terça-feira, 1 de novembro de 2011

A princesa do Egito

Pela fé Moisés, sendo já grande, recusou ser chamado filho da filha de Faraó, Escolhendo antes ser maltratado com o povo de Deus, do que por um pouco de tempo ter o gozo do pecado; tendo por maiores riquezas o vitupério de Cristo do que os tesouros do Egito; porque tinha em vista a recompensa.” Hebreus 11:24-26

Reclusos em Tebas devido à invasão dos Hicsos, os nobres e sacerdotes Egípcios se revoltaram contra os invasores Hicsos e finalmente sob o comando de Amose venceram e expulsaram os governantes estrangeiros. É evidente que qualquer semita deste período, foi considerado um inimigo e se não foi expulso foi escravizado! Eis o que a Bíblia chama de ‘faraó que não conhecera José’ (Êx 1:8), pois começava a XVIII dinastia e os Egípcios temiam os hebreus porque tinham afinidades linguísticas e geográficas com seus inimigos (Êx 1:10). Como os Hebreus não eram necessariamente os governantes invasores, eles não foram combatidos, mas assimilados como escravos para a necessidade de mão de obra na reconstrução do novo império.

O sucessor de Amose, Amenotepe I não deixou sucessor homem, assim um guerreiro de origem incerta tornou-se o próximo faraó. Tutmés I que reforçou militarmente o Egito, pode ter sido o faraó que temeu o crescimento do número de Hebreus homens e lembrando-se da experiência traumática com os Hicsos que chegaram, cresceram e dominara. Como prevenção, ele mandou matar os bebês hebreus com medo que algo parecido voltasse a ocorrer (Êx. 1:22).

Tutmés I e sua esposa Amose Nefretari foram os pais da princesa Hatshepsut. O filho de Tutmés I com a concubina Mutnoeferet, foi Tutmés II, casado com sua meia irmã Hatshepsut com quem teve uma menina chamada Neferure. Mas eles não tiveram um filho homem, de forma que parece plausível que esta tenha sido a mãe adotiva de Moisés, o que faria do filho da escrava hebreia Joquebede o herdeiro direto do trono do Egito. Tutmés II teve um reinado muito rápido, mas antes de morrer deixou de sua concubina Ísis, um filho homem chamado Tutmés III, nomeado como seu sucessor. Sendo que Moisés era o filho de Hatshepsut a filha de faraó com a rainha mãe, por que ele não foi o herdeiro do trono?

Moisés é um nome Egípcio que quer dizer ‘nascido de’, o que parece estranho por que é como se o nome estivesse incompleto. Os eruditos reconhecem que era costume os egípcios colocarem nomes assim homenageando os seus deuses, por exemplo:

Ramose [Ransés] que significa ‘Rá, o deus Sol nasceu’;

Tuthmose [Tutmés] que significa ‘Thot, deus da Lua nasceu’.

Conforme o Dr. Rodrigo Silva cita o Dr. Schwantes, esta omissão do nome de uma divindade no nome de Moisés pode ter se dado por ter renunciado a idolatria Egípcia, recusando-se a ser chamado filho da filha de faraó. Talvez, em origem ele seria um Tutmose ou mais provável, Itrumose ou Hapimose ‘nascido de Hapi’ em homenagem ao deus do rio Nilo, onde ele havia sido encontrado como um milagre. Hebraisando, o termo se tornou Moisés ‘tirado das águas’.

“Moisés foi instruído em toda a ciência dos egípcios; e era poderoso em suas palavras e obras”, Atos 7:22. Por certo Moisés desfrutou da cultura e ciência que as escolas e escribas lhe poderiam oferecer. Sendo preparado para ser um nobre e provavelmente o próximo faraó ele encontrou seu maior desafio na idolatria egípcia que era a própria base da autoridade faraônica. O faraó era o filho dos deuses e o primeiro entre os sacerdotes. Como ascendente ao trono ele deveria prestar honra aos deuses e foi isto que causou sua ruptura com sua família adotiva.

Podemos imaginar as intrigas e rivalidades palacianas que podem ter ocorrido quando Moisés recusou ser chamado filho da filha de Faraó. Por certo, Tutmés III, filho de Tutmés II com uma concubina e irmão de criação de Moisés, sempre viu Moisés como um obstáculo e concorrente ao trono. Mas a despeito da decepção religiosa de Hatshepstut com seu filho adotivo, ela não estava disposta a deixar seu enteado assumir o trono tão facilmente.

Após a morte prematura de seu marido Tutmés II, ela subornou os sacerdotes de Tebas e assumiu o trono primeiro como tutora de seu sobrinho e enteado Tutmés III, na época muito novo para governar e a seguir com apoio do arquiteto real Senemut, do sacerdote de Amon, Hapuseneb, do escriba real Senemiah e do vizir Ahmés ela se proclamou Faraó, ficando no cargo por 22 anos. A princesa Faraó [foto ao lado] tomou medidas para legitimar seu poder, elaborando um mito no qual ela era filha direta do deus Amon, que havia tomado a forma do Faraó Tutmés I e ao unir-se com sua mãe, a concebera para que ela fosse a Faraó do Egito.

Certamente foi o reinado de sua mãe adotiva que possibilitou Moisés conviver no palácio e estudar até os 40 anos sem envolver-se na idolatria e ser condenado por sua omissão religiosa. Durante este tempo, Moisés que fora educado até os 12 anos por sua mãe hebreia sonhava em libertar seu povo. Ele convivia no palácio como um hóspede indesejado, protegido por Hatshetsut, mas visto como uma ameaça pelos demais nobres! Intocável, porém visível, Moisés era uma constante repreensão contra a idolatria e tirania.

Por Pr. Ericson Danese

Bibliografia: Ver postagem anterior.

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