domingo, 29 de janeiro de 2012

Quem se importa com os Acadianos?

“Disse-lhe mais: Eu sou o Senhor, que te tirei de Ur dos caldeus, para te dar esta terra em herança.”
Gn. 15:7

A Bíblia apenas menciona em Gn. 10:10 o nome da cidade a qual acreditamos que eles tiveram origem. Acade (sig. Fortaleza), fundada ou dominada por Ninrod, chamada também de Agade, que denominou o império Acadiano, conhecido como primeiro império do mundo, estendendo-se do Golfo Pérsico a costa da Palestina. Na verdade, a maior parte do que sabemos sobre eles vem de estatuetas e inscrições cuneiformes da época do primeiro império Babilônio. Essas cópias feitas por escribas Babilônios apresentam tabletes de reis Acadianos que viveram séculos antes.
Os motivos das inscrições eram muitos, mas foram os Acadianos os primeiros a usar as stelas e murais de vitória para propaganda política, influenciando o povo e contando os fatos como lhes convinha.
Em muitas destas inscrições o rei era apresentado como o escolhido dos deuses, eleito para ser o soberano, para defender os marcos de suas cidades e promover os altares dos deuses, do qual ele era o mediador entre eles e os homens. As terras eram consideradas dos deuses e se pagavam contribuições aos sacerdotes pelo uso delas. Estar no controle da fé era um bom negócio e os soberanos acadianos não abriam mão disso.
O rei é apresentando como vitorioso esmagando os inimigos dos deuses, a estela de Naran Sin o apresenta como um vitorioso que pisa e transpassa seus inimigos e usa uma coroa com cornos, símbolo visto em muitos deuses sumérios e acadianos.
O exército Acadiano era mais versátil que o exército sumério convencional. Os acadianos distribuíam sua tropa com armas inovadoras, mais leves e letais como lanças e machados, no entanto seriam os arqueiros que fariam a diferença ofensiva na recém inventada ‘artilharia’. A motivação do soldado era ganhar um pedaço das terras conquistadas.
Quando dominavam uma cidade, os Acadianos infiltravam um regente local filiado ao soberano e dominavam a religião, absorvendo e respeitando tanto quanto possível os mitos locais. Pouco se vê a diferença entre a religião acadiana e os sumérios. Você pode se perguntar ‘quem se importa com os Acadianos?’, mas os Acadianos não só inventaram o império, mas inventaram a união de estado e religião! Assunto muito relevante ainda hoje!
Seu império foi fundado pelo famoso Sargão de Agade(Acade), cuja auto biografia cuneiforme lhe dá origens que lembram Moisés e os heróis clássicos. Sua trajetória lembra muito a história de Ninrod. Sendo ele posterior ao período de Babel, já que o Acadiano era uma língua diferente do Sumério, é provável que Sargão tenha sido um líder semita que reuniu exércitos e inspirado pelas histórias de Ninrod dominou as outras cidades.
Um bom exemplo de sua habilidade em formar um estado religioso é sua filha Enheduana a famosa princesa sacerdotisa de Ur dos Caldeus, autora de 42 hinos à deusa Inana. Os Acadianos chegaram ao seu apogeu com o neto de Sargão, Naran Sin e depois disto decaíram com as invasões dos Gutias que abriram espaço para o renascimento sumério liderado pela cidade de Ur.
Os acadianos se desfizeram rapidamente, mas sua influencia na maneira de governar estado e religião permaneceu entre os sumérios, não é a toa que neste ambiente totalitário de paganismo, onde as terras eram dos deuses (ídolos) e as cidades eram dedicadas aos templos pagãos, o Deus vivo tenha achado melhor tirar Abraão de certa cidade adoradora da Lua, chamada Ur dos Caldeus!

por Pr. Ericson Danese

Fontes:
Ver sequência de postagens.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

