terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Os Ídolos e as Joias

“Porque todos os deuses dos povos são ídolos; mas o Senhor fez os céus”
Salmo 96:5

Se a suméria queria ter uma religião, precisava de um mito de origem. Deixando de lado a fé monoteísta de Noé, seus descendentes passaram a divinizar as forças da natureza usadas pelo Criador para criar o universo.
O céu; sabiam eles, era onde estava o Criador de Adão e do mundo, do qual Noé falou aos seus antepassados, sobre um Deus além do tempo e da criação. Mas em sua busca por visualizar o divino, o próprio céu foi personificado e divinizado, deixando de ser morada divina para ser o próprio deus. Eles o chamaram de Anu ou An e logicamente se eles tinham esposa, imaginaram que o deus céu deveria ter como esposa a mãe de todos eles, ou seja, a terra que por tradição Adâmica, sabia-se que o primeiro homem havia sido feito do barro.
Filhos de An(céu) e Ki(terra) começaram a surgir como deuses, espíritos e demônios. Entre os sumérios, perdeu-se o conceito de anjo que os patriarcas tinham a respeito dos mensageiros de Deus e estes foram identificados como deuses. Teriam estes anjos caídos, aparecido aos homens primitivos como espíritos ou seres divinos pedindo adoração? Note que muitos de seus deuses tinham asas, tal como os anjos descritos na Bíblia.
Eles ainda tinham um problema. Como apresentar os deuses ao povo? Como o sacerdote poderia justificar o templo como a morada dos deuses e com isto pedir o seu sustento?
Se o barro podia dar forma às coisas e o próprio homem vinha dele, por que não através da cerâmica e da escultura, visualizar os deuses? Assim nasceu os ídolos, o que pareceu bom para o povo, pois agora podiam tocar no deus e até leva-lo para sua casa. Uma maneira mais simples e misteriosa era representa-los por símbolos que aos poucos receberam conceitos místicos. Aquilo que era transcendente e distante, agora era próximo e por que não tão próximo que não pudesse ser carregada no corpo, levando o deus protetor a toda parte e garantindo proteção permanente?
Em resposta, surgem os amuletos sempre relacionados às joias, tendo poderes místicos em determinados metais e pedras que atraiam as forças sobrenaturais! Pense em por que o ouro é caro? Por que é raro? E por que alguém precisa procura-lo? Arte seria futilizada na moda para ressaltar as pessoas umas das outras, nobres de comuns, ricos de pobres, poderosos de fracos. Unida à idolatria, a moda faria uma parceria que jamais abandonaria a história da vaidade humana.
O valor de uma pessoa estava no que usava, então, se isto a deixasse com ar de poder, talvez ela fosse admirada como os deuses! Divindades femininas como Inana são sempre retratadas repletas de joias e ornamentos para apresenta-la de forma sensual e com ar de poder! No mito desta deusa, ela visita o mundo inferior e tem que se desfazer destas joias. Joias eram símbolo de status e distinção. Os artesãos da Mesopotâmia eram grandes ourives. Em Ur, a indumentária feminina era especialmente valorizada por braceletes, colares de pedras, brincos dourados e toucas com finos motivos florais.
Curiosamente na Bíblia os ídolos estavam associados às joias e toda vez que o povo de Deus foi chamado a um reavivamento, chamado a ser diferente do mundo e voltar à religião pura e original, abandonavam os ídolos e as joias.

Por Pr. Ericson Danese

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Suméria, berço das cidades, idolatria, sincretismo e ecumenismo

Por isso se chamou o seu nome Babel, porquanto ali confundiu o SENHOR a língua de toda a terra, e dali os espalhou o SENHOR sobre a face de toda a terra.”
Gn. 11:9

