segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Sob o olho de Rá

“Respondeu Faraó: Quem é o Senhor para que lhe ouça eu a voz e deixe ir a Israel? Não conheço o Senhor, nem tampouco deixarei ir Israel” Êxodo 5:2
Caso Faraó reconhecesse o Deus bíblico que reclama ser o Criador de toda humanidade teria que imediatamente abandonar toda autoridade faraônica baseada numa religião criada por seus ancestrais para dominar as multidões.
Qual a diferença entre a religião verdadeira e a idolatria? Como um sistema religioso pode enganar o povo?

Os mitos de origem são idealizados para esquecer origem Adamica do ser humano. A memória ancestral é alterada e o Criador sai de cena e as próprias forças naturais como o céu e a terra ganham personalidade. A cosmogonia Egípcia antecipa a teoria da evolução, nela a matéria se forma por si mesma no interior do oceano escuro, o Nun. Lá havia um demiurgo inconsciente, assim chamado porque diferente do Criador judaico/cristão, ele surge da matéria primordial para então criar a luz, a terra e os deuses em forma de forças naturais. Este demiurgo em Mênfis é Ptah e em Heliópolis é Rá, o Sol. O culto solar vai se tornar mais popular em todo Egito e associado com outras divindades como Amon, Atum, Osíris e Hórus.

Quando alguém se tornava muito popular, isto era utilizado por seus sucessores para dominar o povo e este indivíduo canonizado ou divinizado era adorado depois de sua morte. O Faraó Djoser da III dinastia tinha como conselheiro um vizir chamado Imhotep, que além de médico, sacerdote, escultor e administrador foi o arquiteto da primeira pirâmide egípcia. Tais habilidades fizeram de Imhotep um deus em Mênfis, lugar da adoração de Ptah um deus criador representado por uma múmia e protetor dos escultores. Não seria Ptah o próprio Imhotep? Não é difícil que isto tenha ocorrido com reis, rainhas e ancestrais tribais dos primeiros Egípcios dando origem a deuses como Amon, Osíris e outros.

Havia ainda Khnum um homem com cabeça de carneiro que controlava o fluxo do Nilo e modelava o ser humano na sua roda de oleiro. Estes mitos revelam a ancestralidade comum dos egípcios com todos os povos, antes da dispersão de Babel.

Outra forma de construção do panteão foi o contato com o ocultismo, onde espíritos de demônios os enganaram e fizeram se passar por deuses. Muitas das divindades egípcias são claramente formas angélicas, ou anjos caídos. Ísis, Maat, Hator, Hórus são todos seres alados que lembram anjos. A divindade lunar com cabeça de Íbis Toth é um ser que lembra algumas funções dos anjos judaico/cristãos, pois ele é um escriba, um relator no juízo e senhor da sabedoria, lembrando a serpente Bíblica que promete ciência a Adao e Eva. Mas para eles, a serpente é muito importante!

Apófis ou Apep era a serpente do mundo dos mortos que lutava com Rá durante a noite, mas em geral, a naja era representada na coroa dos Faraós como um símbolo divino. Já as forças do caos e do mal eram representadas por Seth, um ser que lembrava um homem com cabeça de asno.

Culto a animais, ou a representações hibridas nasceu quando os egípcios contemplaram nos animais algumas características que admiravam ou buscavam para descrever seus deuses, assim ser funerário Anubis está associado ao chacal, um carniceiro, Sobek é crocodilo e óbvio senhor do Nilo e Sekhmet uma leoa é a deusa da guerra. Toda simbologia e hieróglifos egípcios eram e são até hoje por demais atrativos, despertando a curiosidade e identificação das pessoas. Veja que até hoje estes símbolos estão presentes em sociedades secretas, tatuagens e na cultura pop. Esses símbolos visualizam o mistério do qual o homem gosta de se sentir mais sábio do que os outros por saber algo que nem todos sabem. Esta é a grande isca do ocultismo para dominar as pessoas num segredo que na verdade não é segredo!

