domingo, 29 de julho de 2012

Juízo sobre os dragões do ar e do mar

Obs: Para compreender melhor esta postagem, leia a postagem Dinossauros, uma proposta criacionista em http://ericsondanese.blogspot.com.br/2010/05/uma-proposta-biblico-criacionista-para.html

Mary Anning (1799-1847) era uma menina de 12 anos quando passeando pela praia descobriu fósseis na encosta de um rochedo no litoral sul da Inglaterra. Ela e seu irmão escavaram e venderam por 23 libras o que pensaram ser um crocodilo. Mas na verdade, ela havia descoberto e vendido o primeiro exemplar de um ictiossauro, um antigo réptil totalmente marinho que na forma corporal lembrava um golfinho ou tubarão. Ainda hoje, o Museu de História Natural de Londres exibe entre suas coleções outras criaturas encontradas por Mary, entre elas um plesiossauro e um dos primeiros pterodáctilos conhecidos.
Talvez tenham sido os fósseis destes antigos répteis do ar e do mar que inspiraram o folclore medieval a respeito dos dragões. Será que alguma dessas criaturas sobreviveu à grande catástrofe pré histórica que a Bíblia chama de Dilúvio e foi avistada pelos povos da antiguidade? Teria a lenda um fundo de verdade? Será que os mitos e lendas de dragões remetem a uma memória ancestral de testemunhas oculares destas criaturas semelhantes a dragões?
Não há provas com relação a esta teoria, mas devemos lembrar que simplesmente não há nenhum fóssil deles ou dos dinossauros além do limite KT no registro geológico, o que indica que sua extinção foi sumária e não gradual. Uma vez que eles respiravam ar, mesmo os répteis marinhos teriam que ser avistados em algum momento e capturados, mas isto nunca ocorreu de forma documentada.
No entanto conhecer como viveram e morreram estes seres tremendos é um grande auxílio para compreender melhor o que aconteceu no mundo do passado. No tempo anterior ao Dilúvio, cortando ou rodeando as terras dos ‘Vales Mezosóicos’[1] habitadas por dinossauros estavam mares internos e grandes canais onde prosperavam répteis marinhos que eram o equivalente aquático dos dinossauros. Entretanto, podemos descobrir muito sobre os efeitos do Dilúvio e como esta catástrofe ocorreu apenas estudando a vida e extinção destes ‘dragões do ar e do mar’. A seguir, conheça mais sobre os répteis do ar e do mar:


Naquele tempo, nos litorais um lento gigante vinha depositar seus ovos, era o archelon, a maior tartaruga que o mundo já conheceu com 4,6m. Elas deixavam seus ovos e voltavam ao mar, assim como as tartarugas marinhas que conhecemos hoje.
Os filhotes destas tartarugas tinham vida difícil assim como as de hoje, ao saírem da toca tinham que desviar de dinossauros e répteis alados que patrulhavam os litorais e depois de livrar-se de criaturas como o réptil metriorhynchus (3m) de corpo semelhante ao crocodilo e rabo de ictiossauro ou as aves náuticas com dentes como o hesperornis e o ictiornis, emplumados feitos para conviver entre répteis e disputar sua parte na caça e pesca.
Caso sobrevivessem, as tartaruguinhas ainda tinham inúmeros adversários mesmo depois de adultas. Eram os grandes répteis marinhos conhecidos como mosassauros(8-9m), que patrulhavam as profundezas capturando qualquer coisa que conseguissem engolir com seus dinâmicos dentes em forma de serra feitos para capturar e engolir peixes. Havia também, muitas variedades tal como platecarpus (4,3m) de cauda mais longa ou o kronossauro (11m) de cauda curta. Estas diferenças e características devem indicar a especialização de cada animal, tal como perseguições em velocidade por longas distâncias ou manobras rápidas. Também havia os mega predadores como o liopleurodon com 25m e 150 toneladas e os plesiossauros estes répteis tinham quatro grandes nadadeiras, um corpo musculoso e um longo pescoço, ao todo o animal podia chegar a 15m.
Estes mares reptilianos eram o lar dos Ictiossauros, com uma média 3-5m, sendo que algumas variedades como o shonissauro, chegavam a 15m de comprimento e 40 toneladas. O oftalmossauro, com poucos dentes e olhos grandes protegidos por um complexo disco de ossos que defendia seus olhos da pressão das profundidades era um especialista em apanhar seres das profundidades maiores e águas mais escuras.
A crença na datação de milhões de anos para a idade destes animais tem sido desafiada fora dos muros de ferro do evolucionismo dogmático.
Um fóssil do crânio de Ictiossauro achado em 1999, curiosamente atravessava camadas de sedimento que de uma ponta a outra que transcorreria 1 milhão de anos do registro geológico[2]. Notável, era o fato que o crânio estava na vertical, tal como se o Ictiossauro tivesse sido fincado no estrato rochoso. Não podemos supor que este animal estivesse a cavar e tenha ficado preso, porque a rocha era dura demais, ou tivesse deliberadamente se suicidado como um kamikase investindo contra o solo oceânico. Parece mais próprio deduzir que tremendas inundações com um grosso turbilhão de detritos, arrastou o corpo desse animal e encobriu por diferentes ondas de lama e destroços.
Como é possível ter ocorrido à evolução dos Ictiossauros? Além das óbvias dificuldades em transformar um corpo terrestre em um corpo 100% aquático, temos a questão reprodutiva. Os répteis marinhos como crocodilos, tartarugas e serpentes marinhas voltam a terra, pois seus ovos não resistem debaixo d’água. Em supostos milhões de anos, desde o tempo dos Ictiossauros até os dias de hoje, crocodilos de água salgada continuam voltando a terra como sempre fizeram e não houve nenhuma mudança morfológica ou reprodutiva. Simplesmente não evoluíram!
 No caso da serpente marinha, embora existam algumas cobras que sejam vivíparas, a serpente marinha que passa 99,9% de sua vida no mar continua sendo ovípara e deve voltar a terra para colocar seus ovos. Por que não evoluíram para formas vivíparas? Por que o Ictiossauro conseguiria fazer esta complexa transição se nenhum outro réptil marinho como iguanas, tartarugas ou serpentes o fizeram?
Sabemos que os Ictiossauros eram vivíparos porque seus fósseis foram encontrados com filhotes dentro do corpo da fêmea. Aliás, encontramos muito mais do que isso. Um dos fósseis mais famosos de Ictiossauro mostra o momento em que o filhote está saindo da mãe. Ele foi fossilizado exatamente com a cabeça ainda dentro e o rabo do lado de fora do corpo da mãe[3]. Mais uma prova de que estes animais foram surpreendidos por uma catástrofe gigantesca que os soterrou inesperadamente.
O design inteligente deste animal é maravilhoso! Isto tinha que estar certo na primeira vez ou o filhote se afogaria, não é possível uma adaptação lenta e progressiva. Os filhotes não aprendem como sair, eles simplesmente têm que estar programados para saberem como sair e imediatamente respirar. Mas deixando de lado o design inteligente, vamos a mais algumas perguntas para finalizar nossa investigação.
Como eles morreram ao mesmo tempo? Não há complicações no parto entre os répteis. Teriam mãe e filhote morrido ao mesmo tempo e o filhote ficado por completar o parto? Por que seus restos foram delicadamente preservados, mesmo sendo um animal tão grande? É óbvio que o cadáver não foi tocado por predadores, nem por necrófagos, pois mesmo os ictiossauros dentro do ventre foram preservados. Isto não seria comum para um cadáver de réptil deste tamanho, seria quase impossível a menos que tivessem sido enterrados vivos no exato momento do parto, por uma inundação avassaladora de detritos, por um tsunami de entulhos.
Alguns têm uma ideia muito superficial a respeito do Dilúvio, pensando que se tratou apenas de chuva, mas a Bíblia descreve a chuva porém dá ênfase de que nesta catástrofe de duração de aproximadamente um ano, ocorreu também o rompimento das fontes do abismo, o que nos permite muitas interpretações.
Imagine um tsunami continental invadindo um mar interno repleto de répteis marinhos, em seguida arrastando os litorais e avançando pelo interior sepultando em lama e detritos tudo o que havia pela frente. Neste cenário, muitos seres marinhos e continentais são mortos instantaneamente e seus corpos são juncados e misturados. Algo parecido foi visto no tsunami da Ásia de 2004, quando corpos foram amontoados as centenas.
Em 2006, cientistas Noruegueses descobriram no Ártico os fósseis de um gigantesco réptil marinho conhecido como pliossauro, um predador de 15m de comprimento fossilizado com outros 40 répteis[4]. Como é que uma criatura tão grande consegue ser completamente soterrada por escombros antes que o cadáver apodreça e os ossos sejam esparramados por carniceiros ou se desintegrem ao natural? Como é que um animal tão grande é enterrado junto com outros tantos animais? O que cerca de 40 répteis estavam fazendo juntos quando morreram de forma súbita ao lado de um gigante predador? Seria possível morrer um a um dos 40 e lentamente se depositarem no mesmo lugar antes de apodrecer ou serem devorados por vermes e animais marinhos?
Quanto mais escavamos a verdade, mais descobrimos evidência de um Dilúvio catastrófico. Se uma onda de soterramento tivesse invadido e soterrado o mundo dos dinossauros, por certo os grandes animais aquáticos seriam os primeiros a perecerem. De fato, Ictiossauros foram achados com restos de 10 outros fósseis, incluindo plesiossauros[5], sabe-se que os Ictiossauros eram totalmente aquáticos e foram extintos misteriosamente um pouco antes da extinção dos dinossauros[6].
Os mossauros foram prósperos em todos os litorais, com formas muito variadas, mas foram extintos subitamente no final do cretáceo [7], o mesmo ocorreu com os plesiossauros os quais sumiram na extinção KT[8], o limite geológico para os fósseis de dinossauros.
Acredita-se que o limite KT foi causado por um grande meteoro que deixou uma cratera no golfo do México e espalhou o raro metal irídio pela região, mas analisando as consequências do impacto e descrevendo os efeitos, a descrição de cientistas céticos se assemelha em muito a descrição criacionista de um Dilúvio Bíblico capaz de sepultar grandes animais marinhos, terrestres e voadores.


