sábado, 13 de junho de 2015

Viagem Interplanetária

Uma é a glória do sol, outra a glória da lua e outra a glória das estrelas; porque uma estrela difere em glória de outra estrela.” 1 Coríntios 15:45

“Nossas atitudes, nossa pretensa importância, a ilusão de que temos uma posição privilegiada no Universo, tudo é posto em dúvida por esse ponto de luz pálida. O nosso planeta é um pontinho solitário na grande escuridão cósmica circundante. Em nossa obscuridade, em meio a toda essa imensidão, não há nenhum indício de que, de algum outro mundo, virá socorro que nos salve de nós mesmos.”
Carl Sagan (Pálido Ponto Azul)

Estas palavras acima, foi a conclusão do astrônomo ateu ao descrever a foto tirada pela sonda Voyager a 6 bilhões de km da Terra. A foto mostrava um feixe de luz solar iluminando um pálido ponto azul, nosso planeta visto do ‘fundão’ do sistema Solar. Sagan acusou os religiosos de terem uma visão arrogante e ilusória sobre nossa existência. Porém, em termos de nos alertar sobre nossa insignificância, a Bíblia começou a fazê-lo muito antes da ciência. Na Bíblia o ser humano é chamado de ‘vermezinho’ ou ‘bichinho’ (Isa. 41:14), de gafanhotos (Isa.40:22), tudo para prevenir qualquer arrogância por parte do homem.
Porém aquilo que é insignificante a nível de universo físico, pode ser muito significativo para um Ser pessoal que é Pai de todos nós. É preciso apenas sair nas vizinhanças espaciais e encontramos o detalhado planejamento para condições favoráveis a vida neste planeta.

Lua:
Nosso planeta é acompanhado de um satélite que chamamos de Lua, que nos circula em aproximadamente 27 dias, mostrando para nós, sempre a mesma face, movendo-se a 57 mil km da Terra[1]. Sem a Lua a luminosidade noturna e as marés afetariam completamente a vida de centenas de espécies, comprometendo todo ecossistema. É pelas fases da Lua que aprendemos a marcar os nossos meses e desenvolvemos nossos primeiros calendários, possibilitando o desenvolvimento da agricultura e da civilização.
Sem Lua, a Terra giraria muito rápida e os dias seriam mais curtos tendendo a aquecer menos o planeta, além disso, os ventos seriam de constantes tufões dificultando muito a vida. A Lua também impede o desgoverno do planeta em sua rota, o que alteraria drasticamente o clima e as estações do ano. Sem a Lua do tamanho e peso que temos, talvez até nossa órbita em relação ao Sol fosse afetada.
Se observarmos nossos vizinhos rochosos, logo percebemos nossas vantagens. Uma atmosfera e uma magnetosfera nos protegem dos raios venenosos do Sol e de detritos espaciais que são queimados ao tentarem entrar em nosso planeta. 

Mercúrio
Por outro lado, Mercúrio tem sua rarefeita atmosfera varrida pela proximidade com o Sol, ele completa uma volta ao redor do Sol em 88 dias terrestres, e ao redor de si mesmo em cerca de 60 dias terrestres, ou seja, o ano de Mercúrio tem apenas 3 dias, nos quais atinge uma temperatura de 430º C de dia e a noite -170º C. Para nós, estas tão bruscas variações de temperatura seriam fatais. Mas na Terra uma posição privilegiada em relação ao Sol, nem tão perto que nossa água evapore e nem tão longe que ela congele, garante a temperatura ideal para a vida.
Além disso, diversos fatores ajudam a regular nosso clima, como a área dos continentes, a quantidade de Terra coberta pela luz e calor, as geleiras e a quantidade de dióxido de carbono (0,03%) e vapor de água[2] que afeta a transparência da atmosfera tanto para o calor que entra como para o que sai[3]. 

