sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Caminhando com Jesus - 3 (Especial de Natal)

Nascimento e os Primeiros Anos de Jesus

As profecias do Antigo Testamento indicavam que o Messias teria um nascimento extraordinário (Isa.7:14), seria da linhagem de Davi (II Sam. 7:16), nasceria em Belém (Miq.5:2) e uma estrela anunciaria sua chegada (Nú.24:17). A questão é; se todo povo de Israel conhecia as profecias a respeito de Jesus por que seu nascimento não foi imediatamente reconhecido a nível nacional?
A resposta é; todos esperavam, mas nem todos queriam que o Messias chegasse. O sacerdócio da época estava envolvido por negociatas de poder com o governo Romano, Herodes o sanguinário matava qualquer rival em potencial pelo trono da Judéia e a chegada do Messias significaria mudanças que ocorreriam num processo no mínimo desvantajoso para muita gente. A família real de Davi, muito bem conhecida até a época da volta do exílio quando Zorobabel era um governador vassalo aos Persas, porém herdeiro da família real é deixado completamente no esquecimento dado as grandes mudanças políticas. Por certo na época do governo opressor dos Seleucidas que intentaram acabar com a cultura judaica foi mais seguro para os descendentes reais ficarem em oculto para sua própria segurança.
Séculos depois, o povo tinha perdido qualquer reconhecimento para com a família real e a própria linhagem de Davi havia ignorado sua importância, talvez esquecidos e sempre sob ameaça, eles provavelmente não demoraram muito para cair em pobreza e tornarem-se pessoas comuns na sociedade judaica. Quando chegamos aos dias de Jesus, um herdeiro do trono chamado José mora na Galiléia, longe da capital e tem o ofício de carpinteiro.
As genealogias de Mateus e Lucas apresentam inegáveis diferenças entre si, o motivo parece ser o fato de que Mateus preocupado em pregar aos judeus dá a sucessão real dos que teriam ocupado o trono se a linhagem não tivesse sido destronada, enquanto Lc., estaria relatando a linhagem real da qual vinha Jesus. Se for esta a resposta, Jacó que em Mt., é pai de José morreu sem filhos e sua sucessão passou ao parente mais próximo que tinha, no caso Eli pai de José em Lc. Esta interpretação, ajudaria ainda mais a entender porque a linhagem real da casa de Davi estava esquecida e fora de atenção nos dias de Jesus.
De qualquer forma, o esquecido herdeiro real José certamente era viúvo e já tinha filhos do seu primeiro casamento dado o fato que Ellen G. White menciona que os irmãos de Jesus eram filhos de José e mais velhos que Jesus, (DTN 87 – cap. ‘Dias de Luta’). Um noivado foi arranjado para ele com uma moça que tinha ligações com a descendência Levita da casa de Arão (Sacerdotes), já que sabemos que Maria era prima de Isabel a mãe de João Batista (o profeta que anunciará Jesus). Isabel é da linhagem de Arão (Lc. 1:5) e junto com seu marido o sacerdote Zacarias, moravam na Judéia. Portanto, Jesus será descendente da linhagem real por José e da linhagem sacerdotal por Maria. Jesus é o Rei e Sacerdote perfeito!
O texto Bíblico relata que Maria recebe a visita de um anjo que lhe assegura que ela, mesmo sendo virgem conceberá um filho por meio da atuação do Espírito Santo que há de gerar o Messias dentro dela. O Messias nasce como todo homem nasce, mas é gerado de forma diferente pois ele é aquele que sempre existiu e agora se fez carne para habitar entre os homens (Isa.9:6, Heb.10:5-9). S. João 1 descreve como o Verbo (aquele que estava com Deus e era Deus S.João 1:1), aquele que fez e mantém todas as coisas se fizera carne e habitava entre os homens que de forma geral não reconheciam aquele que era único de sua espécie e enviado do Pai. Os cristãos entenderiam mais tarde claramente que o Divino, que sempre existiu, havia tomado a forma humana velando sua Divindade para cumprir o plano de salvar a humanidade (Fil.2:5-11).
Pouco depois da anunciação, Maria vai até as montanhas da Judéia para visitar sua parenta Isabel que está no sexto mês de gravidez e fica com ela por três meses (Lc.1:56). Após o nascimento de João Batista, Maria volta para Nazaré onde sua gravidez gera constrangimento a José, mas este alertado em sonho por um anjo resolve não deixá-la e continuar o noivado a recebendo como esposa, porém não a conhecendo como mulher até o nascimento de Jesus (Mt.1:18-25).
Durante os seis meses finais da gravidez de Maria, ocorre o decreto de César Augusto para o recenseamento de Quirino governador da Síria (Lc. 2: 1-7), fato que obriga José a voltar para a terra de origem de sua família a fim de se recadastrar. Ali em Belém, completam-se os nove meses e Maria dá a luz a Jesus.
Para descobrirmos em que ano nasceu Jesus, podemos nos valer de alguns fatos históricos:
· Sabemos que Jesus nasceu antes da morte de Herodes O Grande (Mt. 2:1-9 e 19) que morreu em 4 a.C. Flávio Josefo o historiador judeu nos dá a data e tempo do reinado de Herodes (717 a.U até 750 a.U), portanto findando em 4 a. C., Josefo cita ainda um eclipse lunar ocorrido pouco antes de sua morte o qual a astronomia localiza entre 12 e 13 de março de 4 a.C. e por fim, Josefo diz que Herodes morreu durante ou imediatamente antes da Páscoa, ocorrida naquele ano em 11 de abril de 4 a.C. O que significa que Jesus deve ter nascido entre 5 a.C e janeiro de 4 a.C.
