terça-feira, 15 de novembro de 2011

As sequelas do Êxodo

O Senhor é a minha força, e o meu cântico; ele se tem tornado a minha salvação; é ele o meu Deus, portanto o louvarei; é o Deus de meu pai, por isso o exaltarei. O Senhor é homem de guerra; Jeová é o seu nome. Lançou no mar os carros de Faraó e o seu exército; os seus escolhidos capitães foram submersos no Mar Vermelho.” Êxodo 15:2-4

Por aquele tempo, Amenófis II o filho de Tutmés III era o faraó. Conhecido como esportista e caçador, Amenófis II foi exímio condutor de carruagens e arqueiro. Levou fama de cruel por sacrificar inimigos ao deus Amon. Seu reino registrou várias revoltas, em especial na região Sírio Palestina das quais ele se ufana ter subjugado. Lembramos a você leitor, que nem sempre um mural Egípcio que gloria um faraó pode ser levada 100% a sério!

As ‘glórias de faraó’ faziam parte da propaganda política dos governantes daquele tempo, eles não eram os únicos a fazer isso nem foram os últimos. Faraós, Júlio César e Hitler, todos aprenderam contar vantagens para ganhar popularidade! Veja o caso do faraó Mernepta que em sua famosa stela alega ter aniquilado a ‘semente’ ou descendência de Israel, quando na verdade o reino de Israel floresceu exatamente depois disto!

Muitas campanhas militares do Egito simplesmente ignoraram Israel que por pelo menos quarenta anos foi um povo nômade que vagou pelo Sinai e levou anos para se estabelecer em Canaã. Mesmo as famosas campanhas de Ramsés II em suas batalhas contra os Hititas podem ter sido um evento sem nenhuma relação com o povo Israelita, as tropas teriam passando pela região costeira onde os Israelitas sempre tiveram pouca expressão. Tome como exemplo as batalhas entre o Egito e Babilônia na qual Josias o rei de Judá se meteu sem necessidade. O faraó Neco manda o recado de que o problema não é com Israel, apesar de o exército Egípcio atravessar seu território.

É com Amenófis II que Moisés vai travar a batalha mediada por dez pragas que finalmente culminam com a morte do primogênito de faraó. A história confirma que seu sucessor, Tutmés IV não era o primogênito, pelo contrário, os dois mais velhos haviam morrido antes de Amenófis II. Fato que corrobora ainda mais a história relatada em Êxodo na qual o primogênito de faraó é vítima da décima praga. Quando Tutmés IV assumiu o trono o reino estava abalado, boa parte dos exércitos pode ter sucumbido na travessia do Mar Vermelho perseguindo os Israelitas. A religião Egípcia e o culto a Amon estavam profundamente abalados. Além disso, as pragas arrasaram a economia do Egito. Dada estas adversidades os Egípcios precisavam reconstruir e levantar a moral de seu povo.
O papiro de Ipwer, exposto do museu da Universidade de Leiden, Holanda, registra o desespero Egípcio diante das pragas e da partida dos Israelitas:

Os estrangeiros vieram para o Egito ... têm crescido e estão por toda parte, em todos os lugares, eles se tornaram gente ... o Nilo se tornou em sangue ... e as plantações estão em chamas ... a casa real perdeu todos os seus escravos ... a os mortos estão em sendo sepultados pelo rio ... os pobres estão morrendo inesperadamente ... o ouro está no pescoço dos escravos ... o povo do oásis está indo embora e levando as provisões para o seu festival religioso

Tutmés IV nascido em Mênfis tentou reconstruir o clima de derrota deixado por seu pai. As atividades da nação foram muito mais internas e especialmente as campanhas na Palestina foram abandonadas. Tutmés IV ao contrário de seu pai ganhou a fama de pacifista, talvez porque simplesmente não fosse um bom momento financeiro e político para fazer guerra.

Uma marca clara do efeito humilhante das pragas sobre a mitologia Egípcia de Amon é o declínio do culto Tebano e a valorização de Heliópolis e do culto solar, surgindo o culto de Rá sob a forma de Aton o disco solar. Os antigos deuses estavam tão desacreditados que se os faraós quisessem manter sua autoridade impedindo que o povo se convertesse ao Deus hebreu, precisavam de uma nova mitologia.

