sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

As técnicas de Ninrod para manipular as pessoas

Abençoou Deus a Noé e a seus filhos, e disse-lhes: Frutificai e multiplicai-vos, e enchei a terra.”

Gn. 9:1

A vida após o dilúvio não foi nada fácil! Imagine como seria começar tudo de novo? Não há casas, cidades ou tecnologia, exceto as ferramentas trazidas na Arca de Noé, no restante, haviam voltado à idade da pedra. Animais selvagens perigosos, plantio com estações do ano desconhecidas. Pense em como conviver entre oito pessoas num mundo em que a fome, a doença e o clima são uma ameaça constante?
Conforme a população cresceu, as novas gerações foram influenciadas por seus pais. Ouviam as histórias de uma terra idílica anterior ao dilúvio, mas o novo mundo estava cheio de penhascos, pântanos, desertos em formação e geleiras. Como reagiram as adversidades? Todos eles mantiveram plena confiança em Deus? O filho de Noé chamado Cam (Cão) parece não que não aceitou muito bem as mudanças. Era rebelde, desgostoso e irreverente passando estas características a sua posteridade.
Muitos deles viram Deus como injusto. Havia apenas dois caminhos, o 1º era rebelar-se e negar Deus, o 2º redefinir Deus conforme seus próprios gostos. Ninrode, o construtor de Babel (Gn. 10:8-10) sem dúvida pertencia a um grupo de homens que desejavam o poder a qualquer custo. Talvez o próprio Ninrode seja a mente por trás de boa parte da mitologia suméria que em certos aspectos é uma transformação da história bíblica em descontentamento e rebeldia. Veja como a escritora Ellen G. White descreve o comportamento dos adeptos de Ninrod:

Os edificadores de Babel tinham alimentado o espírito de murmuração contra Deus. Em vez de se lembrarem com gratidão de Sua misericórdia para com Adão, e de Seu gracioso concerto com Noé, queixaram-se de Sua severidade ao expulsar do Éden o primeiro par, e destruir o mundo por um dilúvio. Entretanto enquanto murmuravam contra Deus, como sendo arbitrário e severo, estavam a aceitar o governo do mais cruel dos tiranos. ... Os homens de Babel tinham-se decidido a estabelecer um governo que fosse independente de Deus. Alguns houve entre eles, entretanto, que temiam ao Senhor, mas tinham sido enganados pelas pretensões dos ímpios, e arrastados aos seus desígnios.[1]
Vejamos como a arqueologia confirma esta ideia através da mitologia suméria e como Ninrod pode ter manipulado as pessoas usando seu descontentamento:

Ø  Severidade com Adão e Eva

Um selo cilíndrico achado na cidade sumeriana de Lagash apresenta um casal (seria o rei Gudea ou Adão e Eva?) conduzidos ao trono deus Anu ou Enki. O rio da vida sai do trono da divindade e o casal está em posição de clemencia, súplica de penitência, atrás deles vem uma serpente quadrúpede alada (dragão), mas o deus que lhes serve de intercessor é o próprio dragão, sob forma humana (repare as serpentes sobre os ombros de quem leva o casal pela mão). Este ser é Ningishzida, guardião do trono e da árvore do conhecimento, ou a própria serpente do Éden.
Em outras palavras, esta mitologia conserva a história de Gênesis, mas inverte os valores e o caráter dos personagens. Satanás é a serpente dragão, mas em lugar de tentador e inimigo do homem, ele apresentado como um ser divino que fornece o conhecimento negado por um Deus que em sua tirania nega a água da vida eterna para o casal humano. Nesta perversão, Deus é mau e Satanás é o intercessor que tenta aliviar o sofrimento humano!

