segunda-feira, 16 de julho de 2007

Relaxe no Divã e Divague

Fui num psicanalista por acaso, eu era universitário e estava colportando (vendendo livros), ele me atendeu muito bem, observei que o ambiente era meticulosamente decorado, sofá gostoso de sentar, boa música instrumental de fundo, plantas, iluminação penumbra, tudo fazia com que o ambiente se tornasse amigável. O psicólogo ficou lá me olhando e me ouvindo falar sobre os livros sem ter qualquer reação, ele não interagia, só me ouvia (tenho que admitir que eles sabem ouvir!) eu pensava comigo “que tipo de solução para vida uma pessoa encontra aqui dentro?”.
Hoje, sou Pastor, frequentemente sou interpelado por pessoas que buscam minha ajuda no sentido emocional, o que em minha opinião facilmente é confundido com o real objetivo de meu trabalho que é espiritual e não psicológico. De qualquer forma a igreja instintivamente busca na figura do líder espiritual uma solução para seus problemas, raramente me procuram para tirar dúvidas teológicas, dificilmente me pedem conselhos para vida espiritual, mas na maioria das vezes as questões sempre são problemas emocionais ou de relacionamento. Muitos atualmente estão buscando na psicologia a solução de seus problemas existenciais, mas devemos ser inteligentes e cautelosos, pois a psicologia é uma ciência preciosa e delicada. A maioria simplesmente escolhe o psicólogo por indicação de alguém, não se certifica das pressuposições deste e nem da linha que segue. Ter um terapeuta virou moda, é ‘chique’ é ‘coisa de nível’, mas como você escolhe um e por que escolhe?
Sigmund Freud (1856-1939) foi um médico judeu-austríaco neurologista que fundou a vertente psicológica conhecida como psicanálise. Fugindo do Nazismo e lutando com as dificuldades financeiras, Freud foi para Inglaterra onde estudou medicina a luz do Darwinismo, no inicio de sua carreira interessou-se por histeria, na França tratando seus pacientes com várias técnicas, como uso de cocaína (que matou um amigo por overdose numa dessas tentativas), massagens e hipnose.
Depois da morte de seu pai em 1886; Freud dedicou-se a analisar seus próprios sonhos o que resultou no seu famoso livro ‘A interpretação dos sonhos’, onde sua conclusão foi que seus próprios problemas advinham de uma atração por sua mãe e uma hostilidade a seu pai, o que ele denominou de ‘complexo de Édipo’ e se tornaria a base de sua teoria. Graças a seus conceitos evolucionistas, ele acreditava que o homem nasce com uma grande variedade de fontes de prazer que ao trocar a libido pelo objeto do prazer desenvolve o ser humano, em sua opinião a etapa oral, anal, fálica até chegar ao desejo pelo progenitor de sexo oposto. Para ele a repressão dos desejos trazia os traumas posteriores e a religião era o meio de controlar o povo através dos tabus culturais, sendo que a maior privação imposta era a expressão sexual livre.
Na opinião de Freud que pegava o barco do ateísmo vindo de Marx, Nietzsche e outros, a religião evoluiu do animismo (personificação e espiritualização de forças da natureza) para o monoteísmo (crença judaico-cristã), a religião foi criada pelo homem para negociar com a natureza e compensar o sofrimento da civilização.
Sem Deus e sem religião o grande psicólogo tinha que explicar a culpa, então apelou mais uma vez para ‘o complexo de Édipo’e a teoria da Evolução. A culpa é provinda da visão de Deus como Pai, uma vez que os filhos têm que suceder os pais no processo evolutivo, ao sentir remorso eles divinizam os próprios pais depois de superá-los. No entanto ele não explica de onde vem o remorso!
Freud desenvolveu sua técnica de psicanálise para lidar com as emoções reprimidas utilizando-se da técnica da Transferência, onde o paciente transfere para o psicólogo seus sentimentos em relação a seus problemas estimulado a recriar um quadro em que recria seus conflitos passados para então resolve-los. Levando ao extremo espiritualista, alguns a partir disto chegaram a regressão de vidas passadas, sempre por hipnose. Freud acreditava que os sonhos guardavam informações dos desejos ocultos que deviam ser liberados dos tabus que os reprimiam para o perfeito amadurecimento do ser humano. Freud um fumante inveterado, morreu de câncer no maxilar depois de 33 cirurgias, segundo alguns supõe depois de não agüentar mais a dor pediu ao médico uma dose excessiva de morfina para acabar com seu sofrimento.