As cidades de Ninrod

O princípio do seu reino foi Babel, Ereque, Acade e Calné
Gn. 10:10

Conforme os arqueólogos, os primeiros registros religiosos da Mesopotâmia são do culto a An (Anu o céu). Com o passar dos séculos mais de cinco mil deuses chegaram a ser adorados, demonstrando que as origens humanas migraram do monoteísmo ao politeísmo. Nestas cidades primordiais, uma divindade local era considerada patrona e protetora. Seu ídolo era vestido e alimentando pelos sacerdotes.
Alguns desses ídolos eram interpretações do Criador, outros eram representações de ancestrais. Muitas dessas cidades podem ter recebido nomes em referencia a eles, como a cidade de Kish, que talvez homenageie o bisneto de Noé e pai de Ninrod (Gn. 10:8).
Outras aludiam a cidades dos tempos anteriores ao dilúvio. Eridú na lista dos reis sumérios é a primeira das cidades, onde reinou Adapa, filho humano do deus Enki. Alguns apontam que Eridu seria uma referencia a ‘Éden’, ou a cidade ‘Enoque’ de Gn. 4:17, construída por Cain.
Cada vez que uma cidade dominava a outra, aspectos religiosos locais eram intercambiados aumentando a pluralidade dos deuses. As batalhas surgiram, Lagash envolveu-se numa guerra com uma cidade vizinha pelo controle da água, coisa comum naqueles tempos, (Gn. 26:20-21). Em Lagash o patrono era Nim Girsu um deus da fertilidade e das cheias, mas mais tarde os Babilônios o caracterizaram como Ninurta, um deus guerreiro. Outras cidades desenvolveram suas divindades patronas a partir de ciclos astrológicos que auxiliavam no controle da agricultura local tal como Larsa que adorava Utu o Sol e Ur que adorava o deus Lua.
Cada cidade era administrada por um soberano civil e religioso chamado Patesi, ele era o construtor, juiz, administrador e principal representante dos deuses. Normalmente sacerdotes e a realeza estavam envolvidos por laços familiares. Tendo cidades próximas umas das outras, necessidade de liderança unificada, insegurança e laços religiosos comuns, faltava apenas surgir a personalidade popular de um líder capaz de unificar um grande reino!
Foi assim que surgiu Ninrod, um caçador popular, famoso por suas aventuras e com muito talento de liderança. Ele deve ter percebido que a religião era um elemento controlador da população. Conhecendo as cidades daquela época, acharemos a pista desta personalidade:
Babel (Babilônia) no hebraico significa ‘porta de Deus’, a tradição Babilônica diz que foi fundada pelo deus Marduque e foi destruída pelos Acadianos para construir uma nova capital. Certamente o mito de Marduque, celebrado pelos babilônios posteriores aos sumérios é uma versão divinizada da própria história de Ninrod. Seus sucessores precisaram conservar o poder após a queda de Ninrod e devem ter idealizado a história, dando sua própria versão para transformar o fracasso do império de Ninrod em drama religioso que motivava através da fé religiosa.
Ereque (Uruk) era a segunda cidade de Ninrode na margem esquerda do Eufrates, onde foram encontrados dois zigurates. Ereque ou Uruk era a cidade natal do mítico Gilgamesh, certamente um mito inspirado no Ninrod. Suas esculturas o mostram como um valente caçador assim como Ninrod. Seu mito diz que ele se torna o melhor amigo de um selvagem chamado Enkidu e com ajuda dele abatem feras míticas, sendo uma delas uma espécie de leão que guarda a floresta dos cedros e a outra, um touro enviado dos céus.
Acade se tornou Agade, onde surgiu o império Acadiano e Calné é uma cidade ainda não bem identificada, cuja alguns a relacionam com a famosa  Nippur, sig. ‘lugar de passagem’, segundo a mitologia seria este o lugar de residência do deus Enlil quando este foi expulso do jardim da morada dos deuses, tornando esta cidade o maior centro de sua adoração.
Sendo ele Camita, talvez tenha tido uma esposa Semita, na verdade não sabemos, mas parece ter sido muito influente entre os proto assírios e acadianos. Seu reino cresceu e ele tomou conta do sul da Assíria, naquela época as primeiras tribos Assírias habitavam Assur, fundada com o nome de seu ancestral, enquanto Ninrode, identificado com Nino o fundador de Níneve, iniciou cidades como Reobote-Ir, Calá que atualmente é chamada de Ninrude e Resén.
Não é difícil compreender que um personagem real está por trás de todos estes mitos. Talvez Ninrode tenha sido um patesi, um rei guerreiro e caçador que em sua ambição entendeu que a religião e a força ofereciam poder. Ninrode significa ‘rebelde’ e talvez seja apenas o apelido deste homem que construiu a primeira ditadura da história promovendo um governo paralelo aos princípios de Deus.
por Pr. Ericson Danese