Ø  Expulsão do Éden

Os deuses estão revoltados com muitos trabalhos então Ea(Enki) resolve criar o ser humano para ser escravo dos deuses e do barro faz Adapa. Enki lhe dá sabedoria mas não dá vida eterna, então Anu (deus dos céus) resolver ‘tentar’ Adapa para lhe dar a vida eterna.
No ‘Mito de Adapa’, Adapa(Adão) é o sacerdote de Eridu (Éden?) cultuando o deus Ea(Enki). Certo dia enquanto pescava o vento sul provoca o naufrágio de seu barco e irritado Adapa corta as ‘asas’ do vento. O deus Anu (divindade dos céus) manda chamar Adapa, mas Ea o seu protetor lhe adverte a não experimentar qualquer coisa que Anu lhe der para comer. Mais tarde descobre que foi privado da comida que lhe daria vida eterna.
Noutro mito correlacionado, os ‘deuses vivem no jardim de Dilmun’ onde não há morte ou dor. Neste lugar, Enki come sete frutos que o envenenam, mas ele é curado pela ‘senhora da costela’. Neste mesmo jardim, outra versão diz que o deus Enlil se apaixona por uma deusa, mas ao estupra-la é banido para a ‘terra do não retorno’.
Os pontos comuns destas lendas com a história Bíblica são claros, porém a versão suméria é tão misturada e os papéis tão invertidos que só é possível se revoltar se o Criador fosse assim como descrito por estas superstições.

Ø  Perversão ao destruir o mundo com Dilúvio

No épico de Atrahasis, o deus Enlil não pode dormir por causa do barulho dos homens, então decide inundar o mundo, mas antes que ele envie o dilúvio o deus Ea(Enki) avisa Atrahasis que entra numa arca com animais e pessoas. Após o dilúvio Atrahasis oferece sacrifícios aos deuses e estes descem como ‘moscas’ sentindo o cheiro da carne assada, para alimentar-se do sacrifício. Nesta versão do dilúvio, Deus é mostrado como um impaciente soberano que por motivo fútil, ‘sono’, resolve destruir todos os que incomodaram.
O historiador judeu Flávio Josefo, do 1º século d.C. diz que tradição informa que Ninrod se rebelou contra Deus acusando seu governo de tirania e prometeu vingar os seus antepassados que haviam perecido no dilúvio. Revestindo o caráter de Deus com a identidade do diabo, por certo ele conseguiu apoio de pessoas que se sentiram escravizadas e estavam prontas a trocar o governo sábio e justo de Deus através de suas leis pelo maior dos tiranos.

Pesquise Mais em:
Bill Cooper, Depois do Dilúvio, Sociedade Criacionista Brasileira.
Ellen G. White, Patriarcas e Profetas, Casa Publicadora Brasileira.
Ellen G. White, História da Redenção, Casa Publicaora Brasileira.
Gleason L. Archer, Jr. Merece confiança o Antigo Testamento?. Vida Nova
Philip Wilkinson, Mitos e Lendas Origens e Significados, WMF Martinsfontes, São Paulo, 2010.
Rodrigo Silva, Escavando a Verdade. Casa Publicadora Brasileira
R. N. Champlin, Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia. Hagnos
Rubens Aguilar, 'Arqueologia' em notas de sala de aula de Ericson Danese
Samuel J. Schulz. A história de Israel. Vida Nova
Serie Logos, Comentário Bíblico Adventista do Sétimo Dia Vol. 1 (Gn.-Dt), Casa Publicadora Brasileira, 2012.


[1] Ellen G. White, Patriarcas e Profetas, 123.

2 comentários:

Fabricio Lovato disse...

Muito interessante o blog pastor!

Começarei a ler os posts mais antigos.

Deus te abençõe!
Fabricio

Josiel Dias disse...

Olá meus queridos irmãos, Graça e Paz.
Parabéns pelo blog muinto edificante. Como sempre tenho dito; crescemos quando lemos, quando compartilhamos e que aprendemos. Aprendendo uns com os
outros crescemos na graça e conhecimento.
Aproveito a oportunidade para compartilhar também o nosso blog. Notícias, Eventos, Músicas, reflexões e tudo que move o meio gospel.
Ficaremos felizes por vossa visita e mais ainda se nos seguir-nos.
Deus continue lhe abençoando Ricamente
Josiel Dias
Mensagem Edificante para alma
http://josiel-dias.blogspot.com.br
Rio de Janeiro