terça-feira, 15 de novembro de 2011

As sequelas do Êxodo

O Senhor é a minha força, e o meu cântico; ele se tem tornado a minha salvação; é ele o meu Deus, portanto o louvarei; é o Deus de meu pai, por isso o exaltarei. O Senhor é homem de guerra; Jeová é o seu nome. Lançou no mar os carros de Faraó e o seu exército; os seus escolhidos capitães foram submersos no Mar Vermelho.” Êxodo 15:2-4

Por aquele tempo, Amenófis II o filho de Tutmés III era o faraó. Conhecido como esportista e caçador, Amenófis II foi exímio condutor de carruagens e arqueiro. Levou fama de cruel por sacrificar inimigos ao deus Amon. Seu reino registrou várias revoltas, em especial na região Sírio Palestina das quais ele se ufana ter subjugado. Lembramos a você leitor, que nem sempre um mural Egípcio que gloria um faraó pode ser levada 100% a sério!

As ‘glórias de faraó’ faziam parte da propaganda política dos governantes daquele tempo, eles não eram os únicos a fazer isso nem foram os últimos. Faraós, Júlio César e Hitler, todos aprenderam contar vantagens para ganhar popularidade! Veja o caso do faraó Mernepta que em sua famosa stela alega ter aniquilado a ‘semente’ ou descendência de Israel, quando na verdade o reino de Israel floresceu exatamente depois disto!

Muitas campanhas militares do Egito simplesmente ignoraram Israel que por pelo menos quarenta anos foi um povo nômade que vagou pelo Sinai e levou anos para se estabelecer em Canaã. Mesmo as famosas campanhas de Ramsés II em suas batalhas contra os Hititas podem ter sido um evento sem nenhuma relação com o povo Israelita, as tropas teriam passando pela região costeira onde os Israelitas sempre tiveram pouca expressão. Tome como exemplo as batalhas entre o Egito e Babilônia na qual Josias o rei de Judá se meteu sem necessidade. O faraó Neco manda o recado de que o problema não é com Israel, apesar de o exército Egípcio atravessar seu território.

É com Amenófis II que Moisés vai travar a batalha mediada por dez pragas que finalmente culminam com a morte do primogênito de faraó. A história confirma que seu sucessor, Tutmés IV não era o primogênito, pelo contrário, os dois mais velhos haviam morrido antes de Amenófis II. Fato que corrobora ainda mais a história relatada em Êxodo na qual o primogênito de faraó é vítima da décima praga. Quando Tutmés IV assumiu o trono o reino estava abalado, boa parte dos exércitos pode ter sucumbido na travessia do Mar Vermelho perseguindo os Israelitas. A religião Egípcia e o culto a Amon estavam profundamente abalados. Além disso, as pragas arrasaram a economia do Egito. Dada estas adversidades os Egípcios precisavam reconstruir e levantar a moral de seu povo.
O papiro de Ipwer, exposto do museu da Universidade de Leiden, Holanda, registra o desespero Egípcio diante das pragas e da partida dos Israelitas:

Os estrangeiros vieram para o Egito ... têm crescido e estão por toda parte, em todos os lugares, eles se tornaram gente ... o Nilo se tornou em sangue ... e as plantações estão em chamas ... a casa real perdeu todos os seus escravos ... a os mortos estão em sendo sepultados pelo rio ... os pobres estão morrendo inesperadamente ... o ouro está no pescoço dos escravos ... o povo do oásis está indo embora e levando as provisões para o seu festival religioso

Tutmés IV nascido em Mênfis tentou reconstruir o clima de derrota deixado por seu pai. As atividades da nação foram muito mais internas e especialmente as campanhas na Palestina foram abandonadas. Tutmés IV ao contrário de seu pai ganhou a fama de pacifista, talvez porque simplesmente não fosse um bom momento financeiro e político para fazer guerra.

Uma marca clara do efeito humilhante das pragas sobre a mitologia Egípcia de Amon é o declínio do culto Tebano e a valorização de Heliópolis e do culto solar, surgindo o culto de Rá sob a forma de Aton o disco solar. Os antigos deuses estavam tão desacreditados que se os faraós quisessem manter sua autoridade impedindo que o povo se convertesse ao Deus hebreu, precisavam de uma nova mitologia.

Foi assim que Tutmés IV e seus sacerdotes elaboraram um mito onde o faraó ao dormir perto da esfinge recebe um pedido dela para que Tutmés IV remova a areia que a enterra. Com isto a esfinge lhe concederia o trono! O auge deste descontentamento pode ter sido a época das cartas de Tell El Amarna, quando seu neto Akhenaton governava o Egito e obriga o culto de Aton o disco solar destituindo o sacerdócio de Amon e tornando-se ele, o faraó, profeta e sacerdote de uma religião que era um rascunho muito mal feito de monoteísmo.

De fato, Akhenaton nunca invalidou os outros deuses, mas supervalorizou Aton. Não seria este culto uma imitação do Deus hebreu, tentando satisfazer o povo frustrado com deuses que não os protegeram? Em Amarna chegavam correspondências dos reis de Canaã vassalos do Egito pedindo socorro, pois os ‘hapiris’ estavam invadindo e tomando as cidades.

Todas as minhas cidades que o rei tem posto em minhas mãos, foram para as mãos dos Habiri” De Zinrida, rei de Sidom para o Faraó.

Os hapiris não seriam os hebreus? Josué estava em ação conquistando a terra de Canaã e o Egito parece não ter feito caso destes pedidos de socorro! Por quê? Estariam os netos dos que sofreram as pragas com receio de se meter com um poder que os venceu no passado? Por que o grande Egito iria temer nômades do deserto?

O Egito só voltaria ter glória na época de Ramsés II que ocupado demais com os Hititas passou ao lado dos territórios de Israel. Mesmo o bem sucedido Ramsés II que corresponde ao período bíblico dos Juízes, menciona que os hapiris viviam em Canaã nos mesmos territórios em que sabemos que os hebreus ou Israelitas viviam. As próximas dinastias do Egito, depois de Akhenaton retomaram ao culto de Amon, Osíris e outros velhos deuses. Mas o domínio dos faraós foi definhando até que Babilônios, Persas e Gregos aniquilaram sucessivamente o antigo reino.

