domingo, 21 de fevereiro de 2010

Creation, e a oração de Charles Darwin


Assisti pelo You Tube ao filme Creation, que apresenta a história de Darwin de como escreveu seu livro ‘A Origem das Espécies’. O filme mostra o drama familiar da perda de sua filha Annie e o relacionamento de suas teorias com a fé de sua afetuosa e amada esposa Emma.
Apresento a seguir minha apreciação e opinião sobre o filme:
O título do filme:
Por que ‘Creation’ se não trata sobre criacionismo? Seria muito mais adequado ‘Evolução’ ou a ‘A história do livro de Darwin’, mas tudo bem, vamos considerar seu conteúdo.
O caráter de Annie
A filha mais velha de Darwin, falecida na juventude é mostrada como com uma suposta percepção e inteligência superior a seus outros irmãos, o que fica entendido nas entrelinhas como o fato que a leva a ser a favorita de Darwin. Annie é mostrada entre flesh backs quase fantasmagóricos, em que você fica se perguntando se Darwin está lembrando ou está falando com sua aparição depois de morta (é claro que são lembranças, mas há algo sutil e espiritualista nas entrelinhas).
Seus trejeitos claramente não são de uma menina de 10 anos, ela parece encorajar Darwin a expor suas idéias, mostrado sob a capa de doçura que não está presente nos amigos de Darwin que o instigam a uma ‘guerra’ entre a ciência e a religião, ignorando o fato de que a maioria dos cientistas do seu tempo eram religiosos e que foi o próprio ambiente religioso judaico-protestante que incentivou as universidades e o surgimento da ciência clássica.
Em suas lembranças de Annie, há uma estranha obsessão da nenina pelo prazer de ouvir histórias contadas por Darwin que sejam regradas com injustiça e finais infelizes, como o caso das crianças da terra do fogo e da orangotango fêmea que morre separada de sua família da selva, um claro símbolo da própria menina. Annie é um personagem revestida de doçura para cativar o telespectador e gerar revolta e descrença com sua trágica morte ainda infante, algo que talvez tenha sido gerado em Darwin e o levou a ler o mundo natural como trágico, injusto e destituído de propósito!
Isto fica claro, quando a pequena Annie é castigada pelo reverendo de sua vila e o espectador do filme é levado a revoltar-se com a brutalidade e as conseqüências da ignorância. Sutilmente, o telespectador é levado a concordar que seria melhor não ter religião já que esta se mostra tão ignorante trazendo dor e impedindo o progresso. Assim, o propósito de generalizar religiosos como ignorantes é levado com sucesso como se tal pressuposto fosse verdade e como se tal prática hedionda fosse à instrução bíblica ou a prática de todos os crentes, quando na verdade, religiosos coerentes defendem a pesquisa, a paz e o respeito.
O estilo taciturno e sombrio da representação de Annie e a identidade espiritualista do filme podem ser vistos claramente quando após uma discussão com o reverendo, Darwin tem uma alucinação com Annie e a persegue pelo seu jardim até entrar em colapso nervoso.
A emoção do filme é conduzida para que o espectador conclua que a injustiça é razão suficiente para abandonar a esperança da fé. Todos os que já perderam alguém, todos os que já temeram perder alguém são levados pela empatia a identificarem-se com o sofrimento e revolta de Darwin. O cinema é um instrumento poderoso para popularizar idéias e é isto que este filme faz, sem nenhum apelo científico, o filme está longe de ser um documentário, sendo muito mais um apelo aos sentimentos de revolta, bem naturais dentro de cada um de nós!
O que somos sem a esperança? O restou a Darwin sem a esperança? Alcançou ele a felicidade sob a pretensa realização intelectual? Provou-se que ele estava certo ou errado? Provou-se que a Bíblia estava errada? Provou-se que Deus não existe? A dor de Darwin continuou até sua morte e as outras perguntas aqui mencionadas continuam alvo de debates sem fim.