Segundo Sean Gullick, um dos cientistas do grupo de mais de 40 cientistas de todo mundo que revisaram a extinção dos dinossauros e a teoria do impacto na cratera de chicxulub no golfo do México e publicaram os estudos na revista Science "O impacto causou um tsunami muitas vezes maior do que a onda que se formou no Oceano Índico e atingiu a Indonésia em dezembro de 2004", afirmou o geólogo marinho Tim Bralower, da Universidade de Penn, que participou do estudo. Essas ondas causaram uma destruição massiva no fundo do mar[9]


Esta destruição massiva no fundo do mar acabou com os grandes répteis marinhos e posteriormente alcançou a vida continental, não só matando, mas produzindo mudanças tão grandes no eco sistema que jamais permitiria novamente o mesmo estilo de vida para os animais que sobreviveram. Alguns explicam que eles perderam a competição pela sobrevivência para os tubarões, porém isto não convence uma vez que os tubarões no registro do geológico já estavam presentes antes dos ictiossauros chegarem, e por tanto, nem permitiriam que estes animais chegassem a proliferar.
Nos céus, os pterossauros sobrevoavam os mares e praias, empoleirados nas encostas e escarpas, seres diferentes dos répteis que conhecemos ou dos dinossauros com os quais coexistiam no mesmo habitat. O Anhanguera exibia ossos ocos, como as aves, o que possibilitava este gigante de 13m migrar por vários lugares e usar as correntes de ar para planar. Mas para quem pense que os pterossauros eram primitivos, bastou achar um pequeno espécime do tamanho de um pássaro que exibia em seu fóssil marcas e características que proporcionaram aos cientistas descobrirem o detalhe do revestimento de suas asas.


Uma pesquisa ... sugere que camadas especializadas de fibras nas asas dos bichos permitiam ajustes sutis dos movimentos deles no ar --uma espécie de "voo inteligente" em pleno período Cretáceo ... Comprimindo ou distendendo as fibras entre si, o bicho poderia, por exemplo, modificar ativamente a resistência de sua membrana ao ar, tornando-a mais ou menos rígida.”[10]


