sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Caminhando com Jesus - 2

A Judéia e o Mundo nos dias de Jesus

Após o declínio do Império Medo-Persa quando os Judeus retornaram do exílio em Babilônia, o mundo foi dominado por outro grande Império, os Gregos. No entanto, o reinado e conquistas de Alexandre o Grande foi rápido e seus generais partilharam o império ficando a Palestina(Judéia) e Egito para Ptolomeu e a Síria para Antíoco, ambos ex generais de Alexandre. Durante os próximos anos de dinastia destas duas forças, seus descendentes combateram entre si até que os Selêucidas (descendentes de Antíoco) possuíram a Palestina sob o comando de Antíoco III o Grande em 198 a.C.
Quando o filho de Antíoco III assumiu o trono, adotou um título real que o identificava como uma divindade, ‘Antíoco IV Theos Epiphanes’. Ele foi um defensor austero da cultura e religião grega, nutrindo grande desprezo ao Judaísmo que se opunha a idolatria gentílica. Em 168 a.C Antíoco proibiu os judeus sob pena de morte de praticar a circuncisão, proibiu a prática das festas religiosas judaicas, proibiu a guarda do sábado, mandou queimar cópias da Lei, taxou pesados impostos e construiu dentro do Templo Judeu um altar ao Zeus Olímpico e ofereceu um sacrifício de porcos. Depois de um ano de repressão e humilhação os judeus explodiram em uma de suas mais gloriosas revoluções, a revolta dos Macabeus.
Matatias um sacerdote que vivia a 27km de Jerusalém, junto com seus filhos João, Simão, Judas, Eleazar e Jônatas organizaram uma resistência para deter Antíoco. O grupo de Matatias ganhou o apoio de um grupo anti-helenista de sacerdotes judaicos chamados Hassidins sob o comando de Zadok. A rebelião explodiu e com a morte de Matatias o comando da resistência fica para seu filho Judas, apelidado de Macabeu (Martelo). As batalhas custam a vida dos filhos de Matatias, porém trazem a independência Judaica em 165 a.C.
O único sobrevivente dos irmãos Macabeus é João Hircano que reina sobre os judeus de 135-104 a.C, ele conquistou a Iduméia e Samaria destruído o templo Samaritano no monte Gerizim, fato que irá aflorar o ódio entre Samaritanos e Judeus. Nesta época surgem os dois mais poderosos partidos político-religiosos dos judeus, integrantes dos Hassidins formam o partido dos Fariseus (Os Separados) e judeus helenistas membros da aristocracia do sacerdócio alegam ser descendentes de Zadok do tempo de Salomão e formam o partido dos Saduceus.
Os dois partidos se alternaram no poder, até que com a morte de Alexandre Janos filho de João Hircano, sua esposa Salomé Alexandra nomeou seu filho João Hircano II (pró fariseus) para Sumo Sacerdote e o outro filho Aristóbulo II (pró saduceus) para comandante militar. Quando a mãe morreu os dois irmãos João Hircano e Aristóbulo romperam em guerra um contra o outro movidos por sua ambição e suas diferenças partidárias.
João Hircano II busca apoio de Antipater da Iduméia (também chamado de Antípas e pai de Herodes), este o aconselha a buscar ajuda dos Romanos. Diante de uma eminente guerra civil desastrosa, os Fariseus aconselhados por Antipater buscam apoio militar dos Romanos e os convidam a assumir o controle político da Palestina. Em 63 a.C o general romano Pompeu domina a Palestina e a despeito de conceder o sacerdócio a João Hircano II nomeia Antipater o Idumeu como primeiro ministro Romano e governante civil da Palestina. Era o fim da independência judaica sob o comando da dinastia Hasmoneana e iniciava a dinastia dos Herodes.
Depois da morte de Antipater, seus filhos Herodes e Fasel dominaram respectivamente a Galiléia e a Judéia. No entanto apenas Herodes sobreviveu a invasão dos Parthos por refugiar-se em sua fortaleza em Massada e receber o socorro Romano (por Marco Antônio). Herodes foi constituído um rei vassalo de Roma e passou a dominar toda a Palestina sob o título de Herodes O Grande.
Em 31 a.C desfaz-se o segundo triunvirato Romano com a vitória de Otávio sob Marco Antônio e o senado nomeia Otávio como Imperador Augusto Cesar e inicia-se um período conhecido como Pax Romana, sem guerras. Para alcançar simpatia do novo Imperador, Herodes dá o nome de Cesaréia ao magnífico porto que ele constrói na província de Samaria. Herodes irá fazer obras arquitetônicas e culturais magníficas por toda Palestina introduzindo o helenismo, mas despertando rixas com o judaísmo.
Sendo um grande político, Herodes tentou alcançar a simpatia do povo judeu sem ser judeu. Casou com Mariamne, uma neta de João Hircano II, forjou uma genealogia que arremetia seus ancestrais aos judeus dispersos no cativeiro, intercedeu com Roma por judeus que tinham dificuldades com a guarda do sábado, mas sua maior obra foi à ampliação do Templo Judeu reedificado por Zorobabel, a tal ponto que este lugar passou a uma das sete maravilhas do mundo antigo. Mas os judeus nunca o aceitaram, diziam que sua bondade estava envenenada na fonte e de fato, Herodes era também um sanguinário. Toda vez que um de seus filhos começava a se destacar, mandava matar o filho, sua mãe e seus amigos mais chegados.
Herodes o Grande morreu entre o ano 4 a.C. e Roma dividiu a Palestina entre seus filhos:
Etnarquia da Judéia, Samaria e Iduméia – Foi entregue a Herodes Arquelau que governou de 4 a.C até 6 d.C, e foi considerado mais sanguinário que seu pai levando o povo judeu a revolta. De 6 d.C a 66 d.C a Judéia ficaria sob o governo dos procuradores romanos, dentre os 14 que exerceram esta função ao longo deste tempo, estava Poncio Pilatos que governou de 26 a 36 d.C.
Tetrarquia da Galiléia e Preréia – O norte e a margem oriental do rio Jordão foram entregues a Herodes Antipas que governou de 4 a.C a 39 d.C, sendo este quem mandou matar João Batista e entrevistou Jesus no dia de seu julgamento. Seu governo ruiu mais tarde e foi banido para Gália em 39 d.C.
Tetrarquia da Ituréia e regiões adjacentes – Esta região (norte-nordeste) foi comandada entre 4 a 34 d.C por Herodes Filipe II, tido como justo por seus súditos e um grande helenista e intelectual. Ele construiu a Cesareia de Filipe bem ao norte da Palestina.
Territórios Independentes ligados diretamente a Roma – As Decápolis, cidades de grande comércio e cultura helênica e Asquelon, hoje chamada de faixa de Gaza.
Roma prosperava e dominava sobre os bárbaros da Europa e Ásia, o Egito estava em decadência, a Babilônia já era apenas ruínas, no extremo oriente, centro sul Africano e Américas o mundo vivia imerso no paganismo exceto por algumas colônias judaicas dispersas. A palestina, no entanto, era um ‘barril de tensão’ política e religiosa pronto a explodir. Este era o mundo nos dias em que Jesus nasceu!
Na próxima semana, o capítulo seguinte de ‘Caminhando com Jesus’ apresenta seu nascimento e as questões controversas sobre a data natalícia, a jornada de José e Maria e os mistérios sobre linhagem e origem de Jesus.

por Pr. Ericson Danese

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