quinta-feira, 27 de outubro de 2011

O Sonhador de Esperança!

Mas Deus me enviou à frente de vocês para lhes preservar um remanescente nesta terra e para salvar-lhes a vida com grande livramento. Assim, não foram vocês que me mandaram para cá, mas sim o próprio Deus. Ele me tornou ministro do faraó, e me fez administrador de todo o palácio e governador de todo o Egito”.
Gn. 45:7-8

De acordo com I Reis 6:1, o templo de Salomão foi iniciado no quarto ano de seu reinado, mencionado como 480 depois do Êxodo, então o Êxodo teria ocorrido em meados de 1445 a.C no reinado do Faraó Amenotepe II (1447-1421 a.C). Levando esta cronologia em conta, José teria chegado ao Egito entre o fim da XII dinastia e a chegada dos invasores semitas que chamamos de Hicsos. Conheceremos agora brevemente como Deus guiou a história das nações, desenvolvendo o antigo Egito para que este servisse de refúgio do povo de Deus, enquanto a fome varria Canaã (Gn. 45:6-7) e os Cananeus recebiam 400 anos de prazo para poderem arrepender-se dos seus pecados antes que Israel tomasse sua terra (Gn. 15:12-16).

No primeiro período da história do Egito os descendentes de Mizraim estavam divididos em alto e baixo Egito, as culturas usavam tecnologias diversas chegando a ferramentaria com cobre e o surgimento dos primeiros hieróglifos. No segundo período chamado ‘arcaico’ ocorreu a unificação do reino surgindo a I e II dinastias. Os túmulos mastabas em Abidos e Saqqara precedem as pirâmides que iriam requerer muito mais população e recursos, desenvolveu-se a escultura, irrigação organizada, governo centralizado e o famoso culto de Rá o deus Sol Egípcio.

No chamado reino antigo, datado entre 2778-2423 a.C, III a VI dinastias é o período das famosas pirâmides e faraós como Djoser, Quéops, Quéfrem e Miquerinos. O Egito era rico e culturalmente muito avançado. É época das esfinges, do culto Faraônico e de amplo comércio com a região de Canaã, o que pode ter atraído um nômade ilustre chamado Abraão que passou por lá nesta época abrigando-se de uma seca em Canaã (Gn. 12:10-20). Provavelmente nesta visita ao Egito Abraão levou em sua caravana uma serva egípcia chamada Hagar, que se tornaria mãe de seu filho Ismael, o príncipe que deu origem a todos os árabes. Mais tarde, seu bisneto pela linhagem de sua esposa Sara, José, será o governante desta terra, abaixo de faraó.

O orgulho Egípcio em suas monumentais pirâmides levou a nação à falência. Nas dinastias VII e X o poder dos Faraós se enfraqueceu voltando a expressar força com XI e XII dinastias quando Faraó Amenemete III que através de irrigação, começou a cultivar a terra em grande escala. Isto pode ter coincidido com o período em que José chegou ao Egito, ou um pouco antes da chegada dele. Esta dinastia terminou com uma rainha e então invasores asiáticos tomaram o poder.

Os Egípcios os chamaram de Kihau Khasut (governantes estrangeiros) e nós os denominamos Hicsos. Eram invasores semitas que chegaram a assimilar aspectos da cultura egípcia e tornaram-se os faraós das dinastias XIII a XVII. O debate é grande se José teria chegado antes ou depois deles, aparentemente haveria razões para crer em ambas as hipóteses, mas o período hicso pode ter sido bom para os hebreus que falavam línguas similares a eles e também eram estrangeiros de Canaã.

Os Hicsos foram atraídos pela prosperidade do vale do Nilo, mas sua força era superior, pois trouxeram os cavalos, carros de guerra, armaduras e arcos elaborados. A aculturação com o Egito e adoção de deuses Egípcios pode explicar porque faraó seguia publicamente o costume Egípcio de repudiar criadores de ovelhas, quando na verdade, ao encontrar-se com Jacó e perguntar sua profissão o tratou com muito respeito (Gn. 47:1-12) já que um faraó semita não teria problema com tais costumes.

O texto Bíblico do final da história de José diz que ele tinha carruagens (Gn. 15:19-27), o que reflete claramente que os Hicsos já estavam no Egito, pois o cavalo e as carruagens não eram usadas ali antes deles. A arqueologia moderna tem demonstrado que a presença de semitas no Egito foi muito comum no tempo de José. Em uma tumba em Beni Hassan, há uma pintura de caravanas semitas, homens vestidos de túnicas coloridas como a que José ganhou de seus pais, indo comprar mantimentos. A literatura e cultura Egípcia estão repletas de costumes e circunstâncias como as indicadas na história de José tais como copeiro e padeiro chefe, vacas magras e vacas gordas para simbolizar períodos de prosperidade e adversidade e muitos outros fatos.

O Egito foi um refúgio para os Hebreus! Na antiga Avaris capital durante o reinado Hicso, há um bairro asiático em terras onde viviam criadores de ovelhas. Lá havia um túmulo com uma estátua amarela de um semita com um cetro, indicando que era um vizir ou primeiro ministro do Faraó. O arqueólogo Dr. Rodrigo Silva pondera se este não seria José? . Por certo José foi mumificado e honrado pelos egípcios (Gn. 50:26)!

José é um drama com final feliz tremendamente real, onde podemos ao longo dos muitos anos desta narrativa, entender porque Deus permite certas adversidades na vida de uma pessoa ou de um povo. Ainda depois de séculos, a história de José continua ensinar como o perdão pode ser restaurador e fé apesar das circunstâncias ruins, pode mostra-nos que Deus tem planos bons para todos nós. Ao contemplar em seus sonhos o cuidado de Deus por sua família, José trouxe a todos nós esperança!

por Pr. Ericson Danese

Fontes:
Gleason L. Archer, Jr. Merece confiança o Antigo Testamento?. Vida Nova
Rodrigo Silva, Escavando a Verdade. Casa Publicadora Brasileira
R. N. Champlin, Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia. Hagnos
Rubens Aguilar, 'Arqueologia' em notas de sala de aula de Ericson Danese
Samuel J. Schulz. A história de Israel. Vida Nova

Um comentário:

eu nesmo disse...

Belo Texto, parabéms pastor, aprendi muito com essa explanação.