quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Deus X Faraó - A luta entre religião e superstição

E eu passarei pela terra do Egito esta noite, e ferirei todo o primogênito na terra do Egito, desde os homens até aos animais; e em todos os deuses do Egito farei juízos. Eu sou o SENHOR. Êxodo 12:12
Depois de 400 anos sem literatura ou cultura, trabalhando como escravos, os Israelitas precisavam de grandes sinais para fazer distinção entre o falso e o verdadeiro. Por outro lado, era a oportunidade de conversão do Egito e nada menos do que poder os convenceria que seus deuses eram uma farsa e o Deus invisível dos escravos era seu verdadeiro Criador. O Senhor Deus dá a Moisés poderes para executar sinais na presença de Faraó. Em seu primeiro encontro, ele e Arão solicitam gentilmente a permissão de ir ao deserto oferecer sacrifícios. Faraó além de recusar liberar o povo, Faraó aumenta os serviços dos escravos e manda chicotear seus líderes.

Em seu segundo encontro, Moisés faz um sinal, os Egípcios consideravam que a serpente representada na coroa dos Faraós era a naja Ureus, uma divindade protetora enviada pelo deus Rá. Quando o cajado se transforma em serpente, os magos de Faraó por meio de ilusionismo fazem o mesmo, no entanto a serpente de Moisés e Arão devora as serpentes dos magos. A ideia é óbvia, ‘se os deuses enviaram um protetor ao Faraó, o protetor é inútil para o que há de vir’!
1ª Praga, o Nilo se converte em sangue: O rio era adorado sob a forma do deus Hapi, um homem azulado com ramos de plantas aquáticas. O Nilo em sangue era como se o próprio Hapi fosse ferido e com isto, a sede, a morte e o nojo se espalharam no Egito. Os magos imitam o milagre, os servos de Faraó cavam poços para conseguir água e Faraó não dá importância aos Hebreus.

2ª Praga, rãs invadem o Egito e deixam seus cadáveres: A deusa rã Heqet da fertilidade e esposa do deus criador Khnum foi envergonhada. Sendo uma deusa dos partos e que auxiliava o Faraó na ressurreição do rito de Osíris ela se mostrou inútil para evitar a morte de milhares de rãs que poluíram o Egito. Desta vez, os magos também imitaram Moisés, no entanto Faraó pediu que Moisés removesse as rãs já que seus magos foram incapazes de reverter o processo.

3ª Praga, o pó do Egito se torna em piolhos que atacam o gado e os homens: Geb a divindade da terra, não pode impedir que o Deus hebreu nesta praga. Os magos não foram capazes de acompanhar este feito porque o ilusionismo não podia forjar a vida a partir de matéria inanimada. Percebendo isto, Faraó reconhece que a praga é o ‘dedo de Deus’ mas ainda não se humilha.

4ª Praga, enxames de moscas: As moscas enxameiam o Egito, mas não perturbam a terra de Gósen fazendo distinção entre o povo de Deus e os Egípcios, então Faraó ordena que eles sacrifiquem, mas dentro do próprio Egito. Moisés se recusa e pede que ele deixe o povo ir ou pragas piores virão.

5ª Praga, peste mata os rebanhos egípcios: Boi Mnévis e Hathor, importantes divindades simbolizadas pelo gado não são capazes de impedir a mortandade dos rebanhos. A devoção dos Egípcios a vários tipos de animais é bem conhecida, sendo que em muitos casos alguns destes animais eram mumificados e sepultados honrosamente, pois eram reconhecidos como encarnação do deus. Esta praga é marcada pela obstinação de Faraó em resistir à ordem de Deus. Certamente Faraó era influenciado pela casta sacerdotal que dependia do trabalho escravo para construir seus templos. Por outro lado, libertar os escravos a pedido de um Deus hebreu era reconhecer a inutilidade dos deuses egípcios e com isto admitir que os sacerdotes e o próprio Faraó considerado Sumo Sacerdote eram desnecessários. Ninguém queria perder o emprego!

