domingo, 13 de maio de 2007

Em que confiar? Bíblia ou Arqueologia?


Quando estudava arqueologia na faculdade de Teologia, deparei-me com um grande dilema! Ao estudar as cronologias das dinastias egípcias, notei que chegavam há 3 mil anos a.C., sendo um problema para o texto Bíblico pois este admite a história com cerca de mais ou menos 6 mil anos, portanto, os Egípcios existiriam antes do Dilúvio (datado por volta de 2 mil a.C.) o que não seria possível. Como conciliar estas diferenças?
Quando questionei sobre isso durante a aula, minha pergunta trouxe algum desconforto a todos os alunos, ávidos para comprovar a Bíblia através da arqueologia. Lembro-me até hoje da resposta de nosso professor; “...a Bíblia é soberana a todas as revelações históricas, e ela só pode ser compreendida pela fé!”. Sua resposta surpreendeu-me exatamente porque foi o contrário do que eu esperava! Na minha infantilidade intelectual eu esperava que ele me provasse cientificamente e arqueologicamente que as cronologias Bíblicas são verdadeiras ou que se encaixam na nossa leitura da história secular. No entanto, em sua magna sabedoria e simplicidade característica, o mestre me fez ver que a Palavra do Senhor não precisa de ajuda para ser comprovada. Na verdade, muitas vezes as pessoas se convencem daquilo que querem ser convencidas e sendo que os vencedores e os donos da imprensa sempre são os que contam a história, ficando com a pressuposta versão verdadeira.
Vou dar um exemplo de como isso ocorre;
Peguemos um pouco da história moderna na ótica dos EUA. Os Americanos são especialistas em autopromoção e em contar a história do jeito deles, aliás, tanto contam do jeito deles, que o resto do mundo acredita, veja o caso da invenção do avião! Quem é o inventor? Santos Dumond, você diria! Correto! Mas, em outros lugares do mundo e principalmente na América, ninguém sabe quem foi Santos Dumond, pois para eles os inventores do avião foram os Americaníssimos irmãos Write. Outro exemplo: Pergunte a um Inglês e a um Argentino, ‘a quem pertencem as ilhas Malvinas?’. Os Ingleses nem a chamam Malvinas, para eles são as Falklands.
Assim é a historia e seus historiadores, o poder e o dinheiro influenciam os registros! Estes interesses frequentemente mudam a história, ou contam histórias que nunca aconteceram. Quando criança, aprendi que o Brasil foi descoberto por Cabral, que segundo minha professora (influenciada pela política da época) haviam achado o Brasil por acidente depois que uma tempestade que os desviou da rota das índias. Porém no 2º Grau, agora com uma nova professora e uma nova política, aprendemos que tudo não tinha passado de uma ‘negociata’ entre Portugal e Espanha e que no fundo, todos sabiam onde ficava o Brasil. (p.s. ainda quero perguntar a um Português como eles contam essa história).
Ninguém quer ser filho ou descendente de gente comum, de pobres, de plebeus ou de quem cometeu erros terríveis, no passado muitos chegavam a falsificar linhagens e genealogias pois ninguém queria vir de uma família de perdedores, todos queriam e querem ter um passado de glórias para ter direito ao poder!
Civilizações antigas como o Egito viviam de controlar a massa popular através da fé religiosa, para isso, era necessário impor temor e respeito ao povo de forma que não questionassem o Faraó os Sacerdotes. Nos diversos impérios ao longo da história a fórmula era sempre a mesma, a multidão do popular vivia conformada com sua designação de servos contanto que tivessem pão e circo, e do outro lado, a minoria sacerdotal e imperial vivia no luxo controlando a superstição religiosa e manipulando a opinião pública pela glória da aparência do poder.
Para que isso desse certo, a história tinha que ser contada de forma promocional, veja o caso de Roma e Cartago; a inveja e o ódio mortal entre essas duas cidades fizeram com que Roma destruísse totalmente a civilização Cartaginense, depois Roma repovoou o local e reescreveu a história deles. Hoje, descobertas revelam uma história bem diferente do que os registros Romanos relataram.
No Egito o costume era erguerem murais e colunas e estátuas contando as glórias e vitórias dos Faraós, a idolatria do governante era mantida mostrando ao povo que estavam seguros graças ao poder do exército comandado pelo rei. Duvido que um Faraó ou Sacerdote egípcio relatasse sobre Moisés e os Hebreus, ou mesmo sobre os milagres que Senhor Deus fez contra o Egito. Por que os sacerdotes que viviam da idolatria reconheceriam o poder do Deus hebreu e a inutilidade daquilo que ensinavam para o povo? Faraó e sua família dependiam da propaganda para manter o trono e a unidade do Estado.