Foi assim que Tutmés IV e seus sacerdotes elaboraram um mito onde o faraó ao dormir perto da esfinge recebe um pedido dela para que Tutmés IV remova a areia que a enterra. Com isto a esfinge lhe concederia o trono! O auge deste descontentamento pode ter sido a época das cartas de Tell El Amarna, quando seu neto Akhenaton governava o Egito e obriga o culto de Aton o disco solar destituindo o sacerdócio de Amon e tornando-se ele, o faraó, profeta e sacerdote de uma religião que era um rascunho muito mal feito de monoteísmo.

De fato, Akhenaton nunca invalidou os outros deuses, mas supervalorizou Aton. Não seria este culto uma imitação do Deus hebreu, tentando satisfazer o povo frustrado com deuses que não os protegeram? Em Amarna chegavam correspondências dos reis de Canaã vassalos do Egito pedindo socorro, pois os ‘hapiris’ estavam invadindo e tomando as cidades.

Todas as minhas cidades que o rei tem posto em minhas mãos, foram para as mãos dos Habiri” De Zinrida, rei de Sidom para o Faraó.

Os hapiris não seriam os hebreus? Josué estava em ação conquistando a terra de Canaã e o Egito parece não ter feito caso destes pedidos de socorro! Por quê? Estariam os netos dos que sofreram as pragas com receio de se meter com um poder que os venceu no passado? Por que o grande Egito iria temer nômades do deserto?

O Egito só voltaria ter glória na época de Ramsés II que ocupado demais com os Hititas passou ao lado dos territórios de Israel. Mesmo o bem sucedido Ramsés II que corresponde ao período bíblico dos Juízes, menciona que os hapiris viviam em Canaã nos mesmos territórios em que sabemos que os hebreus ou Israelitas viviam. As próximas dinastias do Egito, depois de Akhenaton retomaram ao culto de Amon, Osíris e outros velhos deuses. Mas o domínio dos faraós foi definhando até que Babilônios, Persas e Gregos aniquilaram sucessivamente o antigo reino.

O último faraó do Egito seria Cleópatra, uma mulher descendente de gregos que promoveu o culto de Ísis e foi vencida pelos Romanos. Do antigo Egito, só as pirâmides e hieróglifos durariam para contar a história da civilização que Deus enriqueceu para sustentar seu povo por 400 anos, mas que se julgou com poder o bastante para enfrentar o Criador de todos os homens e escravizar seus filhos.

por Pr. Ericson Danese

Fontes:

Gleason L. Archer, Jr. Merece confiança o Antigo Testamento?. Vida Nova

Rodrigo Silva, Escavando a Verdade. Casa Publicadora Brasileira

R. N. Champlin, Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia. Hagnos

Rubens Aguilar, 'Arqueologia' em notas de sala de aula de Ericson Danese

Samuel J. Schulz. A história de Israel. Vida Nova

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Deus X Faraó - A luta entre religião e superstição

E eu passarei pela terra do Egito esta noite, e ferirei todo o primogênito na terra do Egito, desde os homens até aos animais; e em todos os deuses do Egito farei juízos. Eu sou o SENHOR. Êxodo 12:12
Depois de 400 anos sem literatura ou cultura, trabalhando como escravos, os Israelitas precisavam de grandes sinais para fazer distinção entre o falso e o verdadeiro. Por outro lado, era a oportunidade de conversão do Egito e nada menos do que poder os convenceria que seus deuses eram uma farsa e o Deus invisível dos escravos era seu verdadeiro Criador. O Senhor Deus dá a Moisés poderes para executar sinais na presença de Faraó. Em seu primeiro encontro, ele e Arão solicitam gentilmente a permissão de ir ao deserto oferecer sacrifícios. Faraó além de recusar liberar o povo, Faraó aumenta os serviços dos escravos e manda chicotear seus líderes.

