sexta-feira, 15 de junho de 2012

A Rainha dos Céus


Não vês tu o que eles andam fazendo nas cidades de Judá, e nas ruas de Jerusalém? Os filhos apanham a lenha, e os pais acendem o fogo, e as mulheres amassam a farinha para fazerem bolos à rainha do céu, e oferecem libações a outros deuses, a fim de me provocarem à ira. Acaso é a mim que eles provocam à ira? diz o Senhor; não se provocam a si mesmos, para a sua própria confusão?

Jeremias 7:17-19

Rainha dos Céus era o título da deusa babilônica Ishtar da guerra, do amor e da fertilidade é uma versão da deusa Inanna dos Sumérios, da Astarte dos Cananeus, de Ísis, Hathor, Sekhmet ou Bastet dos Egípcios. Associada ao planeta Vênus ou uma roseta na mitologia babilônica e com a estrela Sírius para Ísis Egípcia, em culturas mais distantes, seu significado se fundiu com a cultura da ‘deusa mãe’ ou distorceu-se um pouco mais, dividido-a entre diferentes identidades e personalidades como vemos na versão grega das deusas Artemis, Atena e Afrodite, ambas figuras do panteão grego, mas oriundas de etnias gregas diferentes que pouco a pouco formaram a lista das divindades gregas.
É estranho pensar em porque ela sendo uma deusa feminina do amor, veio a se tornar uma deusa da guerra, uma vez que guerra era uma atividade masculina. Talvez o mito tenha somado características de uma figura histórica posterior ao culto de Inanna. Não seria estranho se descobríssemos no passado de Babel a figura de uma líder mulher que possa ter influenciado as mudanças no culto Inanna/Ishtar tal como rainhas sacerdotisas a exemplo de Jesabel e Cleopatra influenciaram seus países. Sabemos por exemplo como em períodos arcaicos da Suméria, a filha do grande Sargão tornou-se sacerdotisa e líder muito influente de Ur.
Existem pelo menos duas listas de reis pré e pós diluvianos da antiga suméria, uma de cerca de 2000 a.C e outra do 3º século a.C, ambas são similares em números e nomes e se parecem muito com a cronologia Bíblica, exceto porque as idades são muito mais elevadas no caso das listas seculares. Na lista suméria, após o dilúvio temos a dinastia de Kish reinando, tendo Gaur como soberano. Seria Kish o Cush pai de Ninrode? Seria Gaur o próprio Ninrode? Muitos advogam que Ninrode é apenas um título de soberano tal como César.
Na linha 47 da inscrição cuneiforme menciona-se que após o reinado de Gaur, uma mulher assumiu a soberania. A linha diz “Khulla-Nidada, a divina donzela”[1]. De fato, o título ‘divina donzela’ lembra muito os mitos de Inanna, Ishtar, Artemis e outras deusas da antiguidade. Acho provável que Khulla Nidada tenha existido apesar da Bíblia não falar nada sobre ela. Penso que represente uma rainha mãe local, que pode ter dado origem ao culto de Ishtar. Se ela era aparentada ou não com o Ninrode bíblico (mãe, irmã, filha) não podemos saber e qualquer declaração é mera especulação.
O controle da religião nos primórdios da humanidade pós dilúvio teve muito haver com a sabedoria sobre as estações do ano e conhecimento das épocas para a colheita. Veja como as religiões ancestrais eram focadas em cultos a fertilidade. O texto Bíblico menciona que com as alterações climáticas provocadas pelo dilúvio, surgiram as estações do ano e certamente aqueles que estavam no poder do governo de babel deveriam ter uma explicação para tais acontecimentos que determinavam a sobrevivência da civilização.
No culto de Ishtar/Inana, a deusa era mãe, amante e esposa de Tamuz o protetor de Babel e filho de Marduk, assim como para os sumérios Inanna é a consorte de Dumuzi que após voltar do submundo, surpreende seu marido com uma amante, sendo que a origem das estações se dá a partir de então tendo Dumazi por seis meses no mundo dos mortos e nos outros seis meses sua amante, enquanto ele está entre os vivos. Entretanto, na versão babilônica Tamuz é morto e Ishtar desce aos infernos para resgatá-lo, trazendo de volta ao mundo dos vivos onde ele vive seis meses de primavera/verão com ela e seis meses de outono/inverno no mundo dos mortos. Ou seja, Tamuz passou de traidor à vítima.
Esta mudança provavelmente se deve a alterações políticas e econômicas no modo de vida. Esta novidade no culto será compartilhada com sírios, fenícios e se tornará o Osíris Egípcio e o Adônis dos gregos. No rito de Tamuz, as mulheres choravam por sua morte no 4º mês, que corresponderia a meados de Junho e Julho do nosso calendário. Na época do domínio babilônico, vemos este ritual sendo descrito por Ezequiel como abominação ao Senhor, Ez. 8:14-15.
Em Isaías 14 o anúncio da queda de Babilônia mistura-se a decadência de Lúcifer o portador de luz, anjo que se rebelou contra o governo de Deus, esperando receber a mesma adoração que Deus (14:12-15). Seu título ‘filho da alva’ e ‘portador de luz’ o identifica com o nome Lúcifer e seu símbolo é a estrela da manhã, ou seja, o planeta Vênus. Sob este ponto de vista, para o Israelita dos dias de Isaías, Ishtar adorada como o planeta Vênus era o próprio Lúcifer!
O culto da deusa conheceu diferentes vertentes nos mais diferentes lugares, seja como mãe Terra ou como esposa do deus, ou ainda mais popular como mãe do deus. Repare na semelhança dos ídolos do passado, mostrando claramente a derivação religiosa:

·         Deusas com características que lembram anjos (indicação a Satanás);

·         Deusas que lembram rainhas e soberanas em tronos (indicação rainhas e sacerdotisas);

·         Deusas da beleza e do amor (indicando personagens como a descendente de Cain, chamada Naamá, que significa a bela, Gn.4:22)

·         Deusas que aparecem dominando animais como leões, corujas e serpentes (indicação a deusa mãe, uma memória de Eva, a ancestral que viveu no jardim entre as feras);

Obviamente os símbolos são relativos à interpretação de cada cultura, mas o que Isaías estava querendo dizer é que os deuses babilônicos eram na verdade o próprio Satanás e o rei de Babilônia receberia o mesmo destino reservado a Satanás. Interessante! Ao conectarmos Ishtar com Inanna dos sumérios descobrimos sua ligação com figuras ancestrais femininas que foram mistificadas, então, Satanás induziu as pessoas a adorarem personalidades mortas, quando na verdade estavam a adorando ao próprio Sataná.
Ao serem adoradas figuras matriarcais em forma de lindas estátuas modernas, como rainhas e ‘mães’ espirituais, não seriam estas figuras uma alusão aos mesmos demônios que foram adorados pelos Babilônios como rainha dos céus.
A Bíblia diz:
“Os outros homens, aqueles que não foram mortos por esses flagelos, não se arrependeram das obras de suas mãos, deixando de adorar os demônios e os ídolos de ouro, de prata, de cobre, de pedra e pau, que nem podem ver, nem ouvir, nem andar, nem ainda se arrependeram dos seus assassiníos, nem das suas feitiçarias, nem da sua prostituição, nem dos seus furtos” Ap. 9:20-21



Por Pr. Ericson Danese
Bibliografia Geral, ver postagens anteriores das séries sobre civilizações.


[1] Silva, Rodrigo. Escavando a Verdade, 64.

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