Sobre propósito e desperdício
O design da natureza é um dos mais poderosos argumentos criacionistas, para combatê-lo o filme sobre Darwin mostra exemplos dados pelo cientista de que as coisas são efêmeras e sem desígnio. No entanto, criacionistas nunca pretenderam que exista desígnio em cada polegada do mundo natural ou em seus acontecimentos, nós reconhecemos o caos, a desordem e a injustiça num mundo em que as coisas não estão exatamente como Deus as planejou. Por outro lado, há muitos propósitos e desígnios, alguns descobertos, outros por descobrir e outros analisados injustamente pelas lentes humanas.
Questões sobre justiça
Tudo na natureza é mostrado sob a ótica de se existisse um Deus de amor não poderia permitir a injustiça da morte de um inocente tal como um orangotango, um coelho nas presas de uma raposa ou da pequena Anny. O acaso é postulado como a única explicação de consolo para inocente que sofre e a religião é mostrada como superstição que ensina que é da vontade de Deus que alguns sofram. Mas não é assim que acontece e nem é assim que ensina a Bíblia! Nada faria sentido se não fosse a realidade de um grande conflito entre forças espirituais do bem e do mal, conflito no qual o planeta Terra tem servido de campo de batalha.
Ao mostrar Deus como injusto, a fé como tirana e os religiosos como ignorantes, cumpre-se o grande desígnio de Satanás, o de macular a imagem e o caráter de Deus impingindo-lhe a própria imagem de Satanás, enquanto este passa oculto e disfarçado como se fosse apenas fruto do folclore popular religioso.
Outro desastre do filme é a tentativa de mostrar que a fé não permite questionar a injustiça, ato muitas vezes ilustrado pelos diálogos de Darwin com o inculto reverendo de sua vila. Mas isto também não é assim, a Bíblia mostra Jó, Davi, Jeremias, Habacuque e muitos outros questionando a Deus por injustiças muito maiores que vermes parasitas de humanos ou larvas de vespas que devoram lagartas vivas. O mundo é um lugar complicado, Deus criou todas as coisas, mas não as criou todas como estão agora! Criacionistas não são fixistas, isto é, não acreditam que Deus criou tudo exatamente como conhecemos hoje. Muita coisa aconteceu desde que o pecado entrou neste mundo, a dor, a morte e a injustiça, o problema é complexo e não pode ser resolvido com meras especulações filosóficas, a bíblia nos incentiva a buscar a justiça num mundo injusto e a aguardar a esperança!
A representação da fé religiosa mostra estereótipos de pessoas que o ateísmo darwinista deseja generalizar, para que a leitura da sociedade moderna seja feita em tais moldes. O reverendo é uma imagem do charlatão que controla o povo pela superstição. A esposa de Darwin é uma imagem do pobre povo religioso iludido pelas farsas dos seus mestres. Os amigos de Darwin são mostrados como os cientistas a frente de seu tempo, homens revoltados com os grilhões intelectuais da igreja. Mas o filme até que é coerente em mostrar Huxley e seu ódio pela religião ao mesmo tempo em que pede a morte de Deus e pragueja em nome de Jesus Cristo, revelando seu caráter colérico.
Pressupor que todos os religiosos são ignorantes e desdenham a ciência é definitivamente não compreender o momento cultural da Inglaterra Vitoriana e ser muito mais ignorante quanto à fé dos cientistas do passado e da atualidade, tal como o erro evidente ao mostrar que religiosos negavam a existência dos dinossauros, quando na verdade o termo ‘dinossauro’ foi cunhado por Owen, um cientista que defendia que estes animais existiram e foram extintos pelo Dilúvio, assim como o pensamento de Steno, considerado como pai da Paleontologia e que junto com Owen, ambos cientistas criacionistas, foram totalmente ignorados devido ao preconceito com a religião.
O perder a fé religiosa
Para mim, o mais venenoso argumento da falácia do filme e o sujestionamento de que um homem que estuda a natureza perde sua fé. Isto é mais uma forma preconceituosa de tentar mostrar os religiosos como pessoas que amam a ignorância e mais uma mentira, levando em conta tantos cientistas com convicções religiosas. É realmente muito desleal, supor que conhecer as maravilhas da criação possa fazer um homem descrer.