No início as primeiras cidades eram conjuntos de famílias e amigos mais achegados se reunindo por afinidades para sobreviverem juntos. Tão logo a população cresceu, a necessidade destacou as personalidades de liderança, gerando o protótipo dos líderes que se tornariam os reis e dos sacerdotes.
Naturalmente religioso, o homem presumia pelas forças da natureza a interferência do mundo espiritual em sua vida e deseja se comunicar com este mundo para sentir-se seguro. Todavia nem todo rei ou chefe tribal tinha vocação religiosa ou habilidade de fortalecer a fé de seus liderados, alguns chefes tribais poderiam ser tal como o Esaú bíblico que desperdiçou seu direito a primogenitura e liderança religiosa do clã. Neste caso, pode ser que uma esposa, mãe, irmão ou parente começou a auxiliar o rei, surgindo assim o clero e com o tempo suas especializações, tais como sacerdotes, curandeiros, adivinhos, exorcistas e outros.
Na Suméria que florescia pontilhando a região da Mesopotâmia com cidades-estados, havia necessidade de organizar os limites da cidade e das propriedades. A terra foi considerada propriedade do Criador, os deuses emprestavam a terra aos homens, em troca os homens mantinham sua adoração e todo o complexo do templo que era sua moradia.
Foi neste momento de organização que uma invenção fantástica revolucionou o mundo! A terra, as colheitas e as ofertas necessitavam de contagens e registros e assim deve ter surgido à escrita. Depois, a própria tradição religiosa e os rituais encontraram uma forma de representação através da arte e da escrita. Os sacerdotes sumérios registravam e arquivavam tudo nos templos e o rei, encarnava e mediava a vontade dos deuses.
Aqui vemos uma diferença marcante entre o paganismo e o monoteísmo Judaico Cristão. Na Bíblia, o patriarca era o sacerdote e depois a nação inteira deveria ser uma nação de sacerdotes. É a constante ameaça de idolatria que forçaram o surgimento dos Levitas como sacerdotes especializados em tempo integral. Porém, a partir do Novo Testamento com o advento da igreja, o sacerdócio de todos os crentes é regatado por Jesus e seus apóstolos.
O mesmo se deu com a figura do rei, o povo de Israel não vê em Moisés ou Josué a figura de um rei, nem mesmo há sucessão hereditária, pois Deus é o rei de seu povo! Quando Israel se estabelece na terra, Deus lhes apresenta o conceito de líderes locais num sistema de governo que eles chamam de ‘Juízes’. Somente depois que o povo insiste em ser igual a outras nações, Deus estabelece a monarquia, onde Ele escolhe seu representante, faz aliança com ele e com sua família e o remove quando quer. O rei de Israel não é o soberano, mas digamos um ‘protetor do trono’ para o Rei que virá!
Na suméria pagã e nas civilizações idolatras que a sucedeu pelo mundo todo, a religião é o elemento unificador, motivador, definidor de padrões morais e grande conforto a busca existencial. Quando os soberanos entenderam este poder, dominaram a religião para poder executar seus propósitos com apoio popular. A religião era mais eficiente do que o exército, pois garantia a cooperação.
Mais e se alguém questionasse a religião? Então o exército agia! Mas e se a própria religião questionasse os governantes e o exército? Então, mudavam a religião, os sacerdotes, a teologia e até os deuses! Assim as religiões e deuses foram se diversificando nos primórdios de nossa civilização. Ideias diferentes, mais deuses. Novos propósitos, novos deuses!
Por isso a suméria antiga é conhecida como inventora das cidades, mas junto vieram as muitas religiões. Prova disso é o deus padroeiro de cada cidade sumeriana. Com os séculos, os casamentos, as guerras e o comércio entre estas cidades misturaram as religiões e intercambiaram as concepções locais de deuses. Assim surgiu a idolatria e as muitas religiões!

por Pr. Ericson Danese
Bibliografia, ibid postagem anterior.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Os Sumérios e os descendentes de Noé

Ora, em toda a terra havia apenas uma linguagem e uma só maneira de falar. Sucedeu que partindo eles do Oriente, deram com uma planície na terra de Sinar; e habitaram ali. E disseram uns aos outros: Vinde, façamos tijolos e queimemo-los bem. Os tijolos serviram-lhes de pedra, e o betume, de argamassa”.
Gn. 11:1-2

