sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Ninguém quer ser Ovelha!

Entre os mamíferos que possuem dedos em número ímpar, encontramos a sub-ordem dos Ruminantes a qual se separa dos Suínos e Camelos que também tem patas com dedos ímpares, mas não ruminam. Os Ruminantes são o grupo de animais de casco dividido compreendidos pela cabra, ovelha, bois, búfalos, bisões, girafas, cervos e antílopes. Os ruminantes foram considerados animais limpos, ou seja próprios para o consumo na lei de Deus, (ver Lv.11). Do ponto de vista de Moisés, ruminante parecia ser aquele animal que remoia o capim, fato que explica porque ele incluiu animais como Arganaz e Lebre de forma aparentemente errônea na classificação de ruminantes.
Na verdade, os ruminantes como consideramos no moderno sistema de classificação contam com um design especial para seus complexos estômagos com 4 cavidades, capazes de transformar o pobre capim no rico leite. A celulose, uma fibra vegetal que o homem não pode digerir é digerida pelas numerosas bactérias no estomago dos ruminantes. Quando as moléculas do capim são quebradas as substancias químicas passam ao sangue da vaca pelos intestinos, em especial as proteínas são levadas pelo sangue as glândulas mamárias. O leite é tão importante para o homem que já exploramos a criação de bois, búfalos, renas e iaques. Algumas vacas são capazes de produzir até entre 20 e 30 litros de leite por dia.
O capim pode ser áspero e conter farpas cortantes, mas as línguas das vacas mesmo se forem cortadas não adquirem infecções, na verdade, a língua desses animais é cuidadosamente projetada, no caso das girafas ela é tão habilidosa quanto o tentáculo de um polvo, agarrando para girafa e ‘manuseando’ as folhas e galhos das copas das árvores.
Os ruminantes são muito visados pelos grandes predadores, então o Senhor lhes deu um design que possibilita uma chance justa de auto defesa. Estes animais são capazes de estar em pé e correr, pouco depois do seu nascimento. Girafas ao nascerem caem de mais de um metro de altura, levantam e mamam. Gazelas atacadas por predadores que estiverem no meio do parto e forem podem parar o processo, fugir e depois terminar o parto, o filhote poucos segundos ou minutos depois se levantará e correrá para salvar sua vida. Como é possível tal instinto de defesa tenha aparecido com o passar de milhares de anos sem nenhuma condução ou planejamento? Se isto não tivesse sido planejado pelo Criador desde o início, tais animais não teriam conseguido se defender ou sobreviver, uma vez que predadores sempre existiram e os ruminantes não são capazes de carregar suas crias ou providenciar abrigos para elas.
A pele desses animais possui várias versões e projetos. O bovino do Tibet chamado Iaque receberam uma capa de pêlos que o faz invulnerável ao frio dos 4 ou 6 mil metros de altitude onde vive nas montanhas do Himalaia. A vida humana é tão dependente destes animais que os Tibetanos nem teriam conseguido colonizar aquela região sem o Iaque, do qual eles usam o leite, a força para o transporte e até as fezes para combustível das lamparinas. Já outros ruminantes receberam em sua pele a maravilhosa lã, um tipo de pêlo projetado por Deus para servir de isolante térmico especialmente aos caprinos como a Cabra das Neves que vive no norte americano e mantém sua lã branca o ano.
No calor da Índia e África os Búfalos com 900kg, tem um couro tão resistente que até os leões com suas afiadas garras tem dificuldade de rasgar. Não apenas o couro desses animais é forte, mas seus chifres são fatais. Muitos ruminantes desenvolveram cabeças com crânio duro capaz de dar golpes violentos tal como os Bodes, os Bois Almiscarados (na verdade da família das ovelhas) e o Argali e o Muflão com seus chifres enrolados, um grande carneiro da Ásia de 1,20m de altura que está ligado em seu passado aos primeiros ovinos domesticados pelo homem.