· Mas quanto tempo antes da morte de Herodes O Grande Jesus nasceu?
· Herodes recebeu os sábios do Oriente que buscavam Jesus através de uma estrela avistada na noite do seu nascimento. O texto de Mt. menciona que Herodes os inquiriu quanto ao tempo em que a estrela aparecera (Mt.2:7) e depois mandou matar os meninos de Belém de dois anos para baixo (Mt.2:16), conforme o tempo em que os sábios tinham avistado a estrela pela primeira vez.
· Quirino (Lc.2:2) é bem reconhecido historicamente como influente e destacado líder Romano para assuntos militares na Síria e arredores entre 12 a.C e 4 a.C., todavia, os eruditos concordam que dado o prestígio de Quirino com Roma e as circunstancias políticas na Síria e Palestina, Quirino deve ter sido um co-regente ou governador em caráter especial enviado por Roma entre os anos 3-2 a.C. ou 8-6 a.C[1]
· O censo de Lc.2:2 certamente é o mesmo mencionado em At. 5:37 onde Lucas menciona uma rebelião. Esta revolta tem reconhecimento histórico pelo historiador judeu da época, Flávio Josefo que confirma que em 6 a.C. houve uma resistência a um censo. O desconforto judeu se devia além do fato do censo servir para cadastrar os contribuintes do império, por ser feito por uma autoridade Romana externa (Quirino), enquanto os judeus eram na verdade governados por Herodes. Este censo deve ter sido promulgado em 6 d.C, (época do nascimento de João Batista e gestação de Jesus) e levado a cabo um pouco depois.
· Se levarmos em conta que o censo de Quirino foi promulgado provavelmente no início da gestação de Maria, se considerarmos que ele nasceu alguns meses depois e ainda que o bebê Jesus foi apresentado no templo 40 dias depois e só após estes fatos os magos o visitaram e já decorriam quase 2 anos desde o avistamento da estrela até sua chegada em Jerusalém, e ainda, que deve ter decorrido alguns meses entre a fuga para o Egito e a morte de Herodes no ano 4 a.C. Podemos apontar que Jesus teria nascido em torno de 5 e 6 a.C
· O dia 25 de dezembro inventando pela tradição Romana do imperador Constantino, nem mesmo o 6 de janeiro comemorado pela igreja Ortodoxa Oriental parecem ser adequados, uma vez que esta época é inverno em Belém e dificilmente se marcaria um censo nesta época ou os pastores estariam ao relento com as ovelhas durante a madrugada.
Ø Por que Jesus nasceu antes do ano um da era Cristã?
· O calendário que seguimos foi baseado no trabalho de um monge chamado Dionísio Exíguo que em 525 d.C ou a.D, calculou o nascimento de Cristo em 754 a.U (ano Urbis, ano desde a fundação de Roma no calendário pagão). Sendo que Herodes morreu em 750, entende-se que Dionísio errou por 4 anos.
Encontrando a cidade de Belém lotada de viajantes que ali estavam para o censo, José e Maria não encontraram outro local para repousar a não ser uma estrebaria onde nasceu Jesus e foi colocando numa manjedoura com berço de palha.
Os pastores que apascentavam rebanhos nas colinas de Belém vêem os anjos que lhes anunciam o nascimento. Estes anjos não encontraram ninguém esperando o Messias a não ser um grupo de piedosos pastores nas colinas onde Davi quando menino cuidou das ovelhas de seu pai. Os pastores vão até Belém e localizam o sinal dado pelos anjos, um menino numa manjedoura. Conforme Ellen G. White, a visão gloriosa dos anjos brilhando e louvando sobre Belém seria interpretada naturalmente como a estrela que os magos do Oriente avistaram (DTN 60).
Depois que passou os dias do censo, a maior parte dos visitantes foi embora, mas José e Maria ficaram em Belém. Por certo aproveitariam a proximidade de Belém com o Templo em Jerusalém para apresentar o menino e evitariam os falatórios em Nazaré a respeito do nascimento milagroso de Jesus que seria interpretado por seus inimigos como um adultério de Maria, fazendo de Jesus um filho bastardo ao qual nem se sabia quem era o pai verdadeiro (veja a insinuação feita a Jesus em S. Jo 8:41). Na realidade, o temor de José quando volta do Egito e encontra Herodes Arquelau governando a Judéia e então decide ir morar em Nazaré, parece indicar que a intenção original da família de José era morar e criar Jesus em Belém, local onde eles não eram tão conhecidos.
Depois de oito dias Jesus foi circuncidado como todo menino judeu e seu nome Jesus, dado conforme a instrução anterior do anjo. Depois dos dias da purificação José e Maria foram a Jerusalém para cumprir os ritos da lei de Moisés quanto à apresentação da criança (Êx. 13:2 e Nú. 3:13), isto deve ter ocorrido uns 40 dias mais tarde.