O último faraó do Egito seria Cleópatra, uma mulher descendente de gregos que promoveu o culto de Ísis e foi vencida pelos Romanos. Do antigo Egito, só as pirâmides e hieróglifos durariam para contar a história da civilização que Deus enriqueceu para sustentar seu povo por 400 anos, mas que se julgou com poder o bastante para enfrentar o Criador de todos os homens e escravizar seus filhos.

por Pr. Ericson Danese

Fontes:

Gleason L. Archer, Jr. Merece confiança o Antigo Testamento?. Vida Nova

Rodrigo Silva, Escavando a Verdade. Casa Publicadora Brasileira

R. N. Champlin, Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia. Hagnos

Rubens Aguilar, 'Arqueologia' em notas de sala de aula de Ericson Danese

Samuel J. Schulz. A história de Israel. Vida Nova

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Deus X Faraó - A luta entre religião e superstição

E eu passarei pela terra do Egito esta noite, e ferirei todo o primogênito na terra do Egito, desde os homens até aos animais; e em todos os deuses do Egito farei juízos. Eu sou o SENHOR. Êxodo 12:12
Depois de 400 anos sem literatura ou cultura, trabalhando como escravos, os Israelitas precisavam de grandes sinais para fazer distinção entre o falso e o verdadeiro. Por outro lado, era a oportunidade de conversão do Egito e nada menos do que poder os convenceria que seus deuses eram uma farsa e o Deus invisível dos escravos era seu verdadeiro Criador. O Senhor Deus dá a Moisés poderes para executar sinais na presença de Faraó. Em seu primeiro encontro, ele e Arão solicitam gentilmente a permissão de ir ao deserto oferecer sacrifícios. Faraó além de recusar liberar o povo, Faraó aumenta os serviços dos escravos e manda chicotear seus líderes.

Em seu segundo encontro, Moisés faz um sinal, os Egípcios consideravam que a serpente representada na coroa dos Faraós era a naja Ureus, uma divindade protetora enviada pelo deus Rá. Quando o cajado se transforma em serpente, os magos de Faraó por meio de ilusionismo fazem o mesmo, no entanto a serpente de Moisés e Arão devora as serpentes dos magos. A ideia é óbvia, ‘se os deuses enviaram um protetor ao Faraó, o protetor é inútil para o que há de vir’!
1ª Praga, o Nilo se converte em sangue: O rio era adorado sob a forma do deus Hapi, um homem azulado com ramos de plantas aquáticas. O Nilo em sangue era como se o próprio Hapi fosse ferido e com isto, a sede, a morte e o nojo se espalharam no Egito. Os magos imitam o milagre, os servos de Faraó cavam poços para conseguir água e Faraó não dá importância aos Hebreus.

2ª Praga, rãs invadem o Egito e deixam seus cadáveres: A deusa rã Heqet da fertilidade e esposa do deus criador Khnum foi envergonhada. Sendo uma deusa dos partos e que auxiliava o Faraó na ressurreição do rito de Osíris ela se mostrou inútil para evitar a morte de milhares de rãs que poluíram o Egito. Desta vez, os magos também imitaram Moisés, no entanto Faraó pediu que Moisés removesse as rãs já que seus magos foram incapazes de reverter o processo.

3ª Praga, o pó do Egito se torna em piolhos que atacam o gado e os homens: Geb a divindade da terra, não pode impedir que o Deus hebreu nesta praga. Os magos não foram capazes de acompanhar este feito porque o ilusionismo não podia forjar a vida a partir de matéria inanimada. Percebendo isto, Faraó reconhece que a praga é o ‘dedo de Deus’ mas ainda não se humilha.

4ª Praga, enxames de moscas: As moscas enxameiam o Egito, mas não perturbam a terra de Gósen fazendo distinção entre o povo de Deus e os Egípcios, então Faraó ordena que eles sacrifiquem, mas dentro do próprio Egito. Moisés se recusa e pede que ele deixe o povo ir ou pragas piores virão.

5ª Praga, peste mata os rebanhos egípcios: Boi Mnévis e Hathor, importantes divindades simbolizadas pelo gado não são capazes de impedir a mortandade dos rebanhos. A devoção dos Egípcios a vários tipos de animais é bem conhecida, sendo que em muitos casos alguns destes animais eram mumificados e sepultados honrosamente, pois eram reconhecidos como encarnação do deus. Esta praga é marcada pela obstinação de Faraó em resistir à ordem de Deus. Certamente Faraó era influenciado pela casta sacerdotal que dependia do trabalho escravo para construir seus templos. Por outro lado, libertar os escravos a pedido de um Deus hebreu era reconhecer a inutilidade dos deuses egípcios e com isto admitir que os sacerdotes e o próprio Faraó considerado Sumo Sacerdote eram desnecessários. Ninguém queria perder o emprego!

6ª Praga, cinzas ao vento tornam-se úlceras nos homens e animais: Os Egípcios eram orgulhosos de sua ciência e em especial a medicina era tida como a mais avançada da época, seus médicos e magos faziam até mesmo pequenas cirurgias. Papiros antigos mostram que a medicina estava associada ao curandeirismo com rituais que negociavam com os demônios causadores de doenças. No pensamento egípcio, um mago poderoso poderia garantir até que o juízo depois da morte fosse alterado, encantando os deuses do tribunal e mudando a decisão deles. Ísis, a rainha dos deuses e uma das divindades mais populares era a deusa da magia. Esta praga aflige em especial os sacerdotes!

7ª Praga, fogo e saraiva do céu mata rebanhos e servos nos campos: Shu e Nut as divindades celestiais são impotentes diante de Jeová. Deus manda avisar Faraó que ainda o mantém vivo para que ele conheça o poder de Deus, ou seja, Deus está lhe dando oportunidades de se arrepender e aceitar a verdade. No fim da praga Faraó reconhece ser ele e os Egípcios pecadores, no entanto apesar de prometer, mais uma vez muda de ideia e não deixa o povo ir.

8ª Praga, gafanhotos devoram as plantações do Egito: A base de sua economia está aniquilada. Desta vez, aconselhado por seus servos Faraó cogita deixar o povo ir, mas apenas os homens. Deus está conduzindo os fatos para que o próprio Faraó não queira mais os Israelitas no Egito.

9ª Praga, trevas por três dias: Rá, Hórus ou Aton, sob qualquer forma o deus Sol foi completamente obscurecido por três dias. Nada podia ser mais assustador aos Egípcios, pois o Sol era a divindade principal associado ao deus Amon, como Amon Rá. Os Egípcios acreditavam que a cada noite Rá enfrentava a morte para renascer no outro dia, mas agora o Sol que eles consideravam o criador havia sumido sob o comando do Deus hebreu. Desta vez Faraó propõe que o povo vá, mas fiquem os rebanhos para garantir que voltarão, entretanto Moisés não apenas exige que o rebanho vá com o povo, mas que Faraó forneça os animais para o sacrifício. Sentindo-se insultado, Faraó perde a paciência e expulsa Moisés do palácio.