Em 1896, o arqueólogo Flinders Petrie descobriu uma estela com uma inscrição do Faraó Merneptah (1224-1214 a.C. ou 1213-1203 a.C., segundo outra cronologia). A estela de Merneptah é importantíssima para a arqueologia Bíblica, pois é a primeira menção extra bíblica de ‘Israel’. Contando vantagens sobre sua campanha militar o Faraó diz: “Os príncipes estão prostrados dizendo: Paz. Entre os Nove Arcos nenhum levanta a cabeça. Tehenu [=Líbia] está devastado; o Hatti está em paz. Canaã está privada de toda a sua maldade; Ascalon está deportada; Gazer foi tomada; Yanoam está como se não existisse mais; Israel está aniquilado e não tem mais semente; O Haru [=Canaã] está em viuvez diante do Egito.” O sentido do texto parece indicar que “semente” refere-se que Israel ficou sem descendentes e totalmente aniquilado. Mas sabemos que isso não é verdade, pois daí para frente Israel volta a aparecer mais e mais nos achados arqueológicos e tornar-se um reino mais poderoso.
A estela de Merneptah mostra o quanto é perigoso ter confiança total nos achados arqueológicos quando estes contradizem a Bíblia. Você poderia argumentar: ‘Mas então que garantia teríamos para acreditar na Bíblia? Como posso ter certeza de que os escritores Bíblicos também não inventaram os seus relatos para autopromoção da sua cultura?’.
É muito simples! Na Bíblia não há autopromoção, leia o texto e você verá que a Bíblia não esconde as derrotas de Israel, em alguns lugares Israel é vitorioso, em outros Israel é vencido por seus adversários, são escravizados ou levados cativos. Frequentemente Israel é mostrado até mais fraco que seus adversários e mesmo seus heróis como Sansão, Davi, Salomão e outros não são semi-deuses, mas homens que cometem erros vergonhosos. As histórias bíblicas não relatam um ideal ou uma propaganda, mas o fato real independente de agradar ou não o povo e seus governantes. Notável é que muitas vezes, são os próprios sacerdotes e até profetas que tem sua vida de erros e acertos descrita! Na Bíblia a verdade doutrinária ensinada é independente do fato histórico.
Outra pergunta seria: ‘Será que os manuscritos Bíblicos não foram mudados? Será que os documentos históricos seculares não são mais confiáveis?
Os Manuscritos do Mar Morto nos mostram que o Velho Testamento de nossas Bíblias, permanece idêntico ao usado nos tempos de Jesus. Quanto ao Novo Testamento vamos raciocinar da seguinte maneira; existem fragmentos do ano 50 a 70 d.C., portanto o espaço de tempo entre o original e as primeiras cópias que temos é em torno de 25 anos, se o tempo entre cópia e original for comparado aos escritos de Homero(500 anos), Demóstenes e Heródoto (1400 anos), Platão (1200 anos), Tácito (1000 anos), César (1000 anos) e Plínio (750anos), fica óbvio que em termos de confiabilidade os registros do Novo Testamento são muito mais confiáveis historicamente do que qualquer uma destas outras fontes, que por sinal são muito bem aceitas no mundo acadêmico. Veja então, a questão sobre número de cópias; são 5686 para o NT, enquanto para escritos seculares são muito menores e portanto menos confiáveis, Demóstenes 200, Heródoto 8, Platão 7, Tácito 20, César 10 e Plínio 7. (ver Norman Geisler e Frank Turek, Não tenho fé suficiente para ser ateu, editora Vida)
Então por que os historiadores e acadêmicos não usam a Bíblia como referência histórica? Alguns dirão que é um livro religioso e portanto comprometido para o valor histórico. Porém, obras como a de Platão estão carregadas de filosofia e conteúdo religioso e por vezes até, supersticioso!
Por que então a Bíblia não é aceita como documento histórico? Preconceito seria minha resposta!
Quanto a mim, desde minha aula de Arqueologia tomei uma decisão: Investigo a história, analiso as descobertas arqueológicas, muitas vezes elas me ajudam a compreender o contexto histórico da Bíblia e das pessoas que viveram naquela época. Entretanto nunca procuro uma prova para me convencer que a Bíblia realmente tinha razão! Chamem-me de ‘fundamentalista’ se quiserem, mas o texto Bíblico é superior a qualquer documento da história secular, ainda que este contradiga a Bíblia ficarei com as Escrituras, porque “Passará o céu e a terra, mas as minhas palavras não passarão” Mc.13:31.

Por Pr. Ericson Danese

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