domingo, 10 de junho de 2012

Babilônia, berço das religiões


Disseram mais: Eia, edifiquemos para nós uma cidade e uma torre cujo cume toque no céu, e façamo-nos um nome, para que não sejamos espalhados sobre a face de toda a terra. Então desceu o Senhor para ver a cidade e a torre que os filhos dos homens edificavam; e disse: Eis que o povo é um e todos têm uma só língua; e isto é o que começam a fazer; agora não haverá restrição para tudo o que eles intentarem fazer.  Eia, desçamos, e confundamos ali a sua linguagem, para que não entenda um a língua do outro”.

Gn. 11:4-7

O povo Akwapim da África Ocidental conta uma lenda sobre seus ancestrais que tentaram empilhar pilões de amassar inhame para chegar aos céus e encontrar-se com o deus Nyankupon, mas faltando um pilão, alguém puxou um pilão da base e toda pilha desmoronou. Os homens fugiram e a partir de então se espalharam formando novas línguas e nações. Os índios Tsimshian do Canadá contam que um dilúvio destruiu tudo e os homens que antes dele falavam uma só língua foram dispersos e passaram a falar línguas diferentes. Cerca de uma centena de tradições como estas aqui mencionadas estão presentes nas mais diferentes civilizações do mundo antigo e de tribos remotas. O que seria capaz de criar esta ancestralidade comum?
Em 1915, Robert Kolowey descobriu nas ruinas da Babilônia uma plataforma de 90X90m onde encontraram-se tijolos gravados pelo rei babilônio Nabucodonosor e seu pai Nabopolasar nos quais diziam que o deus Marduk lhes havia encomendado a reconstrução da torre Etemenanki que havia sido destruída, para que novamente rivalizasse com os céus. Heródoto também fez referencia a ela, dizendo ser uma torre escalonada de 98m de altura com oito escalas. Que importância esta torre teve para a história das religiões mundiais?
Um poema acadiano e chamado Enuma Elish, ‘quando lá no alto’, é um conto cosmológico que explica as origens através de Apsu o deus das águas doces e Tiamat, a deusa das águas salgadas. Os Babilônios cultivaram esta herança religiosa Sumeriana e a usaram para exaltar o grande deus de seus dias, Marduk. Para o leitor que conhece o relato Bíblico do grande conflito entre Cristo e seus anjos e Satanás e seus anjos, o Enuma Elish é claramente um relato paralelo na versão pagã. É como se Satanás desse sua versão da batalha que resultou em sua expulsão da morada de Deus. Faremos as duas versões em fontes e texto diferentes para poderem ser comparadas.
Apsu e Tiamat produziram os deuses, entre eles, Anu o céu e Ea o deus da Terra. Os novos deuses são barulhentos, então Apsu decidiu mata-los, mas Tiamat discordou. Ea descobre o plano e mata Apsu, entretanto, Tiamat decide vingar-se e convoca uma legião de demônios para combater os deuses num grande conflito celestial.
Deus produziu a criação do cosmos, dos anjos e dos seres inteligentes que governariam os mundos criados, alguns destes anjos não estavam satisfeitos com o governo e leis de Deus, então rebelaram-se, longamente a questão sobre a justiça de Deus foi debatida e todos tiveram oportunidade de decidirem-se. Alguns voltaram atrás e ficaram ao lado de Deus, enquanto outros ficaram ao lado de Satanás quando finalmente o grande conflito teve início.
Marduk, o filho de Ea é escolhido pelos deuses para combater Tiamat e seu demônio aliado, Kingu.
Lúcifer é escolhido pelos anjos rebeldes para combater Deus e seu Filho, Jesus.
Tiamat era representando com uma aparência que mesclava dragão e touro, seu demônio Kingu tinha a forma de um querubim deformado com quatro asas, chifres e pés de cabra, o que talvez seja a origem folclórica das concepções do diabo nas representações medievais do cristianismo. Mas não se engane, apesar de Marduk ser representado como um rei suntuoso, talvez referencie ao próprio Ninrod e os soberanos posteriores da babilônia, seu símbolo era o dragão, óbvio símbolo bíblico de Satanás.
No mito, Tiamat fixou ao peito de Kingu a tábua dos destinos e conferiu-lhe o poder supremo, o que amedrontou os jovens deuses que perderam a coragem. Apenas Marduk aceita o combate desde que os deuses o proclamem antecipadamente seu rei.
Na história Bíblica e do Grande Conflito, Deus concede ao Filho o poder supremo e autoridade para julgar, diante da exaltação do Filho, mesmo os anjos rebeldes recuaram, mas Lúcifer ousou desafiá-lo com apoio dos anjos rebeldes, dos quais exigiu subserviência para poder representa-los.