10ª Praga, morte dos primogênitos: O Faraó do Êxodo parece ter sido Amenofis II, também chamado de Amen Hotep II, nome que faz referencia ao deus Amon. Este deus Tebano era considerado o pai dos Faraós, os egípcios acreditavam que ele mesmo incorporava nos soberanos e tinha relações com a rainha gerando seus descendentes. A última humilhação dos deuses do Egito é a tomada dos primogênitos, se os Egípcios mataram os bebês hebreus 80 anos antes, se aprisionaram e escravizaram os primogênitos de Israel o Deus hebreu privaria o Egito de seus próprios primogênitos.
O juízo cai também sobre Faraó que considera seu filho um deus, assim como ele mesmo. O sucessor do trono Egípcio sucumbe ante o anjo destruidor, nem Amon, nem Ureus ou qualquer divindade pode protegê-lo. Naquela noite, Egípcios ou Israelitas sucumbiram por não passarem o sangue do cordeiro
nas ombreiras da porta de suas casas. Todos, Israelitas ou Egípcios que não confiaram na promessa e não entraram em aliança com Deus não puderam alcançar a vida por suas próprias obras. Não morreram porque Deus é cruel e quis matar os primogênitos. Morreram porque escolheram escravizar o povo santo de Deus em obediência a falsos deuses desmascarados nas nove pragas anteriores. Morreram porque o juízo os visitou e eles haviam recusado o símbolo de Cristo, o cordeiro que intercederia por eles e lhes salvaria a vida no juízo final.
O estudo das dez pragas no antigo Egito é uma séria advertência a todos os que vivem nos momentos proféticos finais do livro de Apocalipse que menciona sete pragas antes da volta de Jesus. Pragas que libertam seu povo, oprimidos pelos que servem a Besta e o Falso Profeta. O braço poderoso de Deus é longânime, mas liberta seu povo com poder e grandes livramentos!

por Pr. Ericson Danese

terça-feira, 1 de novembro de 2011

A fúria do inimigo de Moisés

Quando faraó soube disso, procurou matar Moisés, mas este fugiu e foi morar na terra de Midiã” Êxodo 2:15
Quando Tutmés III [foto ao lado] cresceu teve que aturar uma co-regência a sombra de sua madrasta [ver postagem anterior]. Este período foi de obras colossais que justificam perfeitamente a mão de obra escrava. Senemut foi o arquiteto de Hatshepsut, e depois vizir, sendo que alegam que ele foi amante da rainha que nunca se casou após a morte de Tutmés II. Construiu o templo da rainha em Deir el-Bahri no vale dos reis, um túmulo colossal onde muitos outros reis e nobres foram sepultados. Foi auxiliado pelo arquiteto Ineni e nesse tempo onde os deuses de Tebas ganharam status nacional, sendo o principal centro de culto em Karnak, um suntuoso templo do Novo Império onde se adorava a tríade Amon, Mut e Khonsu.
Hatshepsut morreu aos 37 anos e finalmente Tutmés III dominou completamente o Egito. Tutmés III tentou banir a memória de sua madrasta através da destruição de suas estátuas, apagando seu nome de murais públicos. O estranho é que isto foi somente alguns anos depois da morte dela e não de imediato, o que nos leva a crer que o estopim do problema pode ter sido Moisés e não a rainha em si. Se ele fez isso com uma rainha morta sepultada com honras de faraó, parece-nos óbvio que ele tenha tido o cuidado de destruir qualquer lembrança ao herdeiro de direito, Moisés o filho adotivo de Hatshepsut.
No túmulo de Rekhmire, um vizir de Tutmés III, vemos pinturas de cenas onde escravos semitas (hebreus com certeza) fazem tijolos sob a opressão de capatazes egípcios que os tratam com rigor usando varas e chicotes. No templo de Karnak o próprio faraó Tutmés III é mostrado espancando um escravo sírio-palestino (hebreu) e o levantando pelos cabelos em sinal de humilhação . Cenas assim revoltaram Moisés ao ponto que matou um feitor egípcio para livrar um hebreu. Crime que dado este contexto era uma afronta e rebelião contra o faraó, punível com morte e motivo ideal para acabar com a imunidade familiar de Moisés eliminando-o de uma vez por todas. Obviamente, Tutmés III foi o faraó que procurou matar Moisés e neste período que Moisés abandonou o palácio e refugiou-se no deserto!

Tutmés III levou o Egito à expansão de domínios através de suas poderosas campanhas militares, ele foi antes de tudo um Faraó guerreiro! Do Sudão aos limites do Eufrates ele venceu todos os seus rivais, como se estivesse procurando um inimigo específico pelos desertos! Tutmés III enriqueceu seu reino com impostos das nações vassalas e chegou educar jovens estrangeiros em sua coorte para enviá-los como governantes no estrangeiro. Com o ouro estrangeiro financiou grandes obras pelo país todo, especialmente nos templos de Rá em Heliópolis e de Amon em Karnak. Além de Faraó construtor, tornou-se muito popular no campo da religião. Ele infiltrou amigos seus como Sumo Sacerdotes de Amon e constituiu mitos e estórias que o relacionavam com a divindade popular dos Tebanos.
O medo de Tutmés III pelo possível reclame do trono do afiliado de Hatshepsut, seu ódio por Moisés e os hebreus o fizeram construir uma mitologia no qual ele, Tutmés III, era o instrumento do deus nacional Amon. Na Estela da Vitória de Tutmósis III (c. 1479 a 1425 a.C.), atualmente no Museu do Cairo, podemos ler as determinações do deus:

Resolvi ordenar a ti que esmagues os príncipes da Palestina;
Fiz que se prostrassem aos teus pés por todos os recantos de seus países.
Ordeno-lhes que contemplem tua majestade de Senhor do Esplendor, o teu brilho em suas faces são como imagens minhas.
Talvez Tutmés III desconfiasse que a Palestina, terra natal dos ancestrais de Moisés fosse o seu esconderijo e temesse que Moisés estivesse por lá organizando um exército para tomar o Egito. Mal sabia ele, que Moisés estava escondido ‘debaixo de seu nariz’ no deserto do Sinai vivendo como humilde pastor de ovelhas entre uma tribo Midianita! Moisés havia trocado o palácio pelo deserto, agora estava na escola certa!

Por Pr. Ericson Danese

Bíbliografia: Ver postagens anteriores da temática Civilização Egípcia Revelada

A princesa do Egito

Pela fé Moisés, sendo já grande, recusou ser chamado filho da filha de Faraó, Escolhendo antes ser maltratado com o povo de Deus, do que por um pouco de tempo ter o gozo do pecado; tendo por maiores riquezas o vitupério de Cristo do que os tesouros do Egito; porque tinha em vista a recompensa.” Hebreus 11:24-26

Reclusos em Tebas devido à invasão dos Hicsos, os nobres e sacerdotes Egípcios se revoltaram contra os invasores Hicsos e finalmente sob o comando de Amose venceram e expulsaram os governantes estrangeiros. É evidente que qualquer semita deste período, foi considerado um inimigo e se não foi expulso foi escravizado! Eis o que a Bíblia chama de ‘faraó que não conhecera José’ (Êx 1:8), pois começava a XVIII dinastia e os Egípcios temiam os hebreus porque tinham afinidades linguísticas e geográficas com seus inimigos (Êx 1:10). Como os Hebreus não eram necessariamente os governantes invasores, eles não foram combatidos, mas assimilados como escravos para a necessidade de mão de obra na reconstrução do novo império.

O sucessor de Amose, Amenotepe I não deixou sucessor homem, assim um guerreiro de origem incerta tornou-se o próximo faraó. Tutmés I que reforçou militarmente o Egito, pode ter sido o faraó que temeu o crescimento do número de Hebreus homens e lembrando-se da experiência traumática com os Hicsos que chegaram, cresceram e dominara. Como prevenção, ele mandou matar os bebês hebreus com medo que algo parecido voltasse a ocorrer (Êx. 1:22).