Quase todos os bovídeos têm chifres, galhadas ou cornos que lhes servem como arma de defesa. Os formatos são os mais variados e criativos, alguns são curvos para golpear, outros são pontudos para espetar, alguns são laterais para animais corpulentos, outros são leves para animais velozes e outros ramificados para funções tal como ornamentação. Normalmente esta é uma característica dos machos, mas no caso das Renas e dos Alces pode aparecer em ambos os sexos. Um estranho cervídeo da Kóreia com aparência ‘pré-histórica’ mostra que as espécies do passado na verdade nada mais foram do que variedades diferentes daquelas que estamos acostumados a ver, falamos do Hidropode que em vez de chifres tem caninos longos como dentes de sabre.
Os ruminantes foram projetados por Deus para as mais diversas regiões e climas, alguns tipos de cabras podem viver nas regiões montanhosas e comer quase qualquer coisa, alces comem além do capim, cascas de árvore nas épocas de escassez, bisões com seu manto peludo cruzam as planícies e encostas cobertas de neve e com sua pesada cabeça removem a neve e pastam o capim congelado mais fundo, algumas gazelas e o lindo Órix na savana seca e desértica quase nunca bebem água tal como os camelos. O Órix pode sentir o cheiro da chuva a km e rumar para lá.
As patas do Oreotrago são fortes apesar de pequenas e ele saltita de uma rocha a outra, tal como se uma bailarina pulasse de um penhasco a outro com sapatos de salto alto. O Antílope Tibetano tem maior número de células vermelhas para viver nos altiplanos do Himalaia e não perder o fôlego no ar rarefeito das montanhas. Se o espaço for pouco por entre arbustos das montanhas dos Andes, o Pundu é pequeno, roliço e mal tem chifres para não enroscar-se nos galhos com sua altura de 45cm que o faz o menor cervo do mundo. Já o Cervo do Pantanal ganhou do Criador uma adaptação especial para os alagues onde vive, suas patas possuem membranas entre as unhas que lhe permite não afundar tão facilmente nos brejos.
Estes animais são muito sociáveis, vivem na maioria das vezes em rebanhos ou manadas buscando a proteção da coletividade. Impalas são tão amigáveis que vivem entre outros vegetarianos como Zebras, Gnus, Avestruzes e outros. Todos os anos milhões de Gnus em rebanhos de até 2 mil animais migram pela região do Seringeti na África, cruzando rios e escalando barrancos com coragem incompreensível enfrentando crocodilos, hipopótamos, leões e leopardos em cada pedaço da jornada. O Gnu é muito curioso, pois aparenta ter cabeça e chifres de vaca, corpo e trote de cavalo e pernas de antílope, um verdadeiro mosaico! Caso fosse um fóssil extinto, não faltariam aqueles que o chamariam de espécie intermediária.
Por falar em fósseis, eles nos mostram que os ruminantes há muito tempo sem intermediários ou uma lenta evolução. Estes animais já eram complexos como os de hoje e algumas vezes em versões maiores como o Bisão Antigo e o Bisão de chifres Longos que de ponta a ponta de seus cornos chegava a 1,8m, o maior animal era o Búfalo Gigante de 2,5m e 1,5 toneladas. Havia também o Cervo Gigante, o Alce Gigante de 3m de altura e 1,2 toneladas e chifres com 3,5m de uma ponta a outra e até mesmo um tipo de gazela com um terceiro chifre no focinho em forma de forquilha.
Os primeiros povos após o Dilúvio e a Torre de Babel rapidamente se expandiram pela Ásia, África, Europa e mais tarde, provavelmente através da Beringia uma ponte provisória de terra entre a Ásia e o Alaska. Com as mudanças de temperatura e as glaciações e a dificuldade de pequenos números desenvolverem civilizações estes primeiros exploradores humanos foram caçadores e coletores que se deslocaram através de rebanhos que migravam, caçando renas, bisões, bois selvagens e outros dos quais retiravam a carne, a pele e até os ossos dos quais faziam ferramentas. O Arouque, um boi selvagem da Europa e Ásia certamente descendem de animais criados por estes primeiros povos que fugiram e se tornaram selvagens, estes poderosos animais foram perseguidos até serem completamente dizimados por volta 1627, lembrando o que diz Jó 39:9.