Depois de fazer a oferta no Templo, a família é abordada por Simeão um homem justo que profetiza ao tomar o menino nos braços e pela idosa profetiza Ana (84 anos) que também reconhece o Messias. Era o divino Jesus neste momento inconsciente como qualquer criança (DTN 52).
Depois disso ocorre a chegada dos sábios (reis magos) que vem do Oriente em busca da estrela que viram. Estes nobres e ricos filósofos estavam familiarizados com o estudo da astronomia e conheciam as profecias de Balaão conservadas pela tradição no meio de seus povos. Seguiram a estrela até Jerusalém e lá procuraram os sacerdotes que os recebem com frieza e preconceito e depois Herodes que os recebe com desconfiança. A visita dos estrangeiros é uma Providencial repreensão aos líderes que falharam em reconhecer seu próprio e verdadeiro Rei. Segundo Ellen G. White, a visita dos Orientais em Jerusalém gerou curiosidade e estudo das profecias.
Saindo dali, vêem novamente a estrela e a seguem até uma ‘casa’ onde está o menino e o presenteiam com suas dádivas que ajudará José a financiar a fuga para o Egito. Eles estão morando em uma casa em Belém, o menino já tem entre 1 e 2 anos. Um anjo alerta José sobre as intenções de Herodes.
José com sua família fogem para o Egito fora dos domínios de Herodes O Grande. Não podemos saber qual foi o destino no Egito, mas é certo que naquela época havia uma grande colônia judaica em Alexandria.
Belém é manchada pela crueldade de Herodes e muitos inocentes perdem a vida na intenção do monarca de acabar com um possível rival. A família de Jesus ficará refugiada no Egito até a morte de Herodes o Grande, depois disso, no ano 4 a.C, José e sua família retornam para a Palestina mas encontram a Judéia governada por Herodes Arquelau que tem uma má fama de sanguinário pior que seu pai Herodes O Grande. Este fato os fará rumar para Galiléia e voltar a morar em Nazaré onde crescerá o menino Jesus, tornando-se mais tarde o homem mais influente da história da humanidade!
Na próxima semana: Viajamos a Nazaré da Galiléia e conheceremos os lugares e a vida oculta de Jesus. O que aconteceu na sua infância, juventude e mocidade? Quem era sua família? Tudo isso no próximo capítulo de ‘Caminhando com Jesus’.
[1] Josh Macdowell, Ele andou entre nós, Editora Candeia 1999, pg.226.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Caminhando com Jesus - 2

A Judéia e o Mundo nos dias de Jesus

Após o declínio do Império Medo-Persa quando os Judeus retornaram do exílio em Babilônia, o mundo foi dominado por outro grande Império, os Gregos. No entanto, o reinado e conquistas de Alexandre o Grande foi rápido e seus generais partilharam o império ficando a Palestina(Judéia) e Egito para Ptolomeu e a Síria para Antíoco, ambos ex generais de Alexandre. Durante os próximos anos de dinastia destas duas forças, seus descendentes combateram entre si até que os Selêucidas (descendentes de Antíoco) possuíram a Palestina sob o comando de Antíoco III o Grande em 198 a.C.
Quando o filho de Antíoco III assumiu o trono, adotou um título real que o identificava como uma divindade, ‘Antíoco IV Theos Epiphanes’. Ele foi um defensor austero da cultura e religião grega, nutrindo grande desprezo ao Judaísmo que se opunha a idolatria gentílica. Em 168 a.C Antíoco proibiu os judeus sob pena de morte de praticar a circuncisão, proibiu a prática das festas religiosas judaicas, proibiu a guarda do sábado, mandou queimar cópias da Lei, taxou pesados impostos e construiu dentro do Templo Judeu um altar ao Zeus Olímpico e ofereceu um sacrifício de porcos. Depois de um ano de repressão e humilhação os judeus explodiram em uma de suas mais gloriosas revoluções, a revolta dos Macabeus.
Matatias um sacerdote que vivia a 27km de Jerusalém, junto com seus filhos João, Simão, Judas, Eleazar e Jônatas organizaram uma resistência para deter Antíoco. O grupo de Matatias ganhou o apoio de um grupo anti-helenista de sacerdotes judaicos chamados Hassidins sob o comando de Zadok. A rebelião explodiu e com a morte de Matatias o comando da resistência fica para seu filho Judas, apelidado de Macabeu (Martelo). As batalhas custam a vida dos filhos de Matatias, porém trazem a independência Judaica em 165 a.C.
O único sobrevivente dos irmãos Macabeus é João Hircano que reina sobre os judeus de 135-104 a.C, ele conquistou a Iduméia e Samaria destruído o templo Samaritano no monte Gerizim, fato que irá aflorar o ódio entre Samaritanos e Judeus. Nesta época surgem os dois mais poderosos partidos político-religiosos dos judeus, integrantes dos Hassidins formam o partido dos Fariseus (Os Separados) e judeus helenistas membros da aristocracia do sacerdócio alegam ser descendentes de Zadok do tempo de Salomão e formam o partido dos Saduceus.
Os dois partidos se alternaram no poder, até que com a morte de Alexandre Janos filho de João Hircano, sua esposa Salomé Alexandra nomeou seu filho João Hircano II (pró fariseus) para Sumo Sacerdote e o outro filho Aristóbulo II (pró saduceus) para comandante militar. Quando a mãe morreu os dois irmãos João Hircano e Aristóbulo romperam em guerra um contra o outro movidos por sua ambição e suas diferenças partidárias.