Homens descrêem mesmo sem conhecer a natureza, homens descrêem por decepções com a instituição religiosa, descrêem por não ter suas expectativas correspondidas de acordo com a forma de teologia que aprenderam, homens descrêem pela dúvida natural do coração carnal e descrêem também pela tentação. Todavia, a ciência e o estudo da criação têm ajudado a muitos crerem mais e mais a tal ponto que mesmo hoje, depois de tantos avanços científicos, continuamos a ter homens cultos, letrados e cientistas que crêem. Crença é um dom que nada tem haver com estudo e muito menos pode ser obtido pelo esforço ou descoberta humana, a fé sempre foi e sempre será um dom de Deus, aceito ou desperdiçado!
O trecho mais traiçoeiro das intenções deste filme se encontra na cena em que Darwin lutando pela vida de sua filha vai até uma igreja, ajoelha-se diante do altar e contempla um vitral com a imagem de Cristo e clama orando que Deus a poupe por ser apenas uma menininha, Darwin oferece sua vida em lugar da menina caso ‘Deus’ queira levar alguém e propõem que se Ele a curar, Darwin terá fé pelo resto de sua vida! A seguir a cena o mostra tempos depois da morte de Annie conversando com seu médico sobre sua própria doença, decorrente da depressão resultado da perda da querida filha. O médico tenta confortá-lo dizendo que a menina está no Céu e Darwin recusa-se a crer nisto assim como sua esposa o faz.
Ora, vamos analisar a oração de Darwin. Na verdade não sei se isto é um fato verídico ou apenas imaginado pelos autores do filme, mas façamos algumas considerações.
A Bíblia registra que Davi orou pela vida do seu primeiro filho com Betseba, mas a criança morreu e Deus se calou, a Bíblia registra a morte dos infantes inocentes no nascimento de Moisés e depois na tentativa de Herodes matar Jesus, mas foi isto motivo para estes descrerem? Alguma vez encontramos a promessa de que o inocente não morrerá? A única coisa que encontramos é a promessa da ressurreição e de que um dia haverá novo Céu e nova Terra.
Darwin clamou por um milagre, mas o que dizer de Paulo que clamou que o Senhor o curasse e a resposta foi que a graça de Deus lhe bastasse? A graça e o conforto de Deus em meio ao sofrimento, a vitória final e restauração de tudo não são o bastante para Darwin? A dor de um pai não pode ser estimada ou ignorada, mas é a dor que o Pai sentiu ao ver seu Filho Jesus sobre a cruz em prol da humanidade que o rejeitou.
Darwin se propôs a crer mediante um sinal, uma prova! Mas não é assim que as coisas funcionam, Deus não faz seus milagres porque tem que nos provar algo, por isso a Bíblia aconselha a não tentar o Senhor nosso Deus. Na verdade, Deus opera milagres, mas se o fizesse sempre para provar que Ele existe, então não precisaríamos de fé. E precisamos de fé, porque ela agrada a Deus e nossos pais duvidaram mesmo quando viram o invisível. O cientista reclama que não pode crer sem ter provas, mas a fé vai além disso. Deus não seria o Soberano, se tivesse que obedecer todos os nossos pedidos, estamos invertendo as posições!
Você não pode tomar a soberania de Deus como explicação de que é Ele que mata e leva nossos queridos, pelo contrário, a Bíblia diz que Deus não se agrada da morte, aliás a Bíblia nem se quer ensina que as pessoas que morrem vão imediatamente para o Céu, apenas diz que enquanto os mortos dormem a fé e a esperança devem nos consolar de que chegará um dia que eles serão despertos na ressurreição e com a volta de Cristo, o mal terminará de uma vez por todas e as coisas serão concertadas!
É neste ponto que a oração de Darwin é sutil semente da mentira e descrença. Você se emociona com um homem que se humilha apesar de seu grande conhecimento científico e clama a Deus desesperadamente de forma inútil por sua doce filha, sem considerar que o filme está sorrateiramente te induzindo a pensar de Deus aquilo que Ele não é e nunca prometeu fazer ou ser!
