segunda-feira, 28 de maio de 2007

Não gostam de nada que você faz? Então viva como um cubista ou daltônico espiritual!

Como você tem reagido ao ser criticado? Refiro-me a todo tipo de crítica, mesmo aquela preconceituosa e malvada. Você é capaz de suportar e até aproveitar a crítica, ou ela destrói com seus projetos e criatividade? Eu lembro da primeira vez que pedi para alguém criticar um de meus quadros, confesso que fiquei com tanta vergonha do que uma profissional diria da pintura de um garoto, naquela época com 17 anos, que pedi para minha irmã levar o quadro. Evidentemente o quadro foi criticado, e depois disso o abandonei de minhas preferências, mas a mesma pessoa me encaminhou as aulas onde realmente aprendi as noções básicas da pintura.
Na pintura o que define a genialidade, não tem nada há ver com a habilidade do pintor de reproduzir uma imagem em detalhes fotográficos e realistas. Pelo contrário, o que realmente importa é a criatividade, a capacidade de surpreender e transmitir uma idéia com expressão e emoção através dos traços e cores. Cada pintura genial, é simplesmente única, pelo mais que um copista tente nunca haverá outra igual. São estas características que tornam uma pintura tão valiosa!
Valores exorbitantes como uma tela de Picasso que pode chegar a 55 milhões de dólares ou os inacreditáveis 82,5 milhões de dólares atingidos em um leilão em 1990 por um quadro de Van Gogh. Alguém sem os conceitos artísticos que mencionei no primeiro parágrafo poderia olhar para uma tela dessas sem conhecer e dizer que foi feita por uma criança da 2ª ou 3ª série e desprezar rapidamente. Duvido que a maioria das pessoas escolheria pinturas como essas para por na parede de suas casas. No tempo de Van Gogh ou de Picasso, as coisas não eram muito diferentes, na verdade ambos receberam rejeição a sua técnica e estilo, eles são exemplos de como atitudes diferentes em frente à crítica mudam a nossa qualidade de vida.
Pablo Picasso, espanhol filho de um desconhecido professor de desenho, foi o grande expoente de um estilo de pintura chamado “cubismo” que consistia em avaliar as formas geométricas e reconstruir as imagens e figuras. Picasso foi polêmico por toda sua vida, dono de um temperamento difícil de se conviver e um infiel cônjuge, ele viveu sua carreira desafiando a cultura e gosto da época, mas conseguiu com muita impetuosidade o que poucos pintores conseguiram em vida: Fama e riquezas!
Pablo soube conviver com a crítica como poucos. Viveu em uma Europa mergulhada em guerras onde sempre se manteve neutro, quando acusado de covarde, simplesmente dizia-se um ‘pacifista’. Quando os Nazistas vasculharam seu ateliê e encontraram o famoso painel pintado em protesto ao bombardeio alemão a cidade de Guernica, os soldados perguntaram: “Você fez isso?” referindo-se ao desespero e tragédia retratados, ao que Picasso respondeu: “Não, foi vocês que fizeram!”.
Pablo tinha língua afiada e os conservadores odiavam seus quadros, ele costumava dizer: "Quando eu tinha 15 anos sabia desenhar como Rafael, mas precisei uma vida inteira para aprender a desenhar como as crianças" e ele realmente amava as crianças.
Sua auto estima tornou-se memorável como seus trabalhos, numa história famosa de um cliente que não gostau muito do retrato de sua esposa, este reclama que a pintura não se parecia muito, ao que Picasso pergunta como ela deveria parecer e o cliente mostra-lhe uma foto preto e branca meio amassada da carteira. Picasso olha atentamente a foto e diz cheio de ironia: “Hum... Ela é bem pequenininha e bastante desbotada, não acha ?"
Suas frases famosas encontram um lugar na história ao lado de sua arte, Picasso um vitorioso sobre a pobreza dizia; "Há pessoas que transformam o sol numa simples mancha amarela, mas há aquelas que fazem de uma simples mancha amarela o próprio sol." Contrariando as espectativas de seus contemporâneos e ganhando dinheiro com um estilo de pintura tão criticado ele dizia; "Um pintor é um homem que pinta o que vende. Um artista, por sua vez, é um homem que vende o que pinta." Pablo era orgulhoso? Os gênios não podem ser acusados de orgulho, eles o merecem! Pablo Picasso apenas era consciente do talento que tinha, dizia ele sobre sí mesmo; "Minha mãe me dizia: "Se queres ser um soldado, serás general. Se queres ser um monge, acabarás sendo Papa." Então eu quis ser um pintor e agora sou Picasso."