João Hircano II busca apoio de Antipater da Iduméia (também chamado de Antípas e pai de Herodes), este o aconselha a buscar ajuda dos Romanos. Diante de uma eminente guerra civil desastrosa, os Fariseus aconselhados por Antipater buscam apoio militar dos Romanos e os convidam a assumir o controle político da Palestina. Em 63 a.C o general romano Pompeu domina a Palestina e a despeito de conceder o sacerdócio a João Hircano II nomeia Antipater o Idumeu como primeiro ministro Romano e governante civil da Palestina. Era o fim da independência judaica sob o comando da dinastia Hasmoneana e iniciava a dinastia dos Herodes.
Depois da morte de Antipater, seus filhos Herodes e Fasel dominaram respectivamente a Galiléia e a Judéia. No entanto apenas Herodes sobreviveu a invasão dos Parthos por refugiar-se em sua fortaleza em Massada e receber o socorro Romano (por Marco Antônio). Herodes foi constituído um rei vassalo de Roma e passou a dominar toda a Palestina sob o título de Herodes O Grande.
Em 31 a.C desfaz-se o segundo triunvirato Romano com a vitória de Otávio sob Marco Antônio e o senado nomeia Otávio como Imperador Augusto Cesar e inicia-se um período conhecido como Pax Romana, sem guerras. Para alcançar simpatia do novo Imperador, Herodes dá o nome de Cesaréia ao magnífico porto que ele constrói na província de Samaria. Herodes irá fazer obras arquitetônicas e culturais magníficas por toda Palestina introduzindo o helenismo, mas despertando rixas com o judaísmo.
Sendo um grande político, Herodes tentou alcançar a simpatia do povo judeu sem ser judeu. Casou com Mariamne, uma neta de João Hircano II, forjou uma genealogia que arremetia seus ancestrais aos judeus dispersos no cativeiro, intercedeu com Roma por judeus que tinham dificuldades com a guarda do sábado, mas sua maior obra foi à ampliação do Templo Judeu reedificado por Zorobabel, a tal ponto que este lugar passou a uma das sete maravilhas do mundo antigo. Mas os judeus nunca o aceitaram, diziam que sua bondade estava envenenada na fonte e de fato, Herodes era também um sanguinário. Toda vez que um de seus filhos começava a se destacar, mandava matar o filho, sua mãe e seus amigos mais chegados.
Herodes o Grande morreu entre o ano 4 a.C. e Roma dividiu a Palestina entre seus filhos:
Etnarquia da Judéia, Samaria e Iduméia – Foi entregue a Herodes Arquelau que governou de 4 a.C até 6 d.C, e foi considerado mais sanguinário que seu pai levando o povo judeu a revolta. De 6 d.C a 66 d.C a Judéia ficaria sob o governo dos procuradores romanos, dentre os 14 que exerceram esta função ao longo deste tempo, estava Poncio Pilatos que governou de 26 a 36 d.C.
Tetrarquia da Galiléia e Preréia – O norte e a margem oriental do rio Jordão foram entregues a Herodes Antipas que governou de 4 a.C a 39 d.C, sendo este quem mandou matar João Batista e entrevistou Jesus no dia de seu julgamento. Seu governo ruiu mais tarde e foi banido para Gália em 39 d.C.
Tetrarquia da Ituréia e regiões adjacentes – Esta região (norte-nordeste) foi comandada entre 4 a 34 d.C por Herodes Filipe II, tido como justo por seus súditos e um grande helenista e intelectual. Ele construiu a Cesareia de Filipe bem ao norte da Palestina.
Territórios Independentes ligados diretamente a Roma – As Decápolis, cidades de grande comércio e cultura helênica e Asquelon, hoje chamada de faixa de Gaza.
Roma prosperava e dominava sobre os bárbaros da Europa e Ásia, o Egito estava em decadência, a Babilônia já era apenas ruínas, no extremo oriente, centro sul Africano e Américas o mundo vivia imerso no paganismo exceto por algumas colônias judaicas dispersas. A palestina, no entanto, era um ‘barril de tensão’ política e religiosa pronto a explodir. Este era o mundo nos dias em que Jesus nasceu!
Na próxima semana, o capítulo seguinte de ‘Caminhando com Jesus’ apresenta seu nascimento e as questões controversas sobre a data natalícia, a jornada de José e Maria e os mistérios sobre linhagem e origem de Jesus.

por Pr. Ericson Danese

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Os dinossauros que nunca existiram!

Um terço das espécies de dinossauros nunca existiu, diz teoria16 de outubro de 2009 • 09h25 • atualizado às 09h44
A teoria sugere que até um terço das espécies conhecidas de dinossauros talvez nem mesmo tenham existido16 de outubro de 2009
Muitos dinossauros estão enfrentando a possibilidade de um novo tipo de extinção - uma controvertida teoria sugere que até um terço das espécies conhecidas de dinossauros talvez nem mesmo tenham existido. Isso acontece porque os jovens dinossauros não se assemelham a versões miniaturizadas de seus pais, de acordo com novas análises conduzidas pelos paleontologistas Mark Goodwin, da Universidade da Califórnia em Berkeley, e Jack Horner, da Universidade Estadual de Montana.