Vênus
No entanto em Vênus, cujo dia é mais longo do que seu ano o calor derrete o chumbo, já na Terra, nosso dia de 24hs nos livra de um super aquecimento ou esfriamento.
Vênus tem atmosfera tão estranha que os efeitos reflexivos produzem a imagem de até dois ou três Sóis. Vênus que é praticamente do mesmo tamanho que a Terra tem vulcões ativos, alta pressão atmosférica, 90 vezes maior que a Terra, com nuvens de ácido e gazes venenosos que aprisionam o calor num grande efeito estufa.
Enquanto atmosferas alienígenas estão lotadas de venenos a maior parte de nosso ar é composto de Nitrogênio, um gás quase inativo com poucas reações químicas[4]. Nosso precioso oxigênio poderia ter se combinado com o hidrogênio formando água, ou com o silício para formar areia, mas temos a quantidade certa em nosso ar, 20%, embora ele seja raro em outros mundos[5]. Se tivéssemos muito mais oxigênio seriamos constantemente varridos por incêndios e as rochas e elementos se desfariam mais rapidamente, se menos, teríamos dificuldade para respirar, também teríamos menos ozônio e estaríamos mais expostos aos raios nocivos do Sol[6]. O dióxido de Carbono está presente em 0,03% na nossa atmosfera. Pode parecer pouco, mas muito mais poderia produzir efeito estufa e muito menos provocaria a diminuição dos vegetais que renovam nosso oxigênio[7].
A água líquida é extremamente importante, mas apesar de termos encontrado algumas quantidades de água congelada pelo Sistema Solar, não sabemos de nenhum outro planeta no universo que tenha a abundância que temos de água líquida.

Marte
Marte, sabemos que no passado houve abundância de água[8], além de muitos rios secos, canais e mais de 52 deltas encontrados pela sonda Spirit, a NASA acredita que o norte de Marte

abrigava um oceano que ocupava 36% de seu globo[9], mas misteriosamente ele sumiu de sua superfície e hoje, o planeta vermelho é um deserto seco, frio, inativo geologicamente e açoitado por estações do ano muito mais extremas do que as nossas.
O planeta vermelho teria chances de vida, mas é inóspito! Leva quase dois anos para contornar o Sol, mas sua órbita é elíptica de forma que suas temperaturas variam muito. Além disso, suas estações do ano são mais longas e rigorosas, pois sua inclinação do eixo é maior, 25,19º, apenas um pouco mais que os nossos 23,5º, mas que produzem uma diferença tremenda. A temperatura máxima de Marte é de 20º no verão do seu equador, sendo em geral temperaturas abaixo de zero grau e com nevascas de carbono nos polos. Isto provoca no verão de Marte uma insolação maior sobre seus polos, que ao sublimar as calotas polares as transforma em nuvens de dióxido de Carbono, produzindo grandes tempestades de areia de nível global.
Menor do que a Terra seu campo magnético é apenas 2% do Terrestre, de forma que Marte está exposto demais aos perigos do espaço. Os solos de Marte são ricos em óxido de ferro, que produz sua coloração vermelho e alaranjada. Enquanto em nosso planeta, o Criador dispôs os solos em proporção certa de oxigênio, ferro, silício, alumínio e magnésio. Se fossem maiores as doses de ferro ou magnésio, nossa riqueza de oxigênio estaria ameaçada, assim como em marte há só resquícios de oxigênio e vapor d’água em suas poucas nuvens[10].
Marte possui geologia colossal, como o maior vulcão do sistema solar com 27km de altura (Monte Olimpo, parece inativo) e desfiladeiros com até 4000km de comprimento e 7km de profundidade. Marte comprova que não basta um planeta ter condições favoráveis, é preciso ser modelado pela inteligência do Criador.

Depois de Marte encontramos um cinturão de asteroides parece estar presente onde um planeta está ausente. Além destes, chegamos região gélida do sistema Solar com o grupo dos planetas chamados de gigantes gasosos. Estes planetas desempenham um papel fundamental na preservação da vida em nosso planeta, desviando ou absorvendo meteoros e cometas que poderiam atingir nossa Terra. Isso foi comprovado e documentado em 1994, quando o cometa Shoemaker Levi-9 foi sugado pela gravidade de Júpiter e precipitou-se em seu interior.