Mas existe um que desafia toda a teoria da evolução, um animal tão veloz quanto o possante Guepardo da África, porém vive na América do Norte onde também o guepardo o perseguiu, mas não prosperou. Falamos da Antilocrapa um animal singular que mistura tantas características que deixa os evolucionistas atônitos sobre suas origens. Seus fósseis são como o animal que conhecemos hoje, tem crina eriçada, dedos laterais como os bois, mesmo número de vértebras dos veados, os chifres caem todo ano, mas crescem diferentes dos outros cervídeos. Seus rebanhos se reúnem em entre 10 a 20 fêmeas liderados por um macho e correm a 98km/h. Um animal tão desenvolvido teria surgido pronto no registro fóssil e permanecido inalterado por milhares de anos?
O boi está entre os animais mais antigos a aparecerem acompanhando a civilização e seus vestígios, sua força para o trabalho foi conhecida desde os tempos remotos. Na Bíblia, os bois estão entre os animais criados pelos patriarcas Gn. 12:16, junto com as ovelhas os bois eram parte das ofertas que simbolizavam a vida e morte do Messias que viria a Terra Êxodo 20:24, os Levitas usavam carros de boi para o transporte de cargas pesadas da estrutura do Santuário Nú. 7:7, a enorme pia de bronze do Templo estava sob 12 bois de bronze, o boi ensina lições de força, persistência e serviço Prov. 14:4, e nas visões proféticas claramente representa o Servo Eze. 1:10.
De todos os animais do mundo, o cordeiro é o mais honrado entre os animais em termos de simbologia. Ele foi escolhido para substituir o pecador simbolizando Cristo, e estava lá dando sua vida no altar de Adão, sua pele para cobrir a nudez de Adão e Eva, assim como mais tarde na oferta de Abel Gn.2 e 3, o cordeiro ensinava a lição de que um dia o homem pecador seria substituído em sua sorte pelo messias, Abraão e Isaque aprenderam isso quando a vida de Isaque foi salva por um cordeiro enroscado pelos chifres Gn. 22, Jacó enriqueceu com as cabras Gn. 30. Estatuetas e inscrições sumérias já mostram o cordeiro como um animal sacrifical, assim como o boi e outros. O cordeiro era a oferta Israelita mais importante Êxodo 12:3, pois sua mansidão o tornou um símbolo próprio daquele que foi identificado como o cordeiro de Deus, S. Jo 1:29 e Ap. 5.
O boi e o cordeiro eram tão importantes que os pagãos confundiram o símbolo com o próprio Divino e adoraram a criatura em vez do Criador. Bois estão pintados nas cavernas pré históricas da França, búfalos e bisões foram adorados por índios, e touros foram divinizados no Egito, Suméria, Canaã, Pérsia, Grécia e Roma. Quando Israel fez um bezerro de ouro logo após o Êxodo, Deus repudiou grandemente este fato. Outros perverteram o símbolo, usando o ritual que anunciava a vinda do Messias como um tipo de barganha com o divino ou oferta para aplacar os deuses, coisa igualmente rejeitada pelo Criador, (ver Isa. 1:10-17 e Mt.12:7). De fato, o mesmo ocorrerá no fim dos tempos quando o anti cristo, parecendo o cordeiro enganar a muitos, Ap.13:11.
Mas o cordeiro também é o nosso símbolo, somos as ovelhas que precisam do pastor S. Jo. 10, a ovelha perdida que precisa de resgate Lc. 15 e nos identificamos com a vulnerabilidade dos cordeiros que necessitam de um Pastor para nos conduzir Mt.9:36. Num mundo onde os fortes debocham dos fracos injustiçados, num mundo onde valorizamos os que tudo vencem e nunca se humilham; quem quer ser ovelha? No mundo onde valorizamos apenas os bem sucedidos e auto suficientes, quem quer ser ovelha? Quem quer ser servo? O Filho de Deus o desejou, Isa.53!

Por Pr. Ericson Danese.

4 comentários:

Marcelo Antônio Milani disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Marcelo Antônio Milani disse...

Essa é uma das mais reflexivas postagens do blog. No meio dos leões, escolher ser ovelha é uma coragem acima da compreenção humana. É algo divino e dado pelo Espírito Santo.
Característcicas das ovelhas. Gálatas 5:22

Adventure Brindes disse...

MUITO BOM ESSE BLOG. PARABÉNS....

Adventure Brindes disse...

PARABÉNS PELO BLOG