Em lugar disso, como os pássaros e alguns outros animais ainda existentes, os exemplares jovens passavam por mudanças físicas dramáticas ao se tornarem adultos. Isso significa que muitos fósseis de dinossauros jovens, entre os quais espécimes aparentados ao tiranossauro rex, podem ter sido identificados erroneamente como exemplares de outras espécies, argumentam os pesquisadores.
Como o tiranossauro rex se tornava um terrorUm dos exemplos fortes que eles oferecem é o do Nanotyrannus. O animal, classificado como um parente de menor porte do tiranossauro rex, agora é visto por muitos especialistas como um exemplo de identificação incorreta, e representaria na verdade um tiranossauro juvenil classificado indevidamente.
Os fósseis que supostamente pertencem à espécie Nanotyrannus têm aparência semelhante à que um tiranossauro rex deveria ter em sua adolescência, apontou Horner em um novo estudo. Isso se deve ao fato de a estrutura craniana de um tiranossauro rex se alterar dramaticamente à medida que o animal crescia, segundo o pesquisador.
O crânio se alterava, de uma forma original alongada para o focinho e mandíbula curtos que nos são mais conhecidos; a mudança acontecia para quer o animal pudesse consumir maior quantidade de alimento. Mas a prova decisiva, de acordo com Horner, foi a descoberta de um dinossauro que tinha tamanho intermediário entre o de um tiranossauro rex adulto e o de um Nanotyrannus.
O Nanotyrannus -na opinião de Horner, efetivamente um jovem tiranossauro- contava com 17 dentes na mandíbula inferior, ante os 12 encontrados nas mandíbulas de tiranossauros adultos. Já o dinossauro de porte intermediário entre ambos contava com 14 dentes em sua mandíbula inferior, o que sugere que o esqueleto tenha pertencido a um tiranossauro rex jovem, que estava em meio à transição de seus dentes iniciais, menores e em formato de lâmina, para o número inferior de dentes molares que a espécie ostentava em seu estágio adulto.
A transformação do triceratopeOs paleontologistas também conseguiram amealhar uma coleção considerável de fósseis de triceratopes, representando animais que morreram em diversos estágios da vida, em um sítio do período cretáceo tardio (145,5 milhões a 65,5 milhões de anos atrás), em Hell Creek, no leste do Estado de Montana.
Os crânios dos dinossauros, cujas dimensões variavam entre as de um prato e as de um crânio humano, provinham de diversos animais. Quando os paleontologistas estudaram os crânios, constataram que os pequenos chifres retos dos animais mais jovens se transformavam, à medida que os animais envelheciam. Os chifres dos animais jovens tinham as pontas para trás, enquanto os dos adultos apontavam para frente.
O folho característico do pescoço do animal também passava por alterações: os ossos triangulares que formavam uma crista em torno do folho nos animais jovens se alongavam e achatavam, formando um escudo em forma de leque, nos exemplares mais velhos.
"Neste projeto de 10 anos, pudemos recolher uma série muito boa sobre o crescimento dos dinossauros, algo que ninguém havia visto antes, e assim acompanhamos essa transformação à medida que ocorria", disse Goodwin. "Nós fomos capazes de documentar as mudanças extremas que ocorriam ao longo do crescimento, como por exemplo aquela que se refere à orientação dos chifres", afirmou.
Os pássaros como paralelo Provas quanto aos motivos dessas mudanças físicas dramáticas nos dinossauros podem ser obtidas em seus mais próximos parentes vivos, dizem os especialistas. Os búceros, por exemplo, não ostentam sua característica estrutura de penas em forma de capacete até que tenham atingido três quartos do tamanho que terão como adultos.
Da mesma maneira que os chifres em um cervo, essas penas ajudam os demais animais a discernir entre os adultos maduros e os jovens. Da mesma forma, as mudanças na aparência dos dinossauros poderiam servir para promover a comunicação visual.
Por exemplo, os chifres ou calombos de cabeça, possivelmente acoplados a variações de cores, podem ter criado identificações visuais inconfundíveis que garantiam que membros de uma espécie se reconhecessem entre eles.
Também podem ter identificado dinossauros como machos ou fêmeas, ou os marcado como animais adultos em busca de reprodução ou jovens que necessitavam de proteção.
Conclusão exagerada?Hans-Dieter Sues, paleontologista do Museu Nacional de História Natural dos Estados Unidos, em Washington, diz que os cientistas descobriram nos anos 70 que algumas espécies de dinossauros dotados de bicos na verdade representavam formas diferentes de animais em estágios de maturidade distintos, e que portanto o número de espécies identificadas era menor que o originalmente calculado.
Sues, que não participou da nova pesquisa, concorda em que algumas espécies de dinossauros do cretáceo tardio podem na verdade ser exemplares juvenis de outras espécies. "Muitos dinossauros - da mesma forma que muitos vertebrados atuais - mudavam muito de aparência ao crescer", ele disse.