Em seu segundo encontro, Moisés faz um sinal, os Egípcios consideravam que a serpente representada na coroa dos Faraós era a naja Ureus, uma divindade protetora enviada pelo deus Rá. Quando o cajado se transforma em serpente, os magos de Faraó por meio de ilusionismo fazem o mesmo, no entanto a serpente de Moisés e Arão devora as serpentes dos magos. A ideia é óbvia, ‘se os deuses enviaram um protetor ao Faraó, o protetor é inútil para o que há de vir’!
1ª Praga, o Nilo se converte em sangue: O rio era adorado sob a forma do deus Hapi, um homem azulado com ramos de plantas aquáticas. O Nilo em sangue era como se o próprio Hapi fosse ferido e com isto, a sede, a morte e o nojo se espalharam no Egito. Os magos imitam o milagre, os servos de Faraó cavam poços para conseguir água e Faraó não dá importância aos Hebreus.

2ª Praga, rãs invadem o Egito e deixam seus cadáveres: A deusa rã Heqet da fertilidade e esposa do deus criador Khnum foi envergonhada. Sendo uma deusa dos partos e que auxiliava o Faraó na ressurreição do rito de Osíris ela se mostrou inútil para evitar a morte de milhares de rãs que poluíram o Egito. Desta vez, os magos também imitaram Moisés, no entanto Faraó pediu que Moisés removesse as rãs já que seus magos foram incapazes de reverter o processo.

3ª Praga, o pó do Egito se torna em piolhos que atacam o gado e os homens: Geb a divindade da terra, não pode impedir que o Deus hebreu nesta praga. Os magos não foram capazes de acompanhar este feito porque o ilusionismo não podia forjar a vida a partir de matéria inanimada. Percebendo isto, Faraó reconhece que a praga é o ‘dedo de Deus’ mas ainda não se humilha.

4ª Praga, enxames de moscas: As moscas enxameiam o Egito, mas não perturbam a terra de Gósen fazendo distinção entre o povo de Deus e os Egípcios, então Faraó ordena que eles sacrifiquem, mas dentro do próprio Egito. Moisés se recusa e pede que ele deixe o povo ir ou pragas piores virão.

5ª Praga, peste mata os rebanhos egípcios: Boi Mnévis e Hathor, importantes divindades simbolizadas pelo gado não são capazes de impedir a mortandade dos rebanhos. A devoção dos Egípcios a vários tipos de animais é bem conhecida, sendo que em muitos casos alguns destes animais eram mumificados e sepultados honrosamente, pois eram reconhecidos como encarnação do deus. Esta praga é marcada pela obstinação de Faraó em resistir à ordem de Deus. Certamente Faraó era influenciado pela casta sacerdotal que dependia do trabalho escravo para construir seus templos. Por outro lado, libertar os escravos a pedido de um Deus hebreu era reconhecer a inutilidade dos deuses egípcios e com isto admitir que os sacerdotes e o próprio Faraó considerado Sumo Sacerdote eram desnecessários. Ninguém queria perder o emprego!

6ª Praga, cinzas ao vento tornam-se úlceras nos homens e animais: Os Egípcios eram orgulhosos de sua ciência e em especial a medicina era tida como a mais avançada da época, seus médicos e magos faziam até mesmo pequenas cirurgias. Papiros antigos mostram que a medicina estava associada ao curandeirismo com rituais que negociavam com os demônios causadores de doenças. No pensamento egípcio, um mago poderoso poderia garantir até que o juízo depois da morte fosse alterado, encantando os deuses do tribunal e mudando a decisão deles. Ísis, a rainha dos deuses e uma das divindades mais populares era a deusa da magia. Esta praga aflige em especial os sacerdotes!

7ª Praga, fogo e saraiva do céu mata rebanhos e servos nos campos: Shu e Nut as divindades celestiais são impotentes diante de Jeová. Deus manda avisar Faraó que ainda o mantém vivo para que ele conheça o poder de Deus, ou seja, Deus está lhe dando oportunidades de se arrepender e aceitar a verdade. No fim da praga Faraó reconhece ser ele e os Egípcios pecadores, no entanto apesar de prometer, mais uma vez muda de ideia e não deixa o povo ir.

8ª Praga, gafanhotos devoram as plantações do Egito: A base de sua economia está aniquilada. Desta vez, aconselhado por seus servos Faraó cogita deixar o povo ir, mas apenas os homens. Deus está conduzindo os fatos para que o próprio Faraó não queira mais os Israelitas no Egito.

