sexta-feira, 20 de julho de 2012

As bênçãos da tenda de Sem

Alargue Deus a Jafé, e habite nas tendas de Sem; e seja-lhe Canaã por servo.
Gênesis 9:27

Por volta de 2500 a.C, os jônicos são identificados em registros hititas como um povo habitando a costa ocidental da Ásia Menor, esta é a época em que Moisés está escrevendo Gênesis e os Assírios chamaram este povo de jamnai, o povo que nós conheceríamos como Gregos.
Eles chamavam a si mesmos de Helenos e seu país de Helade, o termo ‘Gregos’ surgiu quando com os Romanos. Sua civilização tinha uma extensão desde as praias da Espanha até a Ásia Menor, costeando o Mediterrâneo norte e adentrando nas ilhas e penínsulas da Europa. Eram artistas, comerciantes, inventores e escritores que absorveram e modificaram a cultura do mundo de seus dias, fundando o pensamento e a cultura ocidental e também teriam um lugar fundamental na história e na profecia Bíblica.
A tabela das nações em Gn. 10 os apresenta como netos de Noé, filhos de Javã, filho de Jafé. Do nome Javã, teria vindo o nome Iônios ou Jônios e sua terra foi a Jônia, ao oeste da Ásia Menor, onde ficaram pouco tempo. Segunda a Bíblia, Javã teve quatro filhos, embora os nomes possam apenas significar as etnias que surgiram e formaram nações a partir destes quatro, sendo eles:
Elisá, filho de Jafé é para Flávio Josefo o ancestral dos Eólios, seu nome perpetuou-se nos campos Helísios, o céu dos gregos, no termo Helenos designação para gregos e em muitos outros lugares e personagens do Mediterrâneo por onde os gregos estenderam suas colônias e comércio como Lisboa, Lusitânia, Andalusia, Lísias, Luso. Seu nome está em Hélios o deus solar de quem os gregos alegavam descender, em Eólo, o deus do vento e filho de Hélios e em muitos outros nomes como Helena, com as regiões da Élide ou Élis que pode referir-se a Grécia continental. Ez. 27:7 diz que Tiro negociava tecido púrpura da ilhas de Elisá, talvez Sicília e Sardenha ambas colonizadas por gregos.
Társis, filho de Jafé, parece referir-se a diferentes colônias gregas, tanto na Ásia Menor na Cilícia onde a cidade de Tarso preservou seu nome incluindo no rio daquela região, ou na Tartessos da costa da Espanha, onde gregos e fenícios tinham postos avançados e comércio com os Ibérios. Na mente dos escritores Bíblicos, Társis era uma terra remota, pois é mencionada assim em lugares como Isa. 66:19, Salm. 72:10 e Jn 1:3. Não faria sentido ser a Tarso de Saulo ou Paulo.
Os Ibérios foram um povo misterioso e não grego, mas ao sudeste de suas terras, seu litoral desenvolveu uma região de intenso colonialismo e mistura étnica religiosa. Os Ibérios tinham os celtas que os conquistaram do norte, tinham os Fenícios que fundaram ali suas colônias e finalmente os gregos, todos juntos num local que os romanos chamaram de Tartessus, de onde saiam navios para o resto do mediterrâneo com metais retirados daquela mina, aliás, Társis significa fundição, ou refinaria e pode ter sido o nome de vários locais.
Quitim, filho de Jafé, para Flávio Josefo é pai de tribos gregas que colonizaram as ilhas do Egeu em direção ao Ocidente. Os textos de Isa. 23:1 e 12 identificam como uma terra próxima a Tiro e Sidon. Jeremias 2:10 e Ezequiel 27:6 os Quiteus moram em um conjunto de ilhas. Josefo identificou sua capital principal com o Chipre e a cidade de Citium ou Kition, conhecida pro Gregos e Romanos.
Os judeus traduziram na Septuaginta a palavra Quitim de Dn. 11:30, por Romanos, embora comentaristas concordem que o uso ali seja para gregos em geral. O livro apócrifo de I Macabeus descreve Alexandre o Macedônio como vindo da terra de Quitim, já um tratado rabínico medieval, o Yosippon, diz que Quitim acampou no sul da Itália, na região hoje chamada de Campania onde construíram a cidade de Posomanga. De fato, na atual da Campania encontramos Nápoles, que origina-se de uma cidade grega chamada Neapolis conquistada mais tarde pelos Romanos. Pode estar relacionados com os Sabinos, povo da península Itálica que tinha um dos seus deuses chamado Quirino, visto como ancestral dos Romanos e identificado até mesmo com Rômulo o fundador de Roma.
Dodanim, filho de Jafé é o progenitor dos gregos da ilha de Rhodes, onde foi construída a gigantesca estátua do colosso de Rodes, uma das 7 maravilhas do mundo antigo. Sua estátua era em homenagem ao deus Hélios, o que mostra sua origem como tribo grega arcaica, quando Zeus e os Olímpicos não eram tão importantes quanto os ancestrais fundadores. Alguns apontam que eles também estariam ligados aos gregos macedônios.
Mas os gregos misturam-se a outros povos nativos da costa do mediterrâneo como os primitivos Pelágios que eles descrevem como habitantes nativos da Grécia continental, os Íberos da Espanha, povos da península Itálica, Cretenses e da cultura Nuráguica na Sardenha.