Mas "algumas dessas conclusões são controversas", ele acautelou, acrescentando que a ideia de que até um terço das espécies precise de reclassificação representa um exagero. Ele acredita que uma segunda extinção "científica- de dinossauros seja improvável" a não ser que os caçadores de fósseis descubram novos exemplares que provem a teoria. "Testar hipóteses como essa é difícil", disse, porque "isso requer mais material fóssil do que dispomos atualmente".
Tradução: Paulo Migliacci ME
Fonte: http://noticias.terra.com.br/ciencia/noticias/0,,OI4045451-EI8147,00-Um+terco+das+especies+de+dinossauros+nunca+existiu+diz+teoria.html

Nota do Blog: Que notícia e teoria bombástica! Mas é claro, um ‘teoria’ é só uma teoria dizemos nós criacionistas, já os evolucionistas que dizem que teoria é um fato comprovado por evidencias terão que aceitar este tiro no próprio pé!?
Mas não devemos ser sarcásticos e nem triunfalistas, afinal esta incrível dose de humildade e bom senso evolucionista merece nossos aplausos e elogios. Por que? Por que esta notícia é tão boa para criacionistas? Simples:
1. Ainda há bons cientistas e evolucionistas coerentes que aceitam rever suas teorias. Este é o primeiro passo em direção a outras descobertas!
2. 1/3 dos dinossauros nunca existiram, então podemos esperar o mesmo dos outros animais pré históricos extintos. Aí se vai ralo abaixo muitas, muitas pretensas formas intermediárias de transição evolutiva.
3. Uma vez que muitos fósseis foram mal interpretados durante tanto tempo, podemos realmente aceitar tantas interpretações evolucionistas de fósseis que muitas vezes apresentam apenas 10%, 30% ou pouco mais do que isso do corpo do animal? Podemos confiar nas imagens, interpretações e conclusões só pelo fato que alguém noticiou que descobriu um novo ‘elo’ perdido.
4. Se achássemos os fósseis das centenas de raças de cães que temos hoje, cães de cara chata e cães de focinho fino, cães pequeninos e cães enormes, cães esguios e cães encorpados, consideraríamos estes animais raças da mesma espécie ou centenas de espécies de animais diferentes? Criacionismo é acreditar que Deus criou animais com grande potencial de variação e adaptação de acordo com sua espécie básica!
5. Como Criacionistas nunca duvidamos da existência de animais pré históricos já extintos, no entanto, estes estudos começam a nos mostrar o quanto a ciência pode ser especulativa quando o desejo é gerar mídia e produzir fama. Quem não quer ser o descobridor de uma nova espécie? Quem não quer dar nome a uma nova espécie? Isso vende!
6. Tem que se admitir o quão pouco os fósseis podem nos dizer. Cores, cobertura, adornos, hábitos e outros é tudo apenas suposição!
7. Quem garante que muitos fósseis encaixaram as partes dos animais certos? Muitos fósseis são encontrados em aglomerados ou com cacos espalhados por vários metros de terreno, misturados a outros. A fraude do Archeoraptor mostra que isto não é tão difícil de acontecer!
Quanto a mim, acredito cada vez mais na ciência e cada vez menos nestes documentários de TV com lindas e chamativas animações de computador!

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Caminhando com Jesus - 1


A EXPECTATIVA MESSIÂNICA

Conhecer os passos da vida de Jesus é inútil sem entender Seu pensamento e o básico da teologia Bíblica do Velho Testamento. Jesus era um judeu e como tal, refletia a religião e o pensamento do Velho Testamento. Ao executar seus propósitos de vida, Jesus acreditava estar cumprindo as Escrituras. Ele não se via como o fundador de uma nova religião (Mt.5:17-20), nem pretendia romper com a religião de seu povo embora não restringisse sua mensagem apenas a estes (S. Jo.4:22-23), disse que cumpriria o que estava escrito a respeito dele mesmo (S.Jo.5:39).
Lendo os Evangelhos, em especial S.João, percebe que Jesus via a si mesmo como o cumprimento de uma promessa ou de uma profecia “Pois se crêsseis em Moisés, creríeis em mim; porque de mim ele escreveu. Mas, se não credes nos escritos, como crereis nas minhas palavras? (S.Jo.5:46-47). Foi reconhecido desta forma por seus seguidores que mais tarde o identificaram e pregaram a respeito dele como o Cristo (Mt.16:16).
Cristo é uma palavra grega para a o hebraico ‘Messias’, que significa o ungido, o escolhido, o enviado de Deus, o Libertador. Mas por que a humanidade precisaria de um ‘Messias’ ou Salvador?
A Bíblia inicia contando o relato da criação em Gn.1, pormenoriza em Gn.2 com o relato da criação do Jardim do Éden e a descrição de como foi feita a humanidade, para então no cap.3 relatar o porque a humanidade criada por um Deus de amor que fez tudo perfeito está sujeita a sofrer com dor, morte e fome. Conforme o relato, a humanidade fora enganada por um anjo rebelde disfarçado de serpente que levou Adão e Eva a desobedecerem a lei de Deus e desconfiarem do caráter de Deus entrando em rebelião contra o Criador ao desobedecer Sua lei e entregando o mundo ao comando do Inimigo usurpador.
As conseqüências segundo a Bíblia é a morte para a humanidade e a desarmonia e sofrimento na natureza de todo o planeta. O grande conflito, iniciado na morada de Deus (Ez.28 e Isa.14:12-16) entre um anjo rebelde e seus aliados contra o governo de Deus e seus anjos (Ap.12:7-12) estendeu-se para a Terra, tornando a humanidade cativa de Lúcifer (Satanás).