6ª Praga, cinzas ao vento tornam-se úlceras nos homens e animais: Os Egípcios eram orgulhosos de sua ciência e em especial a medicina era tida como a mais avançada da época, seus médicos e magos faziam até mesmo pequenas cirurgias. Papiros antigos mostram que a medicina estava associada ao curandeirismo com rituais que negociavam com os demônios causadores de doenças. No pensamento egípcio, um mago poderoso poderia garantir até que o juízo depois da morte fosse alterado, encantando os deuses do tribunal e mudando a decisão deles. Ísis, a rainha dos deuses e uma das divindades mais populares era a deusa da magia. Esta praga aflige em especial os sacerdotes!

7ª Praga, fogo e saraiva do céu mata rebanhos e servos nos campos: Shu e Nut as divindades celestiais são impotentes diante de Jeová. Deus manda avisar Faraó que ainda o mantém vivo para que ele conheça o poder de Deus, ou seja, Deus está lhe dando oportunidades de se arrepender e aceitar a verdade. No fim da praga Faraó reconhece ser ele e os Egípcios pecadores, no entanto apesar de prometer, mais uma vez muda de ideia e não deixa o povo ir.

8ª Praga, gafanhotos devoram as plantações do Egito: A base de sua economia está aniquilada. Desta vez, aconselhado por seus servos Faraó cogita deixar o povo ir, mas apenas os homens. Deus está conduzindo os fatos para que o próprio Faraó não queira mais os Israelitas no Egito.

9ª Praga, trevas por três dias: Rá, Hórus ou Aton, sob qualquer forma o deus Sol foi completamente obscurecido por três dias. Nada podia ser mais assustador aos Egípcios, pois o Sol era a divindade principal associado ao deus Amon, como Amon Rá. Os Egípcios acreditavam que a cada noite Rá enfrentava a morte para renascer no outro dia, mas agora o Sol que eles consideravam o criador havia sumido sob o comando do Deus hebreu. Desta vez Faraó propõe que o povo vá, mas fiquem os rebanhos para garantir que voltarão, entretanto Moisés não apenas exige que o rebanho vá com o povo, mas que Faraó forneça os animais para o sacrifício. Sentindo-se insultado, Faraó perde a paciência e expulsa Moisés do palácio.

10ª Praga, morte dos primogênitos: O Faraó do Êxodo parece ter sido Amenofis II, também chamado de Amen Hotep II, nome que faz referencia ao deus Amon. Este deus Tebano era considerado o pai dos Faraós, os egípcios acreditavam que ele mesmo incorporava nos soberanos e tinha relações com a rainha gerando seus descendentes. A última humilhação dos deuses do Egito é a tomada dos primogênitos, se os Egípcios mataram os bebês hebreus 80 anos antes, se aprisionaram e escravizaram os primogênitos de Israel o Deus hebreu privaria o Egito de seus próprios primogênitos.
O juízo cai também sobre Faraó que considera seu filho um deus, assim como ele mesmo. O sucessor do trono Egípcio sucumbe ante o anjo destruidor, nem Amon, nem Ureus ou qualquer divindade pode protegê-lo. Naquela noite, Egípcios ou Israelitas sucumbiram por não passarem o sangue do cordeiro
nas ombreiras da porta de suas casas. Todos, Israelitas ou Egípcios que não confiaram na promessa e não entraram em aliança com Deus não puderam alcançar a vida por suas próprias obras. Não morreram porque Deus é cruel e quis matar os primogênitos. Morreram porque escolheram escravizar o povo santo de Deus em obediência a falsos deuses desmascarados nas nove pragas anteriores. Morreram porque o juízo os visitou e eles haviam recusado o símbolo de Cristo, o cordeiro que intercederia por eles e lhes salvaria a vida no juízo final.
O estudo das dez pragas no antigo Egito é uma séria advertência a todos os que vivem nos momentos proféticos finais do livro de Apocalipse que menciona sete pragas antes da volta de Jesus. Pragas que libertam seu povo, oprimidos pelos que servem a Besta e o Falso Profeta. O braço poderoso de Deus é longânime, mas liberta seu povo com poder e grandes livramentos!

por Pr. Ericson Danese

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