*Para fontes ver a postagem anterior.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

As técnicas de Ninrod para manipular as pessoas

Abençoou Deus a Noé e a seus filhos, e disse-lhes: Frutificai e multiplicai-vos, e enchei a terra.”

Gn. 9:1

A vida após o dilúvio não foi nada fácil! Imagine como seria começar tudo de novo? Não há casas, cidades ou tecnologia, exceto as ferramentas trazidas na Arca de Noé, no restante, haviam voltado à idade da pedra. Animais selvagens perigosos, plantio com estações do ano desconhecidas. Pense em como conviver entre oito pessoas num mundo em que a fome, a doença e o clima são uma ameaça constante?
Conforme a população cresceu, as novas gerações foram influenciadas por seus pais. Ouviam as histórias de uma terra idílica anterior ao dilúvio, mas o novo mundo estava cheio de penhascos, pântanos, desertos em formação e geleiras. Como reagiram as adversidades? Todos eles mantiveram plena confiança em Deus? O filho de Noé chamado Cam (Cão) parece não que não aceitou muito bem as mudanças. Era rebelde, desgostoso e irreverente passando estas características a sua posteridade.
Muitos deles viram Deus como injusto. Havia apenas dois caminhos, o 1º era rebelar-se e negar Deus, o 2º redefinir Deus conforme seus próprios gostos. Ninrode, o construtor de Babel (Gn. 10:8-10) sem dúvida pertencia a um grupo de homens que desejavam o poder a qualquer custo. Talvez o próprio Ninrode seja a mente por trás de boa parte da mitologia suméria que em certos aspectos é uma transformação da história bíblica em descontentamento e rebeldia. Veja como a escritora Ellen G. White descreve o comportamento dos adeptos de Ninrod:

Os edificadores de Babel tinham alimentado o espírito de murmuração contra Deus. Em vez de se lembrarem com gratidão de Sua misericórdia para com Adão, e de Seu gracioso concerto com Noé, queixaram-se de Sua severidade ao expulsar do Éden o primeiro par, e destruir o mundo por um dilúvio. Entretanto enquanto murmuravam contra Deus, como sendo arbitrário e severo, estavam a aceitar o governo do mais cruel dos tiranos. ... Os homens de Babel tinham-se decidido a estabelecer um governo que fosse independente de Deus. Alguns houve entre eles, entretanto, que temiam ao Senhor, mas tinham sido enganados pelas pretensões dos ímpios, e arrastados aos seus desígnios.[1]
Vejamos como a arqueologia confirma esta ideia através da mitologia suméria e como Ninrod pode ter manipulado as pessoas usando seu descontentamento:

Ø  Severidade com Adão e Eva

Um selo cilíndrico achado na cidade sumeriana de Lagash apresenta um casal (seria o rei Gudea ou Adão e Eva?) conduzidos ao trono deus Anu ou Enki. O rio da vida sai do trono da divindade e o casal está em posição de clemencia, súplica de penitência, atrás deles vem uma serpente quadrúpede alada (dragão), mas o deus que lhes serve de intercessor é o próprio dragão, sob forma humana (repare as serpentes sobre os ombros de quem leva o casal pela mão). Este ser é Ningishzida, guardião do trono e da árvore do conhecimento, ou a própria serpente do Éden.
Em outras palavras, esta mitologia conserva a história de Gênesis, mas inverte os valores e o caráter dos personagens. Satanás é a serpente dragão, mas em lugar de tentador e inimigo do homem, ele apresentado como um ser divino que fornece o conhecimento negado por um Deus que em sua tirania nega a água da vida eterna para o casal humano. Nesta perversão, Deus é mau e Satanás é o intercessor que tenta aliviar o sofrimento humano!

