segunda-feira, 18 de junho de 2007

Depressão ou Superação. A diferença que faz a posição da cabeça!



Outro dia percebi que as obras de dois grandes escultores mostram exatamente como a depressão emocional se apodera de alguns e como alguns se libertam dela, mesmo em meio as situações mais desvantajosas. Vamos conhecer dois gênios das artes plásticas e suas obras;
Auguste Rodin, escultor francês que nasceu em 1840 foi o pioneiro nas esculturas de fragmentos isolados do corpo, como suas obras “A mão de Deus”, onde a mão de Deus é representada como a mão de um escultor, “Homem que Caminha” e “Torso”. Suas obras mais famosas são aquelas que as figuras e formas parecem tentar desgrudar-se do material esculpido, as mais conhecidas são “O Beijo” e “O Pensador”.
Na verdade, “O Pensador” talvez seja uma das esculturas mais famosas do mundo, provavelmente a maioria das pessoas nem saibam quem é Rodin mas já viram o “O Pensador” ou uma de suas muitas réplicas. Todos ficam intrigados sobre qual seria a natureza de sua profunda meditação! Para saber qual é o misterioso pensamento representado na obra, temos que conhecer a história desta obra.
Rodin o esculpiu inicialmente com o título de “O Poeta”; para ser uma de várias peças da entrada do museu de Paris representando o poema “A Divina Comédia” de Dante o famoso autor medieval que retratou o pensamento de seus dias sobre o inferno. “O Poeta ou O Pensador” seria o próprio Dante em frente ao portal do inferno ponderando sobre seu poema! O Pensador, literalmente parece estar lutando com um imenso drama interior! O que passaria em sua mente? Sente-se condenado pelo juízo de Deus? Está inquieto quanto ao seu futuro e sua salvação? Tem dúvidas sobre o que encontrará depois do juízo? Teme a conseqüência de algum de seus atos? Tenta procurar alguma saída ou alternativa?
Parece que Rodin realmente esculpiu o pensador observando o drama de muitos seres humanos, talvez, seja por esta razão que tantos se identificam com O Pensador, pois ele não se parece com um filósofo ou mero teórico, é simplesmente alguém que tenta desesperadoramente resolver seu problema! Mas seu maior problema é que ele está sozinho, inutilmente se esforça para resolver algo que não está ao seu alcance. De Rodin e suas impressionantes esculturas e seu intrigante “Pensador”, aprendi que a ciência, a psicologia, a arte, a filosofia e todos os campos do saber, contribuíram em muito para o desenvolvimento do ser humano, mas não podem remover a preocupação do semblante do “Pensador”. Se tão somente a estátua tivesse vida e pudesse mover sua cabeça para cima, seu nome mudaria de “O Pensador” para “O Contemplador ou O Adorador” e seu semblante seria outro!
Antonio Franscisco Lisboa (1730-1814) mais conhecido por seu apelido “Aleijadinho” foi o maior escultor brasileiro. Este mulato filho de um Português com uma escrava Africana, sofreu a vida toda a rejeição da sociedade pela cor da sua pele e pela doença que lhe deu seu apelido. Entretanto, a vida toda se dedicou a arte sacra, como escultor ou como arquiteto.
Fato é que com 40 anos uma praga terrível o acometeu deteriorando progressivamente seus membros, ninguém sabe se era lepra, sífilis ou reumatismo deformativo. Seja o que for, levou seus pés e dedos de suas mãos. Mas isso não foi o suficiente para detê-lo, seu escravo amarrava o cinzel e o martelo ao toco de suas mãos e ao polegar que sobrara e o Mestre Aleijadinho esculpia incansavelmente.
De suas inúmeras obras (confesso que o estilo barroco e esculturas de santos em madeira não me atraem muito), gosto e destaco “Os Profetas”, esculpidos em pedra sabão em Congonhas MG. Acho interessante o fato de que todos são muito parecidos uns com os outros, todos tem um tipo de semelhança com o Cristo que costumamos visualizar nas obras de Aleijadinho, estão numa subida e alguns até apontam para cima, comparo isso a semelhança da mensagem dos profetas, sempre um tipo de “olhe para cima”! Olhe para cima Deus está falando com você! Olhe para cima, Deus tem um plano! Olhe para cima, o Messias vem vindo! Olhe para cima, Jesus está voltando!
Fico comparando as lições espirituais que aprendo de obras tão diferentes em estilo e propósito como as de Rodin e Aleijadinho. No “Pensador” de Rodin, você tem um Europeu vivendo na prosperidade e saúde e retratando toda a angústia e inquietude que sua sociedade vive ao continuar olhando para baixo e olhando para dentro de si mesma; por outro lado, nos “12 Profetas” do mestre Aleijadinho você vê o retrato sofrido do trabalho de um homem que tenta ser curvado pela doença e a rejeição, mas não desiste de louvar o Sacro e olhar para o alto.
Em nossa vida podemos ter muitas dúvidas quanto à fé ou ao desconhecido, podemos ter lutas interiores sem uma aparente solução, podemos viver a rejeição por nossa condição social, cor da pele ou credo. Talvez tenhamos perdido a família, o trabalho ou a saúde, mas precisamos parar de olhar para baixo como “O Pensador”, parar de olhar para si mesmo e começarmos a olhar para cima, continuar a lutar, trabalhar e desafiar tudo que nos impeça de erguer a cabeça!

Por Pr. Ericson Danese