Aprendi muito com os quadros de Picasso, já encontrei cristãos que o criticam dizendo que qualquer um faria igual, mas eu que pratico pintura, sei que não é bem assim! Com o tempo aprendi que talvez Deus veja nosso mundo como Picasso o via, um tipo de ótica perturbada pela reconstrução que o pecado nos levou, um tipo de ‘cubismo espiritual’ e nós vemos nosso mundo da mesma maneira que os Nazistas viam a pintura de Picasso, não gostamos da desordem, da feiura de nosso planeta e perguntamos a Deus, ‘Sofrimento! Desarmonia! Injustiça! O Senhor permite, o Senhor é quem fez isso?’ e Deus nos responde: “Não, vocês é quem fizeram!”.
Vincet Van Gogh, um holandes ruivo e melancólico, filho de um pastor reformista, deixaria sua marca na história sem nunca perceber sua importancia para arte. Van Gogh foi constante depressivo, frustrou-se em tudo o que o seu mundo lhe cobrou, nunca constituiu família, nunca se manteve financeiramente sendo sustentado pelo irmão Theo, não perdurou com suas amizades e sucumbiu a doença mental. Seus quadros carregados de tinta e tons de amarelos foram totalmente rejeitados no seu tempo, sendo que vendeu um único quadro por 400 francos.
Suas pinturas tem traços fortes e caracterizam a emoção da pintura expressionista da qual tornou-se postumamente gênio. Nas paisagens ele mostrava a obra de um Criador cheio de movimento e vida, gostava de pintar ao ar livre, sentir o vento e a luz. Sendo um pária social, quase incapaz de se relacionar por muito tempo com alguém, Van Gogh tinha na pintura seu remédio, mas ela demonstrava toda sua tristeza pelo sentimento de rejeição que lhe era hostilizado. Por fim depois da briga e partida de seu amigo pintor Gauguin, Van Gogh teve crises nervosas que culminaram na loucura de cortar a própria orelha, sendo posteriormente internado!
O período de internação foi pacificador a seu espírito perturbado, quando saiu foi morar perto de seu amado irmão Theo, sendo tratado pelo famoso Dr. Gachet, mas inexplicavelmente, depois de semanas de pintura entre os trigais da região, Van Gogh entregou-se a depressão e deu um tiro no peito, vindo a falecer dois dias depois. Disse em seu leito ao irmão que o manteve a vida toda: “ha... se tão somente eu pudesse te devolver um pouco do dinheiro que você gastou com minhas tintas e telas ... a tristeza durará para sempre!”.
As pinturas de Vincet me fascinam, a emoção está em cada pincelada, posso ver Deus que luta com um homem que quer ver a beleza e a cor em um mundo feio, aliás Vincet era daltônico, talvez, para amar este mundo como Deus ama, tenhamos que ser um pouco ‘daltônico espiritualmente’ pois ver demais nos desanima, ver as coisas nas cores corretas pode nos desistimular. Quando vemos o carater das pessoas, nos decepcionamos, pois esperavamos outra coisa. Somente um daltônico espiritual consegue enxergar esperança em pecadores que lutam contra a mensagem que os poderia salvar! Veja os olhos de Van Gogh, nos auto-retratos que ele pintou e você estará vendo o sofrimento puro de um homem. O desespero de Vincet e seu fracasso foram deixar de olhar o mundo por seus quadros, ele passou a ver a si e aos outros da forma como realmente somos, sem fé e esperança! Este foi seu maior erro, olhar o mundo da tétrica perspectiva humana, a depressão e o suícidio foram a consequência. Curiosamente, pouco tempo depois de sua morte descobriram seus quadros que hoje são os mais valiosos do mundo. Se ele tivesse tido um ano a mais de paciência e fé em seu trabalho, sua história teria sido tão diferente!
Dois genios, dois pintores, dois artistas, mas tão diferentes quanto a reação a crítica de seu trabalho! Como reagimos a crítica de nosso trabalho? Esses pintores, nos ensinam como trabalhar e sermos autenticos em mundo cada vez menos criativo e me fazem lembrar da seguinte promessa: “Sede fortes e corajosos, não temais, nem vos atemorizeis diante deles, porque o Senhor, vosso Deus, é quem vai convosco; não vos deixará, nem vos desamparará” Dt. 31:6
Por Pr. Ericson Danese

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