Ø  Expulsão do Éden

Os deuses estão revoltados com muitos trabalhos então Ea(Enki) resolve criar o ser humano para ser escravo dos deuses e do barro faz Adapa. Enki lhe dá sabedoria mas não dá vida eterna, então Anu (deus dos céus) resolver ‘tentar’ Adapa para lhe dar a vida eterna.
No ‘Mito de Adapa’, Adapa(Adão) é o sacerdote de Eridu (Éden?) cultuando o deus Ea(Enki). Certo dia enquanto pescava o vento sul provoca o naufrágio de seu barco e irritado Adapa corta as ‘asas’ do vento. O deus Anu (divindade dos céus) manda chamar Adapa, mas Ea o seu protetor lhe adverte a não experimentar qualquer coisa que Anu lhe der para comer. Mais tarde descobre que foi privado da comida que lhe daria vida eterna.
Noutro mito correlacionado, os ‘deuses vivem no jardim de Dilmun’ onde não há morte ou dor. Neste lugar, Enki come sete frutos que o envenenam, mas ele é curado pela ‘senhora da costela’. Neste mesmo jardim, outra versão diz que o deus Enlil se apaixona por uma deusa, mas ao estupra-la é banido para a ‘terra do não retorno’.
Os pontos comuns destas lendas com a história Bíblica são claros, porém a versão suméria é tão misturada e os papéis tão invertidos que só é possível se revoltar se o Criador fosse assim como descrito por estas superstições.

Ø  Perversão ao destruir o mundo com Dilúvio

No épico de Atrahasis, o deus Enlil não pode dormir por causa do barulho dos homens, então decide inundar o mundo, mas antes que ele envie o dilúvio o deus Ea(Enki) avisa Atrahasis que entra numa arca com animais e pessoas. Após o dilúvio Atrahasis oferece sacrifícios aos deuses e estes descem como ‘moscas’ sentindo o cheiro da carne assada, para alimentar-se do sacrifício. Nesta versão do dilúvio, Deus é mostrado como um impaciente soberano que por motivo fútil, ‘sono’, resolve destruir todos os que incomodaram.
O historiador judeu Flávio Josefo, do 1º século d.C. diz que tradição informa que Ninrod se rebelou contra Deus acusando seu governo de tirania e prometeu vingar os seus antepassados que haviam perecido no dilúvio. Revestindo o caráter de Deus com a identidade do diabo, por certo ele conseguiu apoio de pessoas que se sentiram escravizadas e estavam prontas a trocar o governo sábio e justo de Deus através de suas leis pelo maior dos tiranos.

Pesquise Mais em:
Bill Cooper, Depois do Dilúvio, Sociedade Criacionista Brasileira.
Ellen G. White, Patriarcas e Profetas, Casa Publicadora Brasileira.
Ellen G. White, História da Redenção, Casa Publicaora Brasileira.
Gleason L. Archer, Jr. Merece confiança o Antigo Testamento?. Vida Nova
Philip Wilkinson, Mitos e Lendas Origens e Significados, WMF Martinsfontes, São Paulo, 2010.
Rodrigo Silva, Escavando a Verdade. Casa Publicadora Brasileira
R. N. Champlin, Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia. Hagnos
Rubens Aguilar, 'Arqueologia' em notas de sala de aula de Ericson Danese
Samuel J. Schulz. A história de Israel. Vida Nova
Serie Logos, Comentário Bíblico Adventista do Sétimo Dia Vol. 1 (Gn.-Dt), Casa Publicadora Brasileira, 2012.