Confesso que tenho que concordar com uns poucos aspectos das teorias de Freud quanto ao funcionamento da mente, mas temo que algumas de suas mais aclamadas idéias sejam uma das maiores armadilhas para mente humana.
1. Suas idéias têm como base o ateísmo evolucionista e um verdadeiro ódio contra a religião. A cura está em si mesmo! Muitas pessoas vão há um psicanalista e relaxam no divã, falam, falam e falam, finalmente quando a consulta termina o doutor diz: “a solução está dentro de você”, então eles pagam (e não pouco) e vão embora. A auto cura e auto é em minha opinião, discorde você se quiser, um fracasso total, simplesmente não existe! Se existisse ninguém precisaria ir a psicanalistas, nem mesmo Freud que se auto analisou e nunca se curou.
2. A transferência é só um subterfúgio para não ter que reconhecer a culpa pessoal, não ter que perdoar! Não passa de encenação em que o coitado do paciente é levado a enganar a si mesmo e ainda é convencido a acreditar nisso.
3. A religião ou a Bíblia não reprime a sexualidade, ela a educa! Deus não é contra o prazer e nem contra o sexo, Ele é contra a perversão que é a destruição por meio do prazer.
4. Culpa é mais do que emoção ou pensamento. Culpa é algo rela e espiritual. Deve ser tratado no âmbito espiritual, o único que está habilitado a lidar com a culpa é quem pode lidar com o perdão, a saber Jesus Cristo.
5. Se o homem criou Deus para nos livrar da ameaça da natureza, por que criou algo mais ameaçador que a Natureza? Negar Deus é a melhor maneira de tentar não se sentir culpado, isso funciona por um tempo, mas na prática nunca elevou ninguém a um novo ‘grau de evolução mental’.
6. Hipnose, regressão e outras do gênero são armadilhas satânicas; “A teoria de uma mente reger outra, teve origem em Satanás, a fim de se introduzir como o obreiro principal, para pôr a filosofia humana onde se devia encontrar a divina. De todos os erros que estão encontrando aceitação entre cristãos professos, não há engano mais perigoso, nenhum mais de molde a separar infalivelmente o homem de Deus, do que esse. Por inocente que pareça, ao ser exercido sobre os pacientes, tende para sua destruição, e não para seu restabelecimento. Abre uma porta através da qual Satanás entrará para tomar posse, tanto da mente que se entrega ao domínio de outra, como do que a domina.” Ellen G. White. A Ciência do Bom Viver, pág. 243.
7. Muita gente está buscando psicólogos por motivos errados (eles são necessários na sociedade assim como médicos, dentistas e outros), mas alguns simplesmente os procuram tentando substituir um amigo que não têm, um cônjuge que não é confiável ou um Deus que não têm intimidade. Uma senhora me disse certa vez que ia ao psicólogo por que ele a ouvia e ela podia confiar nele e mais nenhum motivo. Consultórios lotados é a maior prova da crise de solidão moderna.
De modo algum pense que sou contra a psicologia, pelo contrário, creio que “Os verdadeiros princípios de psicologia encontram-se nas Escrituras Sagradas” Ellen White, Manuscrito 121, 1902. Mas quando procurar-mos ajuda lembremos do seguinte; “Por milhares de anos Satanás tem estado fazendo experiências sobre as propriedades da mente humana, e tem aprendido a conhecê-la bem. Mediante sua obra sutil nestes últimos dias, está ligando a mente humana com a sua própria, imbuindo-a de seus próprios pensamentos; e ele está fazendo esta obra de maneira tão enganadora, que os que lhe aceitam a direção não sabem que estão sendo conduzidos por ele segundo lhe apraz. O grande enganador espera confundir a mente de homens e mulheres de tal maneira que nenhuma outra voz senão a sua seja ouvida.” EGW, ME.2, v.2, 353
"Tende cuidado para que ninguém vos faça presa sua, por meio de filosofias e vãs sutilezas, segundo a tradição dos homens, segundo os rudimentos do mundo e não segundo Cristo." Col. 2:8.

