sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Caminhando com Jesus - 3 (Especial de Natal)

Nascimento e os Primeiros Anos de Jesus

As profecias do Antigo Testamento indicavam que o Messias teria um nascimento extraordinário (Isa.7:14), seria da linhagem de Davi (II Sam. 7:16), nasceria em Belém (Miq.5:2) e uma estrela anunciaria sua chegada (Nú.24:17). A questão é; se todo povo de Israel conhecia as profecias a respeito de Jesus por que seu nascimento não foi imediatamente reconhecido a nível nacional?
A resposta é; todos esperavam, mas nem todos queriam que o Messias chegasse. O sacerdócio da época estava envolvido por negociatas de poder com o governo Romano, Herodes o sanguinário matava qualquer rival em potencial pelo trono da Judéia e a chegada do Messias significaria mudanças que ocorreriam num processo no mínimo desvantajoso para muita gente. A família real de Davi, muito bem conhecida até a época da volta do exílio quando Zorobabel era um governador vassalo aos Persas, porém herdeiro da família real é deixado completamente no esquecimento dado as grandes mudanças políticas. Por certo na época do governo opressor dos Seleucidas que intentaram acabar com a cultura judaica foi mais seguro para os descendentes reais ficarem em oculto para sua própria segurança.
Séculos depois, o povo tinha perdido qualquer reconhecimento para com a família real e a própria linhagem de Davi havia ignorado sua importância, talvez esquecidos e sempre sob ameaça, eles provavelmente não demoraram muito para cair em pobreza e tornarem-se pessoas comuns na sociedade judaica. Quando chegamos aos dias de Jesus, um herdeiro do trono chamado José mora na Galiléia, longe da capital e tem o ofício de carpinteiro.
As genealogias de Mateus e Lucas apresentam inegáveis diferenças entre si, o motivo parece ser o fato de que Mateus preocupado em pregar aos judeus dá a sucessão real dos que teriam ocupado o trono se a linhagem não tivesse sido destronada, enquanto Lc., estaria relatando a linhagem real da qual vinha Jesus. Se for esta a resposta, Jacó que em Mt., é pai de José morreu sem filhos e sua sucessão passou ao parente mais próximo que tinha, no caso Eli pai de José em Lc. Esta interpretação, ajudaria ainda mais a entender porque a linhagem real da casa de Davi estava esquecida e fora de atenção nos dias de Jesus.
De qualquer forma, o esquecido herdeiro real José certamente era viúvo e já tinha filhos do seu primeiro casamento dado o fato que Ellen G. White menciona que os irmãos de Jesus eram filhos de José e mais velhos que Jesus, (DTN 87 – cap. ‘Dias de Luta’). Um noivado foi arranjado para ele com uma moça que tinha ligações com a descendência Levita da casa de Arão (Sacerdotes), já que sabemos que Maria era prima de Isabel a mãe de João Batista (o profeta que anunciará Jesus). Isabel é da linhagem de Arão (Lc. 1:5) e junto com seu marido o sacerdote Zacarias, moravam na Judéia. Portanto, Jesus será descendente da linhagem real por José e da linhagem sacerdotal por Maria. Jesus é o Rei e Sacerdote perfeito!
O texto Bíblico relata que Maria recebe a visita de um anjo que lhe assegura que ela, mesmo sendo virgem conceberá um filho por meio da atuação do Espírito Santo que há de gerar o Messias dentro dela. O Messias nasce como todo homem nasce, mas é gerado de forma diferente pois ele é aquele que sempre existiu e agora se fez carne para habitar entre os homens (Isa.9:6, Heb.10:5-9). S. João 1 descreve como o Verbo (aquele que estava com Deus e era Deus S.João 1:1), aquele que fez e mantém todas as coisas se fizera carne e habitava entre os homens que de forma geral não reconheciam aquele que era único de sua espécie e enviado do Pai. Os cristãos entenderiam mais tarde claramente que o Divino, que sempre existiu, havia tomado a forma humana velando sua Divindade para cumprir o plano de salvar a humanidade (Fil.2:5-11).
Pouco depois da anunciação, Maria vai até as montanhas da Judéia para visitar sua parenta Isabel que está no sexto mês de gravidez e fica com ela por três meses (Lc.1:56). Após o nascimento de João Batista, Maria volta para Nazaré onde sua gravidez gera constrangimento a José, mas este alertado em sonho por um anjo resolve não deixá-la e continuar o noivado a recebendo como esposa, porém não a conhecendo como mulher até o nascimento de Jesus (Mt.1:18-25).