Tutmés I e sua esposa Amose Nefretari foram os pais da princesa Hatshepsut. O filho de Tutmés I com a concubina Mutnoeferet, foi Tutmés II, casado com sua meia irmã Hatshepsut com quem teve uma menina chamada Neferure. Mas eles não tiveram um filho homem, de forma que parece plausível que esta tenha sido a mãe adotiva de Moisés, o que faria do filho da escrava hebreia Joquebede o herdeiro direto do trono do Egito. Tutmés II teve um reinado muito rápido, mas antes de morrer deixou de sua concubina Ísis, um filho homem chamado Tutmés III, nomeado como seu sucessor. Sendo que Moisés era o filho de Hatshepsut a filha de faraó com a rainha mãe, por que ele não foi o herdeiro do trono?

Moisés é um nome Egípcio que quer dizer ‘nascido de’, o que parece estranho por que é como se o nome estivesse incompleto. Os eruditos reconhecem que era costume os egípcios colocarem nomes assim homenageando os seus deuses, por exemplo:

Ramose [Ransés] que significa ‘Rá, o deus Sol nasceu’;

Tuthmose [Tutmés] que significa ‘Thot, deus da Lua nasceu’.

Conforme o Dr. Rodrigo Silva cita o Dr. Schwantes, esta omissão do nome de uma divindade no nome de Moisés pode ter se dado por ter renunciado a idolatria Egípcia, recusando-se a ser chamado filho da filha de faraó. Talvez, em origem ele seria um Tutmose ou mais provável, Itrumose ou Hapimose ‘nascido de Hapi’ em homenagem ao deus do rio Nilo, onde ele havia sido encontrado como um milagre. Hebraisando, o termo se tornou Moisés ‘tirado das águas’.

“Moisés foi instruído em toda a ciência dos egípcios; e era poderoso em suas palavras e obras”, Atos 7:22. Por certo Moisés desfrutou da cultura e ciência que as escolas e escribas lhe poderiam oferecer. Sendo preparado para ser um nobre e provavelmente o próximo faraó ele encontrou seu maior desafio na idolatria egípcia que era a própria base da autoridade faraônica. O faraó era o filho dos deuses e o primeiro entre os sacerdotes. Como ascendente ao trono ele deveria prestar honra aos deuses e foi isto que causou sua ruptura com sua família adotiva.

Podemos imaginar as intrigas e rivalidades palacianas que podem ter ocorrido quando Moisés recusou ser chamado filho da filha de Faraó. Por certo, Tutmés III, filho de Tutmés II com uma concubina e irmão de criação de Moisés, sempre viu Moisés como um obstáculo e concorrente ao trono. Mas a despeito da decepção religiosa de Hatshepstut com seu filho adotivo, ela não estava disposta a deixar seu enteado assumir o trono tão facilmente.

Após a morte prematura de seu marido Tutmés II, ela subornou os sacerdotes de Tebas e assumiu o trono primeiro como tutora de seu sobrinho e enteado Tutmés III, na época muito novo para governar e a seguir com apoio do arquiteto real Senemut, do sacerdote de Amon, Hapuseneb, do escriba real Senemiah e do vizir Ahmés ela se proclamou Faraó, ficando no cargo por 22 anos. A princesa Faraó [foto ao lado] tomou medidas para legitimar seu poder, elaborando um mito no qual ela era filha direta do deus Amon, que havia tomado a forma do Faraó Tutmés I e ao unir-se com sua mãe, a concebera para que ela fosse a Faraó do Egito.

Certamente foi o reinado de sua mãe adotiva que possibilitou Moisés conviver no palácio e estudar até os 40 anos sem envolver-se na idolatria e ser condenado por sua omissão religiosa. Durante este tempo, Moisés que fora educado até os 12 anos por sua mãe hebreia sonhava em libertar seu povo. Ele convivia no palácio como um hóspede indesejado, protegido por Hatshetsut, mas visto como uma ameaça pelos demais nobres! Intocável, porém visível, Moisés era uma constante repreensão contra a idolatria e tirania.

Por Pr. Ericson Danese

Bibliografia: Ver postagem anterior.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

O Sonhador de Esperança!

Mas Deus me enviou à frente de vocês para lhes preservar um remanescente nesta terra e para salvar-lhes a vida com grande livramento. Assim, não foram vocês que me mandaram para cá, mas sim o próprio Deus. Ele me tornou ministro do faraó, e me fez administrador de todo o palácio e governador de todo o Egito”.
Gn. 45:7-8

De acordo com I Reis 6:1, o templo de Salomão foi iniciado no quarto ano de seu reinado, mencionado como 480 depois do Êxodo, então o Êxodo teria ocorrido em meados de 1445 a.C no reinado do Faraó Amenotepe II (1447-1421 a.C). Levando esta cronologia em conta, José teria chegado ao Egito entre o fim da XII dinastia e a chegada dos invasores semitas que chamamos de Hicsos. Conheceremos agora brevemente como Deus guiou a história das nações, desenvolvendo o antigo Egito para que este servisse de refúgio do povo de Deus, enquanto a fome varria Canaã (Gn. 45:6-7) e os Cananeus recebiam 400 anos de prazo para poderem arrepender-se dos seus pecados antes que Israel tomasse sua terra (Gn. 15:12-16).

No primeiro período da história do Egito os descendentes de Mizraim estavam divididos em alto e baixo Egito, as culturas usavam tecnologias diversas chegando a ferramentaria com cobre e o surgimento dos primeiros hieróglifos. No segundo período chamado ‘arcaico’ ocorreu a unificação do reino surgindo a I e II dinastias. Os túmulos mastabas em Abidos e Saqqara precedem as pirâmides que iriam requerer muito mais população e recursos, desenvolveu-se a escultura, irrigação organizada, governo centralizado e o famoso culto de Rá o deus Sol Egípcio.

No chamado reino antigo, datado entre 2778-2423 a.C, III a VI dinastias é o período das famosas pirâmides e faraós como Djoser, Quéops, Quéfrem e Miquerinos. O Egito era rico e culturalmente muito avançado. É época das esfinges, do culto Faraônico e de amplo comércio com a região de Canaã, o que pode ter atraído um nômade ilustre chamado Abraão que passou por lá nesta época abrigando-se de uma seca em Canaã (Gn. 12:10-20). Provavelmente nesta visita ao Egito Abraão levou em sua caravana uma serva egípcia chamada Hagar, que se tornaria mãe de seu filho Ismael, o príncipe que deu origem a todos os árabes. Mais tarde, seu bisneto pela linhagem de sua esposa Sara, José, será o governante desta terra, abaixo de faraó.

O orgulho Egípcio em suas monumentais pirâmides levou a nação à falência. Nas dinastias VII e X o poder dos Faraós se enfraqueceu voltando a expressar força com XI e XII dinastias quando Faraó Amenemete III que através de irrigação, começou a cultivar a terra em grande escala. Isto pode ter coincidido com o período em que José chegou ao Egito, ou um pouco antes da chegada dele. Esta dinastia terminou com uma rainha e então invasores asiáticos tomaram o poder.

