domingo, 27 de maio de 2012

Suméria da religião pirateada

Confundidos são todos os que servem imagens esculpidas, que se gloriam de ídolos; prostrai-vos diante dele, todos os deuses.”
Salmos 97:7

Muitos estudiosos e arqueólogos tentam negar a historicidade da Bíblia afirmando que os judeus copiaram e adaptaram os mitos da Suméria, Babilônia e Assíria, compondo com isto, seu livro de Gênesis. Uma evidencia para esta teoria é o fato de os documentos que relatam os mitos mesopotâmicos serem mais antigos do que a Bíblia. Mas e se estes documentos fossem interpretados como uma evidencia da herança oral de Adão e Noé, distorcida por estes povos logo após a torre de Babel? Por certo, se todas as religiões e povos tiveram origem em um ponto comum da história, deveríamos esperar semelhanças!
A contrafação que Satanás apresenta aos homens através de seus servos é sempre muito parecida com a verdade. Do contrário não convenceria! Foi assim que algumas verdades do tempo de Adão foram sendo mudadas em idolatria nos primórdios da civilização. A criatura foi sendo adorada em lugar do verdadeiro Criador, as leis e a moral sendo alteradas e a mensagem de perdão e redenção completamente anuladas da mente humana.
Se Gn. 1 apresenta que a criação é obra de Elohim, um termo plural, usado no singular que indica a verdade Bíblica da Trindade (um único Deus manifesto em três pessoas), os sumérios como muitos outros povos, em substituição a trindade conceberam uma tríade, ou seja, três deuses diferentes que ocupam proeminência. De forma geral eles eram Anu, Enki e Enlil.
Anu(An) é o pai dos Anunanki, que em alguns momentos nos lembram anjos que servem ou o serviram o verdadeiro Deus e em outros momentos dos relatos sumerianos, nos lembram os humanos antes do dilúvio que a Bíblia chama de gigantes ‘enakins’.
Segunda a especialista em religiões antigas comparadas Mircela Eliane, historiadora sem convicções ortodoxas na Bíblia, ela identifica vários detalhes sobre Anu em seu Tratado de História das Religiões que podemos fazer paralelos com a visão que a Bíblia oferece do Deus Pai judaico/cristão.
Anu era um hieróglifo usado para ‘Elevado’, para dar ideia de extensão espacial do céu, para brilhante e curiosamente, para algo que não tem muita relação com brilhante, para ‘chuva’. Notavelmente Anu lembra o Deus bíblico, ele é além de sua criação, é brilhante no sentido de nobre, mas também era o ser que enviou o dilúvio e por isso, os Sumérios, descendentes dos rebeldes construtores de Babel, o viam como o deus superior, mas não queriam muita proximidade com ele.
Anu é o deus do dilúvio e tal como nos narra a Bíbllia de que as pessoas se afastaram de Deus, Anu não tem um culto muito difundido e popular, aliás poucas vezes é citado e mais uma vez, tal como o Deus Pai Bíblico nunca é representando por uma imagem de escultura, algo que seria de se esperar dos idolatras Sumérios que tinham representações de seus deuses. Anu parece um deus que foi legado ao mistério, medo e desconfiança para o povo comum, pois só os soberanos podem invoca-lo. Vemos aqui uma estratégia do inimigo de Deus para levar os povos do passado ao gradual abandono do Deus Criador invisível e mergulha-los na idolatria.
Anu mora nos confins do Céu, num palácio onde era visitado pelos deuses onde era chamado de ‘Pai’, mais no sentido de autoridade do que de geração. Seus títulos se assemelham muito com o Deus Pai bíblico, tal como ‘deus do Céu’, ‘pai dos Céus’, ‘rei dos Céus’ e ‘soberano dos exércitos’. É Anu quem comanda o exército das estrelas e muitos o associavam com a constelação de Órion, chamada pelos mesopotâmicos de ‘pastor divino’.
A seguir vemos a conexão Babel-Suméria-Egito na mistificação de Anu, quando o mito desenrola a crença da separação do céu Anu e da mãe terra Ki, por ocasião do nascimento de outros deuses que personificam aspectos das forças da natureza. Anu vai decaindo de deus criador para uma personificação celestial distante e irrelevante, tradição que foi mantida por todas as religiões pagãs da antiguidade.
Anu tem um filho, que nos lembra muito a figura messiânica de Jesus, seu nome é Enki ou Ea. Representado pelo signo do capricórnio, uma cabra com rabo de peixe que tornou-se um signo do zodíaco. Ele é o criador do primeiro homem chamado de Adapa que é posto para governar a cidade de Eridú ( uma referencia ao Éden?) construída por Enki que descansou ao sétimo dia depois de sua obra. Podemos notar que a esta altura da história da humanidade, nem os pagãos haviam mudado o descanso no sétimo dia. Enki também é a divindade que anuncia ao seu servo Ziusudra, ou Utnapishtim em outras versões, sobre o dilúvio enviado por Anu para destruir a Terra.