Durante os seis meses finais da gravidez de Maria, ocorre o decreto de César Augusto para o recenseamento de Quirino governador da Síria (Lc. 2: 1-7), fato que obriga José a voltar para a terra de origem de sua família a fim de se recadastrar. Ali em Belém, completam-se os nove meses e Maria dá a luz a Jesus.
Para descobrirmos em que ano nasceu Jesus, podemos nos valer de alguns fatos históricos:
· Sabemos que Jesus nasceu antes da morte de Herodes O Grande (Mt. 2:1-9 e 19) que morreu em 4 a.C. Flávio Josefo o historiador judeu nos dá a data e tempo do reinado de Herodes (717 a.U até 750 a.U), portanto findando em 4 a. C., Josefo cita ainda um eclipse lunar ocorrido pouco antes de sua morte o qual a astronomia localiza entre 12 e 13 de março de 4 a.C. e por fim, Josefo diz que Herodes morreu durante ou imediatamente antes da Páscoa, ocorrida naquele ano em 11 de abril de 4 a.C. O que significa que Jesus deve ter nascido entre 5 a.C e janeiro de 4 a.C.
· Mas quanto tempo antes da morte de Herodes O Grande Jesus nasceu?
· Herodes recebeu os sábios do Oriente que buscavam Jesus através de uma estrela avistada na noite do seu nascimento. O texto de Mt. menciona que Herodes os inquiriu quanto ao tempo em que a estrela aparecera (Mt.2:7) e depois mandou matar os meninos de Belém de dois anos para baixo (Mt.2:16), conforme o tempo em que os sábios tinham avistado a estrela pela primeira vez.
· Quirino (Lc.2:2) é bem reconhecido historicamente como influente e destacado líder Romano para assuntos militares na Síria e arredores entre 12 a.C e 4 a.C., todavia, os eruditos concordam que dado o prestígio de Quirino com Roma e as circunstancias políticas na Síria e Palestina, Quirino deve ter sido um co-regente ou governador em caráter especial enviado por Roma entre os anos 3-2 a.C. ou 8-6 a.C[1]
· O censo de Lc.2:2 certamente é o mesmo mencionado em At. 5:37 onde Lucas menciona uma rebelião. Esta revolta tem reconhecimento histórico pelo historiador judeu da época, Flávio Josefo que confirma que em 6 a.C. houve uma resistência a um censo. O desconforto judeu se devia além do fato do censo servir para cadastrar os contribuintes do império, por ser feito por uma autoridade Romana externa (Quirino), enquanto os judeus eram na verdade governados por Herodes. Este censo deve ter sido promulgado em 6 d.C, (época do nascimento de João Batista e gestação de Jesus) e levado a cabo um pouco depois.
· Se levarmos em conta que o censo de Quirino foi promulgado provavelmente no início da gestação de Maria, se considerarmos que ele nasceu alguns meses depois e ainda que o bebê Jesus foi apresentado no templo 40 dias depois e só após estes fatos os magos o visitaram e já decorriam quase 2 anos desde o avistamento da estrela até sua chegada em Jerusalém, e ainda, que deve ter decorrido alguns meses entre a fuga para o Egito e a morte de Herodes no ano 4 a.C. Podemos apontar que Jesus teria nascido em torno de 5 e 6 a.C
· O dia 25 de dezembro inventando pela tradição Romana do imperador Constantino, nem mesmo o 6 de janeiro comemorado pela igreja Ortodoxa Oriental parecem ser adequados, uma vez que esta época é inverno em Belém e dificilmente se marcaria um censo nesta época ou os pastores estariam ao relento com as ovelhas durante a madrugada.
Ø Por que Jesus nasceu antes do ano um da era Cristã?
· O calendário que seguimos foi baseado no trabalho de um monge chamado Dionísio Exíguo que em 525 d.C ou a.D, calculou o nascimento de Cristo em 754 a.U (ano Urbis, ano desde a fundação de Roma no calendário pagão). Sendo que Herodes morreu em 750, entende-se que Dionísio errou por 4 anos.