Os Egípcios os chamaram de Kihau Khasut (governantes estrangeiros) e nós os denominamos Hicsos. Eram invasores semitas que chegaram a assimilar aspectos da cultura egípcia e tornaram-se os faraós das dinastias XIII a XVII. O debate é grande se José teria chegado antes ou depois deles, aparentemente haveria razões para crer em ambas as hipóteses, mas o período hicso pode ter sido bom para os hebreus que falavam línguas similares a eles e também eram estrangeiros de Canaã.

Os Hicsos foram atraídos pela prosperidade do vale do Nilo, mas sua força era superior, pois trouxeram os cavalos, carros de guerra, armaduras e arcos elaborados. A aculturação com o Egito e adoção de deuses Egípcios pode explicar porque faraó seguia publicamente o costume Egípcio de repudiar criadores de ovelhas, quando na verdade, ao encontrar-se com Jacó e perguntar sua profissão o tratou com muito respeito (Gn. 47:1-12) já que um faraó semita não teria problema com tais costumes.

O texto Bíblico do final da história de José diz que ele tinha carruagens (Gn. 15:19-27), o que reflete claramente que os Hicsos já estavam no Egito, pois o cavalo e as carruagens não eram usadas ali antes deles. A arqueologia moderna tem demonstrado que a presença de semitas no Egito foi muito comum no tempo de José. Em uma tumba em Beni Hassan, há uma pintura de caravanas semitas, homens vestidos de túnicas coloridas como a que José ganhou de seus pais, indo comprar mantimentos. A literatura e cultura Egípcia estão repletas de costumes e circunstâncias como as indicadas na história de José tais como copeiro e padeiro chefe, vacas magras e vacas gordas para simbolizar períodos de prosperidade e adversidade e muitos outros fatos.

O Egito foi um refúgio para os Hebreus! Na antiga Avaris capital durante o reinado Hicso, há um bairro asiático em terras onde viviam criadores de ovelhas. Lá havia um túmulo com uma estátua amarela de um semita com um cetro, indicando que era um vizir ou primeiro ministro do Faraó. O arqueólogo Dr. Rodrigo Silva pondera se este não seria José? . Por certo José foi mumificado e honrado pelos egípcios (Gn. 50:26)!

José é um drama com final feliz tremendamente real, onde podemos ao longo dos muitos anos desta narrativa, entender porque Deus permite certas adversidades na vida de uma pessoa ou de um povo. Ainda depois de séculos, a história de José continua ensinar como o perdão pode ser restaurador e fé apesar das circunstâncias ruins, pode mostra-nos que Deus tem planos bons para todos nós. Ao contemplar em seus sonhos o cuidado de Deus por sua família, José trouxe a todos nós esperança!

por Pr. Ericson Danese

Fontes:
Gleason L. Archer, Jr. Merece confiança o Antigo Testamento?. Vida Nova
Rodrigo Silva, Escavando a Verdade. Casa Publicadora Brasileira
R. N. Champlin, Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia. Hagnos
Rubens Aguilar, 'Arqueologia' em notas de sala de aula de Ericson Danese
Samuel J. Schulz. A história de Israel. Vida Nova

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Quem foi Osíris?

“Portanto assim diz o Senhor DEUS: Eis que eu estou contra Faraó, rei do Egito, e quebrarei os seus braços, assim o forte como o que está quebrado, e farei cair da sua mão a espada. E espalharei os egípcios entre as nações, e os dispersarei pelas terras.”
Ezequiel 30:22-23

Os Faraós necessitavam de uma mitologia que garantisse para sua família o direito de governar, para isto desenvolveram uma religião centrada na morte. Este é o mito de Osíris que se funde com outros mitos semelhantes morte e ressurreição como os do Baal Cananeu ou Tamuz Babilônico. Diferente da história de Jesus, o Filho de Deus que morre e ressuscita, Osíris é o pai que morre e é ressuscitado por sua esposa para darem origem a um filho. Nos primórdios do Egito, Osíris era um mito da fertilidade na região do delta do Nilo, mas o mito servia muito melhor para dar crédito à sucessão matriarcal Faraônica e dar esperança de vida além da morte ao povo comum.

No mito, Osíris é o rei do Egito que ensinou o povo a plantar e criar animais, seu irmão Seth o senhor do deserto que representa o mal, conspira com ajuda de 72 traidores e esquarteja o corpo de Osíris em 14 pedaços que são novamente reunidos por sua irmã e esposa Ísis com a ajuda de Anúbis, o filho bastardo de Osíris com Neftis, irmã e amante de Osíris e esposa e irmã de Seth. Ísis e Anúbis mumificam Osíris fazendo dele a primeira múmia. A seguir Ísis transformada numa ave voa sobre a múmia que ressuscita apenas por tempo o bastante para com Ísis terem um filho chamado Hórus, o deus falcão que vingará sua morte. Osíris vai para o reino dos mortos onde se torna o juiz dos mortos, enquanto Hórus depois de crescer luta com Seth e o vence para assumir o Egito.

Alguns Egiptólogos apontam que o mito de Osíris seja uma tradição baseada na história real de nômades que se estabeleceram no delta do Nilo no período pré dinástico, entretanto, este autor pensa que não apenas isto é verdade como a formação do mito é mais profunda ainda, acumulando histórias anteriores e estórias posteriores, pois um mito costuma associar outros mitos.

Deixando de lado o aspecto fantasioso do mito, podemos ter várias hipóteses e interpretações quando comparamos os mitos da Babilônia, Canaã e Egito com a história Bíblica da Torre de Babel. Vamos há alguns detalhes:


1) Osíris é retratado como um faraó defunto que usa a coroa do baixo Nilo, seu corpo está mumificado e sua pele é de cor cadavérica. Sua esposa Ísis é retratada como uma mulher que carrega coroa o trono, símbolo da sucessão faraônica. Seu filho Hórus é retratado como um menino ou um falcão. Isto indica que são pessoas reais que passaram pelo drama da morte, deixando uma rainha que teve que defender seu direito através de um sucessor.

2) O mito se passa entre irmãos incestuosos e adúlteros, algo muito comum na família real do Egito e das culturas patriarcais. Não seriam personagens reais tentando disputar o poder de governar o povo?

3) A luta entre os irmãos Osíris e Seth nos lembra dum tempo em que a população da terra era diminuta. A Bíblia fala que houve um tempo em que duas famílias descendentes de Adão estavam divididas, os filhos de Set e os filhos de Cain. Não seria Seth uma versão da história pelos apostados filhos de Cain?

E se um rei ancestral dos Egípcios, um descendente de Cão o filho rebelde de Noé tivesse conhecimento das profecias Messiânicas e tentasse se declarar este Messias e o bem feitor e libertador da humanidade? Se fosse ele um dos administradores da primordial civilização, ao ponto que sua liderança o elevou a rei e semideus?

E se este rei desejasse perpetuar sua existência além da morte e com isto criasse um sistema religioso no qual o homem tentasse por si mesmo chegar a Babel, a ‘porta do céu’? Talvez o homem pudesse alcançar a morada dos deuses e a vida eterna?

E se esta civilização erguesse a primeira pirâmide com esta ideia, mas tivesse seus planos frustrados e terminados em carnificina que talvez tenha custado à vida deste rei?