9ª Praga, trevas por três dias: Rá, Hórus ou Aton, sob qualquer forma o deus Sol foi completamente obscurecido por três dias. Nada podia ser mais assustador aos Egípcios, pois o Sol era a divindade principal associado ao deus Amon, como Amon Rá. Os Egípcios acreditavam que a cada noite Rá enfrentava a morte para renascer no outro dia, mas agora o Sol que eles consideravam o criador havia sumido sob o comando do Deus hebreu. Desta vez Faraó propõe que o povo vá, mas fiquem os rebanhos para garantir que voltarão, entretanto Moisés não apenas exige que o rebanho vá com o povo, mas que Faraó forneça os animais para o sacrifício. Sentindo-se insultado, Faraó perde a paciência e expulsa Moisés do palácio.

10ª Praga, morte dos primogênitos: O Faraó do Êxodo parece ter sido Amenofis II, também chamado de Amen Hotep II, nome que faz referencia ao deus Amon. Este deus Tebano era considerado o pai dos Faraós, os egípcios acreditavam que ele mesmo incorporava nos soberanos e tinha relações com a rainha gerando seus descendentes. A última humilhação dos deuses do Egito é a tomada dos primogênitos, se os Egípcios mataram os bebês hebreus 80 anos antes, se aprisionaram e escravizaram os primogênitos de Israel o Deus hebreu privaria o Egito de seus próprios primogênitos.
O juízo cai também sobre Faraó que considera seu filho um deus, assim como ele mesmo. O sucessor do trono Egípcio sucumbe ante o anjo destruidor, nem Amon, nem Ureus ou qualquer divindade pode protegê-lo. Naquela noite, Egípcios ou Israelitas sucumbiram por não passarem o sangue do cordeiro
nas ombreiras da porta de suas casas. Todos, Israelitas ou Egípcios que não confiaram na promessa e não entraram em aliança com Deus não puderam alcançar a vida por suas próprias obras. Não morreram porque Deus é cruel e quis matar os primogênitos. Morreram porque escolheram escravizar o povo santo de Deus em obediência a falsos deuses desmascarados nas nove pragas anteriores. Morreram porque o juízo os visitou e eles haviam recusado o símbolo de Cristo, o cordeiro que intercederia por eles e lhes salvaria a vida no juízo final.
O estudo das dez pragas no antigo Egito é uma séria advertência a todos os que vivem nos momentos proféticos finais do livro de Apocalipse que menciona sete pragas antes da volta de Jesus. Pragas que libertam seu povo, oprimidos pelos que servem a Besta e o Falso Profeta. O braço poderoso de Deus é longânime, mas liberta seu povo com poder e grandes livramentos!

por Pr. Ericson Danese

terça-feira, 1 de novembro de 2011

A fúria do inimigo de Moisés

Quando faraó soube disso, procurou matar Moisés, mas este fugiu e foi morar na terra de Midiã” Êxodo 2:15
Quando Tutmés III [foto ao lado] cresceu teve que aturar uma co-regência a sombra de sua madrasta [ver postagem anterior]. Este período foi de obras colossais que justificam perfeitamente a mão de obra escrava. Senemut foi o arquiteto de Hatshepsut, e depois vizir, sendo que alegam que ele foi amante da rainha que nunca se casou após a morte de Tutmés II. Construiu o templo da rainha em Deir el-Bahri no vale dos reis, um túmulo colossal onde muitos outros reis e nobres foram sepultados. Foi auxiliado pelo arquiteto Ineni e nesse tempo onde os deuses de Tebas ganharam status nacional, sendo o principal centro de culto em Karnak, um suntuoso templo do Novo Império onde se adorava a tríade Amon, Mut e Khonsu.
Hatshepsut morreu aos 37 anos e finalmente Tutmés III dominou completamente o Egito. Tutmés III tentou banir a memória de sua madrasta através da destruição de suas estátuas, apagando seu nome de murais públicos. O estranho é que isto foi somente alguns anos depois da morte dela e não de imediato, o que nos leva a crer que o estopim do problema pode ter sido Moisés e não a rainha em si. Se ele fez isso com uma rainha morta sepultada com honras de faraó, parece-nos óbvio que ele tenha tido o cuidado de destruir qualquer lembrança ao herdeiro de direito, Moisés o filho adotivo de Hatshepsut.
No túmulo de Rekhmire, um vizir de Tutmés III, vemos pinturas de cenas onde escravos semitas (hebreus com certeza) fazem tijolos sob a opressão de capatazes egípcios que os tratam com rigor usando varas e chicotes. No templo de Karnak o próprio faraó Tutmés III é mostrado espancando um escravo sírio-palestino (hebreu) e o levantando pelos cabelos em sinal de humilhação . Cenas assim revoltaram Moisés ao ponto que matou um feitor egípcio para livrar um hebreu. Crime que dado este contexto era uma afronta e rebelião contra o faraó, punível com morte e motivo ideal para acabar com a imunidade familiar de Moisés eliminando-o de uma vez por todas. Obviamente, Tutmés III foi o faraó que procurou matar Moisés e neste período que Moisés abandonou o palácio e refugiou-se no deserto!