Encontrando a cidade de Belém lotada de viajantes que ali estavam para o censo, José e Maria não encontraram outro local para repousar a não ser uma estrebaria onde nasceu Jesus e foi colocando numa manjedoura com berço de palha.
Os pastores que apascentavam rebanhos nas colinas de Belém vêem os anjos que lhes anunciam o nascimento. Estes anjos não encontraram ninguém esperando o Messias a não ser um grupo de piedosos pastores nas colinas onde Davi quando menino cuidou das ovelhas de seu pai. Os pastores vão até Belém e localizam o sinal dado pelos anjos, um menino numa manjedoura. Conforme Ellen G. White, a visão gloriosa dos anjos brilhando e louvando sobre Belém seria interpretada naturalmente como a estrela que os magos do Oriente avistaram (DTN 60).
Depois que passou os dias do censo, a maior parte dos visitantes foi embora, mas José e Maria ficaram em Belém. Por certo aproveitariam a proximidade de Belém com o Templo em Jerusalém para apresentar o menino e evitariam os falatórios em Nazaré a respeito do nascimento milagroso de Jesus que seria interpretado por seus inimigos como um adultério de Maria, fazendo de Jesus um filho bastardo ao qual nem se sabia quem era o pai verdadeiro (veja a insinuação feita a Jesus em S. Jo 8:41). Na realidade, o temor de José quando volta do Egito e encontra Herodes Arquelau governando a Judéia e então decide ir morar em Nazaré, parece indicar que a intenção original da família de José era morar e criar Jesus em Belém, local onde eles não eram tão conhecidos.
Depois de oito dias Jesus foi circuncidado como todo menino judeu e seu nome Jesus, dado conforme a instrução anterior do anjo. Depois dos dias da purificação José e Maria foram a Jerusalém para cumprir os ritos da lei de Moisés quanto à apresentação da criança (Êx. 13:2 e Nú. 3:13), isto deve ter ocorrido uns 40 dias mais tarde.
Depois de fazer a oferta no Templo, a família é abordada por Simeão um homem justo que profetiza ao tomar o menino nos braços e pela idosa profetiza Ana (84 anos) que também reconhece o Messias. Era o divino Jesus neste momento inconsciente como qualquer criança (DTN 52).
Depois disso ocorre a chegada dos sábios (reis magos) que vem do Oriente em busca da estrela que viram. Estes nobres e ricos filósofos estavam familiarizados com o estudo da astronomia e conheciam as profecias de Balaão conservadas pela tradição no meio de seus povos. Seguiram a estrela até Jerusalém e lá procuraram os sacerdotes que os recebem com frieza e preconceito e depois Herodes que os recebe com desconfiança. A visita dos estrangeiros é uma Providencial repreensão aos líderes que falharam em reconhecer seu próprio e verdadeiro Rei. Segundo Ellen G. White, a visita dos Orientais em Jerusalém gerou curiosidade e estudo das profecias.
Saindo dali, vêem novamente a estrela e a seguem até uma ‘casa’ onde está o menino e o presenteiam com suas dádivas que ajudará José a financiar a fuga para o Egito. Eles estão morando em uma casa em Belém, o menino já tem entre 1 e 2 anos. Um anjo alerta José sobre as intenções de Herodes.
José com sua família fogem para o Egito fora dos domínios de Herodes O Grande. Não podemos saber qual foi o destino no Egito, mas é certo que naquela época havia uma grande colônia judaica em Alexandria.
Belém é manchada pela crueldade de Herodes e muitos inocentes perdem a vida na intenção do monarca de acabar com um possível rival. A família de Jesus ficará refugiada no Egito até a morte de Herodes o Grande, depois disso, no ano 4 a.C, José e sua família retornam para a Palestina mas encontram a Judéia governada por Herodes Arquelau que tem uma má fama de sanguinário pior que seu pai Herodes O Grande. Este fato os fará rumar para Galiléia e voltar a morar em Nazaré onde crescerá o menino Jesus, tornando-se mais tarde o homem mais influente da história da humanidade!
Na próxima semana: Viajamos a Nazaré da Galiléia e conheceremos os lugares e a vida oculta de Jesus. O que aconteceu na sua infância, juventude e mocidade? Quem era sua família? Tudo isso no próximo capítulo de ‘Caminhando com Jesus’.
[1] Josh Macdowell, Ele andou entre nós, Editora Candeia 1999, pg.226.

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