terça-feira, 8 de setembro de 2009

CÉTICOS E ORTODOXOS

Numa época em que a Europa dava os primeiros passos para tornar-se uma sociedade pós-cristã, Gilbert Keith Chesterton, um intelectual gordinho e bem humorado foi contra toda a torrente avassaladora de ceticismo de seu tempo, tornando-se cético em relação aos céticos.
Estou lendo, lenta e reflexivamente este gigante da literatura cristã em sua obra que influenciou os maiores líderes e pensadores cristãos de nossa época. Refiro-me a brilhante obra ‘Ortodoxia’, onde Chesterton usa o cinismo para combater os escarnecedores e a dúvida para confundir os céticos. Descobri que Chesterton e eu temos alguma coisa em comum. Ele conta sobre sua experiencia:
“Li a literatura cética e científica do meu tempo ...
Foram Huxley, Hebert Spencer e Bradlaugh que me trouxeram de volta à teologia ortodoxa. Eles me semearam na mente as primeiras fortes dúvidas da dúvida. Nossas avós estavam muito certas quando diziam que Tom Paine e os livre pensadores perturbavam a cabeça. Perturbavam mesmo. Perturbavam a minha de um modo horrível. O racionalista me fez perguntar se a razão tinha alguma utilidade qualquer; e, quando terminei Herbert Spencer, eu já fora tão longe que duvidei (pela primeira vez na vida) se a evolução havia sequer acontecido. Quando depus a última das palestras atéias do Coronel Ingersoll, irrompeu o terrível pensamento: “Tu quase me persuadiste a ser cristão”. Eu o era de um modo desesperado.” Pg. 140-141.
Diferente de Chesterton, eu nunca fui ateu em algum momento de minha vida. Mas por outro lado, experimentei o contato com a teoria da evolução e o materialismo, não por dúvida ou por curiosidade, nem por desejo de fazer apologia. Olhei o outro lado (teoria da evolução), por que ela não explica a origem das espécies ou do cosmos, mas explica por que o homem pós moderno pensa como pensa, uma vez que foi influenciado por esta filosofia.
De início me aproximei com cautela, e creio que deve ser esta a postura de todo Cristão que confia no ‘assim diz o Senhor’. Depois de estar cheio da Palavra Viva li aquilo que não era alimento para alma, mas apenas palha. Não aconselho ninguém ao mesmo, a não ser que queira perder tempo ou fazer o tipo de busca que fiz.
De inicio percebi o quão sagaz e brilhante é a teoria materialista evolutiva, a seguir, percebi que a evolução é decepcionante como um daqueles livros que prometem a solução de um grande mistério, gasta-se calhamaços de paginas para descrever e descrever e por fim não chegar a lugar nenhum. Como uma estória com final aberto, que você interpreta como quer. A conclusão é breve e um mero passo de crença baseada numa série de argumentos finamente alinhados para tentar convencer pelo volume, já que cada um em si não tem consistência.
Li os materialistas e evolucionistas, não porque eu precisava saber, nem porque eles merecem uma resposta, mas porque percebi que eles eram fanfarrões gritando muito e fazendo pouco. Afinal, conclui eu, eu não deveria me esforçar em refutar a evolução, mas como pregador eu tinha que oferecer algumas respostas, não para convencer alguém, mas para que os homens bons não pensem que não há respostas aos materialistas que triunfam com ministros do reino deste mundo.
Sou um ortodoxo, um ortodoxo no sentido pleno da palavra. Eles me chamariam de fundamentalista! Eu tenho um fundamento, a Bíblia!
Li A Origem das Espécies de Darwin, achei brilhante e depressivo, há uma busca desesperada em cada página por provar que o mal é um acaso e simples questão de azar nas probabilidades da vida. Darwin transforma a fome e a morte em suas aliadas para comprovar que Deus não se envolve no sofrido curso da vida na Terra. Darwin é esquivo com aquilo que o refuta e ele não pode explicar tal como a origem da vida, origem da consciência, instinto e inteligência. Eu li Darwin e pensei, ‘nada faz sentido na natureza e neste planeta senão à luz da teologia do Grande Conflito entre Cristo e Satanás’. Quando terminei Darwin eu estava convicto dos efeitos do pecado sobre tudo o que conhecemos em nosso planeta.
Eu li Carl Sagan, também assisti seus documentários e pensei; ‘este é o meu ateu preferido’. Fiquei impressionado com didática de Sagan para explicar a teoria da evolução com o exemplo dos caranguejos com carapaças que pareciam o rosto de guerreiros, fiquei estonteado com as descrições do cosmos e confesso que quando assisti o filme ‘Contato’ fiquei meio em dúvida se Sagan era ateu ou agnóstico. No fim de tudo, olhei para as estrelas e conclui exatamente o contrário do que ele tentava me convencer, ‘o cosmos é mesmo o relógio de Paley’ pensei eu. Sagan me provou aquilo que Darwin tentou me tirar, Sagan com suas descrições maravilhosas me provou que Deus de fato se interessa pelo universo da matéria. Sagan passou sua vida tentando negar isso, um dia apontou para uma foto da Terra tirada por uma sonda espacial muito distante de nós e disse; a Terra não passa de um pálido ponto azul. Mas o que a ciência popularizada por Sagan me provou, é que na verdade, a Terra é uma linda jóia azul pairando sobre o maravilhoso cosmos, a mesa de inventos de Deus.
Marcelo Gleisler e seu ‘Dança dos Mundos’ era só uma imitação do Cosmos de Sagan, nada de novo a não ser sua famosa explicação da poeira de estrelas. Pensei comigo, ‘e daí? A Bíblia diz: Tu és pó e ao pó tornarás’.
Por fim tem Richard Dawkins, comecei com ‘Rios que saiam do Éden’ onde ele debocha de clérigos como eu e me interessei por ‘Relojoeiro Cego’ onde ao contrário do que eu esperava; ele até elogia Paley, mas depois tece seu conhecido fel anti religioso. Na verdade Dawkins é tão bom para descrever a vida animal que se ele não manifestasse sua opinião religiosa eu até o poderia levar a sério. Dawkins é só uma sombra de Darwin, tal qual Huxley. Um homem com medo, talvez da morte, talvez da vida, talvez dos dois. Sua qualidade é a perspicácia e a habilidade com as palavras, o que o faz parecer intelectual. Agradeço a Dawkins por me provar que a Teoria da Evolução não tem nada haver com Biologia ou qualquer ciência, mas é apenas uma cruzada filosófica em busca do materialismo para dizer; ‘posso viver, ser e fazer o que quiser e nunca terei que prestar contas em nenhum tipo de juízo a nenhum Senhor de tudo que há’.
Obrigado ateus materialistas, vocês são a razão do triunfo da ortodoxia Cristã!
Por
Pr. Ericson Danese

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