Se em alguns momentos Enki assume o papel de ‘deus Filho’ em outros assume o papel que na Bíblia é de Adão. Enki é o Em Ki, significando Senhor da Terra, apontando para sua filiação tal como Adão, feito de elemento terra e colocado como aquele que governa a Terra para Deus. Enki está num trono sobre as águas e ao acordar de seu sono une-se a deusa Nin-gur-sag. Eles moram em Dilmun o paraíso onde não há morte, doença, onde o leão não trucida presas e o lobo não rouba cordeiros. A difusão da lembrança do jardim do Éden é muito clara!
Aparentemente o pai Adão foi visto pelas culturas que se afastaram da religião verdadeira como um ancestral impopular, num tipo de complexo de Édipo espiritual, os antigos desprezaram seu ancestral masculino e elevaram a condição de sua mãe ancestral. No mito de Enki, ele come certas plantas e enquanto gastava tempo em dar nome as espécies, sua esposa fica indignada e não olhará mais para ele com ‘olhar de vida’, mas quando ele definha, é ela, chamada de ‘senhora da costela’ quem o cura.
Às vezes ilustrado como vento, o Espírito Santo aparece no capítulo um de Gênesis pairando sobre as águas, este Espírito é substituído pelos sumérios por Enlil o deus do ar, do vento e da atmosfera. Filho de Anu, ele vive rivalidades com Enki, lembrando a disputa entre Cristo o Filho de Deus e Satanás, um anjo que se rebela depois que não lhe é permitido ser igual a Deus (Isa 14 e Ap.12). Curiosamente, na antiga suméria apesar do papel superior de Enki é Enlil quem se torna mais popular e mais adorado. No mito sumério, Enlil é descrito como apaixonado por uma bela chamada Ninlil, a qual ele estupra e então, julgado pelos deuses ele é expulso de Dilmun o jardim/casa dos deuses e enviado para terra do não retorno.
É possível que o mito de Enlil seja uma fusão de histórias com distorções da tradição religiosa oral. Talvez represente a expulsão de Lúcifer da morada de Deus, ou esta com a lembrança expulsão de Cain do convívio da família Adâmica.
A humanidade é mostrada numa época antiga vivendo num mundo belo, mas corrupta, quando seus pecados irritam Anu e Enlil que decidem seu fim por um dilúvio. Exceto o rei Zisudra, descrito como humilde, submisso e piedoso. Segunda a opinião da professora de História das Religiões da Universidade de Chicaco, Mircea Eliade, “o  mito do dilúvio é quase universalmente difundido é atestado em todos os continentes, embora mito raramente na África e em níveis diferentes de cultura. Certo número de variantes parece ser o resultado da difusão, primeiro a partir da Mesopotâmia e depois da Índia.”
A religião suméria, com tantas semelhanças com o Gênesis Bíblico não é mais do que a deturpação da tradição oral vinda de Adão e Noé. Sabemos disso, pois no mito o deus do mito é a natureza personificada, mas na Bíblia Deus é um ser pessoal que cria a natureza.
Além disso, os próprios autores Bíblicos e profetas hebreus lutavam arduamente para diferenciar sua fé dos mitos dos povos que os cercavam. O que garante que os hebreus não emprestaram sua literatura daquelas lendas que eles tanto desprezavam e exortavam o povo a não dar ouvidos quando em contato com estes povos. Atitude completamente diferente do sincretismo que havia em todo o ‘crescente fértil’ do Egito a Mesopotâmia, sempre misturando as religiões e absorvendo deuses de culturas vizinhas. Historicamente os hebreus e judeus sempre foram alvo de segregação religiosa e racial, em boa parte devido sua inflexível postura diante do sincretismo religioso. É como se os hebreus estivessem mostrando que o paganismo era uma religião fruto de imitação de má qualidade, pura pirataria religiosa!

Por Pr. Ericson Danese



Mircea Eliade, Tratado de História das Religiões, Editora WMF Martins Fontes Ltda, São Paulo, SP.

Mircea Eliade, História das crenças e das Ideias ReligiosasI, Zahar, Rio de Janeiro.

Bill Cooper, Depois do Dilúvio, Sociedade Criacionista Brasileira.

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Gleason L. Archer, Jr. Merece confiança o Antigo Testamento?. Vida Nova

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Rodrigo Silva, Escavando a Verdade. Casa Publicadora Brasileira

R. N. Champlin, Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia. Hagnos

Rubens Aguilar, 'Arqueologia' em notas de sala de aula de Ericson Danese

Samuel J. Schulz. A história de Israel. Vida Nova

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