Júpiter
Júpiter tem 85% de hidrogênio, o mesmo combustível das estrelas[11]. Dentro de Júpiter caberiam 1300 planetas Terra, acredita-se que abaixo de sua camada de nuvens e tempestades que varrem a atmosfera de Júpiter de um lado a outro, exista um interior de líquidos e sólidos de Hidrogênio e Hélio combinados sob alta pressão.
Júpiter coordena 63 satélites conhecidos, entre eles as famosas luas de Galileu. Io reage com fricções internas ao poderoso campo magnético de Júpiter e produz  tremendos vulcanismos lançando material ao espaço. Calisto é gelado, assim como Ganimedes que é maior que o próprio planeta Mercúrio. Ainda temos Europa, atraindo a atenção dos astrônomos que procuram água líquida embaixo do gelo de sua superfície.

Saturno:
Saturno uma obra de arte do Criador, tem uma densidade menor que da água, se mergulhado numa piscina do seu tamanho iria boiar. Seus anéis são de cristais de gelo que vão desde um grão de arroz até o tamanho de uma casa. Saturno demora 30 anos para contornar o Sol e coordena cerca de 60 luas, entre elas Titã um mundo gelado maior que Plutão com prováveis lagos de metano
ou etano[12] e Encedalus, a lua com gêiseres misteriosos.
Janos e Epimetheus são satélites de Saturno com órbitas extremamente próximas, de tal modo que a cada quatro anos trocam de órbitas. Estes processos exigem um delicado e improvável relacionamento entre massa, velocidade e distância.

Urano e Netuno:
Se a Terra tivesse o tamanho desses gigantes gasosos, como Urano, não poderia ter os elementos que temos pois tamanha pressão e gravidade produzem outros efeitos sobre outros elementos como gazes eletrificados ou metálicos. A grandeza dos planetas gasosos como Netuno, faz com que produza mais calor interno do que recebe do Sol, e produzam grandes tempestades como a de 2 mil km/h de um furacão maior que a terra em Netuno, ou nas manchas de  Júpiter ou ainda, em Saturno onde raios iguais se ocorressem na mesma intensidade aqui, fritariam tudo o que existe.

Cinturão de Kuiper
Plutão, recentemente rebaixado a planeta anão é menor que nossa Lua e seu dia como uma de nossas noites mais claras não são muito amistosos, para sobreviver por lá, seria preciso suportar -230ºC[13]. Distante e gelado, ele está na zona do cinturão de Kuiper, onde acompanhado de seus três satélites naturais Caronte, Hidra e Nix faz vizinhança com muitos asteróides e os recém descobertos planetas anões como Éris que é maior que Plutão e seu satélite Disnomia e os planetóides Sedna, Orcus, Quaoar e Varuna.

Que opções nós temos fora do sistema solar?
Hoje, conhecemos centenas de planetas conhecidos fora do Sistema Solar, chamados de exo-planetas, eles normalmente são gigantes gasosos como Júpiter, mas já estamos achando planetas menores provavelmente rochosos.
Em 2007 encontrou-se o primeiro planeta aproximadamente do tamanho do nosso, em uma zona estelar teoricamente propícia a vida. Trata-se de um de três planetas descobertos orbitando a estrela Gliese 581[14]. Este planeta seria pouco maior que o nosso e apesar de estar mais próximo de sua estrela, ele poderia ter temperatura capaz de conter água líquida, pois a anã vermelha é mais fria que nosso Sol. Seu ano duraria 13 dos nossos dias e a temperatura estaria entre 0 e 40º C.
Ainda assim, mesmo com temperatura ideal e mesmo se tiver água, a vida em Gliese é difícil, pois neste mundo em que você veria um enorme Sol vermelho qualquer vida teria que suportar grandes bombardeamentos de radiação. Também teria que suportar uma força gravitacional bem maior do que a nossa, lá em Gliese, um homem de 70kg pesaria 140kg[15].

