sexta-feira, 13 de junho de 2014

X-Men e X-Cristãos

Se você não é cristão e vai ao cinema ver o próximo filme de X-Men, então até entendo sua diversão, pois eu já fui adolescente e já li as revistas dos mutantes no meu remoto passado, mas te digo que há coisas melhores. Porém se você é cristão, quero te convidar a refletir no universo destes personagens, coisa que em algum momento eu fiz e cheguei a algumas conclusões.
Nos anos 60 a mente criativa do roteirista de histórias em quadrinhos Stan Lee, criador de personagens como Homem Aranha, Homem de Ferro, Hulk e Quarteto Fantástico decidiu que era hora de criar todo um grupo de novos personagens. Devido as leis daquela época, Lee e sua esposa foram impedidos de adotar uma criança porque eram um casal de religiões diferentes, ele judeu e ela cristã. Em entrevista para o History Channel, Stan Lee admitiu que esta experiência amarga de preconceito serviu de inspiração para uma de suas maiores criações, os X-Men.
Stan Lee imaginou um grupo de heróis que em vez de serem admirados eram odiados, por puro preconceito. “O princípio fundamental de ‘X-Men’ era tentar ser uma história contra a intolerância para mostrar que existe bem em todas as pessoas” disse Stan Lee[1].
X-Men promoveu um grande debate cultural num momento da América em que se discutiam os direitos civis dos afro americanos. No entanto, apesar de pregar tolerância e paz, o enredo de X-Men apresentava um grupo de jovens com poderes especiais que treinava para combater pela força outros mutantes ou mesmo humanos comuns. Na trama das revistas de X-Men, a crise social chega ao ponto em que o governo homo sapiens estabelece robôs que caçam e dominam os mutantes.
De fato, os anos 60 tiveram grupos de vigilantes semelhantes aos X-Men que ‘combatiam’ a agressão a comunidade negra com a força, eram os Black Panthers ‘Panteras Negras’. Só que não foi o movimento Pantera Negra que conquistou os direitos civis nos EUA e sim, o comovente, firme e pacifico protesto do pastor  Martin Luther King e sua revolução não violenta, seguindo a filosofia Bíblica de ‘dar a outra face’ Mt. 5:39.