Voo inteligente? Inteligente? Inteligência requer um projeto inteligente, mas nem me darei ao trabalho de comentar, pois os próprios evolucionistas se traem constantemente por suas próprias palavras que glorificam o Criador que eles mesmos negam.
Suas cabeças e bicos eram incrivelmente diferentes, dando aerodinâmica, habilidades alimentares diferentes e até comunicação visual.
O tupuxuara e o thalassodromeus tinham pequenas marcas de vasos sanguíneos na crista, que talvez fosse usada para regulação térmica ou comunicação visual. Os bicos eram tão diferentes e exóticos que podiam lembrar o de aves tropicais, de fato, os Tapejaras deviam ser coletores de frutos e castanhas, pois seus bico e cristas têm sido associados às mesmas funções térmicas e alimentares que os tucanos[11].
Outros parecem ter tido a crista como um fator de equilíbrio para o longo bico como o pteranodon, já o nyctossauro de crista mais curta que aparentemente a usava como diferenciação sexual e ainda outros tinham longas caudas como o ramphorhynchus e peteinossauro. Havia até um com bico de filtro cheio de dentinhos, o pterodaustro e ctenochasma, que talvez atuassem semelhante aos flamingos.
A maioria parece ter gostado muito de peixes, assim era o tropeognathus de 6m de envergadura que planava sobre as águas e fendia as ondas com seu bico especialmente desenhado com uma quilha na ponta e longos dentes pontudos. Outro semelhante era o gigante quetzalcoatlus de 13m de envergadura, o gnathossauro um tipo de colhereiro dos ptorossauros e o estranho germanodactylus que aparentemente vivia pendurado em árvores emboscando peixes nos rios abaixo dos galhos.
Alguns deles como dsungaripterus tinham um bico tão estranho que dificilmente teremos certeza a respeito de sua utilidade que talvez fosse para comer moluscos e crustáceos. Provavelmente muitos deles, incluindo os pterodáctylus se comportassem em bandos tal como os morcegos e aves. Mas foi um pterodactylus conhecido como sordes que despertou os pesquisadores para uma característica muito incomum nestes répteis alados. Um tipo de cobertura que não eram nem pelagem como os mamíferos, nem escamas como os répteis e nem penas como aves, mas uma espécie de fibra que os revestia.
Com tantas descobertas paleontológicas em séculos de escavações não se conhece nenhuma forma transicional que demonstre a lenta e gradual evolução de répteis terrestres para pterossauros. Isso é escandaloso, ao pensar de que eles são animais tão distintos e especializados que necessitariam de centenas de espécies intermediárias que comprovassem a gradual evolução para o voo, atividade muito complexa!
O fato é que pterossauros, Ictiossauros e muitos outros animais pré-históricos não apresentam ancestrais evolutivos e desaparecem de forma súbita, pouco antes ou juntamente com os dinossauros. No entanto, outros animais como tartarugas, crocodilos e dragões de komodo sobreviveram e prosperam até hoje. Com é possível?
Em ciência, na dúvida, a explicação mais simples é provavelmente a verdadeira. Isto não é apelar ao Deus das lacunas, mas é ser coerente com a leitura do registro fóssil. Deus os criou e Deus entendeu que o mundo estava se convertendo numa ameaça ao homem que deveria povoar a Terra. Deus os criou e Deus entendeu que eles não se adaptariam no mundo pós catástrofe do dilúvio.
Assim como chegou o dia da grande catástrofe para os dinossauros, também chegou para os ‘dragões do céu e do mar’. A catástrofe que pelos indícios interagiu vulcanismo fissurais, tsunamis, meteoros atingindo a terra e rompendo as fontes de água subterrâneas e causando violentos tsunamis, desmoronamentos e inundações, acrescida por violentas chuvas e tempestades, provocou deslizamento e inundação progressiva dos continentes de então, com o soterramento de habitats inteiros.
Os grandes répteis marinhos ocupavam o nicho ecológico de golfinhos, orcas e cachalotes (comiam quase o mesmo cardápio), depois que o planeta fosse reorganizado e os novos oceanos e mares surgissem não haveria mais lugar para eles. Muitos dos seus alimentos como os amonites, também não estariam mais lá. Uma vez que toda uma cadeia alimentar foi destruída, também a nível terrestre, também não havia mais lugar para pterossauros competirem com morcegos e aves. Mas curiosamente, seus vizinhos, as tartarugas, komodos e crocodilos que podiam deixar o mar, não enfrentaram mais concorrentes no mundo pós Dilúvio e sobreviveram ao juízo final dos ‘dragões’.


por Pr. Ericson Danese

[1] Ver o artigo ‘Dinossauros: Uma proposta Criacionista’, deste mesmo autor.
[2] http://creation.com/kamikaze-ichthyosaur
[3]http://www.otempo.com.br/otempo/noticias/?IdEdicao=1615&IdCanal=7&IdSubCanal=47&IdNoticia=137300&IdTipoNoticia=1
[4] http://www1.folha.uol.com.br/folha/bbc/ult272u376389.shtml
[5] http://noticias.uol.com.br/ultnot/bichos/ultnot/reuters/ult297u263.jhtm
[6] http://cienciahoje.uol.com.br/colunas/cacadores-de-fosseis/os-repteis-marinhos-do-passado/
[7] http://cienciahoje.uol.com.br/colunas/os-lagartos-marinhos-do-passado/
[8] http://galileu.globo.com/edic/95/conhecimento2.htm
[9] Meteoro extinguiu mesmo dinossauros, diz maior estudo sobre o tema 04 de março de 2010 | 19h 36
[10] http://www1.folha.uol.com.br/folha/ciencia/ult306u605803.shtml
[11] http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20090724/not_imp407527,0.php

sexta-feira, 20 de julho de 2012

As bênçãos da tenda de Sem

Alargue Deus a Jafé, e habite nas tendas de Sem; e seja-lhe Canaã por servo.
Gênesis 9:27