Nesta viagem interplanetária, podemos observar o quanto nossa Terra é singular. O que sabemos já é o suficiente para entendermos que o pequenino e pálido ponto azul é na verdade um oásis em meio a inúmeros anos luz de território densamente ocupado por estrelas e planetas mais hostis.
Como diz o texto de I Cor. 15:45 tudo tem sua glória e lugar. O homem e sua história não são motivo de muito orgulho ou glória, mas o amor e atenção de Deus por nosso planeta e nossa civilização são notáveis. Em vastos anos luz de investigações não encontramos nada igual a Terra, se assim é, será que não somos importantes? Será que moramos num pálido ponto azul ou num oásis de vida?
O Universo apresentar uma série de características finamente ajustadas para que possa existir vida inteligente na Terra. Seria possível uma série enorme de muitas coincidências e acasos benéficos? Ou estamos diante de desígnio, propósito e planejamento de um Ser inteligente?
Gosto desta descrição de desígnio de Ellen G. White:
“ Em todas as coisas criadas vêem-se os sinais da Divindade. A Natureza testifica de Deus. A mente sensível, levada em contato com o milagre e mistério do Universo, não poderá deixar de reconhecer a operação do poder infinito. Não é pela sua própria energia inerente que a Terra produz suas dádivas, e ano após ano continua seu movimento em redor do Sol. Uma mão invisível guia os planetas em seu giro pelos céus. Uma vida misteriosa invade toda a Natureza - vida que sustenta os inumeráveis mundos através da imensidade toda. Encontra-se ela no ser microscópico que flutua na brisa do verão; é ela que dirige o vôo das andorinhas, e alimenta as pipilantes avezinhas de rapina; é ela que faz com que os botões floresçam, e as flores frutifiquem[16].
Por que ao ver os indícios de um Criador duvidaríamos de sua existência ou que Ele nos ama e se interessa por nós? Se percebermos que alguém planejou nosso planeta, por que duvidar que o projetista nos visite?




[1] José Roberto V. Costa. “Sistema Terra-Lua”, pesquisado em http://www.zenite.nu/, publicado em 29/04/2008.
[2] Norman Geisler e Frank Turek, Não tenho fé suficiente para ser ateu, Editora Vida, 107.
[3] Stuart E. Nevins, “Planeta Terra: Plano ou Acidente?” - Stuart E. Nevins tem B.S. e M.S em geologia e é professor assistente de geologia no “Christian Heritage College”. Pesquisado em Sociedade Origem e Destino, http://www.criacionismo.com/index.php?menu_op=ver_artigo&artigos_op=arquivo&id_art=12&PHPSESSID=7d2add327e85c9712eb842cc932fe590 .
[4] Stuart E. Nevins, “Planeta Terra: Plano ou Acidente?”
[5] William J. Tinkle, “Um planeta adequado a vida”, publicado em Folha Criacionista e pesquisado em http://www.scb.org.br/artigos/FC12-45a51.asp (William J. Tinkle é Ph.D. e Professor Emérito de Biologia no Anderson College, Indiana, U.S.A. Reside atualmente em Eaton, Indiana, U.S.A)
[6] Stuart E. Nevins, “Planeta Terra: Plano ou Acidente?”
[7] Stuart E. Nevins, “Planeta Terra: Plano ou Acidente?”
[8] http://g1.globo.com/Noticias/Ciencia/0,,MUL6119-5603,00-SONDA+REVELA+MAIS+MARCAS+DE+AGUA+EM+MARTE.html (15/02/07 - 20h56 - Atualizado em 15/02/07 - 20h59) pesquisado em 15/06/2010.
[9] http://info.abril.com.br/noticias/ciencia/marte-tinha-oceano-que-cobria-36-do-planeta-14062010-10.shl (Segunda-feira, 14 de junho de 2010 - 11h06), pesquisado em 15/06/2010.
[10] Stuart E. Nevins, “Planeta Terra: Plano ou Acidente?”
[11] José Roberto V. Costa. Júpiter Quase uma Estrela. http://www.zenite.nu/, publicado em 05/02/2009 e pesquisado em 15/06/2010.
[12] http://astro.if.ufrgs.br/solar/titan.htm
[13] José Roberto Costa, “Planetas Anões Plutão”, http://www.zenite.nu/, publicado em 29/04/2008 pesquisado em 14/06/2010.
[14] Salvador Nogueira “Grupo acha planeta extra-solar habitável”, http://g1.globo.com/Noticias/Ciencia/0,,MUL26342-5603,00.html publicado em 24/04/07 - 20h00 - Atualizado em 25/04/07
[15] Jacob Silverman, “Existe apenas um planeta Terra?”, pesquisado em 22/06/2010 em http://ciencia.hsw.uol.com.br/outra-terra1.htm
[16] Educação 99.