Muitos dos deuses gregos se originaram do sincretismo religioso através do contato com estas nações. Os gregos antigos aparentemente cultuavam as forças da natureza, como é característico nas tribos indu europeias, suas divindades primordiais são Titãs que personificam o oceano, a terra, o céu, o Sol e a Lua. No entanto, após as misturas com tribos camitas em Creta, com os Pelasgos e com as colônias Fenícias novos deuses o costumes de adorar ancestrais foram amplamente difundidos na Grécia. Isto foi visto no costume de consultar oráculos, uma prática mediúnica muito comum na religião grega.
Segundo as lendas gregas, Zeus é o grande adivinho, o que o conecta também com Odin nórdico. Um dos mais antigos santuários de adivinhação é o de Dodona, no noroeste da Grécia que segundo Heródoto foi construído quando uma pomba voou de Tebas no Egito e falou que um santuário deveria ser feito naquele local. De fato, Zeus encontrará conexão com Amom Egípcio, outro adivinho.
No local onde havia um carvalho foram construídos santuários dedicados a Reia, Zeus e mais tarde, Hércules. Outros oráculos famosos existiram em Olímpia, Chipre, Creta, Atenas e na famosa Delfos, onde o oráculo de Apolo atraia pessoas de todos os lugares para consultarem a pítia. Mas estas divindades como Apolo e Afrodite são mais tardias na Grécia e conforme estudiosos, elas carregam uma grande influencia Asiática.
Quando os gregos traçam sua origem, não o fazem do famoso Zeus, ancestral de muitos reis e heróis gregos. É como se estivessem dizendo que Zeus é uma divindade posterior, hibrida de suas relações com outras nações, que embora fosse o atual e popular rei dos deuses, não era o seu ancestral. Eles nem sequer traçam sua origem de um deus Olímpico como o solar e brilhante Apolo, tão importante para suas artes e oráculos. Curiosamente eles têm duas divindades solares distintas, Apolo e o arcaico Hélios, sendo o mais antigo um titã, um deus descartado, mas que para eles era o progenitor de seu povo.
Na lenda, Hélio era o filho de Deucalião o sobrevivente do dilúvio, um titã solar adorado pelos primeiros gregos, que tardiamente o trocaram por Apolo como divindade solar, culto que deve ter sido importado da antiga Tróia. Éolo, deus dos ventos e filho de Hélio, era considerado o pai mítico dos Eólios, tribo grega que colonizou as ilhas e o litoral do mar Egeu. O Sol como astro supremo e o vento que ajudava estes primeiros navegadores que segundo a Bíblia (Gn.10:5) repartiram as ilhas entre si não seriam divindades óbvias dos ‘gentios’ filhos de Javã?
Conforme o mito grego, Doro, filho de Éolo colonizou o Peloponeso e seus descendentes foram chamados de Dóricos. Xuto, o segundo filho de Éolo foi expulso da Tessália por seus irmãos e refugiou-se em Atenas onde casou com a princesa Creusa e foi pai de Íon de onde vieram os Jônios e de Aqueu, de onde vieram os Aqueus.
A coincidência é muito grande entre a descrição Bíblica e a tradição da mitologia grega. Na Bíblia, Javã foi pai de quatro tribos gregas que descenderam dele (Elisá, Társis, Quitim e Dodanim) e a mitologia designa os gregos como quatro etnias históricas (Eólios, Jônios, Aqueus e Dóricos).
Apenas esta origem em comum é capaz de explicar como as pontilhadas e individualistas cidades-estados gregas sempre mantiveram um intercâmbio cultural capaz de fundar a democracia ou fazer diversas descobertas cientificas. Suas famosas cidades como Atenas dos cultos artistas e filósofos ou Esparta dos famosos guerreiros finalmente foram unificadas por Alexandre o Grande da Macedônia que alastrou um império que varreu do Mediterrâneo até a Índia e implantou o que foi chamado Helenismo. Ele fundou o reino que Daniel chamou de cintura de bronze em Dn.2 e que mais adiante descreveu com a velocidade de leopardos com quatro asas e se dividia em quatro cabeças, significando as quatro divisões do império Alexandrino. Ele, Alexandre é o bode que grande chifre que abate os Medo Persas, mas tem seu chifre quebrado em pleno auge. Na história Bíblica, Alexandre é um coadjuvante que cumpre seu papel e sai de cena dando lugar ao plano de Deus.
Os soldados de Alexandre fundaram cidades com a cultura Grega, espalharam o idioma e principalmente o alfabeto grego. O grego koine, um língua bem mais versátil que as línguas antigas tornou-se o idioma oficial do império e foi mantido inclusive por Roma que sucedeu o domínio mundial dos gregos, mas o absorveu sua cultura. Foi nesta língua que os escritores do Novo Testamento propagaram o Evangelho que pode ser conhecido por todo o mundo da época.
Este era o plano de Deus. Gregos e Romanos, descendentes de Jafé dominaram o mundo, incluindo as nações Camitas e ao abraçarem a fé Cristã através das pregações de Paulo, o apóstolo aos gentios que visitou a Grécia em lugares como Filipos, Tessalônica, Beréia, Atenas e Corinto foram convertendo-se e abandonando os rudimentos do paganismo. Suas cartas e discípulos inundaram o império Romano e converteram o próprio império que terminou rejeitando o paganismo e aceitando o Cristianismo. De certa forma, ao abraçar a fé judaico/cristã, o mundo helenizado dos descendentes de Jafé, ‘espiritualmente’ habitaram nas tendas de Sem, cumprindo a profecia de Gn. 09:27.

Por Pr. Ericson Danese

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