[1] Ellen G. White, Patriarcas e Profetas, 123.

domingo, 8 de janeiro de 2012

Ninrod, o falso Cristo dos dias de Babel

Então o Senhor Deus disse à serpente: Porquanto fizeste isso, maldita serás tu dentre todos os animais domésticos, e dentre todos os animais do campo; sobre o teu ventre andarás, e pó comerás todos os dias da tua vida. Porei inimizade entre ti e a mulher, e entre a tua descendência e a sua descendência; esta te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar.”
Gn. 3:15-16

Esta é a profecia mais antiga do mundo, ela prediz a luta entre Satanás e a descendência dos filhos de Adão e Eva. Anuncia que um dia, o Filho de Deus nasceria como messias e acabaria com o poder de Satanás (simbolicamente, pisaria na cabeça da serpente). Esta profecia deve ter sido passada de forma oral, geração após geração, eles acreditavam que o messias nasceria em seus dias, vemos isso pelos nomes de seus filhos que são nomes messiânicos como Cain, ‘adquirido de Deus’ ou Noé ‘nos dará consolação’.
Em todas as culturas da antiguidade, vemos mitos de um deus ou filho dos deuses que combate um mostro, um dragão ou uma serpente que representa as forças do mal. Exemplos assim são a batalha de Marduk contra Tiamat, Baal contra Yan, Krishina contra o demônio serpente, Thor contra a serpente marinha do caos, Hércules contra a hidra, Perseu contra cetus e Osíris contra Apeb. Sendo comuns, pressupomos que estas mitologias tenham tido uma origem comum, sofrendo distorções posteriores.
É possível que Ninrod, o construtor da Torre de Babel (Gn. 10-11) tenha se aproveitado justamente desta profecia apresentando-se como um messias, um libertador! Veja que sua alcunha diz ‘como Ninrod poderoso caçador diante do Senhor’, ou seja, podemos conjecturar que ele estabeleceu uma nova teologia onde ele era o centro da religião! Sendo ele semidivino ou o ‘messias’, podia ser o sumo sacerdote, o rei e o ditador!
Outro fato interessante é o termo ‘caçador’, que pode ter relação com o mítico Gilgamesh que venceu monstros e feras selvagens e tem sido relacionado como um mito inspirado em Ninrod. Os antigos gregos chamavam a constelação de Órion de caçador que perseguia um touro pelos céus e tendo ao pé em forma de serpente, Eridanus o rio. Para muitos povos da Mesopotâmia, a constelação de Órion era Gilgamesh e a mesma constelação era em diferentes culturas, deuses que enfrentavam demônios em forma de dragão/touro e serpentes como Osíris, Marduck, Ninurta e outros. Isso nos leva a concluir que também as constelações tenham uma origem comum.
Estudiosos apontam que a tradição judaica fala que os patriarcas anteriores ao dilúvio inventaram a astronomia. Talvez, observando e imaginando desenhos nas estrelas eles inventaram um meio de contar suas histórias e transmiti-las a outras gerações através das constelações. Era um método melhor do que a escrita, pois sempre estaria lá!

Adão, Sete e Enoque ... São os inventores deste conhecimento especializado em estrelas e suas ordens e, para que sua visão não fosse perdida seus descendentes fizeram dois pilares de pedra e de tijolos” Flávio Josefo, Antiguidades, II, 3.