Numa situação dessas, sua rainha e sacerdotisa teria que tentar manter seu poder. Quem sabe, ela poderia conceber um filho de alguém e dizer que o marido ressuscitou e lhe deu um filho que era a reencarnação do próprio rei? Mas se a linguagem fosse confundida, seus servos se dispersariam espalhando versões diferentes desta mesma história até que com o tempo, se tornariam os mitos que conhecemos sobre ‘mãe e menino’ e um deus que vence a morte.
Embora estas hipóteses possam parecer altamente especulativas, elas têm grande índice de comprovação por ser o elemento comum de todas as religiões pagãs no Mediterrâneo, Turquia, África e Oriente Médio. Se admitirmos que Osíris, Baal, Hércules, Gilgamesh, Tamuz e outros mitos tem uma origem comum com fundo histórico, este raciocínio nos conduz para a Torre de Babel e a história do Ninrode relatada na Bíblia.

Outra evidência é o fato de que muito da mitologia Egípcia parece ser uma alternativa às verdades contidas na Bíblia e reveladas a Adão. Por exemplo:

Para Adão foi dito que graças ao pecado, ele era pó e ao pó voltaria na morte, estando inconsciente até que a ressurreição lhe desse o direito de encontrar-se com o Criador para receber o resultado do seu juízo, morrendo para sempre ou ressuscitando para eternidade. Para os Egípcios que acreditavam na vida após a morte na independência da alma, estranhamente eles precisavam conservar o corpo e por isto mumificavam cuidadosamente o defunto. É como se eles se recusassem a morrer e voltara ao pó.

Por que precisariam do corpo após a morte se para eles a alma era independente? Porque estava tentando quebrar a maldição da morte ao impedir que o corpo virasse pó. Lutavam contra a sentença do Deus de Adão e por isso criaram um deus mais conveniente para seu modo de vida.

Enquanto Adão aprendeu que deveria confiar que no futuro viria um Salvador mais justo do que ele para morrer uma morte inocente em seu lugar e interceder por ele no tribunal de Deus, o Egípcio aprendia que deveria comparecer no tribunal de Osíris e pesar seu coração confiando em seus atos de justiça. Sob tais circunstâncias, qualquer pessoa faria tudo o que o Faraó considerasse justo ou mandasse fazer para tentar compensar sua consciência pesada. Assim paga-se impostos, ofertas, constrói-se templos e lutam-se as guerras do Faraó.
Os museus de hoje contem múmias de 3000 anos de faraós poderosos em seu tempo. No entanto, pelo mais que eles tentaram perpetuar sua riqueza, seus tesouros foram roubados, por mais que tentaram perpetuar seus reinos eles foram vencidos, pelo mais que tentaram perpetuar o poder de sua família eles foram esquecidos. Os Faraós não viraram pó, mas seu cadáver inerte é um testemunho de que não há como burlar a sentença de um Deus vivo!

por Pr. Ericson Danese

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Sob o olho de Rá

“Respondeu Faraó: Quem é o Senhor para que lhe ouça eu a voz e deixe ir a Israel? Não conheço o Senhor, nem tampouco deixarei ir Israel” Êxodo 5:2
Caso Faraó reconhecesse o Deus bíblico que reclama ser o Criador de toda humanidade teria que imediatamente abandonar toda autoridade faraônica baseada numa religião criada por seus ancestrais para dominar as multidões.
Qual a diferença entre a religião verdadeira e a idolatria? Como um sistema religioso pode enganar o povo?

Os mitos de origem são idealizados para esquecer origem Adamica do ser humano. A memória ancestral é alterada e o Criador sai de cena e as próprias forças naturais como o céu e a terra ganham personalidade. A cosmogonia Egípcia antecipa a teoria da evolução, nela a matéria se forma por si mesma no interior do oceano escuro, o Nun. Lá havia um demiurgo inconsciente, assim chamado porque diferente do Criador judaico/cristão, ele surge da matéria primordial para então criar a luz, a terra e os deuses em forma de forças naturais. Este demiurgo em Mênfis é Ptah e em Heliópolis é Rá, o Sol. O culto solar vai se tornar mais popular em todo Egito e associado com outras divindades como Amon, Atum, Osíris e Hórus.

Quando alguém se tornava muito popular, isto era utilizado por seus sucessores para dominar o povo e este indivíduo canonizado ou divinizado era adorado depois de sua morte. O Faraó Djoser da III dinastia tinha como conselheiro um vizir chamado Imhotep, que além de médico, sacerdote, escultor e administrador foi o arquiteto da primeira pirâmide egípcia. Tais habilidades fizeram de Imhotep um deus em Mênfis, lugar da adoração de Ptah um deus criador representado por uma múmia e protetor dos escultores. Não seria Ptah o próprio Imhotep? Não é difícil que isto tenha ocorrido com reis, rainhas e ancestrais tribais dos primeiros Egípcios dando origem a deuses como Amon, Osíris e outros.

Havia ainda Khnum um homem com cabeça de carneiro que controlava o fluxo do Nilo e modelava o ser humano na sua roda de oleiro. Estes mitos revelam a ancestralidade comum dos egípcios com todos os povos, antes da dispersão de Babel.

Outra forma de construção do panteão foi o contato com o ocultismo, onde espíritos de demônios os enganaram e fizeram se passar por deuses. Muitas das divindades egípcias são claramente formas angélicas, ou anjos caídos. Ísis, Maat, Hator, Hórus são todos seres alados que lembram anjos. A divindade lunar com cabeça de Íbis Toth é um ser que lembra algumas funções dos anjos judaico/cristãos, pois ele é um escriba, um relator no juízo e senhor da sabedoria, lembrando a serpente Bíblica que promete ciência a Adao e Eva. Mas para eles, a serpente é muito importante!

Apófis ou Apep era a serpente do mundo dos mortos que lutava com Rá durante a noite, mas em geral, a naja era representada na coroa dos Faraós como um símbolo divino. Já as forças do caos e do mal eram representadas por Seth, um ser que lembrava um homem com cabeça de asno.

Culto a animais, ou a representações hibridas nasceu quando os egípcios contemplaram nos animais algumas características que admiravam ou buscavam para descrever seus deuses, assim ser funerário Anubis está associado ao chacal, um carniceiro, Sobek é crocodilo e óbvio senhor do Nilo e Sekhmet uma leoa é a deusa da guerra. Toda simbologia e hieróglifos egípcios eram e são até hoje por demais atrativos, despertando a curiosidade e identificação das pessoas. Veja que até hoje estes símbolos estão presentes em sociedades secretas, tatuagens e na cultura pop. Esses símbolos visualizam o mistério do qual o homem gosta de se sentir mais sábio do que os outros por saber algo que nem todos sabem. Esta é a grande isca do ocultismo para dominar as pessoas num segredo que na verdade não é segredo!