Provavelmente, alguns anos após o Dilúvio o clima começou esfriar e ressecar. Talvez o frio das glaciações tenha empurrado os descendentes de Noé aos vales em busca de calor e fertilidade do solo da Suméria, a terra de Sinar. A cordilheira do Ararat fica próxima aos montes Zagros e do planalto Iraniano, a tradição Babilônica do dilúvio diz que os sobreviventes desceram nos montes Zagros, o que pode concordar com a Bíblia dizer que o povo saiu de oriente para encontrar o vale do Tigre e Eufrates. Historicamente, a origem do povo Sumério é um mistério, mas a teoria mais aceita é que eles migraram do planalto do Irã, ou do norte da Suméria e talvez das montanhas ao oriente, o que aproxima os bíblicos descendentes de Noé com os povos Sumérios.
Por sua linguagem diferente eles são apresentados como invasores que se mesclaram aos povos daquela região, onde já habitavam povos semitas. No entanto eles são a evidencia de Camitas vivendo entre os Semitas. São povos de cultura idêntica, vivendo ao mesmo tempo no mesmo lugar mas com língua distinta.
O arqueólogo Dr. Rodrigo Silva relata sobre um tablete Sumeriano com a correspondência entre dois reis no qual um relata ao outro de que houve uma era de ouro na Mesopotâmia, onde havia harmonia nos idiomas da Suméria e todo o povo adorava em uníssono a Enlil em uma só língua.[1]
Há ainda outras curiosas semelhanças entre os descendentes de Noé e os Sumérios. É nos dito que após o dilúvio, ocorre a embriaguez de Noé com vinho, sendo que entre os sumérios o vinho já era conhecido e atribui-se a eles a invenção da cerveja. Zigurantes (pirâmides escalonadas) dos Sumérios eram feitas de tijolos cozidos, com betume por argamassa, pois a região era pobre em pedras, exatamente como descreve a Bíblia em (Gn. 11:3).
A Bíblia apresenta os descendentes de Noé como uma inteligente civilização capaz de empreender obras complexas como a Arca de Noé, a Torre de Babel e cidades logo após o Dilúvio. A Suméria histórica surge de forma abrupta com cidades, ciência, astronomia, matemática avançada usando o sistema baseado nos números 6 e 10 usando relógios e calendários com 60 segundos, 60 minutos e 12 horas. Eles são os inventores da escrita (cuneiformes), da roda, da roda de oleiro, astronomia, agricultura e pecuária. Tantos avanços poderiam surgir abruptamente em conjunto fruto de povos emergentes da idade da pedra?
A Bíblia diz que antes do dilúvio havia criação de animais (Gn. 4:2), em especial ovelhas e sabemos que na Arca de Noé havia rebanhos de ‘animais limpos’ gado, ovinos e caprinos para consumo humano após a catástrofe. Mais uma vez os Sumérios se encaixam na descrição de povos pós diluvianos pois a eles é atribuída a domesticação de ovelhas, gado e a criação em grande escala destes animais! Além disso, usavam o boi para o trabalho, o jumento para carga de carroças e a lã para suas roupas.
A Bíblia diz que Noé era agricultor (Gn.9:20) e os Sumérios, seus descendentes, estão entre os pais da agricultura desenvolvendo sementes de trigo, cevada, grão de bico, verduras e legumes diversos. Além de sistema de calendário de colheitas usavam irrigação artificial, diques e aparelhos de debulha rudimentares.
Até mesmo nos pequenos barcos que percorriam o Eufrates encontramos um detalhe comum com um ‘velho e grande barco Bíblico’. Entre os modelos Sumérios havia um tipo de barco calafetado com betume.
Se nossa história começou no vale do Tigre e do Eufrates, que dizer dos artefatos da idade da pedra no mundo inteiro?
Imagine que você e sua família, com poucos recursos devem deixar sua cidade e colonizar uma terra selvagem e completamente nova. Certamente vocês voltarão à idade da pedra! Onde não há fábricas, comércio e civilização a sociedade voltará a ser de caçadores e coletores fabricando ferramentas rudimentares.
Em muitos lugares, os grupos dispersos tendo conhecimentos e recursos diferentes alcançaram níveis culturais diferentes. Muitos nômades, caçadores e coletores nunca desenvolveram uma civilização. Ainda hoje, contemplamos diferentes níveis tecnológicos em plena era da internet. Assim como há pessoas em vídeo conferencia nos arranha céus de Nova Iorque, ou na moderna Tóquio, há índios no interior da Amazônia que nunca viram um carro ou um homem branco e vivem na idade da pedra.
Algo similar ocorreu com os povos que iam migrando após o episódio da Torre de Babel! Alguns tinham a roda, a matemática e a escrita, enquanto outros eram apenas caçadores e coletores, tendo muitas vezes ocupado cavernas para abrigar-se das intempéries. Alguns tinham a técnica aprimorada da cerâmica, enquanto outros tinham uma vaga ideia e foram forçados a produzir uma versão rudimentar desta arte. Enquanto alguns já fundiam ligas metálicas, outros não sabiam como fazer e tudo o que conseguiram era lascar pedras.
O surgimento abrupto de tão complexa civilização testemunha que os Sumérios são herdeiros de uma antiga e perdida civilização que possuía grandes avanços antes do dilúvio descrito na Bíblia, mas teve que recomeçar do marco zero com recursos limitados. Não foram milhares de anos progressivos de um passado bestial e ignorante que nos legou a civilização! Há uma lacuna intransponível entre este mundo da idade da pedra e a luxuosa Suméria, a terra dos descendentes de Noé e pais da humanidade! 

Por Pr. Ericson Danese


Pesquise Mais em:
·         Bill Cooper, Depois do Dilúvio, Sociedade Criacionista Brasileira.
·         Ellen G. White, Patriarcas e Profetas, Casa Publicadora Brasileira.
·         Ellen G. White, História da Redenção, Casa Publicaora Brasileira.
·         Gleason L. Archer, Jr. Merece confiança o Antigo Testamento?. Vida Nova
·         Philip Wilkinson, Mitos e Lendas Origens e Significados, WMF Martinsfontes, São Paulo, 2010.
·         Rodrigo Silva, Escavando a Verdade. Casa Publicadora Brasileira
·         R. N. Champlin, Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia. Hagnos
·         Rubens Aguilar, 'Arqueologia' em notas de sala de aula de Ericson Danese
·         Samuel J. Schulz. A história de Israel. Vida Nova
·         Serie Logos, Comentário Bíblico Adventista do Sétimo Dia Vol. 1 (Gn.-Dt), Casa Publicadora Brasileira, 2012.




[1] Rodrigo Silva, 74.