sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Caminhando com Jesus - 4

Os anos desconhecidos de Jesus

Sabemos muito pouco sobre o que aconteceu com Jesus durante sua infância, adolescência e juventude. O que sabemos é que ele teve uma vida comum durante cerca de 30 anos na pequena cidade de Nazaré, região da Galiléia.
Pode parecer estranho, um grande homem ter tido uma vida tão comum por tanto tempo, mas foi justamente isto que o capacitou a identificar-se conosco. Nazaré era um pequeno vilarejo sem qualquer importância ou atenção política, o local aparentemente também não gozava de muita perspectiva e boa fama (S. Jo. 1:46). Nazaré era tão insignificante que o Velho Testamento nunca cita este local e nem mesmo o famoso historiador judeu, Flávio Josefo a menciona. Arqueólogos estimam que Nazaré tivesse na época de Cristo, cerca de 700 a 900 metros de extensão com uma população de uns 500 habitantes[1].
O menino Jesus descrito por Ellen G. White, difere em muito do Jesus dos livros apócrifos que pretendem contar a história da infância de Jesus, cheia de fábulas e invenções gnósticas inventadas no 2º e 3º século depois de Cristo. Segundo Ellen G. White, Jesus foi uma criança amável, paciente e abnegada, descrição que sem dúvida combina com o Jesus relatado pelos Evangelhos, ou pelo breve texto que menciona seu progressivo e bem sucedido desenvolvimento físico e espiritual, (Lc. 2:29-40).
Era costume naquela época que toda criança judia fosse ensinada nos preceitos religiosos, tanto por tradição oral, como pela leitura das escrituras, no entanto as escolas rabínicas de seu tempo estavam repletas de tradições e formalismos. Certamente Jesus não freqüentou estas escolas convencionais (S. Jo. 7:15), mas obviamente sabia ler e havia tido educação intelectual (Lc.4:16). Então onde Jesus adquiriu seu conhecimento e autoridade?
Podemos supor que uma mãe piedosa o ensinou desde a tenra idade, mas ao avaliar o conteúdo de seus ensinos e parábolas, percebemos claramente a influencia da sabedoria da vida no campo, “...encontrava recursos na Natureza; novas idéias de meios e modos brotavam-Lhe na mente, ao estudar a vida das plantas e dos animais” (DTN, 70). Não há nenhum milagre ou feito notável na infância de Jesus, ele passava desapercebido no pobre vilarejo montanhês. Foi uma criança simples, pobre e o único ser livre do pecado em meio a uma cidade de péssima fama.
Ao completar 12 anos, como todo menino judeu Jesus passou para a esfera da juventude a caminho da vida adulta, isto era marcado pela visita ao Templo. Em sua primeira Páscoa, Jesus acompanhou José e Maria a Jerusalém. No Templo, o ritual Pascal com a morte de um cordeiro pela primeira vez o despertou para sua real identidade e missão, “No íntimo acordavam-se-Lhe novos impulsos. Silencioso e absorto, parecia estudar a solução de um grande problema. O mistério de Sua missão desvendava-se ao Salvador” (DTN 78). Este fato é confirmado quando analisamos a resposta dada por Jesus a seus pais que o procuravam no Templo (Lc.2:41-52).
O que ocorreu com a divindade de Jesus durante sua infância? Aparentemente o ser eterno ficou ‘guardado’ dentro do humano durante aqueles anos de desenvolvimento físico e mental, até que a mente e corpo estivessem prontos para harmonizar as duas naturezas (divino/humana) de forma consciente. Entretanto, certo é que depois daquela visita a Jerusalém com 12 anos, Jesus nunca mais foi o mesmo. Adquiriu uma compreensão de sua real identidade, “Na resposta dada a Sua mãe, [ Lc. 2:49 ] Jesus mostrou pela primeira vez que compreendia Sua relação para com Deus” (DTN 81).
O encontro com os mestres no Templo, que admiraram-se de Sua compreensão das escrituras não sendo ele um aluno das escolas rabínicas tradicionais causou grande impacto e foi Sua primeira aparição e contato público, quando ainda juvenil. Pela primeira vez sentiu o preconceito contra os pobres, a vaidade dos mestres e o orgulho da natureza humana.
Seu desenvolvimento humano estava em harmonia com as leis da natureza, a Natureza divina sempre esteve ali, mas é um mistério como uma natureza 100% divina e ao mesmo tempo 100% humana se combinaram e coexistiram permitindo uma vida normal a criança de Nazaré. Fil. 2:2, diz que o Ser eterno se tornou em semelhança de homens, reconhecido em figura humana. Esta combinação hunidade/divindade, nunca mais seria rompida.
A despeito disso tudo, Jesus voltou a Nazaré onde o texto claramente diz que foi submisso a seus pais ( Lc.2:50 ) vivendo ali por pelo menos mais 18 anos. A juventude de Jesus resume-se em servir sua família e seus semelhantes, conhecer as Escrituras e viver de acordo com elas sem submeter-se as tradições e filosofias humanas de seus dias. Obviamente ele encontrou oposição dentro de sua família, pois seus irmãos por parte de José eram claramente adeptos dos ensinos dos Rabinos (Mt. 12:46-50 e S. Jo. 7:3-5).
Ali em Nazaré permaneceu Jesus em silencio por todos aqueles anos, até que se revelasse no tempo de Deus aquele que lhe prepararia o caminho. Dia após dia, como um humilde carpinteiro Jesus experimentou o que é ser um homem pobre e desconhecido, antes de se tornar o homem que dividiu a história do mundo em antes e depois dele.

por Pr. Ericson Danese

[1] Rodrigo Silva, Escavando a Verdade, Casa Publicadora Brasileira, pg. 168.