Venerada em diversas culturas a vaca era um dos animais mais importantes aos povos do passado, graças aos vários recursos e serviços que fornecia, entre eles seu leite logo foi identificado com a maternidade e as mulheres a adoraram com o nome de Hator. No Egito antigo, as mulheres desfrutavam de maior relevância social que outras culturas patriarcais e o culto de Hator era associado ao amor e a fertilidade, a tal ponto que o culto foi exportado para outras nações. Representada de muitas maneiras, ela as vezes era uma mulher com chifres de vaca e disco solar, outras vezes era vista saindo do meio de uma árvore e servindo o primeiro casal Faraó. Imagem que nos lembra-nos outra árvore e outro casal ancestral!
No templo de Hator em Dendera, há um disco das constelações do zodíaco, sendo que a própria Hator era associada à Via Láctea. Nele se vê outra cena que relembra as histórias bíblicas relatada nas constelações. Órion, ou Osíris combate seres angélicos, monstros e touros alados enquanto é acompanhado por seus exércitos e tem a serpente debaixo de seus pés.

A astrologia é a forma final de divinização dos Egípcios, eles não a inventaram, trouxeram de Babel, onde a astronomia era importante para previsões climáticas e agrícolas, onde logo a ciência deu lugar à superstição uma vez que não reconheciam um Deus fora da criação. De fato, esta ciência meteorológica e os calendários foram vitais para a civilização que dependia do Nilo e suas enchentes, mas quem podia prever fenômenos climáticos inexplicáveis para época, bem que podia se dizer mágico ou divino. No Egito, constelações estariam alinhadas as pirâmides e templos, formando o caminho aos deuses. A própria pirâmide, tal como a torre de Babel era uma maneira de alcançar o céu e o divino.

De todos os astros e formas divinizadas a de maior influencia foi o culto ao Sol, Rá. Para eles, toda noite Rá fazia sua viagem pelo mundo dos mortos e ressurgia para ser rolado pelo céu como uma bola de esterco, pelo deus escaravelho, assim como fazem os escaravelhos nas savanas e desertos da África com os dejetos dos animais. Acredite se quiser, este era o deus máximo deles, visto como disco Rá, ou como o amado Atom do faraó Akenathom que infligiu praticamente um monoteísmo ao Sol, talvez consequência da humilhação histórica dos demais deuses durante o Êxodo.
Diz a Bíblia: “E mudaram a glória do Deus incorruptível em semelhança da imagem de homem corruptível, e de aves, e de quadrúpedes, e de répteis. Por isso também Deus os entregou às concupiscências de seus corações, à imundícia, para desonrarem seus corpos entre si; Pois mudaram a verdade de Deus em mentira, e honraram e serviram mais a criatura do que o Criador, que é bendito eternamente. Amém”. Romanos 1:23-25

Entre suas muitas formas, o culto ao Sol é sempre lembrado pelo popular Hórus, misturado com Rá, o falcão que tinha seu olho como sendo o Sol. Eles acreditavam que seus negócios e plantações estavam sob o olho de Rá. O olho de Rá dentro da pirâmide é o símbolo de uma famosa sociedade secreta moderna, e aparece na nota de dólar, este símbolo que modernamente é identificado por seus usuários como o olho de ‘deus’ sob os negócios humanos continua a despertar curiosidade assim como no antigo Egito as religiões de mistérios seduziam o povo com sua simbologia enquanto uma pequena elite comandava os rumos sociais.

As profecias Apocalipse 13 são claras de que não haveria um grupo secreto dirigindo o mundo apóstata no tempo do fim, e sim, um sistema religioso criado para fascinar as pessoas com seus símbolos, rituais e imagens. Eles teriam um chefe de estado e líder religioso que faria aliança com outro poder, uma nação com força suficiente para obrigar as pessoas a adorarem este primeiro poder. Nos EUA, contemplamos a bênção da lei da liberdade religiosa que possibilitou o surgimento de movimentos religiosos e do livre estudo da Bíblia graças à separação entre o estado e a igreja, entretanto a própria nota de dólar e seus símbolos de ocultismo, religião e mistérios, parecem demonstrar que esta liberdade é tênue e frágil!

por Pr. Ericson Danese

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Os filhos de Mizraim e a mitra divina

“E os filhos de Cão são: Cuxe, Mizraim, Pute e Canaã ... E Mizraim gerou a Ludim, a Anamim, a Leabim, a Naftuim,” Gênesis 10:6 e 13
A maior parte dos comentaristas e linguístas Bíblicos concorda que este neto de Noé tornou-se o pai do povo Egípcio. A maior parte dos filhos de Mizraim eram em sua maioria caçadores e coletores distribuidos pelo Saara luxuriante até algum tempo depois do Dilúvio, mas logo o clima começou a mudar. No hemisfério norte os glaciares avançaram, este gelo absorveu a umidade do planeta e levou o Saara a desertificação, obrigando as tribos a atravessar savanas e selvas, dando origem a muitas etnias Africanas. Certamente já não era tão pequena sua população, muitos dos quais não estavam dispostos a se lançar ao centro e sul da África selvagem.

Estes agricultores se estabeleceram no vale do Nilo e entre eles estavam alguns dos construtores de Babel, ou pelo menos seus descendentes, que ainda portavam os misteriosos conhecimentos de engenharia, astronomia e agricultura. Passando de geração em geração alguns conhecimentos se perderam, outros foram mudados e outros melhorados e assim, atraíram as pessoas através da segurança e conforto da civilização.

As culturas saarianas e proto egípcias mostram tecnologia desde idade da pedra até a cultura neolítica. A escultura e os relevos deste tempo lembra muito a dos Sumérios, com figuras de olhos grandes evidenciando sua origem comum em Babel. Em seus primeiros tempos, vemos a mesma técnica de fazer tijolos de barro.

Assim nasceram as primeiras cidades no vale do Egito, de início, em dois reinos no alto e no baixo Nilo, representados por mitras de cores diferentes que eram usadas por seus soberanos. Segundo a tradição, o rei do alto Egito Menés unificou os dois reinos e iniciou a primeira dinastia, a adoração aos deuses e grandes construções. Este personagem descrito pelos historiadores do tempo de Ptolomeu é identificado por alguns com o Faraó Narner, devido a uma paleta em que este é mostrado usando as insígnias do alto e baixo Egito, nas mitras que combinam o vermelho e branco.

Acredita-se que seus antecessores do alto Egito estivessem ligados a registros do lendário Escorpião Rei, nome dado pelo menos a duas pessoas que lideraram o alto Egito. Em um relevo, o Escorpião rei aparece segurando o arado e usando a coroa. Seria um símbolo de que foi este o líder que abriu os primeiros canais do Nilo e formou as primeiras plantações?

Esta é a verdadeira origem dos Faraós, homens que tinham força e conhecimentos privilegiados numa época de barbarie. Ao seu lado estavam seus familiares e achegados, que haviam participado do projeto em Babel e traziam as religiões misteriosas e os conhecimentos científicos, eles se tornaram a primeira casta sacerdotal e criaram as mitologias para controlar o povo através da religião.

