domingo, 5 de fevereiro de 2012

Suméria, berço das cidades, idolatria, sincretismo e ecumenismo

Por isso se chamou o seu nome Babel, porquanto ali confundiu o SENHOR a língua de toda a terra, e dali os espalhou o SENHOR sobre a face de toda a terra.”
Gn. 11:9

No início as primeiras cidades eram conjuntos de famílias e amigos mais achegados se reunindo por afinidades para sobreviverem juntos. Tão logo a população cresceu, a necessidade destacou as personalidades de liderança, gerando o protótipo dos líderes que se tornariam os reis e dos sacerdotes.
Naturalmente religioso, o homem presumia pelas forças da natureza a interferência do mundo espiritual em sua vida e deseja se comunicar com este mundo para sentir-se seguro. Todavia nem todo rei ou chefe tribal tinha vocação religiosa ou habilidade de fortalecer a fé de seus liderados, alguns chefes tribais poderiam ser tal como o Esaú bíblico que desperdiçou seu direito a primogenitura e liderança religiosa do clã. Neste caso, pode ser que uma esposa, mãe, irmão ou parente começou a auxiliar o rei, surgindo assim o clero e com o tempo suas especializações, tais como sacerdotes, curandeiros, adivinhos, exorcistas e outros.
Na Suméria que florescia pontilhando a região da Mesopotâmia com cidades-estados, havia necessidade de organizar os limites da cidade e das propriedades. A terra foi considerada propriedade do Criador, os deuses emprestavam a terra aos homens, em troca os homens mantinham sua adoração e todo o complexo do templo que era sua moradia.
Foi neste momento de organização que uma invenção fantástica revolucionou o mundo! A terra, as colheitas e as ofertas necessitavam de contagens e registros e assim deve ter surgido à escrita. Depois, a própria tradição religiosa e os rituais encontraram uma forma de representação através da arte e da escrita. Os sacerdotes sumérios registravam e arquivavam tudo nos templos e o rei, encarnava e mediava a vontade dos deuses.
Aqui vemos uma diferença marcante entre o paganismo e o monoteísmo Judaico Cristão. Na Bíblia, o patriarca era o sacerdote e depois a nação inteira deveria ser uma nação de sacerdotes. É a constante ameaça de idolatria que forçaram o surgimento dos Levitas como sacerdotes especializados em tempo integral. Porém, a partir do Novo Testamento com o advento da igreja, o sacerdócio de todos os crentes é regatado por Jesus e seus apóstolos.
O mesmo se deu com a figura do rei, o povo de Israel não vê em Moisés ou Josué a figura de um rei, nem mesmo há sucessão hereditária, pois Deus é o rei de seu povo! Quando Israel se estabelece na terra, Deus lhes apresenta o conceito de líderes locais num sistema de governo que eles chamam de ‘Juízes’. Somente depois que o povo insiste em ser igual a outras nações, Deus estabelece a monarquia, onde Ele escolhe seu representante, faz aliança com ele e com sua família e o remove quando quer. O rei de Israel não é o soberano, mas digamos um ‘protetor do trono’ para o Rei que virá!
Na suméria pagã e nas civilizações idolatras que a sucedeu pelo mundo todo, a religião é o elemento unificador, motivador, definidor de padrões morais e grande conforto a busca existencial. Quando os soberanos entenderam este poder, dominaram a religião para poder executar seus propósitos com apoio popular. A religião era mais eficiente do que o exército, pois garantia a cooperação.
Mais e se alguém questionasse a religião? Então o exército agia! Mas e se a própria religião questionasse os governantes e o exército? Então, mudavam a religião, os sacerdotes, a teologia e até os deuses! Assim as religiões e deuses foram se diversificando nos primórdios de nossa civilização. Ideias diferentes, mais deuses. Novos propósitos, novos deuses!
Por isso a suméria antiga é conhecida como inventora das cidades, mas junto vieram as muitas religiões. Prova disso é o deus padroeiro de cada cidade sumeriana. Com os séculos, os casamentos, as guerras e o comércio entre estas cidades misturaram as religiões e intercambiaram as concepções locais de deuses. Assim surgiu a idolatria e as muitas religiões!

por Pr. Ericson Danese
Bibliografia, ibid postagem anterior.

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