Por volta de 2500 a.C, os jônicos são identificados em registros hititas como um povo habitando a costa ocidental da Ásia Menor, esta é a época em que Moisés está escrevendo Gênesis e os Assírios chamaram este povo de jamnai, o povo que nós conheceríamos como Gregos.
Eles chamavam a si mesmos de Helenos e seu país de Helade, o termo ‘Gregos’ surgiu quando com os Romanos. Sua civilização tinha uma extensão desde as praias da Espanha até a Ásia Menor, costeando o Mediterrâneo norte e adentrando nas ilhas e penínsulas da Europa. Eram artistas, comerciantes, inventores e escritores que absorveram e modificaram a cultura do mundo de seus dias, fundando o pensamento e a cultura ocidental e também teriam um lugar fundamental na história e na profecia Bíblica.
A tabela das nações em Gn. 10 os apresenta como netos de Noé, filhos de Javã, filho de Jafé. Do nome Javã, teria vindo o nome Iônios ou Jônios e sua terra foi a Jônia, ao oeste da Ásia Menor, onde ficaram pouco tempo. Segunda a Bíblia, Javã teve quatro filhos, embora os nomes possam apenas significar as etnias que surgiram e formaram nações a partir destes quatro, sendo eles:
Elisá, filho de Jafé é para Flávio Josefo o ancestral dos Eólios, seu nome perpetuou-se nos campos Helísios, o céu dos gregos, no termo Helenos designação para gregos e em muitos outros lugares e personagens do Mediterrâneo por onde os gregos estenderam suas colônias e comércio como Lisboa, Lusitânia, Andalusia, Lísias, Luso. Seu nome está em Hélios o deus solar de quem os gregos alegavam descender, em Eólo, o deus do vento e filho de Hélios e em muitos outros nomes como Helena, com as regiões da Élide ou Élis que pode referir-se a Grécia continental. Ez. 27:7 diz que Tiro negociava tecido púrpura da ilhas de Elisá, talvez Sicília e Sardenha ambas colonizadas por gregos.
Társis, filho de Jafé, parece referir-se a diferentes colônias gregas, tanto na Ásia Menor na Cilícia onde a cidade de Tarso preservou seu nome incluindo no rio daquela região, ou na Tartessos da costa da Espanha, onde gregos e fenícios tinham postos avançados e comércio com os Ibérios. Na mente dos escritores Bíblicos, Társis era uma terra remota, pois é mencionada assim em lugares como Isa. 66:19, Salm. 72:10 e Jn 1:3. Não faria sentido ser a Tarso de Saulo ou Paulo.
Os Ibérios foram um povo misterioso e não grego, mas ao sudeste de suas terras, seu litoral desenvolveu uma região de intenso colonialismo e mistura étnica religiosa. Os Ibérios tinham os celtas que os conquistaram do norte, tinham os Fenícios que fundaram ali suas colônias e finalmente os gregos, todos juntos num local que os romanos chamaram de Tartessus, de onde saiam navios para o resto do mediterrâneo com metais retirados daquela mina, aliás, Társis significa fundição, ou refinaria e pode ter sido o nome de vários locais.
Quitim, filho de Jafé, para Flávio Josefo é pai de tribos gregas que colonizaram as ilhas do Egeu em direção ao Ocidente. Os textos de Isa. 23:1 e 12 identificam como uma terra próxima a Tiro e Sidon. Jeremias 2:10 e Ezequiel 27:6 os Quiteus moram em um conjunto de ilhas. Josefo identificou sua capital principal com o Chipre e a cidade de Citium ou Kition, conhecida pro Gregos e Romanos.
Os judeus traduziram na Septuaginta a palavra Quitim de Dn. 11:30, por Romanos, embora comentaristas concordem que o uso ali seja para gregos em geral. O livro apócrifo de I Macabeus descreve Alexandre o Macedônio como vindo da terra de Quitim, já um tratado rabínico medieval, o Yosippon, diz que Quitim acampou no sul da Itália, na região hoje chamada de Campania onde construíram a cidade de Posomanga. De fato, na atual da Campania encontramos Nápoles, que origina-se de uma cidade grega chamada Neapolis conquistada mais tarde pelos Romanos. Pode estar relacionados com os Sabinos, povo da península Itálica que tinha um dos seus deuses chamado Quirino, visto como ancestral dos Romanos e identificado até mesmo com Rômulo o fundador de Roma.
Dodanim, filho de Jafé é o progenitor dos gregos da ilha de Rhodes, onde foi construída a gigantesca estátua do colosso de Rodes, uma das 7 maravilhas do mundo antigo. Sua estátua era em homenagem ao deus Hélios, o que mostra sua origem como tribo grega arcaica, quando Zeus e os Olímpicos não eram tão importantes quanto os ancestrais fundadores. Alguns apontam que eles também estariam ligados aos gregos macedônios.
Mas os gregos misturam-se a outros povos nativos da costa do mediterrâneo como os primitivos Pelágios que eles descrevem como habitantes nativos da Grécia continental, os Íberos da Espanha, povos da península Itálica, Cretenses e da cultura Nuráguica na Sardenha.
Muitos dos deuses gregos se originaram do sincretismo religioso através do contato com estas nações. Os gregos antigos aparentemente cultuavam as forças da natureza, como é característico nas tribos indu europeias, suas divindades primordiais são Titãs que personificam o oceano, a terra, o céu, o Sol e a Lua. No entanto, após as misturas com tribos camitas em Creta, com os Pelasgos e com as colônias Fenícias novos deuses o costumes de adorar ancestrais foram amplamente difundidos na Grécia. Isto foi visto no costume de consultar oráculos, uma prática mediúnica muito comum na religião grega.
Segundo as lendas gregas, Zeus é o grande adivinho, o que o conecta também com Odin nórdico. Um dos mais antigos santuários de adivinhação é o de Dodona, no noroeste da Grécia que segundo Heródoto foi construído quando uma pomba voou de Tebas no Egito e falou que um santuário deveria ser feito naquele local. De fato, Zeus encontrará conexão com Amom Egípcio, outro adivinho.
No local onde havia um carvalho foram construídos santuários dedicados a Reia, Zeus e mais tarde, Hércules. Outros oráculos famosos existiram em Olímpia, Chipre, Creta, Atenas e na famosa Delfos, onde o oráculo de Apolo atraia pessoas de todos os lugares para consultarem a pítia. Mas estas divindades como Apolo e Afrodite são mais tardias na Grécia e conforme estudiosos, elas carregam uma grande influencia Asiática.
Quando os gregos traçam sua origem, não o fazem do famoso Zeus, ancestral de muitos reis e heróis gregos. É como se estivessem dizendo que Zeus é uma divindade posterior, hibrida de suas relações com outras nações, que embora fosse o atual e popular rei dos deuses, não era o seu ancestral. Eles nem sequer traçam sua origem de um deus Olímpico como o solar e brilhante Apolo, tão importante para suas artes e oráculos. Curiosamente eles têm duas divindades solares distintas, Apolo e o arcaico Hélios, sendo o mais antigo um titã, um deus descartado, mas que para eles era o progenitor de seu povo.
Na lenda, Hélio era o filho de Deucalião o sobrevivente do dilúvio, um titã solar adorado pelos primeiros gregos, que tardiamente o trocaram por Apolo como divindade solar, culto que deve ter sido importado da antiga Tróia. Éolo, deus dos ventos e filho de Hélio, era considerado o pai mítico dos Eólios, tribo grega que colonizou as ilhas e o litoral do mar Egeu. O Sol como astro supremo e o vento que ajudava estes primeiros navegadores que segundo a Bíblia (Gn.10:5) repartiram as ilhas entre si não seriam divindades óbvias dos ‘gentios’ filhos de Javã?
Conforme o mito grego, Doro, filho de Éolo colonizou o Peloponeso e seus descendentes foram chamados de Dóricos. Xuto, o segundo filho de Éolo foi expulso da Tessália por seus irmãos e refugiou-se em Atenas onde casou com a princesa Creusa e foi pai de Íon de onde vieram os Jônios e de Aqueu, de onde vieram os Aqueus.
A coincidência é muito grande entre a descrição Bíblica e a tradição da mitologia grega. Na Bíblia, Javã foi pai de quatro tribos gregas que descenderam dele (Elisá, Társis, Quitim e Dodanim) e a mitologia designa os gregos como quatro etnias históricas (Eólios, Jônios, Aqueus e Dóricos).
Apenas esta origem em comum é capaz de explicar como as pontilhadas e individualistas cidades-estados gregas sempre mantiveram um intercâmbio cultural capaz de fundar a democracia ou fazer diversas descobertas cientificas. Suas famosas cidades como Atenas dos cultos artistas e filósofos ou Esparta dos famosos guerreiros finalmente foram unificadas por Alexandre o Grande da Macedônia que alastrou um império que varreu do Mediterrâneo até a Índia e implantou o que foi chamado Helenismo. Ele fundou o reino que Daniel chamou de cintura de bronze em Dn.2 e que mais adiante descreveu com a velocidade de leopardos com quatro asas e se dividia em quatro cabeças, significando as quatro divisões do império Alexandrino. Ele, Alexandre é o bode que grande chifre que abate os Medo Persas, mas tem seu chifre quebrado em pleno auge. Na história Bíblica, Alexandre é um coadjuvante que cumpre seu papel e sai de cena dando lugar ao plano de Deus.
Os soldados de Alexandre fundaram cidades com a cultura Grega, espalharam o idioma e principalmente o alfabeto grego. O grego koine, um língua bem mais versátil que as línguas antigas tornou-se o idioma oficial do império e foi mantido inclusive por Roma que sucedeu o domínio mundial dos gregos, mas o absorveu sua cultura. Foi nesta língua que os escritores do Novo Testamento propagaram o Evangelho que pode ser conhecido por todo o mundo da época.
Este era o plano de Deus. Gregos e Romanos, descendentes de Jafé dominaram o mundo, incluindo as nações Camitas e ao abraçarem a fé Cristã através das pregações de Paulo, o apóstolo aos gentios que visitou a Grécia em lugares como Filipos, Tessalônica, Beréia, Atenas e Corinto foram convertendo-se e abandonando os rudimentos do paganismo. Suas cartas e discípulos inundaram o império Romano e converteram o próprio império que terminou rejeitando o paganismo e aceitando o Cristianismo. De certa forma, ao abraçar a fé judaico/cristã, o mundo helenizado dos descendentes de Jafé, ‘espiritualmente’ habitaram nas tendas de Sem, cumprindo a profecia de Gn. 09:27.