O homem está destinado à morte, sofrimento e uma natural tendência ao erro (pecado). Para quebrantar esta sorte, Deus coloca em andamento o plano (Rm.16:21-24) de enviar seu Filho, o comandante das hostes Celestiais (Ap.12:7 e Dn.12:1)para viver uma vida de perfeição (Heb.4:15) de acordo com a lei de Deus e morrer de forma substitutiva no lugar do pecador (S.Jo.3:16). Segundo esta teologia, o Messias oferecendo-se sem pecado, não podia ser detido pela morte e ressurgindo se tornaria vitorioso e capaz de salvar todos os que nele crerem (S.Jo. 5:21-27). Assim, justiça e misericórdia são satisfeitas de forma que a redenção do homem é possível por meio do Messias intercessor.
Esta teologia foi expressa na primeira promessa messiânica de Gn.3:15 e ampliada no ritual do sacrifício no altar e no santuário hebreu, onde um cordeiro era morto em lugar do pecador, simbolizando o messias que um dia viria para esta função. A compreensão de que nasceria um salvador mandando por Deus era tão grande que o primeiro filho de Eva recebeu um nome Messiânico, Caim (Adquirido de Deus) que veio a se tornar uma lamentável decepção. Ao longo da história dos adoradores de Jeová, muitos outros nomes expressaram esta esperança.
Ao observar as religiões antigas, podemos perceber várias semelhanças entre elas e uma aparente distorção de uma teologia ancestral a respeito do Messias. Seriam estas semelhanças ‘ecos’ de uma história comum, partilhada no passado, mas divergida ao longo dos anos de separação dos povos dando origem aos seus mitos e lendas? Por que os antropólogos nunca encontraram uma antiga civilização pagã?Como explicar as semelhanças das religiões antigas, muitas vezes entre povos que não tinham contato?
Ao conhecer estes mitos pagãos, percebe-se que a expectativa de um Salvador (Messias) vindo de Deus era universal. As religiões antigas sempre partilham as seguintes características semelhantes à teologia Bíblica:
1. Deus ou (deuses) Criador e um conflito celestial, em que um anjo, espírito ou deus rebelde vem a Terra e envolve a humanidade neste conflito.
2. Homem moldado pelos deuses, rebelado numa história envolvendo uma árvore e um dilúvio que recai sobre os seus descendentes.
3. Representação deste espírito rebelde na forma de um dragão, serpente, réptil ou monstro marinho.
4. O filho dos deuses é mandando a Terra e destrói a serpente.
5. Ofertas sacrificais.
6. Morte e Ressurreição do filho dos deuses.
7. Juízo Final e Restauração da Humanidade.
(veja abaixo algumas representações nas mais diferentes mitologias do guerreiro divino que fere uma serpente ou dragão [Egito - serpente do mundo dos mortos que era vencida por Osíris, Grécia - Hércules vencendo a hidra, Germânia - Thor vencendo a serpente marinha, Babilônia e Assíria - Marduk vencendo Tiamat o dragão do caos)


Se nos detivermos na figura Messiânica, ele está sempre presente na cultura de todos os povos. Ele é Enki dos Sumérios, Baal dos Cananeus, Assur dos Assírios, Marduc dos Babilônios, Saoshiant do Zoroastrismo, Krishina dos Hindús e Oriente, Manitú dos Apaches Americanos, deus sol dos Americanos Pré Colombianos, Hórus e Osíres dos Egípcios, Hércules e Perseu dos Grego/Romanos, Thor dos Nórdicos e muitos outros.
Quase sempre é um guerreiro de filiação divina ou homem/deus, filho dos deuses com uma mulher mortal, sempre é uma criança anunciada que tem um nascimento espetacular e vem para destruir o mal ou um demônio na forma de serpente. Outras vezes o Messianismo é expresso na forma de um poderoso profeta ou mestre religioso que guia milhares a salvação por seus ensinos como Zoroastro, Buda e Confúcio. Ou ainda, é visto como um rei humano em que sua história dramática o transforma no soberano e organizador da sociedade perfeita como é o pensamento dos da época em relação aos faraós Egípcios, Hamurabi, Ciro o Grande, Alexandre Magno, César e as próprias lendas do Rei Arthur.
Não podemos provar que os mitos e culturas lendárias antigas descendem do conhecimento ancestral comum da profecia de um Messias em Gn.3:15, também não podemos de forma categórica provar que a história real foi preservada na Bíblia no livro de Gênesis e recontada de forma distorcida pelos povos que descenderam dos filhos de Noé. Nem podemos provar que Noé existiu e toda humanidade descende dele, no entanto, as semelhanças religiosas entre povos diversos e o senso comum de uma expectativa Messiânica estão muito bem documentados no registro da civilização e são indiscutíveis até mesmo para os céticos.
Esta expectativa messiânica é revelada até mesmo em nossas estórias modernas da ficção científica do cinema e dos quadrinhos do século XX e XXI, em filmes como Matrix, Star Wars e personagens como o Superman. Tudo isso é uma manifestação artística de um inconsciente cultural ancestral da humanidade. Seria o pensamento Messiânico uma manifestação meramente psicológica de divinizar os heróis e mártires?