Tente imaginar Wolverine dando a outra face e dizendo ‘ame os seus inimigos’? Conseguiria Wolverine entender o que Jesus disse a Pedro, de que quem vive pela espada morre pela espada? Mt. 26:51.
Mas quando o debate do racismo começou a minguar no fim dos anos 90, outro debate sobre intolerância dominou o cenário. Em X-Men, a maneira como os pais reagem quando descobrem que seus filhos são mutantes e os protestos civis anti-mutantes, lembram em muito os debates modernos sobre a questão homossexual.
X-Men saiu dos gibis e desenhos infantis para as telas de cinema através de Bryan Singer, que também dirigiu filmes como Superman Returns. Curiosamente segundo fontes de sites sobre cinema, Singer é gay assumido.[2]
“A história da Cura Mutante vista em ‘X-Men: O Confronto Final’,
por sua vez, foi elaborada por Joss Whedon nos quadrinhos, especificamente para fazer referência às dificuldades vividas por homossexuais”.[3]
A apologia moderna de X-Men ao homossexualismo nunca foi velada, até uma capa de X-Men traz o casamento de dois mutantes gays[4]. Os roteiristas chegaram a admitir que eles e Singer fizeram ‘referencias ao universo gay’[5].
Quando X-Men se tornou sucesso graças a suas aventuras e efeitos especiais arrebatadores, o resto do mundo e mídia também caminhavam a passos largos na defesa da chamada ‘causa gay’ e  qualquer religioso ou grupo que não aceite o COMPORTAMENTO homossexual tornou-se taxado de ‘preconceituoso’, invertendo a ‘gangorra da opinião pública’ e lançando a defesa do velho modelo Bíblico de casamento e família ao rótulo de homofóbico e preconceituoso.
Na verdade, ‘mundo de X-Men’ tem até mesmo um personagem que aparentemente é um reflexo dos evangélicos conservadores, é o fictício ‘senador Kelly’, mostrado como ignorante e intolerante.
No campo teológico, X-Men é cheio de contextos e quadros escatológicos, como leis e decretos, cadastramento de mutantes, perseguição pelos ‘sentinelas’ e títulos como ‘Complexo de Messias’, ‘Dias de um futuro esquecido’ e ‘A era do Apocalipse’
Seus personagens curiosamente invertem conceitos Bíblicos. Apocalipse na Bíblia é o livro da revelação de Jesus Cristo sobre como Ele salvará a igreja, mas Apocalipse nos X-Men é o pior vilão que quer destruir e escravizar.
Entre os mutantes há um homem com asas que é chamado de
‘Anjo’, um ser com aparência sinistra chamado Noturno, mas que é bondoso (ahh como gostamos de chamar o bem de mal e o mal de bem!), uma mulher chamada Mística capaz de mentir e se disfarçar de qualquer homem ou mulher, um herói chamado Gambit que na verdade foi um ladrão, um estranho guerreiro que tem o nome de Bishop que significa Bispo.
O professor Xavier e outros mutantes chamados ‘telepatas’ podem controlar mentes, quase que hipnotizar os demais, induzindo pensamentos e emoções. Ele viola a consciência e o livre arbítrio das pessoas, mas nada comparado a Jean Grey que incorpora uma entidade chamada Fênix Negra. Muito interessante, afinal Fênix é um símbolo satanista clássico e ela se comporta como tal ao destruir e matar. Jean literalmente é a médium que recebe esta entidade!
Qual é a origem dos poderes dos X-Men? Nunca se viu um X-Men orando ou pedindo forças a Deus! Embora os X-Men sejam alegadamente de vários países e religiões, isso para dar o ar de inclusão e tolerância, nenhum deles faz coisas extraordinárias ou milagres em nome de Deus, pois isso não faz parte da temática!
X-Men não são chamados de filhos de Deus, eles são os filhos do átomo, pois a mutação é ocasionada pela ‘evolução’.
Apesar do clima de ciência, a mutante Tempestade é chamada nas revistas e desenhos de ‘bruxa do tempo’, ela vem de uma tribo africana onde se praticava bruxaria, que no mundo X-men é uma forma de mutação. Ela ‘convoca’ os ventos, chuvas, assim como xamanismo.
Por falar em místicos, o maior vilão de X-Men é Magneto e ele tem dois filhos. Wanda e Pietro, sendo a primeira uma feiticeira que se veste de vermelho e o segundo, um velocista que adota o nome no Brasil de Mercúrio, o deus Romano, mensageiro do Olimpo, deus do comércio e dos ladrões. Magneto várias vezes se refere aos mutantes como ‘deuses’ comparados aos comuns homo sapiens.
Magneto era para ser vilão, mas você não consegue detestar ele! Você sente empatia por ele. Coitado! Um menino judeu, separado de seus pais, perseguido pelo preconceito nazista. Magneto é claramente inspirado no próprio Stan Lee que também é judeu. No final, ele sempre parece acabar se unindo a Charles Xavier, como Lee se unia ao desenhista Jack Kirby com quem brigava muito, mas também era amigo e foi co-fundador dos X-men.
Mas nessa ficção, onde a evolução massacrou as doutrinas Bíblicas da Criação, Pecado Original, Redenção e Salvação, a humanidade segue evoluindo sem elos intermediários como Richard Dawkins sonharia em ver, X-Men evoluem aos saltos, no despertar da adolescência e o mais popular desses saltos evolutivos é Wolverine.
No enredo de X-Men ele foi um mutante aperfeiçoado para ser um assassino, mas se rebelou e juntou-se aos ‘bonzinhos’. Mas que bom exemplo ele é! Bebe, fuma seus charutos, bate em quem der vontade e justifica dizendo que é seu temperamento, é impaciente, arrogante e violento.
Wolverine é o símbolo do anti-herói moderno. Ele se tornou tão popular em seus dramas e personalidade de ‘durão’ que ganhou um filme solo onde é chamado de Imortal, título na Bíblia, exclusivo para Deus, I Timóteo 6:16.
Em X-Men, o legal é ser mutante e ter algum ‘poder’, mas na Bíblia, o ser mais poderoso do universo, desejou assumir a simples forma humana, escolhendo não usar seus poderes e esvaziar-se a Si mesmo, Filipenses 2:6-9.
Jesus veio a Terra para viver uma vida perfeita não usando seus poderes em benefício próprio e velando sua forma Divina na simplicidade da carne humana do pregador de Nazaré. Fez das Escrituras seu único poder (Mt. 4) e escolheu combater a intolerância com a revolução não violenta de ‘dar a outra face’ (Mt.5).
X-Men é uma ficção concebida para divertir, mas cheia de ideologias e filosofias que estão longe, ou a anos luz de distancia dos ensinos de Jesus. X-Men acerta na palavra tolerância, mas em seu conteúdo violento erra de forma grosseira seu alvo e contradiz o que pretende defender.