Por Pr. Ericson Danese

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Hércules X Sansão


Então Sansão clamou ao SENHOR, e disse: Senhor DEUS, peço-te que te lembres de mim, e fortalece-me agora só esta vez, ó Deus, para que de uma vez me vingue dos filisteus, pelos meus dois olhos.

Juízes 16:28

Se pudesse ter acontecido, como seria um duelo entre os mais fortes heróis de todos os tempos, Hércules o campeão grego contra Sansão, o mais forte guerreiro de Israel? Esta luta seria a maior luta de todos os tempos se não fosse pelo fato de que um existiu e o outro não.
Hércules é um mito grego que relata a história de um homem filho de uma mortal com o rei dos deuses gregos. Sendo fruto de um adultério de Zeus, Hércules é perseguido por Hera a esposa ciumenta que sujeita a 12 trabalhos dignos de um super-herói. Sansão é a história de um jovem que nasce de uma mãe estéril, fruto de um milagre de Deus concedido a seus pais. O rapaz é Nazireu desde o ventre de sua mãe, ou seja, foi separado para ser um reformador religioso de Israel e uma profecia a respeito dele diz que ele livrará seu povo da mão dos Filisteus. Tanto Hércules quanto Sansão foram conhecidos por sua força.
Vamos comparar os dois personagens, sua força e descobrir porque a Bíblia se distingue das lendas:
Hércules é o nome latino de Herácles grego, na verdade os Romanos já tinham uma lenda sobre um pastor descomunalmente forte que chamavam de Recaranus ou Garanus, enquanto os Estrucos o chamavam de Hercle. Os povos germânicos tinham divindades chamadas de Donar ou Thor que o historiador Romano Tácito identificou como Hércules, celebrado por eles como o primeiro dos heróis. Hercules pode ter sido a fusão de heróis locais fundadores das tribos europeias com a lenda indo europeia de um deus do raio, um guerreiro que sempre usava uma clava, uma maça ou um martelo.
Sansão, para todos que creem na historicidade do relato Bíblico foi um personagem do período dos juízes, uma época de liderança fraca, algumas gerações após Moisés e Josué, quando Israel estava conquistando os territórios de Canaã. A tribo Israelita dos Danitas vivia oprimida pelos Filisteus, mais adiantados em armas e cultura. Sansão distinguiu-se por sua força e foi feito líder de seu povo, embora demonstrasse irresponsabilidade e frequente imaturidade.
Hércules nasceu em Tebas, importante cidade grega onde ele se casou com a princesa Mégara que lhe deu vários filhos. Hércules era descendente da dinastia Perseida de Micenas e Argos, enquanto Sansão é um homem filho de camponeses pobres da pequena vila de Zorá, de uma tribo pouco expressiva e interessou-se em casar com uma jovem Filisteia, da cidade de Timnate.
Entre as façanhas de Hércules e Sansão vemos clara diferença entre o fantasioso e o real. Hércules luta e vence monstros como os centauros que são metade homem metade cavalo, um dragão de cem cabeças, um gigante de seis braços e quatro asas, um cão de três cabeças, uma serpente de nove cabeças que se regeneravam e separar as montanhas do Estreito de Gibraltar. Por outro lado, as façanhas de Sansão não têm elementos fantásticos embora, sejam extraordinárias como vencer um leão, vencer um exército armado apenas com uma queixada de jumento, arrebentar amarras, arrancar um portão de cidade e finalmente derrubar com as mãos as colunas que sustinham o templo Filisteu.
O fantasioso do mito grego se distingue do histórico da Bíblia nos detalhes. Enquanto Sansão mata apenas um leão jovem, Hércules mata um leão mágico de pele invulnerável. Enquanto Sansão ora a Deus e uma força sobrenatural o toma, Hércules é naturalmente forte por ser filho de Zeus. De fato, o semi-deus Hércules é deificado no final da história.
Podemos ver um certo fundo histórico na lenda de Hércules que remete aos primórdios da colonização grega na costa do Egeu. A Europa é descrita como um continente selvagem, repleta de animais como corças, javalis, touros e até leões, um animal que só existiu na Europa pré histórica. Como os gregos descreviam a existência ainda comum de leões na Europa se estes já deviam estar extintos? Aparentemente não existe um período tão grande entre a pré história e a história da civilização pois os gregos pré clássicos achavam que certos animais da idade do gelo ainda eram comuns em seus dias.
O fundo histórico de Hercules reflete ainda a distorção da profecia de Gn. 3:15 e da batalha do Messias contra Satanás a antiga serpente. Hercules luta com a hidra, com dragões assim como se espera que o Messias vença a serpente. Hércules vai a lugares fantásticos como o jardim das Hespérides, onde há uma árvore com frutos de ouro que é guardada por um dragão, o que nos lembra da árvore da vida no jardim do Éden que é guardada por uma serpente.
A luxúria de Sansão e seu namoro com Dalila o levou ao cárcere e a morte prematura no templo Filisteu, ficaram famosas e são mostradas na Bíblia como o ponto fraco do herói, mas com Hércules não há pontos fracos no idealismo do herói mitológico. Hércules é devasso, teve pelo menos três esposas, fica louco, mata seus filhos, em um episódio dorme com as cinquenta filhas do rei Téspio e tudo isso é mais um motivo de heroísmo do homem que inspirou os jogos gregos.
A morte de Hércules é uma tragédia tola, após sua esposa Dejanira ser enganada por um centauro, ela faz uma camisa que imagina que a magica desta fará Hercules não ser infiel no casamento quando na verdade a camisa queima seu corpo, no entanto, em vez de tirar a camisa Hércules se suicida atirando-se a uma pira funerária incendiada e depois é divinizado por Zeus que o recebe no Olimpo entre os imortais.
Ao contrário, a morte de Sansão que parece um suicídio está muito longe de o ser. Cego e humilhado, Sansão ora ao Deus de sua infância e pede que lhe de forças pelo menos mais uma vez para cumprir a missão que nunca havia cumprido, livrar seu povo dos Filisteus. Ele derruba as pilastras que sustem a casa de Dagon o deus Filisteu e com isto morrem centenas dos mais importantes Filisteus dando liberdade ao seu povo, mas para Sansão, já era tarde demais para escapar.
Não há mito em Sansão! Mesmo sua força não pode livrá-lo de passar sede, ficar cego ou ser esmagado pelos escombros do templo. Sua morte não é uma tragédia fruto de poetas gregos para ser encenada em teatros para divertir o povo, sua morte é uma oferta para que outros tenham liberdade, assim como a morte de Cristo não é um suicídio, mas a oferta de um Deus que visita os homens e a si mesmo se entrega para que a humanidade desfrute a oportunidade arrependimento e vida eterna através da sua morte substitutiva.