Se assim o for isto não explicaria tantas semelhanças teológicas entre o paganismo e a Bíblia. Entretanto, que lugar restaria para a teoria da Evolução? Nela o importante é sobreviver e não morrer para ser herói. Animais não coroam heróis libertadores, eles apenas se submetem a força do dominador para não perecer. Todavia o homem é capaz de sonhar e nutrir expectativas quanto ao futuro. Animais não divinizam seus mortos e nem sonham com um futuro melhor. Vemos que a expectativa messiânica é muito mais que um psiquismo coletivo da humanidade!
Em nenhuma civilização ou povo esta expectativa foi mais forte do que no povo de Israel. Desde a profecia de Moisés (Dt.18:15) até o último profeta judeu do Antigo Testamento (Malaquias 3-4) o povo de Israel aguardou o Salvador. Este Messias não proveria uma mera libertação temporal, pois quando Moisés anunciou sua vinda o povo já era livre, no entanto com o passar do tempo as opressões voltaram por meio dos Filisteus, Sírios, Assírios e Babilônios e a figura Messiânica começou a ser identificada com um regente libertador a semelhança do grande Rei Davi, uma vez que os profetas anunciavam que o Messias seria da tribo de Judá e da linhagem real de Davi.
Na verdade, os profetas apresentavam dois tipos de profecias Messiânicas. O primeiro era a figura do Messias como um substituto do drama humano, isto pode ser visto alguns Salmos como o 22 e 23, Isaías 53 e outros além do próprio ritual do Santuário e seus sacrifícios. O segundo, era a figura do Messias como um rei soberano de prosperidade e bênçãos que venceria todos os inimigos do seu povo e julgaria as nações, Isaías 60-66, Amós, Sofonias 3 e muitos outros.
O povo, é claro, preferiu a figura de um Messias vencedor e perdeu de vista o Servo Sofredor. Evidentemente os profetas não falavam de dois Messias diferentes, mas de dois momentos diferentes do mesmo Messias. O profeta Daniel apontava a chegada do Messias, sua unção e claramente anunciava sua morte (Dn.9:25-27), no entanto previa que mais tarde no fim dos tempos este Messias (príncipe) se manifestaria para salvar seu povo num evento que seria marcado pela ressurreição dos mortos (Dn.12:1-2).
Não há dúvidas de que o povo Judeu e mesmo os pagãos confundiam os dois tipos de profecias a respeito do Messias. O judaísmo moderno chega atribuir a identidade do servo sofredor de Isaías 53 ao próprio povo Judeu que foi injustamente perseguido ao longo dos anos. No entanto, Isa. 53:10 fala de um indivíduo, pois apenas um indivíduo poderia dar a sua alma como oferta pelo pecado.
A expectativa Messiânica inundou o mundo dos 100 anos anteriores e posteriores ao início da era cristã. Judeus em geral acreditavam que o Messias seria um super profeta, no poder dos grandes Moisés, Elias, Jeremias e outros (Mt.16:14). O povo esperava que a profecia feita a linhagem de Davi em II Sam. 7:16 se cumprisse e sua independência dos Romanos fosse total, através da restauração do reino Davídico, fato que popularizou o termo Messiânico ‘Filho de Davi’. Aqueles que tinham o Messias como uma figura escatológica (eventos finais) esperavam a figura de um poderoso ser, o Filho do Homem do profeta Daniel.
Nos dias de Jesus, o mundo estava pronto para uma mensagem transformadora. O grego era a língua falada e escrita por todo o império Romano, assim os textos dos profetas com o difícil hebraico podiam ser melhor popularizados. Qualquer ensino de um novo profeta poderia ser mais facilmente disseminado. A paz entre os povos havia sido imposta pelos Romanos que também construíram estradas ligando as cidades do mundo inteiro. Qualquer mensagem poderia ser levada de um lugar ao outro com pouca dificuldade!
Ao mesmo tempo em que Roma controlava a paz e liberdade, Roma era odiada como opressora. O mundo ansiava um libertador. Até entre os Romanos aflorou a consciência Messiânica e antigas tradições percorriam o mundo pagão especulando que do oriente sairia um libertador. Tácito escreveu “Se devemos crer, foi escrito no livro antigo dos sacerdotes que em determinado tempo o Oriente deverá governar o mundo através de alguém que virá da Judéia”, e Suetônio disse “aos oráculos prometidos que num tempo determinado homens da Judéia haveriam de governar o mundo”[1].
A escritora EGW diz em DTN, pg.33, “Fora da nação judaica houve homens que predisseram o aparecimento de um instrutor. Estes homens andavam em busca da verdade e foi-lhes comunicado o Espírito de inspiração”. O mundo estava pronto para o Messias e ele estava chegando!
No próximo capítulo de nossa série, ‘Caminhando com Jesus’, você conhecerá o mundo dos dias de Jesus. O aconteceu entre o Velho Testamento e o Novo Testamento? Quem dominava nos dias de Jesus? Quem eram os grupos religiosos e políticos da época? De onde vieram os fariseus e saduceus? Quem foram os Herodes?

por Pr. Ericson Danese

[1] Augsburger, The Life and Words of Jesus, p.46.