Tutmés III levou o Egito à expansão de domínios através de suas poderosas campanhas militares, ele foi antes de tudo um Faraó guerreiro! Do Sudão aos limites do Eufrates ele venceu todos os seus rivais, como se estivesse procurando um inimigo específico pelos desertos! Tutmés III enriqueceu seu reino com impostos das nações vassalas e chegou educar jovens estrangeiros em sua coorte para enviá-los como governantes no estrangeiro. Com o ouro estrangeiro financiou grandes obras pelo país todo, especialmente nos templos de Rá em Heliópolis e de Amon em Karnak. Além de Faraó construtor, tornou-se muito popular no campo da religião. Ele infiltrou amigos seus como Sumo Sacerdotes de Amon e constituiu mitos e estórias que o relacionavam com a divindade popular dos Tebanos.
O medo de Tutmés III pelo possível reclame do trono do afiliado de Hatshepsut, seu ódio por Moisés e os hebreus o fizeram construir uma mitologia no qual ele, Tutmés III, era o instrumento do deus nacional Amon. Na Estela da Vitória de Tutmósis III (c. 1479 a 1425 a.C.), atualmente no Museu do Cairo, podemos ler as determinações do deus:

Resolvi ordenar a ti que esmagues os príncipes da Palestina;
Fiz que se prostrassem aos teus pés por todos os recantos de seus países.
Ordeno-lhes que contemplem tua majestade de Senhor do Esplendor, o teu brilho em suas faces são como imagens minhas.
Talvez Tutmés III desconfiasse que a Palestina, terra natal dos ancestrais de Moisés fosse o seu esconderijo e temesse que Moisés estivesse por lá organizando um exército para tomar o Egito. Mal sabia ele, que Moisés estava escondido ‘debaixo de seu nariz’ no deserto do Sinai vivendo como humilde pastor de ovelhas entre uma tribo Midianita! Moisés havia trocado o palácio pelo deserto, agora estava na escola certa!

Por Pr. Ericson Danese

Bíbliografia: Ver postagens anteriores da temática Civilização Egípcia Revelada

A princesa do Egito

Pela fé Moisés, sendo já grande, recusou ser chamado filho da filha de Faraó, Escolhendo antes ser maltratado com o povo de Deus, do que por um pouco de tempo ter o gozo do pecado; tendo por maiores riquezas o vitupério de Cristo do que os tesouros do Egito; porque tinha em vista a recompensa.” Hebreus 11:24-26

Reclusos em Tebas devido à invasão dos Hicsos, os nobres e sacerdotes Egípcios se revoltaram contra os invasores Hicsos e finalmente sob o comando de Amose venceram e expulsaram os governantes estrangeiros. É evidente que qualquer semita deste período, foi considerado um inimigo e se não foi expulso foi escravizado! Eis o que a Bíblia chama de ‘faraó que não conhecera José’ (Êx 1:8), pois começava a XVIII dinastia e os Egípcios temiam os hebreus porque tinham afinidades linguísticas e geográficas com seus inimigos (Êx 1:10). Como os Hebreus não eram necessariamente os governantes invasores, eles não foram combatidos, mas assimilados como escravos para a necessidade de mão de obra na reconstrução do novo império.

O sucessor de Amose, Amenotepe I não deixou sucessor homem, assim um guerreiro de origem incerta tornou-se o próximo faraó. Tutmés I que reforçou militarmente o Egito, pode ter sido o faraó que temeu o crescimento do número de Hebreus homens e lembrando-se da experiência traumática com os Hicsos que chegaram, cresceram e dominara. Como prevenção, ele mandou matar os bebês hebreus com medo que algo parecido voltasse a ocorrer (Êx. 1:22).