Por Pr. Ericson Danese

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Fúria de Titãs

Porque não vos fizemos saber a virtude e a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo, seguindo fábulas artificialmente compostas; mas nós mesmos vimos a sua majestade.

2 Pedro 1:16

Depois do clássico filme Fúria de Titãs (1981), a mitologia grega voltou a moda com a versão de 2010 de Fúria de Titãs, cheia de efeitos especiais atualizados, cenas de ação e muita distorção do filme e do mito original para tentar ganhar o público mais preocupado em ver os temas comuns que gosta refletidos nos personagens. É um ‘Perseu’ pós adolescente em conflito com o pai (Zeus) que mostra que ‘é o cara’ ao acabar com monstros míticos, praticamente sem precisar dos deuses, mostrados como inúteis e indiferentes. As multidões assistem esses filmes sobre heróis gregos e no entanto nem fazem ideia do que realmente está por trás da estória que pretende ser apenas um passa tempo visual para quem não acredita em Medusas, mas curte ficar petrificado na frente da telinha ou telona.
O que está por trás da verdadeira história de Perseu e Andrômeda?
Historiadores concordam que os primeiros gregos da tribo dos Aqueus chegaram à região de Micenas, Argos e Tirinto onde absorveram os habitantes locais que viviam na idade da pedra, enquanto os Aqueus estavam na idade do bronze. Destes habitantes das cavernas que mais tarde seriam chamados de homens primitivos, os gregos podem ter tirado a inspiração para as lendas sobre ciclopes e gigantes, mostrados como seres fantásticos e rudes, habitando cavernas que ajudam os heróis e reis a construírem as primeiras muralhas de pedra.
Segundo a lenda, em Argos vive o rei Acrísio, irmão gêmeo de Preto que reina em Tirinto depois de perder Argos para o irmão. A lenda diz que Acrísio teme uma profecia de que o seu neto através de sua filha Dânae um dia o matará, então a tranca numa torre para não ter contato com nenhum homem, porém ela é avistada por Zeus que se derrama sobre a moça na forma de uma chuva de ouro e a engravida.
No entanto, algumas versões apontam que em lugar de Zeus, foi Preto que engravidou Dânae. Esta versão é bem mais convincente e explicaria muita coisa. Talvez o rei realmente guardasse a jovem donzela, até que seu próprio irmão aproveitou-se dela e a engravidou. A expressão ‘chuva de ouro’ pode representar uma grande soma de dinheiro sendo paga como dote e resgate pelo crime cometido. Perseu poderia ser o filho de Preto e legitimamente herdar o trono de Argos e ao mesmo tempo neto e herdeiro de seu tio Acrísio. O rei de Argos sentia-se muito ameaçado, pois o filho de seu irmão era o herdeiro de direito de seu trono e em caso de guerra, o herdeiro ainda teria o apoio e seria o herdeiro do reino vizinho.
A lenda diz que ele jogou Perseu no mar a vagar num caixão com sua mãe, tal como Moisés no Nilo, mas Perseu foi achado e criado por uma família pobre da ilha de Sérifo. Talvez o caixão seja um símbolo para suposta morte certa, ao serem abandonados num barco como náufragos, mas sobreviveram e o restante do mito idealizará Perseu ao estilo dos grandes heróis, para isso ele tem que matar monstros.
A parte da morte de medusa é tão irreal na narrativa que nem tem conexão com o andamento da estória. Não há uma justificativa real para Perseu partir, em algumas narrativas ele é pobre e quer dar um presente ao rei, em outras ele é o herói de um torneio. O objetivo desta parte da narrativa é justificar com que meios ele obterá a cabeça de medusa para usar como arma mais tarde.
A Medusa era o castigo dos deuses a uma mulher vaidosa, ao vencer a Medusa, Perseu vencia um juízo divino e tornava-se um herói porque também era vitorioso sobre forças sobrenaturais. Medusa é o símbolo da mulher sacerdotisa das religiões de mistério, ela é mágica, é mulher serpente, quando Perseu a vence, domina seu poder apropriando-se de sua cabeça. Perseu é um rei que domina o sobrenatural. Uma das grandes características da clássica mentira fruto de imaginação de um mito, é a concepção de seres fantásticos vencidos em uma terra distante. Afinal, quem poderia chegar até lá para dizer que é tudo mentira?
Agora Perseu fez um feito heroico esperando de um ‘Messias’, ou um rei que vem para salvar seu povo, então ele possuí armas e prerrogativas divinas e a imaginação grega lhe confere um cavalo alado, o Pégassus nascido do sangue de Medusa, um símbolo da vida após a morte, outro indício da filosofia e misticismo por trás do mito de Perseu. Se Perseu foi um personagem real, tudo isto foi o mito adicional várias gerações depois, para justificar a divindade de uma família real que dominou a Grécia Micênica inicial.
 Mas falta-lhe a rainha para ser rei.
Ele para na Etiópia num porto Fenício e o mito diz que ele salva uma linda donzela que está para ser morta, sendo oferecida como sacrifício para Posseidon e seu monstro Cetus ou Craquem na versão do filme. Ele usa a cabeça de Meduza e salva a princesa Andrômeda filha do rei Cefeu e da rainha Caciopéia.
Como os gregos inventaram esta parte do mito?
Esta é a parte mais importante da estória, ela explica a contribuição Fenícia, Camita e Cananita para a religião grega, onde mais uma vez este povo que praticava uma religião bárbara e diabólica que sacrificava crianças e adorava demônios conseguem infiltrar-se e influenciar os primórdios da Grécia.
Andrômeda pode realmente ter sido salva, pois era prática comum dos Fenícios fazer sacrifícios humanos de seus próprios filhos, embora isto fosse mais comum com indefesos bebês, é possível que mito de Cetus e sua batalha com Perseu seja na verdade uma releitura da batalha de Baal o deus celeste que combate Yan o dragão marinho dos Cananeus Fenícios. O mito de Baal e Yan é ainda uma versão do mito Sumério/Babilônico de Marduk contra Tiamat, que por sua vez, é a deturpação do simbolismo da profecia de Gn. 3:15.