O diálogo Darwin com seu médico, deixa escapar uma verdade interessante, o fato de pessoas diferentes reagirem e interpretarem o mesmo fato de forma diferente. Nenhum exemplo é melhor do que Darwin que afastou-se de Deus e sua esposa Emma que buscou a Deus como fonte de consolo. O que há de lamentável, é o fato de mais uma entre tantas vezes do filme, a trama aproveitar isto para mostrar que a ciência que foi o consolo de Darwin (se é que o consolou de fato) está destituída da fé em Deus ou de que a religião seja um ‘ópio’ para os menos cultos se consolarem. Fé e ciência não são caminhos opostos!
Contudo, o filme sobre Darwin revela um fator histórico interessante a respeito da influencia da morte de Annie sobre as teorias de Darwin. Então, a teoria da origem das espécies seria o esforço em explicar o mundo diante da revolta e decepção religiosa de um homem traumatizado? Até que ponto a emoção influenciou as conclusões de um homem e sua teoria? O fato é que Darwin, apesar de estudar o tema por anos, só publicou depois da morte de Annie. Por quê? Por que precisava disso?
A mensagem que fica nas entrelinhas:
“Se Deus não agiu como você esperava, se você se decepcionou, se você foi tratado com injustiça, se perdeu aquilo que amava e Deus mostrou-se indiferente, então escreva um livro que te liberte da obrigação de seguir tal Deus, seja um ateu livre da culpa apoiado na lógica e num fundamento intelectual que te permita explicar tudo sem precisar mais desse Deus. Você se magoou com Deus? Então o ignore, para não sofrer mais, ainda que Ele exista apesar de você não poder compreendê-lo!”
Esta mensagem do filme é o fundamento do ateísmo e a melhor forma de compreender o âmago do pensamento ateu. O filme nem se quer trata sobre ciência ou sobre a teoria da Evolução. Pena, que todo este esforço mental, toda esta reconstrução intelectual nunca livrou ninguém do sofrimento e colocou Darwin e tantos outros contra Aquele seria o único que poderia dar-lhe esperança e forças para livrar-se do sofrimento!
A todos os Darwinistas inconformados com a injustiça, a todos os ateus que continuam a sofrer, Deus continua a clamar:
Vinde a mim, todos os que estai cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei.Mt. 11:28

Caminhando com Jesus - 5


Início do Ministério e Primeiros Discípulos

Não sabemos a exata idade de Jesus por ocasião do início de seu ministério, Lc. 3:23 diz que ele tinha cerca de 30 anos quando começou. Sabemos que pouco antes disso, João Batista começou sua pregação no deserto da Judéia e logo a mensagem do profeta chegou à carpintaria da pequena Nazaré da Galiléia.
Embora Jesus e João Batista fossem primos em algum grau, nunca haviam se encontrado, mas ambos sabiam um do outro. As circunstancias os separaram, mas João tinha ouvido falar do encontro do jovem Jesus com os mestres no Templo, ouvira de sua mãe Isabel as histórias quanto aos seus nascimentos e nutria expectativas com respeito ao seu distante e desconhecido primo.
Lc. 3:1 tenta localizar historicamente o início da pregação de João Batista, isto é muito importante e consta no texto porque João Batista estará ligado a uma profecia de tempo do livro de Dn., a qual relata a época em que o Messias seria ungido. Lucas relata que era o 15º ano de Tibério César, sabemos que o Imperador anterior (Augusto) morreu em 19/08/14d.C., então o 15º ano de Tibério seria agosto de 28 d.C, no entanto, levando em conta o método de contagem Sírio, 19 de agosto a 30 de setembro seria contado como o primeiro ano (27d.C) e 1 de outubro iniciaria o 2º ano, de forma que a data do início seria 27 d.C.