Com a vitória de Marduk ele cria o mundo a partir do corpo morto de Tiamat, enquanto os deuses vencidos aguardam o castigo, mas Marduk sugere que apenas um seja sacrificado e pergunta quem provocou Tiamat e levou todos a guerra, então todos apontam Kingu que tem suas veias cortadas e de seu sangue, Ea faz o homem para servir os deuses.
Com a expulsão de Lúcifer, ele engana e corrompe o primeiro casal humano  tornando-se como o Ea Babilônico ‘senhor da terra’, enquanto no Céu, os anjos questionam quem poderia salvar a humanidade e então o Filho se oferece para dar sua vida, derramar seu sangue que simbolicamente limparia o homem de sua culpa.
Os babilônios acreditavam ser descendentes de Utnapshtin e sete sábios que sobreviveram ao dilúvio. Eles os chamavam de Apkalus, representados como homens vestidos de peixe, como se tivessem saído das águas, ancestrais que haviam ensinado a agricultura, artes, poesia e metalurgia aos homens. Assim os babilônios explicavam suas origens que embora tenham algumas derivações naturais dos sumérios, tinha como objetivo justificar Babilônia como capital da religião e do poder da Terra. O mito de Marduk termina contando que os anunankis se reuniram para construir uma torre em homenagem à vitória de Marduk. Levaram um ano fazendo tijolos de barro e no segundo ano ergueram uma torre com quartos dedicados aos deuses. Também fizeram quartos para os homens junto à torre e comeram e beberam em louvor a Marduk.
Os descendentes de Noé que sobreviveram ao Dilúvio, seus filhos, netos e famílias rumaram até a região da Suméria, onde edificaram cidades, sendo sua capital Babilônia tendo como centro uma torre dedicada aos deuses. A escritora Ellen G. White fala de quartos dedicados aos ídolos e de seus folguedos atrevidos, implantando uma nova religião onde até os sacrifícios humanos eram cometidos.
O texto Bíblico menciona que a intenção dos construtores era tornar o nome deles célebre e unificar um reino em que pudessem governar o mundo. Isto aconteceu ao recontaram a história do Ninrod bíblico, transformando o fundador de sua cidade em semi-deus com o mito de Gilgamesh, depois em deus com o mito de Marduk. Mas seu império universal nunca vingou e a confusão das línguas atrasou a capacidade da humanidade desenvolver ciências autodestrutivas na aurora da civilização. Babel, apelidada pelos hebreus de confusão foi sempre um símbolo adequado para a mistura religiosa tentando agradar a todos, enquanto uma elite constrói um império em oposição à lei de Deus.
Os mitos derivados das histórias da rebelião dos anjos, criação do homem, pecado original, dilúvio, torre da confusão de línguas se preservaram com variantes entre as civilizações do mundo inteiro, provando que seus muitos detalhes comuns apontam para uma mesma origem da civilização humana. Em Babel o paganismo nasceu, comprovadamente como distorção do monoteísmo! O paganismo não foi o fruto do lento desenvolver da mente supersticiosa, mas uma alternativa a obediência de uma verdade específica em vez de relativa.
A grande estratégia de Satanás não foi criar novas religiões, mas apropriar-se da religião original e contar sua própria versão da história. Gn. 3:15 apresenta a primeira promessa de um messias que venceria Satanás, figurado como a serpente ou o dragão. Mas em cada religião pagã da antiguidade havia uma versão local para o mito do conflito cósmico, do deus messiânico que salva a todos e combate o monstro, a serpente ou o dragão como descrito na profecia de Gn. 3:15.
Há ainda outro detalhe interessante sobre a torre. Ellen G. White em seu livro História da Redenção, pg. 197 diz que o céu, como sinal de desaprovação quebrou a parte superior da torre com raios. Este é fato não documentado na Bíblia, mas muito interessante porque de outros povos para estes mitos apresentam o herói que substitui Marduk como deuses do raio e da tempestade, ocupando um lugar de honra nos panteões pagãos das do mundo inteiro. Baal dos Cananeus, Teshub dos Hititas, Tengri das tribos Mongóis e Turcos, Indra dos Vedas Indianos, Zeus dos Gregos, Júpiter dos Romanos, Tin dos Estrucos, Donar dos Germânicos, Thor dos Nórdicos, Taranis dos Celtas, Perun dos Eslavos, Tane dos Maoris, Tupã dos indígenas sul americanos e muitos outros. Não seria esta a evidencia de uma memória ancestral de quando os homens contemplaram a ira de Deus sobre os homens naquela antiga torre?

por Pr. Ericson Danese

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