Agora com sua princesa, Perseu derrota o rei Polidectes da ilha onde fora criado, mas não fica ali, volta à Grécia continental, onde ‘acidentalmente’ conforme o mito, mata seu avô Atreu. Perseu não assume o trono de Argos por ser o assassino do antigo rei, mas entrega Argos a seu meio irmão Megapente, filho de Preto, enquanto ele reina em Tirinto e funda Micenas onde terá sete filhos e iniciará a dinastia dos Perseidas e o império Micênico.
Se você conhece a história Bíblica do rei Acabe, vai lembrar que ele casou com uma princesa Fenícia chamada Jezabel que aniquilou com os profetas de Deus e instalou o culto a Baal. Algo muito parecido aconteceu com a Grécia, estima-se que até 10% da população do Mediterrâneo tenha mistura com sangue Fenício e bem provável que a rainha Andrômeda que justifica a origem da casa real mais importante da Grécia tenha mesclado à religião grega e fenícia, importando os cultos de Canaã e Babel para o mundo ocidental. Andrômeda e a mistura com a religião Fenícia são a conexão do mundo ocidental com o espiritismo, o culto a Satanás e Babel.
Não podemos ter certeza que Perseu e Andrômeda foram personagens reais, mas os gregos, além do fantasioso, viam neles personagens reais.
O filho de Perseu, Eléctrion governou como sucessor e em combate aos primos que governam Argos, perde seus filhos e é morto por seu sobrinho Anfitrião, casado com Alcmena, filha de Eléctrion. Alcmena engravida e o filho é justificado como sendo de Zeus, (então, Zeus é tanto pai de Perseu quanto é pai de Hércules, filho dele com sua neta Alcmena). Na verdade, o mito também diz que Alcmena se casa depois de viúva com um Cretense descendente do rei Minos, que também vem de linhagem 1/3 grega, 1/3 cretense e 1/3 fenícia, vindo de uma terra onde se adora o Zeus Touro e se diz ser o local onde Zeus foi criado.
O interessante é que você começa a perceber que os deuses não eram deuses, eram apenas homens que foram divinizados depois da morte por seus descendentes e que os heróis não eram heróis, mas receberam um mito para justificar o direito de determinadas famílias a reinar. A mitologia nada mais do que deturpação da religião original e os monstros, são apenas imagens visuais de medos e ameaças que as pessoas tinham. Veja como a história explica o que está por trás do mito:
Hércules será sempre perseguido por Hera, que era adorada em Argos, cidade rival dos Persaidas. Como os líderes de Argos e adoradores de Hera são constantemente inimigos dos Perseidas, que se justificam como filhos de Zeus, Hera será mostrada como a esposa divina ciumenta que persegue os filhos de Zeus.
Anfitrião é exilado e Esténelo assume o trono de Micenas, ele é o terceiro perseida e casa com Nicipe, princesa de Élis, dos quais nasce Euristeu o quarto e último perseida. Mas as lutas não demoram a surgir entre os Perseidas e Esténelo persegue os heráclidas, descendentes de Hércules que identificam-se com os dóricos, que reclamavam o trono Micênico e então refugiaram-se em Atenas. Quando Euristeu é morto com seus filhos, os Micênicos colocam Atreu, descendente do rei Pélope, pai Nicipe como rei de Micenas.
Ele guerreou com seu irmão pelo trono de Micenas e seus filhos Agamemnón e Menelau casaram-se com as princesas espartanas Clitemnestra e Helena, os Atreus herdaram respectivamente os tronos de Micenas e Esparta e foram aliados poderosos. Na época destes, ocorreu a guerra de Tróia e com esta chegaria ao fim a era dos heróis, um tempo intermediário entre os primórdios da civilização pós Babel e o início da era clássica antiga. Todos os heróis gregos são deste período e curiosamente vão deixar de existir na Grécia clássica, o que prova que alguns deles, podem realmente ter existido sem a descrição mística que conhecemos, suas histórias eram fruto das tradições orais folclorizadas.
Fúria de Titãs fez tanto sucesso que ganhou uma versão II, ainda mais fora da mitologia grega, mas quem se importa? Afinal mitologia é só fantasia mesmo.
No passado, os poetas pagãos fizeram folclore com base em tradições, personagens e até deturpação da história e profecia Bíblica conhecida por tradição oral e ancestral. Isto fez tanto sucesso que se tornou a religião deles. Muitos dos ateus e descrentes atuais apontam que a história Bíblica não é diferente do que o mito pagão, mas uma análise criteriosa desmascara um e revela o outro. Quando os profetas se depararam com estas histórias e viram algumas semelhanças da expectativa messiânica pagã e judaica, não aproveitaram para unir as religiões como pretendem alegar os críticos da Bíblia, o que lhes traria imediata popularidade, mas foram até acusados de intolerância religiosa e de promover sedição. Os profetas Bíblicos e apóstolos foram taxativos em diferenciar a fé do mito dizendo:

“Porque não vos fizemos saber a virtude e a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo, seguindo fábulas artificialmente compostas; mas nós mesmos vimos a sua majestade.” 2 Pedro 1:16.

por Pr. Ericson Danese

sexta-feira, 15 de junho de 2012

A Rainha dos Céus


Não vês tu o que eles andam fazendo nas cidades de Judá, e nas ruas de Jerusalém? Os filhos apanham a lenha, e os pais acendem o fogo, e as mulheres amassam a farinha para fazerem bolos à rainha do céu, e oferecem libações a outros deuses, a fim de me provocarem à ira. Acaso é a mim que eles provocam à ira? diz o Senhor; não se provocam a si mesmos, para a sua própria confusão?

