domingo, 2 de agosto de 2009

SÓ PELO PRAZER DE CORRER


Como a competição do dia a dia, desfigurou nossa imagem de Deus. “Se te fatigas correndo com homens que vão a pé, como poderás competir com os que vão a cavalo? Se em terra de paz não te sentes seguro, que farás na floresta do Jordão?” Jeremias 12:5

É como se as chitas (guepardos) tivessem sido planejadas por uma divindade e os antílopes por uma divindade rival. De modo alternativo, se há apenas um Criador que fez o tigre e o cordeiro, a chita e a gazela, aonde Ele quer chegar? Será Ele um sádico que se deleita em ser um espectador de esportes sangrentos? Estará Ele tentando evitar uma superpopulação entre os mamíferos da África? Estará Ele manobrando para maximizar os índices televisivos de David Attenborough?
Richard Dawkins (O Rio que Saia do Éden)
Os documentários de vida animal, cada vez mais populares trazem para nossa vida diária, algumas das perguntas do biólogo ateu que citei acima. Na savana Africana, cada dia é uma ‘corrida’ pela sobrevivência do guepardo (chita) ou do antílope. Quando o sol se por, se um estiver vivo o outro estará com fome, ou um estará satisfeito e o outro estará morto!
O guepardo é o mais rápido animal terrestre, ele vai de 0 a 72km/h em 2 segundos, atinge 115km/h e salta a uma altura de 3 metros . Ele tem grandes narinas e pulmões para poder oxigenar seus músculos poderosos, conta com uma cabeça pequena e um corpo aerodinâmico terminado em uma longa cauda que proporciona o equilíbrio para o corpo nas velozes curvas que tem que fazer.
A vida do guepardo não é muito simples apesar de seus grandes poderes, ele é o concorrente indesejável de leões, leopardos e hienas, que dizimam seus filhotes. Em geral até 70% dos guepardos morrem nos primeiros três meses de vida. O felino tem que ser rápido até no comer, pois alguma outra fera da savana, mais forte ou em maior número virá para roubar todo seu esforço .
Do outro lado deste drama encontram-se as gazelas de Thomson, cujos filhotes já nascem com longas e fininhas pernas e estão prontos para correr até o último segundo de suas vidas driblando os guepardos. Para sua felicidade, normalmente o caçador é quem perde, já que depois de 300 ou 400 metros, a super velocidade vai terminando até que o felino se reduza a um gato magrelo e ofegante, enquanto a gazela mais resistente, viverá para disputar mais uma vez a corrida. Por que ficamos encantados com essa competição nas savanas da distante África? Por duas razões que observaremos a seguir:
1) Na competição que se tornou a sociedade humana, nos perguntamos: ‘De que lado Deus está?’
Um pai de quatro filhos está na seleção para conseguir um emprego e na mesma fila de entrevistas está um marido cuja esposa doente necessita de seu salário para os remédios, os dois estão orando ao mesmo Deus pelo mesmo emprego, a qual deles Deus vai favorecer? É realmente Deus quem define isto, ou será que Deus deixa no livre arbítrio do empregador? E se nenhum dos dois for favorecido, e quem ganhar o emprego for um jovem, sem família e pouco religioso?
Perguntar essas coisas me parece como perguntar sobre o que Deus pensa de guepardos e gazelas, são perguntas irrelevantes e demonstram uma leitura muito distorcida da pessoa de Deus e seu plano. Um Deus que cuida das aves, cuida de guepardos e gazelas, e ainda muito mais de seres humanos. A existência do mal, do infortúnio e da dor, não justifica a inexistência de Deus ou sua impotência. Pelo contrário, nosso próprio desconforto mental demonstra nossa consciência em um padrão ético maior que podemos oferecer em nossa sociedade ou reconhecer na natureza.
Nada neste mundo faz sentido se não se compreende a teologia do Grande Conflito entre Cristo e Satanás, nada fará sentido se não se compreende o plano de Deus, pois Ele não apenas destruirá o mal e a injustiça um dia, mas permite que nos convençamos que o mal não é uma boa opção e nos corteja a desejarmos a bondade. No entanto, Deus manda chuva sobre justos e ímpios, suas bênçãos são para todos, mas espera que aqueles que as alcançam as estendam aos seus semelhantes.
Um dia será do guepardo que ganhou garras e dentes mas menor resistência, outro dia será da gazela sem defesas mas com maior resistência. Este equilíbrio é uma pálida alternativa aos efeitos destrutivos do pecado em nosso planeta. Afinal, Deus não está do lado nem de guepardos, nem de gazelas, Ele não escolhe partidos, Ele é que deve ser escolhido por seus seguidores. Deus nunca desejou a morte de gazelas, ou a fome para os guepardos, mas isto é o resultado do desejo de supremacia de Lúcifer, este é o fim último da competitividade, inevitavelmente haverá um perdedor.
2) Identificamo-nos com o Guepardos e Gazelas;
Todos nós temos corridas diárias, muitas vezes injustas, outras vezes recompensadoras. Escolhemos o guepardo ou a gazela para torcer, porque nos projetamos neles, queremos sentir a sua vitória. Entretanto, para o guepardo é só um almoço, se ele pegar vai comer, não ficará dando pulos e nem terá lágrimas nos olhos, se estiver de barriga cheia, nem se dará o trabalho de correr. Quando o pecado contaminou este mundo, tentou substituir o desejo de glorificar o Criador, pelo desejo de sobrepujar nossos semelhantes e foi então que inventamos os pódios, o lugar onde ‘só pode um’.
Alguns irão para as ruas correr diariamente, talvez pelo sustento, talvez pela saúde, outros simplesmente pelo prazer, estes últimos parecem competir apenas com o vento e a estrada! É a alegria de anônimos que correm nas maratonas da vida como crianças no parquinho.
A Bíblia fala que no Novo Céu e Nova Terra, presas e predadores pastarão juntos em harmonia, será o fim da competição! Certamente nas campinas da Nova Terra guepardos e gazelas estarão correndo a toda velocidade, só pelo prazer de correr!
Por Pr. Ericson Danese

Um comentário:

João Muniz disse...

Muito boa a reflexão. Parabéns pelo seu ministério e continue com a benção de Deus.