E quem venderia gibis e ingressos para o cinema para assistir um super-herói que não use poderes ou raios? O público quer a emoção da pancadaria, os efeitos especiais e as emoções do suspense e ficção! Me pergunto se uma mente aguçada por estes estímulos sentirá prazer na calma, simples e doce mensagem dos Evangelhos? Quanto a mim, eu tive que fazer uma escolha.
Jesus não vende gibis, sua teologia está drasticamente longe do mundo fictício de X-Men, mas sua mensagem, corretamente vivida e sem ser distorcida, ajudou Gandhi, Luther King a vencerem o ódio, intolerância e preconceito.
Percebi que a ficção banalizava a realidade dos milagres relatados na Bíblia, desisti dos gibis porque descobri que a Bíblia não pode ser rivalizada com ‘palha seca’. Também comecei a descobrir a história por trás das estórias dos heróis dos quadrinhos e do cinema.
O cristão precisa de leitura da Bíblia e não de contos de gibis! Não acho que você vai assistir X-Men e se tornar gay ou sair querendo atirar raios pelos olhos, mas lembre que as imagens semeiam pensamentos e os pensamentos se tornam em opiniões e elas geram ações.
Há toda uma nova espécie na igreja que vai me achar retrógada e clichê. Vão a igreja e durante os outros dias cultuam os ‘deuses do átomo’, pagam o ‘dízimo’ das salas de cinema e engrandecem mitos da imaginação humana que programam gerações de jovens a aceitarem uma agenda adversa a Bíblia! Esse novo tipo de cristão pretende ter desenvolvido o superpoder de ‘filtrar’ tudo o que assiste. Tais cristãos se tornaram uma coisa estranha, com um pé no mundo, outro na igreja, um tipo de ser mutante espiritual, um X-Cristão.

5 comentários:

Caio Cesar IASD disse...

Muito bem elaborado e reflexivo. Muito obrigado

Pr. Doug Pino disse...

Sem contar que o Personagem Anjo sofre "evolução" e se transforma em um "Arcanjo" (título de Jesus) se torna mal e sinistro e trabalha como um dos "cavaleiros do Apocalipse". Só depois de torna "bonzinho" denovo.

Fabiano Anderson Pedroso disse...

Excelente texto, parabéns.

Unknown disse...

Até eu que sou ateu gostei do seu texto, muito boa a analise me prendeu do inicio ao fim (até mesmo nas partes do proselitismo religioso)

Michele Rodrigues disse...

Excelente texto.
Muito bom usarmos a mídia contra a própria mídia.
Precisamos de mais textos assim.