Jeremias 7:17-19

Rainha dos Céus era o título da deusa babilônica Ishtar da guerra, do amor e da fertilidade é uma versão da deusa Inanna dos Sumérios, da Astarte dos Cananeus, de Ísis, Hathor, Sekhmet ou Bastet dos Egípcios. Associada ao planeta Vênus ou uma roseta na mitologia babilônica e com a estrela Sírius para Ísis Egípcia, em culturas mais distantes, seu significado se fundiu com a cultura da ‘deusa mãe’ ou distorceu-se um pouco mais, dividido-a entre diferentes identidades e personalidades como vemos na versão grega das deusas Artemis, Atena e Afrodite, ambas figuras do panteão grego, mas oriundas de etnias gregas diferentes que pouco a pouco formaram a lista das divindades gregas.
É estranho pensar em porque ela sendo uma deusa feminina do amor, veio a se tornar uma deusa da guerra, uma vez que guerra era uma atividade masculina. Talvez o mito tenha somado características de uma figura histórica posterior ao culto de Inanna. Não seria estranho se descobríssemos no passado de Babel a figura de uma líder mulher que possa ter influenciado as mudanças no culto Inanna/Ishtar tal como rainhas sacerdotisas a exemplo de Jesabel e Cleopatra influenciaram seus países. Sabemos por exemplo como em períodos arcaicos da Suméria, a filha do grande Sargão tornou-se sacerdotisa e líder muito influente de Ur.
Existem pelo menos duas listas de reis pré e pós diluvianos da antiga suméria, uma de cerca de 2000 a.C e outra do 3º século a.C, ambas são similares em números e nomes e se parecem muito com a cronologia Bíblica, exceto porque as idades são muito mais elevadas no caso das listas seculares. Na lista suméria, após o dilúvio temos a dinastia de Kish reinando, tendo Gaur como soberano. Seria Kish o Cush pai de Ninrode? Seria Gaur o próprio Ninrode? Muitos advogam que Ninrode é apenas um título de soberano tal como César.
Na linha 47 da inscrição cuneiforme menciona-se que após o reinado de Gaur, uma mulher assumiu a soberania. A linha diz “Khulla-Nidada, a divina donzela”[1]. De fato, o título ‘divina donzela’ lembra muito os mitos de Inanna, Ishtar, Artemis e outras deusas da antiguidade. Acho provável que Khulla Nidada tenha existido apesar da Bíblia não falar nada sobre ela. Penso que represente uma rainha mãe local, que pode ter dado origem ao culto de Ishtar. Se ela era aparentada ou não com o Ninrode bíblico (mãe, irmã, filha) não podemos saber e qualquer declaração é mera especulação.
O controle da religião nos primórdios da humanidade pós dilúvio teve muito haver com a sabedoria sobre as estações do ano e conhecimento das épocas para a colheita. Veja como as religiões ancestrais eram focadas em cultos a fertilidade. O texto Bíblico menciona que com as alterações climáticas provocadas pelo dilúvio, surgiram as estações do ano e certamente aqueles que estavam no poder do governo de babel deveriam ter uma explicação para tais acontecimentos que determinavam a sobrevivência da civilização.
No culto de Ishtar/Inana, a deusa era mãe, amante e esposa de Tamuz o protetor de Babel e filho de Marduk, assim como para os sumérios Inanna é a consorte de Dumuzi que após voltar do submundo, surpreende seu marido com uma amante, sendo que a origem das estações se dá a partir de então tendo Dumazi por seis meses no mundo dos mortos e nos outros seis meses sua amante, enquanto ele está entre os vivos. Entretanto, na versão babilônica Tamuz é morto e Ishtar desce aos infernos para resgatá-lo, trazendo de volta ao mundo dos vivos onde ele vive seis meses de primavera/verão com ela e seis meses de outono/inverno no mundo dos mortos. Ou seja, Tamuz passou de traidor à vítima.
Esta mudança provavelmente se deve a alterações políticas e econômicas no modo de vida. Esta novidade no culto será compartilhada com sírios, fenícios e se tornará o Osíris Egípcio e o Adônis dos gregos. No rito de Tamuz, as mulheres choravam por sua morte no 4º mês, que corresponderia a meados de Junho e Julho do nosso calendário. Na época do domínio babilônico, vemos este ritual sendo descrito por Ezequiel como abominação ao Senhor, Ez. 8:14-15.
Em Isaías 14 o anúncio da queda de Babilônia mistura-se a decadência de Lúcifer o portador de luz, anjo que se rebelou contra o governo de Deus, esperando receber a mesma adoração que Deus (14:12-15). Seu título ‘filho da alva’ e ‘portador de luz’ o identifica com o nome Lúcifer e seu símbolo é a estrela da manhã, ou seja, o planeta Vênus. Sob este ponto de vista, para o Israelita dos dias de Isaías, Ishtar adorada como o planeta Vênus era o próprio Lúcifer!
O culto da deusa conheceu diferentes vertentes nos mais diferentes lugares, seja como mãe Terra ou como esposa do deus, ou ainda mais popular como mãe do deus. Repare na semelhança dos ídolos do passado, mostrando claramente a derivação religiosa:

·         Deusas com características que lembram anjos (indicação a Satanás);

·         Deusas que lembram rainhas e soberanas em tronos (indicação rainhas e sacerdotisas);

·         Deusas da beleza e do amor (indicando personagens como a descendente de Cain, chamada Naamá, que significa a bela, Gn.4:22)

·         Deusas que aparecem dominando animais como leões, corujas e serpentes (indicação a deusa mãe, uma memória de Eva, a ancestral que viveu no jardim entre as feras);

Obviamente os símbolos são relativos à interpretação de cada cultura, mas o que Isaías estava querendo dizer é que os deuses babilônicos eram na verdade o próprio Satanás e o rei de Babilônia receberia o mesmo destino reservado a Satanás. Interessante! Ao conectarmos Ishtar com Inanna dos sumérios descobrimos sua ligação com figuras ancestrais femininas que foram mistificadas, então, Satanás induziu as pessoas a adorarem personalidades mortas, quando na verdade estavam a adorando ao próprio Sataná.
Ao serem adoradas figuras matriarcais em forma de lindas estátuas modernas, como rainhas e ‘mães’ espirituais, não seriam estas figuras uma alusão aos mesmos demônios que foram adorados pelos Babilônios como rainha dos céus.
A Bíblia diz:
“Os outros homens, aqueles que não foram mortos por esses flagelos, não se arrependeram das obras de suas mãos, deixando de adorar os demônios e os ídolos de ouro, de prata, de cobre, de pedra e pau, que nem podem ver, nem ouvir, nem andar, nem ainda se arrependeram dos seus assassiníos, nem das suas feitiçarias, nem da sua prostituição, nem dos seus furtos” Ap. 9:20-21



Por Pr. Ericson Danese
Bibliografia Geral, ver postagens anteriores das séries sobre civilizações.


[1] Silva, Rodrigo. Escavando a Verdade, 64.