Venerada em diversas culturas a vaca era um dos animais mais importantes aos povos do passado, graças aos vários recursos e serviços que fornecia, entre eles seu leite logo foi identificado com a maternidade e as mulheres a adoraram com o nome de Hator. No Egito antigo, as mulheres desfrutavam de maior relevância social que outras culturas patriarcais e o culto de Hator era associado ao amor e a fertilidade, a tal ponto que o culto foi exportado para outras nações. Representada de muitas maneiras, ela as vezes era uma mulher com chifres de vaca e disco solar, outras vezes era vista saindo do meio de uma árvore e servindo o primeiro casal Faraó. Imagem que nos lembra-nos outra árvore e outro casal ancestral!
No templo de Hator em Dendera, há um disco das constelações do zodíaco, sendo que a própria Hator era associada à Via Láctea. Nele se vê outra cena que relembra as histórias bíblicas relatada nas constelações. Órion, ou Osíris combate seres angélicos, monstros e touros alados enquanto é acompanhado por seus exércitos e tem a serpente debaixo de seus pés.

A astrologia é a forma final de divinização dos Egípcios, eles não a inventaram, trouxeram de Babel, onde a astronomia era importante para previsões climáticas e agrícolas, onde logo a ciência deu lugar à superstição uma vez que não reconheciam um Deus fora da criação. De fato, esta ciência meteorológica e os calendários foram vitais para a civilização que dependia do Nilo e suas enchentes, mas quem podia prever fenômenos climáticos inexplicáveis para época, bem que podia se dizer mágico ou divino. No Egito, constelações estariam alinhadas as pirâmides e templos, formando o caminho aos deuses. A própria pirâmide, tal como a torre de Babel era uma maneira de alcançar o céu e o divino.

De todos os astros e formas divinizadas a de maior influencia foi o culto ao Sol, Rá. Para eles, toda noite Rá fazia sua viagem pelo mundo dos mortos e ressurgia para ser rolado pelo céu como uma bola de esterco, pelo deus escaravelho, assim como fazem os escaravelhos nas savanas e desertos da África com os dejetos dos animais. Acredite se quiser, este era o deus máximo deles, visto como disco Rá, ou como o amado Atom do faraó Akenathom que infligiu praticamente um monoteísmo ao Sol, talvez consequência da humilhação histórica dos demais deuses durante o Êxodo.
Diz a Bíblia: “E mudaram a glória do Deus incorruptível em semelhança da imagem de homem corruptível, e de aves, e de quadrúpedes, e de répteis. Por isso também Deus os entregou às concupiscências de seus corações, à imundícia, para desonrarem seus corpos entre si; Pois mudaram a verdade de Deus em mentira, e honraram e serviram mais a criatura do que o Criador, que é bendito eternamente. Amém”. Romanos 1:23-25

Entre suas muitas formas, o culto ao Sol é sempre lembrado pelo popular Hórus, misturado com Rá, o falcão que tinha seu olho como sendo o Sol. Eles acreditavam que seus negócios e plantações estavam sob o olho de Rá. O olho de Rá dentro da pirâmide é o símbolo de uma famosa sociedade secreta moderna, e aparece na nota de dólar, este símbolo que modernamente é identificado por seus usuários como o olho de ‘deus’ sob os negócios humanos continua a despertar curiosidade assim como no antigo Egito as religiões de mistérios seduziam o povo com sua simbologia enquanto uma pequena elite comandava os rumos sociais.

As profecias Apocalipse 13 são claras de que não haveria um grupo secreto dirigindo o mundo apóstata no tempo do fim, e sim, um sistema religioso criado para fascinar as pessoas com seus símbolos, rituais e imagens. Eles teriam um chefe de estado e líder religioso que faria aliança com outro poder, uma nação com força suficiente para obrigar as pessoas a adorarem este primeiro poder. Nos EUA, contemplamos a bênção da lei da liberdade religiosa que possibilitou o surgimento de movimentos religiosos e do livre estudo da Bíblia graças à separação entre o estado e a igreja, entretanto a própria nota de dólar e seus símbolos de ocultismo, religião e mistérios, parecem demonstrar que esta liberdade é tênue e frágil!

por Pr. Ericson Danese

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