sexta-feira, 29 de junho de 2012

Hércules X Sansão


Então Sansão clamou ao SENHOR, e disse: Senhor DEUS, peço-te que te lembres de mim, e fortalece-me agora só esta vez, ó Deus, para que de uma vez me vingue dos filisteus, pelos meus dois olhos.

Juízes 16:28

Se pudesse ter acontecido, como seria um duelo entre os mais fortes heróis de todos os tempos, Hércules o campeão grego contra Sansão, o mais forte guerreiro de Israel? Esta luta seria a maior luta de todos os tempos se não fosse pelo fato de que um existiu e o outro não.
Hércules é um mito grego que relata a história de um homem filho de uma mortal com o rei dos deuses gregos. Sendo fruto de um adultério de Zeus, Hércules é perseguido por Hera a esposa ciumenta que sujeita a 12 trabalhos dignos de um super-herói. Sansão é a história de um jovem que nasce de uma mãe estéril, fruto de um milagre de Deus concedido a seus pais. O rapaz é Nazireu desde o ventre de sua mãe, ou seja, foi separado para ser um reformador religioso de Israel e uma profecia a respeito dele diz que ele livrará seu povo da mão dos Filisteus. Tanto Hércules quanto Sansão foram conhecidos por sua força.
Vamos comparar os dois personagens, sua força e descobrir porque a Bíblia se distingue das lendas:
Hércules é o nome latino de Herácles grego, na verdade os Romanos já tinham uma lenda sobre um pastor descomunalmente forte que chamavam de Recaranus ou Garanus, enquanto os Estrucos o chamavam de Hercle. Os povos germânicos tinham divindades chamadas de Donar ou Thor que o historiador Romano Tácito identificou como Hércules, celebrado por eles como o primeiro dos heróis. Hercules pode ter sido a fusão de heróis locais fundadores das tribos europeias com a lenda indo europeia de um deus do raio, um guerreiro que sempre usava uma clava, uma maça ou um martelo.
Sansão, para todos que creem na historicidade do relato Bíblico foi um personagem do período dos juízes, uma época de liderança fraca, algumas gerações após Moisés e Josué, quando Israel estava conquistando os territórios de Canaã. A tribo Israelita dos Danitas vivia oprimida pelos Filisteus, mais adiantados em armas e cultura. Sansão distinguiu-se por sua força e foi feito líder de seu povo, embora demonstrasse irresponsabilidade e frequente imaturidade.
Hércules nasceu em Tebas, importante cidade grega onde ele se casou com a princesa Mégara que lhe deu vários filhos. Hércules era descendente da dinastia Perseida de Micenas e Argos, enquanto Sansão é um homem filho de camponeses pobres da pequena vila de Zorá, de uma tribo pouco expressiva e interessou-se em casar com uma jovem Filisteia, da cidade de Timnate.
Entre as façanhas de Hércules e Sansão vemos clara diferença entre o fantasioso e o real. Hércules luta e vence monstros como os centauros que são metade homem metade cavalo, um dragão de cem cabeças, um gigante de seis braços e quatro asas, um cão de três cabeças, uma serpente de nove cabeças que se regeneravam e separar as montanhas do Estreito de Gibraltar. Por outro lado, as façanhas de Sansão não têm elementos fantásticos embora, sejam extraordinárias como vencer um leão, vencer um exército armado apenas com uma queixada de jumento, arrebentar amarras, arrancar um portão de cidade e finalmente derrubar com as mãos as colunas que sustinham o templo Filisteu.
O fantasioso do mito grego se distingue do histórico da Bíblia nos detalhes. Enquanto Sansão mata apenas um leão jovem, Hércules mata um leão mágico de pele invulnerável. Enquanto Sansão ora a Deus e uma força sobrenatural o toma, Hércules é naturalmente forte por ser filho de Zeus. De fato, o semi-deus Hércules é deificado no final da história.
Podemos ver um certo fundo histórico na lenda de Hércules que remete aos primórdios da colonização grega na costa do Egeu. A Europa é descrita como um continente selvagem, repleta de animais como corças, javalis, touros e até leões, um animal que só existiu na Europa pré histórica. Como os gregos descreviam a existência ainda comum de leões na Europa se estes já deviam estar extintos? Aparentemente não existe um período tão grande entre a pré história e a história da civilização pois os gregos pré clássicos achavam que certos animais da idade do gelo ainda eram comuns em seus dias.
O fundo histórico de Hercules reflete ainda a distorção da profecia de Gn. 3:15 e da batalha do Messias contra Satanás a antiga serpente. Hercules luta com a hidra, com dragões assim como se espera que o Messias vença a serpente. Hércules vai a lugares fantásticos como o jardim das Hespérides, onde há uma árvore com frutos de ouro que é guardada por um dragão, o que nos lembra da árvore da vida no jardim do Éden que é guardada por uma serpente.
A luxúria de Sansão e seu namoro com Dalila o levou ao cárcere e a morte prematura no templo Filisteu, ficaram famosas e são mostradas na Bíblia como o ponto fraco do herói, mas com Hércules não há pontos fracos no idealismo do herói mitológico. Hércules é devasso, teve pelo menos três esposas, fica louco, mata seus filhos, em um episódio dorme com as cinquenta filhas do rei Téspio e tudo isso é mais um motivo de heroísmo do homem que inspirou os jogos gregos.
A morte de Hércules é uma tragédia tola, após sua esposa Dejanira ser enganada por um centauro, ela faz uma camisa que imagina que a magica desta fará Hercules não ser infiel no casamento quando na verdade a camisa queima seu corpo, no entanto, em vez de tirar a camisa Hércules se suicida atirando-se a uma pira funerária incendiada e depois é divinizado por Zeus que o recebe no Olimpo entre os imortais.
Ao contrário, a morte de Sansão que parece um suicídio está muito longe de o ser. Cego e humilhado, Sansão ora ao Deus de sua infância e pede que lhe de forças pelo menos mais uma vez para cumprir a missão que nunca havia cumprido, livrar seu povo dos Filisteus. Ele derruba as pilastras que sustem a casa de Dagon o deus Filisteu e com isto morrem centenas dos mais importantes Filisteus dando liberdade ao seu povo, mas para Sansão, já era tarde demais para escapar.
Não há mito em Sansão! Mesmo sua força não pode livrá-lo de passar sede, ficar cego ou ser esmagado pelos escombros do templo. Sua morte não é uma tragédia fruto de poetas gregos para ser encenada em teatros para divertir o povo, sua morte é uma oferta para que outros tenham liberdade, assim como a morte de Cristo não é um suicídio, mas a oferta de um Deus que visita os homens e a si mesmo se entrega para que a humanidade desfrute a oportunidade arrependimento e vida eterna através da sua morte substitutiva.

Por Pr. Ericson Danese

Um comentário:

António Jesus Batalha disse...

Olá meus queridos irmãos. Paz e graça de Jesus.
Parabéns pelo blog muito edificante. Eu acredito que; crescemos quando lemos, quando partilhamos.
Aprendendo uns com os outros, crescemos na graça e conhecimento da Palavra.
Aproveito a oportunidade para partilhar também meu blog. Contém ensinos, de crescimento, edificação e exortação, muitos poemas e algumas músicas tudo dentro do carisma evangélico.
Ficarei feliz por vossa visita e muito mais ainda se nos seguir.
Que Deus continue a abençoar-vos ricamente. António Batalha.