Neste governo dos ‘deuses’, o Faraó era o enviando celestial e por isso, sua linhagem divina deveria ser justificada, daí, termos tantos deuses e até linhagens de soberanos que talvez sejam mais lendas do que realidade. Os Faraós eram protegidos e filhos do deus Amon, depois associado ao Sol, Amon-Rá o ser autocriado e rei dos deuses. Mesmo o venerado Osíris, senhor dos mortos era considerado o primeiro Faraó.

Faraó era o rei, sacerdote e deus encarnado, então já não havia limites para os tiranos, afinal, quando os gananciosos têm poder nem fazem questão de terem razão! A fórmula do sacerdote infalível e estadista absluto seriam usadas pelo anti Cristo e a maioria dos tiranos, de Roma, passando pela igreja Medieval Européia até o fim dos tempos (Ap. 12 e 13). Os faraós continuam entre nós, infalíveis, de mitra e tudo dizendo-se mediadores entre o Céu e a Terra, com seus deuses lotando as paredes dos templos e um obelisco egipcio bem ao centro da praça de seu principal palácio!
Tal como no Egito, Faraó foi ferido por dez pragas terríveis (Êx. 7:1-6) e por fim, ele próprio e sua família foram vítimas da praga para que o mundo todo soubesse que ele não era verdadeiramente divino, o livro de Apocalipse anuncia que sete pragas caíram sobre o Anti Cristo e seus adoradores (Ap. 15-16), de modo que eles serão desmascarados e aniquilados por terem enganado o mundo e os afrontado contra o Deus verdadeiro.

Por Pr. Ericson Danese

domingo, 9 de outubro de 2011

Cometa tem água similar aos oceanos da Terra

Redação do Site Inovação Tecnológica - 06/10/2011
Observações do cometa Hartley 2 pelo telescópio espacial Herschel deram novas pistas que reforçam a teoria de que os cometas abasteceram uma parcela significativa dos oceanos da Terra.

Origem dos oceanos

Os cientistas acreditam que os oceanos da Terra se formaram cerca de 8 milhões de anos depois que o próprio planeta [sic].
Não existe nenhuma teoria para explicar a origem da água, surgindo espontaneamente na Terra nascente [sic].
Por isso os cientistas têm estado mais confortáveis com a ideia de que a água dos oceanos tenha sido trazida de algum outro lugar, a bordo de cometas - embora ninguém nunca tenha sugerido a fonte dessa água ou mesmo tenha calculado quantos cometas tenham que ter caído aqui para trazer tanta água.

"A vida não existiria na Terra sem água em estado líquido, e assim, as perguntas de como e quando os oceanos vieram parar aqui é uma questão fundamental", disse Ted Bergin, da Universidade de Michigan, nos Estados Unidos. "É um grande quebra-cabeças e essas novas descobertas são uma peça importante. "

Composição química dos oceanos

Medições realizadas pelo instrumento HiFi a bordo do Herschel indicam que o gelo no cometa Hartley 2 tem a mesma composição química dos oceanos.
Ambos têm uma taxa D/H semelhante - a relação D/H é a proporção de deutério, ou hidrogênio pesado, em relação ao hidrogênio comum. Um átomo de deutério é um hidrogênio com um nêutron extra em seu núcleo.
Esta é a primeira vez que água similar à dos oceanos foi detectada em um cometa.
Outros seis cometas rastreados com o mesmo instrumento nos últimos anos apresentam uma relação D/H muito diferente dos nossos oceanos, o que significa que tais cometas não poderiam ter sido responsáveis por mais do que 10 por cento da água da Terra.
Os astrônomos supõem que o Hartley 2 tenha-se formado em uma parte diferente do Sistema Solar. Ele provavelmente se formou no Cinturão de Kuiper, que começa perto de Plutão, enquanto se acredita que os outros seis se formaram na Nuvem de Oort, uma nuvem hipotética que se acredita existir a cerca de um ano-luz do Sol.

Nota do Azimute: Cada vez mais o ‘quebra cabeças’ desenha o quadro de um dilúvio com participação de cometas e meteóros. Novas evidencias confirmam as teorias do meu professor de ciência e religião, o geólogo Naor Souza. As estruturas de impacto que vemos na Terra confirmam que no passado, bólidos gigantes provocaram tsunamis, tempestades e alteraçoes climáticas globais levando muitas espécies a extinção pela água e o planeta todo a uma reorganização climática, ecológica e geológica. Se estes objetos caíram na terra trazendo muita água, um quadro de aumento do volume da água e inundações fica cada vez mais próximo.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Reencontrando meu azimute

Escrever neste blog é uma alegria, partilhando temas sobre criacionismo. Com as demandas por trabalho e o nascimento de meu segundo filho, a correria foi tanta que entrei num lapso de silêncio literário. Mas entre os dias 30/09 e 01/11 deste ano passei por uma experiência fantástica que me motivou a voltar a escrever.


Saí de Ijuí RS onde moro e fui a Salvador Bahia, depois de 12hs de viagem entre ônibus e avião, ainda percorri mais cerca de 500km acompanhado de meu amigo, Pr. Willian o líder de jovens na Associação Bahia Central. Em nossa aventura pelo sertão baiano seguimos até a cidade de Senhor do Bonfim, onde participei como orador do Congresso da Igreja Adventista daquela cidade. Lá encontrei um ginásio com mais de mil pessoas, animadas e completamente comprometidas com a missão de evangelizar o mundo.

Conheci alguns jovens que participaram da Missão Calebe, e eu, um líder iniciante neste projeto de voluntariado pude entender porque o Calebe nasceu no interior da Bahia. Fui para pregar aos jovens Bahianos, mas aprendi:

1) Que nada é tão difícil quando se está completamente comprometido

2) Que a Missão Calebe nasceu no interior da Bahia e se espalhou pelo mundo porque talvez em nenhum outro lugar podemos encontrar gente tão disposta a sacrificar-se com tanta alegria por servir. Efeito cultural ou não, a Bahia faz jus a sua fama de receptividade e carinho.

3) Que num lugar com tantas opções do pecado como festas mundanas, idolatria e sincretismos religiosos, num lugar com muitos desafios em meio a regiões agrestes, um povo maravilhoso se levantou para brilhar, pois a graça de Deus superabunda em tais circunstâncias.

Enquanto ouvia testemunhos de jovens como Raissa que levaram mais de 80 pessoas ao batismo, eu tentava entender e aprender o segredo de seu enorme poder. Foi então, que me sentindo pequeno diante de tantos feitos poderosos deles, um dos jovens me questionou porque não tenho escrito mais neste blog. Suas palavras me transpassaram ao ouvir seu pedido:

“Pastor volte a escrever, os jovens precisam de sites e blogs como o seu. Nós estamos procurando e lendo materiais como os seus”.

Amigo leitor; às vezes achamos que pequenas coisas que fazemos não têm tanto poder ou alcance, pensamos que ninguém lê ou ninguém ouve, mas uma viagem a uma terra distante não só me trouxe novos e grandes amigos, mas transpassou meu coração com o Espírito de Deus, enviando pelos jovens da Bahia e me mostrou o valor de inundarmos a WEB com o testemunho da Verdade.

Obrigado jovens da ABaC;

Leitores deste blog avisem a todos que estou de volta, acertei meu AZIMUTE e estamos no rumo certo!