Por Pr. Ericson Danese

domingo, 8 de julho de 2007

Namoro a distância

Não sei se você já namorou a distância? Quando eu namorei a distância (mais de 1000km), ainda não tínhamos acesso muito fácil à internet e dependíamos das cartas, demoravam uma semana para chegar ao destino, depois mais uma semana para saber a resposta. Nas cartas o namoro é complicado, você não entra em questões polemicas do namoro pois o espaço é limitado e o risco de ser mal interpretado é muito grande. Normalmente as cartas de namorados contêm uns 80% de elogios e boas novidades, o problema é o que fazer com a dúvida? Uma carta pode chegar em um bom momento ou em um mau momento psicológico, muitas vezes pode vir com assuntos diferentes do que você esperava, em síntese uma carta pode ser decepcionante ou até obscura! Na verdade, alguns namorados chegam a desconfiar que seu par os esqueceu, não o ama mais ou está apenas o iludindo. O namorado(a) chega a um ponto que deve optar pela dúvida ou pela fé!
E assim é com Deus, Ele foi e prometeu que nos ama e irá voltar, todos os dias os homens abrem Suas cartas registradas na Bíblia sagrada tentando obter respostas que nem sempre são o que esperavam ouvir. Todos têm que optar entre a fé ou a dúvida, alguns chegam a negá-lo e decidem desistir. Para alguns, a melhor estratégia de como superar a dor da distancia é estranhamente negar que exista alguém de quem sente falta, usando isso como anestesia geral numa pequena ferida local e perdem completamente o raciocínio lógico! Conheça um exemplo:
O pai do existencialismo ateu foi um alemão nascido em 1844, criado pela mãe, pela irmã e pelas duas tias solteironas uma vez que seu pai morreu quando ainda Nietzsche ainda era um menino, alguns deduzem que sofreu abuso quando criança. Ele era a própria figura quase profética do que se tornaria a Alemanha do inicio do próximo século e das duas grandes guerras, descontentamento e ambição.
Nietzsche influenciado por outros filósofos ateus era um pessimista (Niilista) nato, acreditava que a sociedade de seus dias estava decadente e julgava que a culpa era da tradição judaico-cristã. Para ele, a religião cristã enfraquecia o espírito humano através de sua ideologia de mansidão e submissão a uma divindade, ele argumentava que a compaixão retirava o que havia de melhor no ser humano, a ousadia e coragem.
Para ele, o homem devia livrar-se da idéia de Deus, aliás dizia ele de forma sarcástica “Deus morreu”, pois a seu ver não havia necessidade de Deus, alegorizando sua teoria ele dizia “Deus morreu de pena”, ele propôs neste alegorismo que havia muitos deuses no inicio, então o Deus cristão Jeová exigiu ser o único e os outros morreram de rir de Jeová, mas agora o homem não precisava mais nem deste último. Em sua tese doutoral ele usa desta mesma linha de pensamento para explicar a condição do comportamento e desejos humanos, apelando para a figura de duas divindades gregas, Apolo (representado o ideal, o belo e o correto) e Dionízio (representado o caos, o irreverente e sensual), para ele todo homem tinha que manter o equilíbrio sem negar nenhum dos dois. Isto é estranho? Bem, para um homem ateu e evolucionista que não via qualquer propósito na vida, na existência, nada é estranho.
Para o ateu Nietzsche, virtudes como as de Gálatas 5, paciência, bondade, humildade e coisas do gênero são apenas uma maneira dos fracos aliviarem seu sofrimento diante da sua falta de confiança. O ideal de Nietzsche é um chamado ‘super-homem’, que são pessoas comuns que ousam serem seus próprios juizes, sobrepuja e domina as demais e criam sua própria moralidade, como César, Alexandre e Napoleão. Segundo seu pensamento, o que move o homem é a vontade de poder, ou seja a vontade de sobrepujar, fazer com que sua vida seja lembrada e é neste ponto que o Cristianismo é culpado por roubar esta natureza básica.
As idéias de Nietzsche foram tremendamente influentes, décadas mais tarde um grande admirador seu chamado Adolf Hitler distribuía livros seus aos seus principais homens. O Nazismo demonstrou o que existencialismo ateu de Nietzsche poderia fazer ao mundo de forma prática!
Homens como Nietzsche fazem-me lembrar cartas de namorados, um namorado frustrado, alguém que se decepcionou com um velho amor e agora se determinou a odiar este antigo amor, só para dar a impressão que não ama mais. Há uma carta de Deus para Nietzsche, ateus, zombadores e todos nós crentes no Sl.14; “DISSE o néscio no seu coração: Não há Deus. Têm-se corrompido, fazem-se abomináveis em suas obras, não há ninguém que faça o bem. O SENHOR olhou desde os céus para os filhos dos homens, para ver se havia algum que tivesse entendimento e buscasse a Deus. Desviaram-se todos e juntamente se fizeram imundos: não há quem faça o bem, não há sequer um. Não terão conhecimento os que praticam a iniqüidade, os quais comem o meu povo, como se comessem pão, e não invocam ao SENHOR? Ali se acharam em grande pavor, porque Deus está na geração dos justos. Vós envergonhais o conselho dos pobres, porquanto o SENHOR é o seu refúgio. Oh, se de Sião tivera já vindo a redenção de Israel! Quando o SENHOR fizer voltar os cativos do seu povo, se regozijará Jacó e se alegrará Israel.”
Curiosamente aos 34 anos Nietzsche ficou muito doente, viajou pela Europa a procura da cura, tinha um tipo de infecção no cérebro que o levou a ser internado num sanatório para loucos, onde sua irmã cobrava um ingresso para visitantes poderem ver seu irmão famoso agora demente. Nietzsche passou seus últimos dias ali, apresentando-se como Jesus Cristo e assinando como ‘O Crucificado’! Morreu aos 55 anos, mas conta-se que sua famosa frase ‘Deus está morto. Ass. Nietzsche’ foi pichada no metrô de Nova York, abaixo alguém escreveu; ‘Nietzsche está morto. Ass: Deus’.
Quanto ao meu namoro a distância? Casei com ela alguns anos depois e hoje somos muito felizes!
Por Pr. Ericson Danese