bíblia realmente tinha razão! Chamem-me de ‘fundamentalista’ se quiserem, mas o texto Bíblico é superior a qualquer documento da história secular, ainda que este contradiga a Bíblia ficarei com as Escrituras, porque “Passará o céu e a terra, mas as minhas palavras não passarão” Mc.13:31.

Por Pr. Ericson Danese