Por certo a astronomia foi vital para a agricultura e talvez os primeiros agricultores Adamicos e pós diluvianos a tenham desenvolvido com esta finalidade. O controle das estações do ano se tornou tão importante que facilmente os idolatras começaram a considerar os corpos astronômicos como seres divinos. Mas e se além da agricultura, uma profecia estivesse contada nos céus? Não seria ainda mais fácil transformar a astronomia em idolatria?
Note o quanto a constelação de Órion se parece com Gn. 3:15. Há um guerreiro lutando e ao seu pé uma forma igual à serpente, a constelação que chamamos de Eridanus. Certamente os nomes e até alguns significados mudaram com o passar dos séculos, mas sua origem misteriosa abre a possibilidade de que as constelações fossem a história anterior ao dilúvio contada nas estrelas.
Seria possível que Ninrod tenha se identificado com Órion e dito ser ele, o caçador e messias que estava chegando para combater o demônio e livrar seu povo?
Historicamente os sumerianos são os pais da astronomia e astrologia, para eles Órion era em algumas versões, Anu o pastor divino, em outras era Ninurta um deus guerreiro que combatia um demônio chamado Anzu, ou a serpente dragão Azag.
A maioria dos megalitos e pirâmides das diferentes culturas do mundo ancestral tem relação com cálculos astronômicos. Percebendo esta complexidade em fins da chamada ‘idade da pedra’, não é difícil perceber que todas descendem da mesma origem comum, dos zigurates da Mesopotâmia antiga onde no topo destas pirâmides escalonadas os astros eram cuidadosamente observados nos tempos posteriores ao dilúvio.
É possível que monumentos como Stonehenge na Inglaterra, as pirâmides Maias e Astecas, observatórios na Índia e China ancestral e os grandes monumentos do Egito sejam uma herança da ciência envolvida na Torre de Babel, possivelmente o primeiro grande centro de adoração astral da humanidade após o dilúvio. Estas obras são tão inexplicáveis através da história convencional que os céticos, no desespero de negar a conexão com a história Bíblica têm dito que estas obras incríveis não podem ter sido feitas pelo homem pré histórico e são obra de alienígenas que visitaram a Terra no passado. A que ponto chegamos para tentar negar a Bíblia?
Em Babel, o conhecimento ancestral sobre astronomia foi pervertido através do paganismo em astrologia. Embora este seja um assunto delicado, que requer mais estudos e evidências arqueológicas, percebemos muitas evidências. Os antigos acreditavam que no topo de suas pirâmides, os sacerdotes conectavam o Céu e a Terra. Vemos isto no zigurate de Ur onde se cultuava o deus Lua ou nas pirâmides de Gisé, alinhadas a constelações, em especial Órion! No templo da deusa vaca Athor em Dendera no Egito há um relevo contendo as constelações do zodíaco, entre outras, Órion visto como o Deus Osíris a combater um touro alado e tendo uma serpente a seus pés. Mesmo o zodíaco, é mais antigo que os próprios Egípcios e amplamente conhecidos na antiga Mesopotâmia.
Entre os sumérios a figura taurina é comum e será encontrada no Egito, Grécia, ilhas do Mediterrâneo, Europa, Ásia e por todo Oriente Médio. É difícil saber, mas observando tantos mitos e interpretações das constelações, levando em conta a origem Adâmica das constelações, talvez representem a figura do próprio Satanás sendo combatido e expulso dos Céus pelo Messias.
O touro, a vaca ou o bezerro chegou a ser adorada como símbolo de fertilidade, força e vida. Por certo nenhum animal provia tantos recursos aos antigos, mas os touros selvagens eram um símbolo de violência e poder! Caçadores de búfalos selvagens eram heróis corajosos, como Ninrod o foi. No céu estelar, o Órion está sempre em combate à constelação de touro.
Transformadas em mito, estes personagens foram levados ao mundo todo após a dispersão de Babel. Naqueles tempos nômades, enfrentando longos invernos alguns ser refugiaram em cavernas enquanto seguiam as migrações de grandes mamíferos em busca de comida e novas terras. Em Lauscaux na França as pinturas de bisontes, feitas pelos habitantes das cavernas reproduzem as marcas das plêiades, estrelas da constelação de touro. Nas culturas mais antigas da Anatólia, o neolítico emerge com o culto a divindades ao touro e isto será visto na civilização Minóica, nativos Norte Americanos, África, Ásia e qualquer lugar onde o homem criou ou caçou bovinos.
O legado de Ninrod não foi um grande império e sim, uma farsa religiosa que ficou impregnada nas culturas do mundo inteiro e que mesmo hoje, em dias de telescópios espaciais e da moderna ciência continua fazendo milhares de adeptos nas colunas de jornais sobre videntes, esoterismo e horóscopos. A Bíblia adverte que nos últimos dias apareceriam falsos Cristos(Messias e Salvadores), fazendo sinais e enganando a muitos. Tomemos cuidado com aqueles que usam da fé para manipular e chegar aos seus objetivos.  Cuidado com os que transformam fé em superstição. A única segurança está em examinar as Escrituras e conheça-las tão bem a ponto de quando lermos ou ouvirmos, sabermos exatamente a diferença entre o falso e o verdadeiro.

Por Ericson Danese