Tutmés I e sua esposa Amose Nefretari foram os pais da princesa Hatshepsut. O filho de Tutmés I com a concubina Mutnoeferet, foi Tutmés II, casado com sua meia irmã Hatshepsut com quem teve uma menina chamada Neferure. Mas eles não tiveram um filho homem, de forma que parece plausível que esta tenha sido a mãe adotiva de Moisés, o que faria do filho da escrava hebreia Joquebede o herdeiro direto do trono do Egito. Tutmés II teve um reinado muito rápido, mas antes de morrer deixou de sua concubina Ísis, um filho homem chamado Tutmés III, nomeado como seu sucessor. Sendo que Moisés era o filho de Hatshepsut a filha de faraó com a rainha mãe, por que ele não foi o herdeiro do trono?

Moisés é um nome Egípcio que quer dizer ‘nascido de’, o que parece estranho por que é como se o nome estivesse incompleto. Os eruditos reconhecem que era costume os egípcios colocarem nomes assim homenageando os seus deuses, por exemplo:

Ramose [Ransés] que significa ‘Rá, o deus Sol nasceu’;

Tuthmose [Tutmés] que significa ‘Thot, deus da Lua nasceu’.

Conforme o Dr. Rodrigo Silva cita o Dr. Schwantes, esta omissão do nome de uma divindade no nome de Moisés pode ter se dado por ter renunciado a idolatria Egípcia, recusando-se a ser chamado filho da filha de faraó. Talvez, em origem ele seria um Tutmose ou mais provável, Itrumose ou Hapimose ‘nascido de Hapi’ em homenagem ao deus do rio Nilo, onde ele havia sido encontrado como um milagre. Hebraisando, o termo se tornou Moisés ‘tirado das águas’.

“Moisés foi instruído em toda a ciência dos egípcios; e era poderoso em suas palavras e obras”, Atos 7:22. Por certo Moisés desfrutou da cultura e ciência que as escolas e escribas lhe poderiam oferecer. Sendo preparado para ser um nobre e provavelmente o próximo faraó ele encontrou seu maior desafio na idolatria egípcia que era a própria base da autoridade faraônica. O faraó era o filho dos deuses e o primeiro entre os sacerdotes. Como ascendente ao trono ele deveria prestar honra aos deuses e foi isto que causou sua ruptura com sua família adotiva.

Podemos imaginar as intrigas e rivalidades palacianas que podem ter ocorrido quando Moisés recusou ser chamado filho da filha de Faraó. Por certo, Tutmés III, filho de Tutmés II com uma concubina e irmão de criação de Moisés, sempre viu Moisés como um obstáculo e concorrente ao trono. Mas a despeito da decepção religiosa de Hatshepstut com seu filho adotivo, ela não estava disposta a deixar seu enteado assumir o trono tão facilmente.

Após a morte prematura de seu marido Tutmés II, ela subornou os sacerdotes de Tebas e assumiu o trono primeiro como tutora de seu sobrinho e enteado Tutmés III, na época muito novo para governar e a seguir com apoio do arquiteto real Senemut, do sacerdote de Amon, Hapuseneb, do escriba real Senemiah e do vizir Ahmés ela se proclamou Faraó, ficando no cargo por 22 anos. A princesa Faraó [foto ao lado] tomou medidas para legitimar seu poder, elaborando um mito no qual ela era filha direta do deus Amon, que havia tomado a forma do Faraó Tutmés I e ao unir-se com sua mãe, a concebera para que ela fosse a Faraó do Egito.

Certamente foi o reinado de sua mãe adotiva que possibilitou Moisés conviver no palácio e estudar até os 40 anos sem envolver-se na idolatria e ser condenado por sua omissão religiosa. Durante este tempo, Moisés que fora educado até os 12 anos por sua mãe hebreia sonhava em libertar seu povo. Ele convivia no palácio como um hóspede indesejado, protegido por Hatshetsut, mas visto como uma ameaça pelos demais nobres! Intocável, porém visível, Moisés era uma constante repreensão contra a idolatria e tirania.

Por Pr. Ericson Danese

Bibliografia: Ver postagem anterior.