João Batista é filho de um sacerdote chamado Zacarias e uma descendente de Arão, chamada Isabel (Lc. 1:5). Este idoso e piedoso casal que não tinha filhos foi agraciado com um milagre semelhante ao de Abrão e Sara que tiveram um filho em idade avançada. Estes nascimentos milagrosos representam que a carne não tem força para conceber aquele que fará a diferença espiritual na história.
A época de João Batista é um tempo de tentações introduzidas pelo convívio com a cultura greco romana invasora que gerou pecados tais como a cobiça pela riqueza, amor ao luxo, ostentação, prazeres sensuais, banquetes e bebidas. Os relatos demonstram também uma época de ignorância e muitas doenças devido aos maus hábitos. Neste contexto, em que é necessária uma reforma, Deus prepara um menino para ser nazireu (Lc. 1:15), um voto religioso que prescrevia uma reforma de hábitos através do exemplo austero destes religiosos (Nú 6:1-8).
João Batista também é o ‘Elias’ da profecia de Malaquias 3:1 e 4:5-6, pois leva a mesma mensagem de arrependimento tal como o primeiro e real Elias. João também foi considerado profeta, (Lc. 1:76)Ele se auto identifica como a ‘voz do que clama no deserto’, (S. João 1:19-28 e Isa. 40:1), uma figura de linguagem usada na profecia para identificar o local da pregação daquele que precederia o Messias e prepararia o povo para recebê-lo. Ellen G. White comenta que Deus chamou João ao deserto para que ele aprendesse sobre a natureza e o Deus da natureza.
Podemos nos perguntar o que João fazia o tempo todo, sozinho no deserto? Não há nenhuma razão para identificar João com o grupo religioso judeu chamado Essênios, os quais se isolaram nos desertos da Judéia. Embora João deva ter conhecido tais pessoas, sua teologia é muito diferente, a começar pelo fato de que os Essênios se isolaram e João Batista embora, tenha vivido retirado, compartilhava suas mensagens com multidões. Ellen G. White diz que no deserto, ele vigiava os acontecimentos do mundo e ao mesmo tempo podia estar retirado para orar e estudar as profecias.
João Batista adaptou o costume dos banhos rituais judaicos e introduziu o elemento do arrependimento e decisão de uma nova vida sob o perdão de Deus, com isto ele criou o batismo bíblico por imersão que mais tarde receberia a fórmula trinitária por parte de Jesus. João chamava as pessoas ao arrependimento e esta demonstração era feita pelo batismo. Sua mensagem foi tão revolucionária que não demorou a chegar à pequena carpintaria de Nazaré.
O batismo de Jesus não ocorre no contexto de arrependimento, mas de unção e inauguração do seu ministério cumprindo a profecia de Dn. 9:25, o que deve ter ocorrido no ano 27 d.C. O caráter inaugural do batismo de Cristo foi um duro golpe no reino de Satanás, pois através do ato de Cristo o Filho amado colocar-se na posição do ‘Messias’, a humanidade que estava separada de Deus era agora religada em Cristo. Ellen G. White comenta no livro DTN que até então, a humanidade se comunicava com Deus através de Cristo, agora a humanidade se comunicaria com Deus em Cristo!
O batismo de Jesus era o anúncio do perdão vindouro e um ato assustador para o Inimigo de Deus. Embora o próprio Batista tenha estranhado a busca de Jesus pelo batismo, compreendeu imediatamente que o tempo dele era chegado e agiu com humildade o anunciando e repassando seus seguidores a ele com a famosa frase ‘importa que Ele cresça e eu diminua’. João esperava que Jesus se anuncia-se, pois Ele estava ali entre os ouvintes de João, mas se assim o fizesse, como poderia ter ensinado a humildade como o fez posteriormente?
Depois que Jesus foi batizado e o Espírito Santo desceu sobre Ele na forma de uma pomba, João entendeu isto como o sinal que ele esperava para definitivamente identificar o Messias e passou a dar testemunho a respeito de Jesus. O alvoroço da pregação de João Batista na beira do Jordão chamou a atenção de muita gente que afluiu para lá, fato que despertou o interesse e o medo dos líderes religiosos de Jerusalém que enviaram levitas e sacerdotes para interrogar João Batista sobre suas intenções. Aparentemente, este é o momento em que Jesus rumou para o deserto e enfrentou 40 dias de tentação.
Jesus rumou para um local isolado onde poderia jejuar, ato que simbolizava a negação do eu. No deserto, pode ponderar sobre as escrituras, pode orar e meditar na quietude da natureza. Todavia, foi lá que travou sua primeira batalha pessoal contra Satanás após a encarnação. O inimigo o assaltou nos três pontos que toda a humanidade é vencida. 1) Transformar Pedras em Pães – Usar do poder para o prazer pessoal, se auto beneficiando sem prestar contas a Deus. 2) Jogar-se do pináculo do Templo – ser presunçoso e agir sem o consentimento e orientação de Deus. 3) Adorar a Satanás – Ganhar privilégios negociando princípios, chegar ao objetivo por um caminho mais fácil que sacrifica princípios inalienáveis. Jesus saiu vitorioso, mas este não seria seu último combate contra o inimigo.
Quando Jesus voltou do deserto, João que está batizando em Betabara, perto de onde Josué atravessou o Jordão no passado, o apontou como o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo (S. Jo.1:29-30). Esta declaração, reafirmada no dia seguinte fez com que dois dos discípulos de João Batista se tornassem os primeiros seguidores de Jesus.
Os primeiros discípulos são o jovem João e André, amigos pescadores da galiléia. João um rapaz impetuoso, se tornaria o mais jovem dos discípulos e o último de todos a morrer. João se tornaria um dos mais próximos amigos de Jesus e seria transformado ao longo dos anos de convívio com o mestre. André, era um homem prático de grande coração, sua fé amável o fez o primeiro missionário sem nunca termos tido notícia de um eloqüente sermão ou discurso por sua parte. André mostrou que o cristão faz mais do que fala! Conheceu o Messias e imediatamente o apresentou para seu irmão Simão apelidado por Jesus de Pedro.
Jesus em sua estratégia convocou o duvidoso Filipe que o apresentou não como o Messias, mas como Jesus de Nazaré. Filipe era de Betsaida, cidade de André e de Pedro (S. Jo. 1:44) o que talvez indique, que novamente André estava envolvido em ajudar o mestre a recrutar seus amigos.
Jesus e seus primeiros quatro discípulos vão rumar do deserto da Judéia, as margens do Jordão para a Galiléia, na cidade de Caná, onde participará de um compromisso social que a família de Jesus fora convidada. Rumando para participar de um casamento, Jesus e este quarteto recrutam um morador de Caná amigo de Filipe chamado Natanael. Também mencionado como Bartolomeu, Natanael foi preconceituoso quanto à origem de Jesus de uma cidade insipiente e sem prestígio, mas este preconceito logo se desfez quando Jesus revelou seus pensamentos.
É em Caná (cerca de 6 a 14 km de Nazaré) três dias depois do recrutamento de Natanael, que ocorre o primeiro milagre de Jesus ao transformar a água em vinho (suco de uva – Isa.65:8 e Pr. 20:1) no casamento de amigos de sua mãe. Embora este milagre pareça irrelevante, isto não é assim, pois na verdade há um profundo significado teológico anunciado na inauguração das obras de Cristo. As talhas cheias d’água eram também usadas para carregar a água dos banhos de purificação dos judeus (um tipo de batismo). Ao transformar a água da purificação em vinho (símbolo do sangue derramado mais tarde na cruz e anunciado no memorial da santa ceia), Jesus dizia que seu sangue tomaria o lugar purificador devolvendo a alegria da salvação aqueles que nEle tivessem fé.
Depois do milagre, Jesus, seus cinco discípulos e sua família vão para Cafarnaum, onde provavelmente Tiago irmão de João foi recrutado. Eles ficam ali poucos dias antes de voltar para Judéia no próximo passo de Caminhando com Jesus, vamos conhecer suas primeiras controvérsias com os líderes de seu tempo.